ATO E CRIAÇÃO
Giovana Reis Mesquita, Graziela Pires, Leila Mignac, Marcela Antelo [Mais-Um], Marcelo Veras, Nanci Nakamura
Plenária Entrevista O ato de criar com:
Domenico Cosenza (AME AMP/SLP/Milão] Paulo Costa Lima [Compositor, Academia Brasileira de Música, PHD USP e UFBA/Salvador]
Marcela Antelo [AME AMP/EBP/Bahia], Marcelo Veras [AME MP/EBP/Bahia]
O ato criativo, como todo ato, funda o novo, acrescenta algo que antes não existia[1]. Ex nihilo[2] – não a partir do nada, mas do vazio. Frente à subjetividade prisioneira de sua época, transindividual, a obra do saber fazer do artista perturba o Outro assumindo “valor de raridade”[3], como chamara Freud, no tempo presente, às vezes, no porvir, mais certeiro, sempre que ela chegue a destinatários. Qual o destino disso em tempos de IA, quando o raro é banal?
Na plenária a ser montada como entrevista se tentará cruzar os olhares da arte e da psicanálise interrogando Domenico Cosenza sobre o ato de criar, a partir do seu texto: “Construir na borda do vazio, entre arte e psicanálise”[4]. Contaremos com a palavra de alguns artistas locais.
A psicanálise aprende dos artistas e faz uma aposta: o discurso analítico pode permitir dessacralizar a criação e a sublimação, formalizando sua lógica.
[1] Laurent, É. “La carta robada y el vuelo sobre la letra”. In: Síntoma y nominación. Buenos Aires: Colección Diva, 2002. p. 163.
[2] Lacan, J. [1959-1960] O seminário, livro 7, “A ética da psicanálise”. Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Ed. Jorge Zahar, 1988, p. 145.
[3] Freud, S. [1916] “Transitoriedade” (1916). In: Luto e melancolia precedido por Transitoriedade. Textos singulares, t. Maria Rita Salzano Moraes. Belo Horizonte: Autêntica, 2026. p. 20.
[4] Cosenza, D. Construire aux bords du vide, entre art et psychanalyse. In: JODEAU-BELLE, Laetitia; TRICHET, Yohan; MONINI, Elisabetta (org.). Corps et création: perspectives psychanalytiques. Rennes: Presses Universitaires de Rennes, 2019. p. 209-214.