{"id":5311,"date":"2026-06-10T07:23:38","date_gmt":"2026-06-10T10:23:38","guid":{"rendered":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2026\/?page_id=5311"},"modified":"2026-06-10T07:28:05","modified_gmt":"2026-06-10T10:28:05","slug":"eixo-1-inconsciente-que-palavra-esquisita","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2026\/eixo-1-inconsciente-que-palavra-esquisita\/","title":{"rendered":"Eixo 1 &#8211; Inconsciente \u2013 que palavra esquisita!"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Inconsciente \u2013 que palavra esquisita!<\/strong><\/span><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta plen\u00e1ria prop\u00f5e explorar uma curiosa provoca\u00e7\u00e3o feita a Lacan, em <em>Televis\u00e3o<\/em>: <strong>&#8220;Inconsciente \u2013 que palavra esquisita!&#8221;<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>.<\/strong> Por ser uma palavra negativa, o Inconsciente parece autorizar toda sorte de suposi\u00e7\u00f5es. O Inconsciente fala, o que o faz depender da linguagem. Isso fala, isso goza, indicando a linguagem e seu al\u00e9m. Destarte, esta plen\u00e1ria, ao tomar o <strong>Inconsciente<\/strong> como tema de investiga\u00e7\u00e3o, organizar-se-\u00e1 em torno de dois eixos:<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong> O Inconsciente \u00e9 a Pol\u00edtica<\/strong>;<\/li>\n<li><strong> Inconsciente Transferencial e Inconsciente Real<\/strong>.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso percurso investigativo ter\u00e1 como b\u00fassola dois fragmentos cl\u00ednicos que interrogam de que modo o Inconsciente int\u00e9rprete<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> \u00e9 constitu\u00eddo pelos discursos, pelos la\u00e7os sociais e pelas formas hist\u00f3ricas do Outro. E, do mesmo modo, indagam: se o inconsciente \u00e9 int\u00e9rprete, qual o fazer do analista ao escutar a fala do analisante? Como abordar os efeitos de gozo, as resson\u00e2ncias do furo fundamental?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Freud edificou em torno da palavra <em>Inconsciente<\/em> sua descoberta e sua teoria. Lacan a elevou \u00e0 dignidade de conceito fundamental da psican\u00e1lise. As elabora\u00e7\u00f5es mais recentes da Orienta\u00e7\u00e3o lacaniana permitem distinguir, com Miller, o <strong>Inconsciente Transferencial<\/strong> e o <strong>Inconsciente Real<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a><\/strong>. O primeiro se constitui como um saber sobre a verdade sustentado pela transfer\u00eancia e articulado \u00e0 dimens\u00e3o simb\u00f3lico-imagin\u00e1ria, possibilitando, ao sujeito, localizar algo de sua <em>hystoeria<\/em>, de suas identifica\u00e7\u00f5es e do gozo. \u00a0O segundo, o <strong>Inconsciente Real<\/strong>, sustentado pela falta de significante no Outro, S(\u023a),\u00a0 confronta o <em>falasser<\/em> com a dimens\u00e3o de <em>estranheza<\/em> radical e testemunha a incid\u00eancia contingente de lal\u00edngua sobre o corpo, aquilo que insiste para al\u00e9m do sentido. Diante do vazio existencial provocado pelo desamparo primordial, s\u00f3 resta ao <em>falasser<\/em> a inven\u00e7\u00e3o ou a cat\u00e1strofe. Nessa via, realiza arranjos singulares ao lidar com o trauma (<em>trou<\/em>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seguindo a orienta\u00e7\u00e3o de Lacan de que o analista deve alcan\u00e7ar em seu horizonte a subjetividade de sua \u00e9poca, n\u00e3o podemos nos furtar de investigar as consequ\u00eancias cl\u00ednicas da psican\u00e1lise diante dos desafios contempor\u00e2neos, onde os sintomas apresentam-se menos como forma\u00e7\u00f5es a serem interpretadas e mais como tentativas de tratamento de um gozo deslocalizado,\u00a0 o que atualiza sua formula\u00e7\u00e3o de 1967 de que o \u201c<strong>Inconsciente \u00e9 a Pol\u00edtica<\/strong>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O analista \u00e9 presen\u00e7a que testemunha uma perda origin\u00e1ria. Ao jogar com o equ\u00edvoco significante, equivocar entre som e sentido, est\u00e1 do lado do n\u00e3o sentido, fazendo repercutir o furo fundamental e, com isso, toca o gozo. O analista, atrav\u00e9s do ato, recoloca em jogo a fun\u00e7\u00e3o po\u00e9tica da l\u00edngua, o que possibilita ao <em>falasser<\/em> um novo fazer com o seu modo de gozar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Inconsciente<\/strong>, <strong>UM equ\u00edvoco<\/strong>.\u00a0 Eis a aposta!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">Ansermet, F. (2026). Renascer para a linguagem: De um ex\u00edlio a outro. <em>Curinga, 61<\/em> (Dossi\u00ea <em>Ex\u00edlios<\/em>), 20\u201325. Escola Brasileira de Psican\u00e1lise \u2013 Se\u00e7\u00e3o Minas Gerais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">Bassols, M. (2026). O duplo ex\u00edlio da verdade.<em> Curinga, 61<\/em> (Dossi\u00ea <em>Ex\u00edlios<\/em>), 26\u201331. Escola Brasileira de Psican\u00e1lise \u2013 Se\u00e7\u00e3o Minas Gerais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">Brousse, M.-H. (2018). <em>O inconsciente \u00e9 a pol\u00edtica<\/em>. S\u00e3o Paulo: Escola Brasileira de Psican\u00e1lise.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">Freud, S. (2010). O inconsciente. In <em>Obras completas<\/em> (Vol. 12, P. C. de Souza, Trad., pp. 99\u2013150). Companhia das Letras. (Obra original publicada em 1915).