{"id":5080,"date":"2026-05-16T09:55:02","date_gmt":"2026-05-16T12:55:02","guid":{"rendered":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2026\/?page_id=5080"},"modified":"2026-06-23T18:44:17","modified_gmt":"2026-06-23T21:44:17","slug":"apresentacao","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2026\/apresentacao\/","title":{"rendered":"Apresenta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<p style=\"text-align: justify;\">[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #800000;\">LAN\u00c7AMENTO DAS XXX JORNADAS DA EBP BAHIA<\/span><\/h3>\n<p><em>T\u00e2nia Abreu<\/em><br \/>\n<em>AME\/EBP\/AMP<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 com alegria e entusiasmo &#8211; afeto que Lacan na \u201cNota italiana\u201d <a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> classifica como uma condi\u00e7\u00e3o \u00e9tica e motriz fundamental para a conclus\u00e3o de uma an\u00e1lise e para o pr\u00f3prio exerc\u00edcio da psican\u00e1lise que eu, T\u00e2nia Abreu, uma XX ao lado de outra XX, Carla Fernandes, anunciamos o lan\u00e7amento das XXX Jornadas da EBP Bahia, que ocorrer\u00e1 exclusivamente de modo presencial, nos dias 13 e 14 de novembro de 2026, no Hotel Wish, Hotel da Bahia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se de uma jornada Balzaquiana que, como o adjetivo j\u00e1 diz, n\u00e3o economizar\u00e1 no charme e eleg\u00e2ncia, mas n\u00e3o sem a maturidade que uma balzaquiana deve ter. Passaremos dois dias conversando sobre o Inconsciente e a Transfer\u00eancia, hoje, tendo como interlocutor privilegiado a pr\u00e1tica cl\u00ednica e nosso convidado de luxo, Domenico Cosenza, AME da SLP\/AMP.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Inconsciente e Transfer\u00eancia s\u00e3o conceitos fundamentais para a psican\u00e1lise, s\u00e3o a base, o alicerce de um edif\u00edcio e no caso da psican\u00e1lise de seu edif\u00edcio te\u00f3rico. Brodsky, em <em>Short Story<\/em>,<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> nos diz que \u201cs\u00e3o fundamentos porque sustentam o edif\u00edcio conceitual e n\u00e3o s\u00e3o contingentes. A ideia \u00e9 que n\u00e3o se pode retir\u00e1-los, n\u00e3o se pode quebra-los, sem que se comprometa todo o edif\u00edcio.\u201d S\u00e3o conceitos que nos diferenciam de toda e qualquer \u201cpsicoterapia\u201d, que nos distancia de qualquer pr\u00e1tica sustentada na an\u00e1lise de comportamentos ou na produ\u00e7\u00e3o de diagn\u00f3sticos e etiquetas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Associado a tais conceitos fundamentais, acrescentamos o adv\u00e9rbio de tempo, HOJE, que abre um leque de perspectivas cl\u00ednicas para o nosso debate, que n\u00e3o nos furtaremos em explorar: como pensar o Inconsciente em tempos de decl\u00ednio das narrativas, das an\u00e1lises interpretativas pela via do sentido ou ainda em tempo das evid\u00eancias, do imp\u00e9rio das imagens? Ou ainda como instalar a transfer\u00eancia pela via do SSS em tempos de deslocamento do Outro para IAs, formul\u00e1rios ou protocolos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas h\u00e1 tamb\u00e9m outra dimens\u00e3o deste significante<em> hoje<\/em>, que abordaremos pela via do manejo da experi\u00eancia anal\u00edtica: o lugar do tempo em um tratamento. Transfer\u00eancia \u00e9 tempo, afirmou Miller nos <em>Usos do Lapso<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><strong>[3]<\/strong><\/a><\/em>.\u00a0 Ali tamb\u00e9m nos dir\u00e1 que somente pela via da conting\u00eancia de uma interpreta\u00e7\u00e3o, o mais do mesmo de uma repeti\u00e7\u00e3o poder\u00e1 se deter, introduzindo o novo e o tempo no inconsciente. Interpreta\u00e7\u00e3o que encontra seus desafios hoje, em uma cl\u00ednica habitada, sobretudo, por sintomas que se caracterizam muito mais por serem cifras de gozo que mensagens a serem decifradas. Neste cen\u00e1rio se inscreve o que nosso convidado chama de Cl\u00ednica do Excesso, uma cl\u00ednica contempor\u00e2nea, aquela na qual o excesso, um dos nomes do real, se localiza no corpo. O manejo do tempo e a