{"id":5182,"date":"2026-05-25T06:45:32","date_gmt":"2026-05-25T09:45:32","guid":{"rendered":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2026\/?page_id=5182"},"modified":"2026-05-31T05:34:49","modified_gmt":"2026-05-31T08:34:49","slug":"festa","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2026\/festa\/","title":{"rendered":"Festa"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]\n<p style=\"text-align: justify;\">Cabe a cada um dar seu gosto \u00e0 festa. Freud sugere que esse gosto pode ser um refresco ao supereu, espa\u00e7o de pequenas transgress\u00f5es, relaxamento da censura e libera\u00e7\u00e3o das tens\u00f5es do cotidiano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando uma festa pode acontecer de verdade, ningu\u00e9m a possui. O melhor de uma festa n\u00e3o \u00e9 de ningu\u00e9m em particular, mesmo que se tenha algu\u00e9m que a oferte, pois pertence a todos que est\u00e3o ali. No dia seguinte, ao tentar recontar, algo escapa. E esse algo que escapa \u00e9, talvez, o mais precioso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na festa, o Outro que n\u00e3o existe se presentifica e deixa a marca da sua singularidade, da sua forma de gozar: cantando, dan\u00e7ando, bebendo, beijando. Tem o que se diverte, o que s\u00f3 observa, o que s\u00f3 vai para consumir, o que entra na dan\u00e7a e os inimigos do fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela pressup\u00f5e o Outro, festa n\u00e3o acontece a s\u00f3s. Exige corpos, vozes, presen\u00e7a. O gozo que nela circula \u00e9 um gozo que passa entre os sujeitos, que depende do encontro, do la\u00e7o, do equ\u00edvoco produtivo que o Outro introduz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela produz resto: ningu\u00e9m sai de uma festa tendo recebido tudo. H\u00e1 sempre algo que ficou, que n\u00e3o foi dito, que n\u00e3o foi completamente vivido. Esse resto \u00e9 o objeto a cumprindo sua fun\u00e7\u00e3o de causa, o que faz querer voltar, o que alimenta o desejo de novos encontros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela tem limite: a festa tem come\u00e7o, meio e fim. Sua limita\u00e7\u00e3o \u00e9 o que garante sua estrutura. \u00c9 o intervalo entre as festas que permite que o gozo n\u00e3o se torne excesso, que o desejo n\u00e3o se extinga na repeti\u00e7\u00e3o cont\u00ednua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela n\u00e3o pertence a ningu\u00e9m: o melhor de uma festa n\u00e3o pode ser guardado, comprado, acumulado. H\u00e1 algo que circula. Dar o que se tem, em festa, \u00e9 colocar em circula\u00e7\u00e3o algo que, ao circular, n\u00e3o se esgota, n\u00e3o se consome absolutamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como diz Naparstek, em seu texto \u201cLa ciudad de la fiesta\u201d, \u201cpues entonces, se trata de una alternancia entre ley y goce, autoridad y exceso.\u201d Ainda mais se pensarmos num mundo atual onde o gozo pelos objetos de consumo impostos pelo capitalismo faz o desejo padecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A festa tem seu lugar de encontro, de la\u00e7o, conservando as singularidades. Lacan falou em \u201ctirania do objeto a\u201d para tratar do homem livre que, segundo ele, \u00e9 louco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos assim dois aspectos do objeto a que nos interessam diretamente para pensar a festa: como causa &#8211; o que move, o que n\u00e3o se esgota, o que mant\u00e9m o desejo vivo &#8211; e como mais-de-gozar &#8211; aquele excesso de gozo que circula sem pertencer a ningu\u00e9m inteiramente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A estrutura da verdadeira festa, nesse sentido, \u00e9 de que ela coloca algo em movimento &#8211; o objeto a &#8211; sem consumi-lo. Ela o oferece ao la\u00e7o sem anul\u00e1-lo como causa. Ela produz encontro porque produz resto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>Foi bonita a festa, p\u00e1\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Fiquei contente\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Ainda guardo renitente\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Um velho cravo para mim<\/em>&#8230;\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esses versos de Chico lembram a nostalgia do dia seguinte ap\u00f3s uma boa balb\u00fardia. O sil\u00eancio do dia seguinte pode vir seguido pela voz do supereu &#8211; que tortura o sujeito com algumas lembran\u00e7as &#8211; ou apenas o faz acordar com a m\u00fasica na cabeca que o fez dan\u00e7ar livremente. Lacan nos lembra que os ouvidos s\u00e3o os \u00fanicos orif\u00edcios que n\u00e3o podemos fechar. O som, a vibra\u00e7\u00e3o, ressoam entre os corpos que copulam com a sonoridade, com as batidas de cordas e tambores, t\u00e3o fortes na cultura baiana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As\u00a0 XXX Jornadas da EBP Bahia s\u00e3o, em si, uma festa: um evento em que membros, associados e participantes se re\u00fanem para colocar em circula\u00e7\u00e3o aquilo que cada um tem de mais singular em seu percurso an\u00e1lise e forma\u00e7\u00e3o, a partir daquilo que\u00a0 causa. \u00c9 um espa\u00e7o onde o gozo encontra a media\u00e7\u00e3o do Outro da palavra, da troca, da conversa\u00e7\u00e3o, do encontro, da conting\u00eancia, podendo produzir la\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comiss\u00e3o de organiza\u00e7\u00e3o da festa das jornadas deste ano decidiu incluir esta dimens\u00e3o: para al\u00e9m de organizar um evento social com comida, m\u00fasica, alegria, embora tudo isso seja parte essencial e irrenunci\u00e1vel de qualquer festa que mere\u00e7a o nome, trata-se de construir um momento em que a dimens\u00e3o epistemol\u00f3gica da festa seja ela pr\u00f3pria festejada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com alegria, convidamos a todos para essa comunh\u00e3o de corpos na sequ\u00eancia de muito trabalho dessa jornada que promete.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A festa acontecer\u00e1 no s\u00e1bado ap\u00f3s o final da jornada. Talvez em terra, talvez no mar, talvez com o inconsciente a c\u00e9u aberto. Mas, com certeza, como na m\u00fasica de Gil:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c(&#8230;) <em>Como a sensa\u00e7\u00e3o do brilho<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>De repente a gente brilhar\u00e1<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Realce, realce<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Quanto mais serpentina, melhor<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Realce, realce<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Com a cor do veludo<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Com amor, com tudo<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>De real teor de beleza<\/em>\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que fa\u00e7amos uma balb\u00fardia retada!!!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comiss\u00e3o da festa:<br \/>\n<em><strong>Liliane Sales<\/strong> &#8211; coordena\u00e7\u00e3o<br \/>\n<\/em><strong><em>Raissa Silveira, Julia Jones e Guacira Cavalcante<br \/>\n<\/em><\/strong>25 maio de 2026<\/p>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;] Cabe a cada um dar seu gosto \u00e0 festa. 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