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XXX Jornada da EBP Seção Bahia O insconsciente e a tranbsferência, hoje

HOSPEDAGEM WISH HOTEL DA BAHIA

As reservas devem ser feitas através do site do hotel e inserir o promocode (EBPBAHIA) para que seja aplicado o desconto.
Segue abaixo o passo a passo para a utilização do promocode pelo site:
Passo 2: Selecione o hotel Wish Hotel da Bahia, coloque o período que deseja se hospedar (datas no período de 11/11 a 15/11/2026).
 
Passo 3: Insira o Promocode EBPBAHIA no campo código promocional. Após digitar o promocode, clique em RESERVAR.
Passo 4: Depois de clicar em buscar, aproveite os valores especiais disponibilizados para a estadia dos seus convidados.
Entre em Contato
Email: jornadas@ebpbahia.com.br
Tel: (71) 99250-0817
Address: Hotel Wish - Salvador Bahia
Localização

Cabe a cada um dar seu gosto à festa. Freud sugere que esse gosto pode ser um refresco ao supereu, espaço de pequenas transgressões, relaxamento da censura e liberação das tensões do cotidiano.

Quando uma festa pode acontecer de verdade, ninguém a possui. O melhor de uma festa não é de ninguém em particular, mesmo que se tenha alguém que a oferte, pois pertence a todos que estão ali. No dia seguinte, ao tentar recontar, algo escapa. E esse algo que escapa é, talvez, o mais precioso.

Na festa, o Outro que não existe se presentifica e deixa a marca da sua singularidade, da sua forma de gozar: cantando, dançando, bebendo, beijando. Tem o que se diverte, o que só observa, o que só vai para consumir, o que entra na dança e os inimigos do fim.

Ela pressupõe o Outro, festa não acontece a sós. Exige corpos, vozes, presença. O gozo que nela circula é um gozo que passa entre os sujeitos, que depende do encontro, do laço, do equívoco produtivo que o Outro introduz.

Ela produz resto: ninguém sai de uma festa tendo recebido tudo. Há sempre algo que ficou, que não foi dito, que não foi completamente vivido. Esse resto é o objeto a cumprindo sua função de causa, o que faz querer voltar, o que alimenta o desejo de novos encontros.

Ela tem limite: a festa tem começo, meio e fim. Sua limitação é o que garante sua estrutura. É o intervalo entre as festas que permite que o gozo não se torne excesso, que o desejo não se extinga na repetição contínua.

Ela não pertence a ninguém: o melhor de uma festa não pode ser guardado, comprado, acumulado. Há algo que circula. Dar o que se tem, em festa, é colocar em circulação algo que, ao circular, não se esgota, não se consome absolutamente.

Como diz Naparstek, em seu texto “La ciudad de la fiesta”, “pues entonces, se trata de una alternancia entre ley y goce, autoridad y exceso.” Ainda mais se pensarmos num mundo atual onde o gozo pelos objetos de consumo impostos pelo capitalismo faz o desejo padecer.

A festa tem seu lugar de encontro, de laço, conservando as singularidades. Lacan falou em “tirania do objeto a” para tratar do homem livre que, segundo ele, é louco.

Temos assim dois aspectos do objeto a que nos interessam diretamente para pensar a festa: como causa – o que move, o que não se esgota, o que mantém o desejo vivo – e como mais-de-gozar – aquele excesso de gozo que circula sem pertencer a ninguém inteiramente.

A estrutura da verdadeira festa, nesse sentido, é de que ela coloca algo em movimento – o objeto a – sem consumi-lo. Ela o oferece ao laço sem anulá-lo como causa. Ela produz encontro porque produz resto.

Foi bonita a festa, pá          

Fiquei contente          

Ainda guardo renitente          

Um velho cravo para mim…”

Esses versos de Chico lembram a nostalgia do dia seguinte após uma boa balbúrdia. O silêncio do dia seguinte pode vir seguido pela voz do supereu – que tortura o sujeito com algumas lembranças – ou apenas o faz acordar com a música na cabeca que o fez dançar livremente. Lacan nos lembra que os ouvidos são os únicos orifícios que não podemos fechar. O som, a vibração, ressoam entre os corpos que copulam com a sonoridade, com as batidas de cordas e tambores, tão fortes na cultura baiana.

As  XXX Jornadas da EBP Bahia são, em si, uma festa: um evento em que membros, associados e participantes se reúnem para colocar em circulação aquilo que cada um tem de mais singular em seu percurso análise e formação, a partir daquilo que  causa. É um espaço onde o gozo encontra a mediação do Outro da palavra, da troca, da conversação, do encontro, da contingência, podendo produzir laço.

A comissão de organização da festa das jornadas deste ano decidiu incluir esta dimensão: para além de organizar um evento social com comida, música, alegria, embora tudo isso seja parte essencial e irrenunciável de qualquer festa que mereça o nome, trata-se de construir um momento em que a dimensão epistemológica da festa seja ela própria festejada.

Com alegria, convidamos a todos para essa comunhão de corpos na sequência de muito trabalho dessa jornada que promete.

A festa acontecerá no sábado após o final da jornada. Talvez em terra, talvez no mar, talvez com o inconsciente a céu aberto. Mas, com certeza, como na música de Gil:

“(…) Como a sensação do brilho

De repente a gente brilhará

 

Realce, realce

Quanto mais serpentina, melhor

Realce, realce

Com a cor do veludo

Com amor, com tudo

De real teor de beleza

Que façamos uma balbúrdia retada!!!

Comissão da festa:
Liliane Sales – coordenação
Raissa Silveira, Julia Jones e Guacira Cavalcante
25 maio de 2026

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