instala\u00e7\u00e3o da transfer\u00eancia s\u00e3o impasses <em>princeps<\/em> desta cl\u00ednica, dominada pelo <strong><em>a<\/em><\/strong>, pela falta da falta. S\u00e3o casos em que o analista n\u00e3o pode se fazer de morto, pois passa por algumas provas de fogo que o impede de se instalar neste lugar. Uma vez que o <em>parl\u00eatre<\/em> n\u00e3o passou pela falta, quando a transfer\u00eancia se instala \u00e9 mais pela via da \u00e9tica do que do Sss, nos ensina Cosenza. O analista precisa consentir em ser deposit\u00e1rio da rela\u00e7\u00e3o do sujeito com o excesso. Ao oferecer-se como objeto presente, o sujeito pode aceitar sua presen\u00e7a como confi\u00e1vel. Cabe ainda ressaltar que o imediatismo do \u201ctudo, imediatamente\u201d, leva ao encurtamento do tempo de compreender, com a consequente passagem do instante de ver para o momento de concluir. Este cen\u00e1rio exige do analista, mais do que nunca, fazer-se de objeto para instalar a transfer\u00eancia pela via do amor e a operar pelas trilhas de uma \u201cinterpreta\u00e7\u00e3o que tome a forma de ato e enodamento, esvaziando o sentido e circunscrevendo o gozo. Circunscri\u00e7\u00e3o, nomea\u00e7\u00e3o, limite, borda \u2013 opera\u00e7\u00f5es que entram em jogo para produzir um m\u00ednimo poro&#8230;\u201d lembra-nos Cristiane Grillo no pref\u00e1cio ao livro Cl\u00ednica do Excesso.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ano passado nos dedicamos a tratar as entradas em an\u00e1lise e o que lhe \u00e9 preliminar, este ano nos dedicaremos ao desafio que \u00e9 fazer uma an\u00e1lise durar, &#8211; outra dimens\u00e3o do tempo que abordaremos, em uma \u00e9poca onde os sujeitos s\u00e3o convocados a conjugarem o tempo do infinito frente ao gozo. Ou a viverem sobre a \u00e9gide da pressa, onde n\u00e3o se tem \u201ctempo a perder\u201d com o que n\u00e3o seja \u00fatil ou produtivo, como uma pr\u00e1tica que salva pelos dejetos. Se uma experi\u00eancia anal\u00edtica \u00e9 uma experi\u00eancia de separa\u00e7\u00e3o, como conduzi-la em tempos nos quais o pr\u00f3prio Outro social induz os sujeitos a gozarem sem limites, evitando a separa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fazemos Jornadas para enfrentarmos nossos pontos cegos, nossos impasses e para avan\u00e7armos na forma\u00e7\u00e3o anal\u00edtica. Isto n\u00e3o se faz com Um s\u00f3. Necessitamos de um trabalho de Escola, cada um na sua solid\u00e3o, mas trabalhando com os outros. Para isto fazemos comiss\u00f5es, mobilizamos libido e desejo na constru\u00e7\u00e3o deste trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Convidamos cada um de voc\u00eas a nos seguir neste programa de trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sejam bem-vindos!<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> LACAN, J. <em>Nota Italiana. <\/em>In: Outros Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003 p.313<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> BRODSKY, G. <em>Nunca visto nem ouvido. <\/em>In: SHORT STORY : os princ\u00edpios do ato anal\u00edtico. Rio de Janeiro; Contra Capa Livraria, 2004, p.9<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> MILLER, J-A. <em>La sesi\u00f3n anal\u00edtica, entre repetici\u00f3n y sorpresa. <\/em>In: Los usos del lapso.Buenos Aires : Paid\u00f3s, 2004.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> GRILLO, C. <em>Pref\u00e1cio.<\/em> In: Cl\u00ednica do Excesso: derivas pulsionais e solu\u00e7\u00f5es sintom\u00e1ticas na psicopatologia contempor\u00e2nea. Belo Horizonte: Scriptum, 2024, p.9.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column]<div class=\"vcex-module vcex-divider vcex-divider-solid vcex-divider-center wpex-mx-auto wpex-block wpex-h-0 wpex-border-b wpex-border-solid wpex-border-main\" style=\"border-color:#ff0000;\"><\/div>[\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #993300;\">Lan\u00e7amento das XXX Jornadas da EBP-BA<\/span><\/h3>\n<p>Carla Fernandes<br \/>\nEBP\/AMP<\/p>\n<p>Boa noite a todos, \u00e9 com a alegria que estou aqui com voc\u00eas nesta abertura do lan\u00e7amento das Jornadas da EBP-BA, de um trabalho feito por muitos e que j\u00e1 come\u00e7ou com muita garra, envolvendo os colegas da Se\u00e7\u00e3o e que, lan\u00e7ando as Jornadas enquanto causa, j\u00e1 vem produzindo um trabalho de Escola.