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">Freud, S. (1915\/2010). Puls\u00f5es e suas vicissitudes. In <em>Obras completas<\/em> (Vol. 12). Companhia das Letras.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">Freud, S. (2010). Al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer. In <em>Obras completas<\/em> (Vol. 14, P. C. de Souza, Trad., pp. 161\u2013239). Companhia das Letras. (Obra original publicada em 1920).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">Freud, S. (2010). O mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o. In <em>Obras completas<\/em> (Vol. 18, P. C. de Souza, Trad., pp. 13\u2013122). Companhia das Letras. (Obra original publicada em 1930).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">Freud, S. (2011). O eu e o isso. In <em>Obras completas<\/em> (Vol. 16, P. C. de Souza, Trad., pp. 13\u201374). Companhia das Letras. (Obra original publicada em 1923).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">Freud, S. (2011). Psicologia das massas e an\u00e1lise do eu. In <em>Obras completas<\/em> (Vol. 15, P. C. de Souza, Trad., pp. 13\u2013113). Companhia das Letras. (Obra original publicada em 1921).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">Freud, S. (2012). Totem e tabu. In <em>Obras completas<\/em> (Vol. 11, P. C. de Souza, Trad., pp. 13\u2013244). Companhia das Letras. (Obra original publicada em 1913).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">Freud, S. (2019). <em>A interpreta\u00e7\u00e3o dos sonhos<\/em> (P. C. de Souza, Trad.). Companhia das Letras. (Obra original publicada em 1900).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">Lacan, J. (1993). <em>Televis\u00e3o<\/em> (A. Quinet, Trad.). Rio de Janeiro, RJ: Jorge Zahar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">Lacan, J. (1966\u20131967). <em>O semin\u00e1rio, livro 14: A l\u00f3gica da fantasia<\/em> [Semin\u00e1rio in\u00e9dito]. Semin\u00e1rio proferido entre 16 de novembro de 1966 e 21 de junho de 1967.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">Lacan, J. (1988). <em>O semin\u00e1rio, livro 11: Os quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise<\/em> (M. D. Magno, Trad.). Jorge Zahar. (Original publicado em 1973).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">Lacan, J. (1985). <em>O semin\u00e1rio, livro 20: Mais, ainda<\/em> (M. D. Magno, Trad.). Jorge Zahar. (Semin\u00e1rio proferido em 1972-1973).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">Lacan, J. (1976\u20131977). <em>O semin\u00e1rio, livro 24: L&#8217;insu que sait de l&#8217;une-b\u00e9vue s&#8217;aile \u00e0 mourre<\/em> [Semin\u00e1rio in\u00e9dito]. Semin\u00e1rio proferido entre 16 de novembro de 1976 e 17 de maio de 1977.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">Miller, J.-A. (2011). Intui\u00e7\u00f5es milanesas I (Tradu\u00e7\u00e3o de In\u00eas Autran Dourado Barbosa). <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana Online, 5<\/em>.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">Miller, J.-A. (2011). Intui\u00e7\u00f5es milanesas II (Tradu\u00e7\u00e3o de In\u00eas Autran Dourado Barbosa). <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana Online, 6<\/em>.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">Miller, J.-A. (2011). <em>O ser e o Um: Semin\u00e1rio de orienta\u00e7\u00e3o lacaniana III, 13<\/em>. Curso ministrado de 19 de janeiro a 15 de junho de 2011.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">Miller, J.-A. (1998). <em>Silet: Os paradoxos da puls\u00e3o de Freud a Lacan<\/em> (Semin\u00e1rio de orienta\u00e7\u00e3o lacaniana).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">Naparstek, F., &amp; Sotelo, I. (2025). <em>Freud y Lacan: Una br\u00fajula para leer los s\u00edntomas contempor\u00e1neos<\/em>. Olivos, Argentina: Grama Ediciones.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Lacan, J. (1993). <em>Televis\u00e3o<\/em> (A. Quinet, Trad.). Rio de Janeiro, RJ: Jorge Zahar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> Miller, J.-A. (2011). <em>O ser e o Um: Semin\u00e1rio de orienta\u00e7\u00e3o lacaniana III, 13<\/em>. [Semin\u00e1rio]. (Obra original apresentada em 2011). Nesse semin\u00e1rio, Miller caracteriza retrospectivamente o inconsciente freudiano e o primeiro ensino de Lacan como um inconsciente int\u00e9rprete: um inconsciente que produz sentido, cifra uma verdade e se apresenta nas forma\u00e7\u00f5es do inconsciente como algo a ser decifrado. O \u00faltimo ensino privilegia um inconsciente ligado \u00e0 letra, ao acontecimento de corpo e \u00e0 itera\u00e7\u00e3o de um modo de gozo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> Miller, J.-A. (2011). <em>O ser e o Um: Semin\u00e1rio de orienta\u00e7\u00e3o lacaniana III, 13<\/em>. [Semin\u00e1rio].<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inconsciente \u2013 que palavra esquisita! Esta plen\u00e1ria prop\u00f5e explorar uma curiosa provoca\u00e7\u00e3o feita a Lacan, em Televis\u00e3o: &#8220;Inconsciente \u2013 que palavra esquisita!&#8221;[1]. Por ser uma palavra negativa, o Inconsciente parece autorizar toda sorte de suposi\u00e7\u00f5es. O Inconsciente fala, o que o faz depender da linguagem. 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