<\/p>\n<p>O que temos no horizonte? Em uma conversa com o nosso convidado, Domenico Cosenza, pudemos cernir o tema destas Jornadas. E \u00e9 importante destacar que neste m\u00faltiplo que s\u00e3o as Se\u00e7\u00f5es da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, h\u00e1 o Uno da Escola, voltado para quest\u00f5es cruciais da psican\u00e1lise, a psican\u00e1lise em intens\u00e3o e a forma\u00e7\u00e3o do analista. Ou seja, enquanto o Instituto se ocupa do Ensino e da psican\u00e1lise em extens\u00e3o, a Escola visa a psican\u00e1lise em intens\u00e3o e a transmiss\u00e3o da psican\u00e1lise a partir de uma orienta\u00e7\u00e3o que se decanta nas Escolas da Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Psican\u00e1lise. H\u00e1 o m\u00faltiplo e h\u00e1 o Um da Escola, uma Escola fundada por Lacan a partir dos princ\u00edpios da Psican\u00e1lise desde Freud e de uma reorienta\u00e7\u00e3o que Lacan prop\u00f5e, que se sustenta por uma orienta\u00e7\u00e3o com Miller. Nessa dire\u00e7\u00e3o, temos como b\u00fassola: \u201co inconsciente e a transfer\u00eancia, hoje\u201d.<\/p>\n<p>A mim coube a tarefa de trazer algo sobre o inconsciente, designado por Freud<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> como<em> Unbewusst<\/em>. Com Lacan<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> temos a homofonia <em>L\u2019une b\u00e9vue<\/em>, um equ\u00edvoco. Quem sabe consigo caus\u00e1-los atrav\u00e9s de algumas inquieta\u00e7\u00f5es. Partindo das Jornadas do ano passado, que trabalharam o tema das entrevistas preliminares e entradas em an\u00e1lise, estamos com o desafio de investigar as an\u00e1lises que duram. Esse osso duro de roer at\u00e9 que se lapide o que podemos dizer, com Miller<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>, o que se trata do osso de uma an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Freud, ao inaugurar o inconsciente como uma inst\u00e2ncia ps\u00edquica, que tem uma l\u00f3gica de funcionamento, produz um traumatismo na humanidade. N\u00e3o somos donos da raz\u00e3o, h\u00e1 raz\u00f5es que s\u00e3o irracionais e contradit\u00f3rias, pois o \u201cEu n\u00e3o \u00e9 o senhor em sua pr\u00f3pria casa\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>. Est\u00e1 montado em um cavalo indom\u00e1vel que acredita domar, mas que lhe escapam as r\u00e9deas. O tratamento a partir da fala pode permitir que se produza algo diferente com isso que escapa e leva cada um a caminhos com os quais padece. Que se produza alguma dignidade naquilo que parecia estar marcado como destino.<\/p>\n<p>Em uma psican\u00e1lise, desde Freud, a regra \u00e9 convidar o paciente a dizer tudo o que lhe vem \u00e0 cabe\u00e7a, a liberar \u201co acontecimento de pensamento\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>, como diz Miller. O acontecimento de pensamento \u00e9 o material que se tem acesso em uma an\u00e1lise e \u201co que se obt\u00e9m do paciente surge em decorr\u00eancia de dizer o acontecimento de pensamento\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>. Trata-se de localizar como o acontecimento de pensamento se relaciona com o acontecimento de corpo, um corpo afetado pela linguagem.<\/p>\n<p>A regra anal\u00edtica da associa\u00e7\u00e3o livre prop\u00f5e ao analisante dizer o que lhe ocorre sem que isso seja uma imposi\u00e7\u00e3o de dizer a verdade, toda a verdade, nada mais al\u00e9m da verdade. N\u00e3o se trata de um imperativo, mas da aposta na instaura\u00e7\u00e3o de um dispositivo que opera atrav\u00e9s da fala.<\/p>\n<p>Nessa perspectiva do convite \u00e0 fala \u00e9 poss\u00edvel que haja uma entrada em an\u00e1lise. Muitas vezes se produzem efeitos de al\u00edvio, terap\u00eauticos<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>, que se apresentam atrav\u00e9s de instantes de revela\u00e7\u00e3o provocados pela pergunta: <em>o que isso quer dizer<\/em>? Entretanto, se no in\u00edcio surgem revela\u00e7\u00f5es de verdades, que depois se transmutam, em uma an\u00e1lise que dura trata-se de outra l\u00f3gica: a da repeti\u00e7\u00e3o, que \u201cdemanda atravessar a estagna\u00e7\u00e3o, suport\u00e1-la, ou seja, explorar limites\u201d<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>.<\/p>\n<p>O sintoma inclusive pode se agravar nesse momento, pois est\u00e1 em jogo a insist\u00eancia da puls\u00e3o. H\u00e1 a\u00ed, como indica Miller<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>, uma oposi\u00e7\u00e3o entre saber e gozo. Aos praticantes desavisados, n\u00e3o adianta acreditar demasiado nas interven\u00e7\u00f5es e subestimar a insist\u00eancia da puls\u00e3o. \u00c9 preciso acompanhar, sustentar, a partir da pr\u00f3pria an\u00e1lise, se deixar fazer suporte de semblante de objeto para suportar a dura demanda de atravessar a estagna\u00e7\u00e3o. A met\u00e1fora que me ocorre \u00e9 a do analista como um companheiro de caminhada na travessia do deserto. Que pode lembrar, de vez em quando, que \u00e9 poss\u00edvel beber \u00e1gua para seguir a caminhada e despertar, de vez em quando, que n\u00e3o h\u00e1 o\u00e1sis no final. Assim, \u201cficar pelejando com a an\u00e1lise enquanto ela dura \u00e9 outra hist\u00f3ria\u201d<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a>, diferente da l\u00f3gica da revela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A verdade, subst\u00e2ncia inicial da experi\u00eancia anal\u00edtica, tem estrutura de fic\u00e7\u00e3o. Lacan<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a> cria o neologismo <em>varit\u00e9 <\/em>para indicar que a verdade na an\u00e1lise \u00e9 vari\u00e1vel, pois n\u00e3o h\u00e1 uma verdade \u00faltima sobre o real. H\u00e1 um paradoxo na oposi\u00e7\u00e3o entre saber e gozo em uma an\u00e1lise que dura, mas \u00e9 preciso uma aposta em tirar consequencias dessa estrutura de fic\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do discurso anal\u00edtico.<\/p>\n<p>Lacan, em o <em>Aturdito<\/em>, indica que o dizer \u201cprov\u00e9m do fato de que o inconsciente, por ser estruturado como uma linguagem, isto \u00e9, como a lal\u00edngua que ele habita, est\u00e1 sujeito \u00e0 equivocidade pela qual cada uma delas se distingue. Uma l\u00edngua entre outras n\u00e3o \u00e9 nada al\u00e9m da integral dos equ\u00edvocos que sua hist\u00f3ria deixou persistirem nela\u201d<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>. E prossegue: \u201ca linguagem portanto, na medida em que essa forma tem a\u00ed lugar, n\u00e3o surte ali outro efeito sen\u00e3o o da estrutura que motiva essa incid\u00eancia do real\u201d<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a>. Ou seja, o real incide sobre a linguagem produzindo efeitos.<\/p>\n<p>Nessa hi\u00e2ncia entre o que est\u00e1 escrito como modo de gozo e a fala, podem surgir o ato falho, o lapso, o chiste o sonho. Aqui introduzo uma quest\u00e3o para ter na visada de nossas Jornadas: como operar frente \u00e0s produ\u00e7\u00f5es do inconsciente, em especial os sonhos em uma an\u00e1lise, na medida em que se trata do inconsciente como int\u00e9rprete, maquinaria de fic\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 fundamental considerar o lapso, o ato falho, o chiste e o sonho como forma\u00e7\u00f5es do inconsciente como equ\u00edvoco (<em>L\u2019une bevue<\/em>) \u2013 \u201cequ\u00edvocos pelos quais se inscreve o lateral de uma enuncia\u00e7\u00e3o\u201d e se concentram \u201cem tr\u00eas pontos nodais\u201d<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a>, conforme indica Lacan:<\/p>\n<ol>\n<li>A homofonia ex: dois (deux) por deles (d\u2019eux) \/\/ <em>pareser<\/em> (par\u00eatre);<\/li>\n<li>A interpreta\u00e7\u00e3o, que d\u00e1 forma ao amorfo;<\/li>\n<li>\u00a0\u201cA l\u00f3gica, sem a qual a interpreta\u00e7\u00e3o seria imbecil\u201d<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a>. \u00c9 preciso se servir dela, inclusive com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 contradi\u00e7\u00e3o do inconsciente;<\/li>\n<\/ol>\n<p>Na an\u00e1lise que dura h\u00e1 ent\u00e3o uma tentativa de produzir um saber sobre o gozo e, paradoxalmente, uma oposi\u00e7\u00e3o entre saber e gozo. O discurso anal\u00edtico implica em n\u00e3o recuar diante da repeti\u00e7\u00e3o do sintoma e da estrutura de fic\u00e7\u00e3o em jogo no inconsciente transferencial. H\u00e1 o desafio de operar frente ao imposs\u00edvel \u2013 o imposs\u00edvel de suportar. Ficam aqui algumas provoca\u00e7\u00f5es como ponto de partida para avan\u00e7armos at\u00e9 as nossas Jornadas como produto dessa investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Freud, S. O inconsciente (1915). In:___. Introdu\u00e7\u00e3o ao narcisismo, ensaios de metapsicologia e outros textos (1914-1916). S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2010.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> LACAN, J. (1976\u20131977).\u00a0<em>O semin\u00e1rio, livro 24: L\u2019insu que sait de l\u2019une-b\u00e9vue s\u2019aile \u00e0 mourre<\/em>\u00a0[Semin\u00e1rio in\u00e9dito]. Semin\u00e1rio proferido entre 16 de novembro de 1976 e 17 de maio de 1977.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Miller, J-A. O osso de uma an\u00e1lise. Zahar, 2015.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Freud, S. Uma dificuldade da psican\u00e1lise. In:__. Hist\u00f3ria de uma neurose infantil, al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer e outros textos. Obras Completas, Volume 14. S\u00e3o Paulo: Cia das Letras, 2010. p. 187.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Miller, J-A. perspectivas dos escritos e outros escritos. Rio de Janeiro: Zahar, 2011. p. 102.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> idem<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Miller, J-A. perspectivas dos escritos e outros escritos. Rio de Janeiro: Zahar, 2011. p. 104.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Idem<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Idem<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> Miller, J-A. perspectivas dos escritos e outros escritos. Rio de Janeiro: Zahar, 2011. p. 105.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Lacan, J. O aturdito. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a>Lacan, J. O aturdito. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003.p. 492.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> Idem.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> Lacan, J. O aturdito. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003.p. 493.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> Idem, p. 494.<\/span>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] [\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;] LAN\u00c7AMENTO DAS XXX JORNADAS DA EBP BAHIA T\u00e2nia Abreu AME\/EBP\/AMP \u00c9 com alegria e entusiasmo &#8211; afeto que Lacan na \u201cNota italiana\u201d [1] classifica como uma condi\u00e7\u00e3o \u00e9tica e motriz fundamental para a conclus\u00e3o de uma an\u00e1lise e para o pr\u00f3prio exerc\u00edcio da psican\u00e1lise que eu, T\u00e2nia Abreu, uma XX ao lado&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-5080","page","type-page","status-publish","hentry","entry","no-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2026\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/5080","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2026\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2026\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2026\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2026\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5080"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2026\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/5080\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5403,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2026\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/5080\/revisions\/5403"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2026\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5080"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}