{"id":57888,"date":"2025-11-18T09:28:45","date_gmt":"2025-11-18T12:28:45","guid":{"rendered":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2025\/?p=57888"},"modified":"2025-11-18T09:28:45","modified_gmt":"2025-11-18T12:28:45","slug":"o-que-passa-nas-entrevistas-preliminares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2025\/o-que-passa-nas-entrevistas-preliminares\/","title":{"rendered":"O QUE PASSA NAS ENTREVISTAS PRELIMINARES?"},"content":{"rendered":"<h5><em>Jo\u00e3o Klaus L. S. Seydel<\/em><\/h5>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>\u00a0<\/em>\u201cQue cada um encontre algo acerca da l\u00edngua que fala em si, que consiga produzir algum significante que ponha o tempo em movimento outra vez para que o passado<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">possa existir como tal\u201d<a href=\"#bookmark0\"><sup>1<\/sup>.<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\n<p>Inicio meu trabalho com essa enuncia\u00e7\u00e3o preciosa de Ricardo Seldes, entendendo haver contida nela uma formula\u00e7\u00e3o precisa, po\u00e9tica e condensadora de muito do que se pode esperar de uma experi\u00eancia anal\u00edtica.<\/p>\n<p>Extraio essa frase de <em>La Urgencia Dicha <\/em>(2019), bem como o ensinamento de que na busca de algu\u00e9m por uma an\u00e1lise h\u00e1 sempre uma urg\u00eancia. E h\u00e1, ainda que ela n\u00e3o se apresente a partir de um incidente tr\u00e1gico, aos moldes do que se convencionou chamar de trauma. Na cl\u00ednica, o trauma deve ser compreendido no n\u00edvel da resposta poss\u00edvel de um sujeito frente a seu advento, na rela\u00e7\u00e3o que sustenta com o traumatismo inaugural, o traumatismo da linguagem<a href=\"#bookmark1\"><sup>2<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>De acordo com Seldes, o trauma \u00e9 um desses acontecimentos ps\u00edquicos que tocam o real, cuja ang\u00fastia arranca o sujeito de suas rotinas, de sua tend\u00eancia a considerar a vida como um sonho<a href=\"#bookmark2\"><sup>3<\/sup><\/a>. A urg\u00eancia, que da\u00ed decorre, deve ser compreendida sobretudo como uma ruptura da cadeia significante, que fica impedida de se articular em um dizer. O efeito de mortifica\u00e7\u00e3o que produz no sujeito impede todo o movimento de representa\u00e7\u00e3o que permitiria uma perda de gozo ou sua localiza\u00e7\u00e3o<a href=\"#bookmark3\"><sup>4<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Seldes adverte que para que uma urg\u00eancia possa se tornar subjetiva \u00e9 fundamental a retomada deste movimento, a ser introduzido pela entrada do analista, este lugar de endere\u00e7amento em que a fala pode se desassociar dos sentidos preestabelecidos, ou ser relan\u00e7ada a partir da falta deles, fazendo com que algo do pr\u00f3prio dizer possa ser extra\u00eddo nos ditos<a href=\"#bookmark4\"><sup>5<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Me chama aten\u00e7\u00e3o, de sa\u00edda, essa ideia de movimento da cadeia significante, articulada a uma temporalidade, cuja funda\u00e7\u00e3o \u00e9 explicitada metaforicamente na frase em destaque pelo significante \u201c<em>passado\u201d. <\/em>Me pergunto como \u00e9 poss\u00edvel cernir algo disso que passa, da marca, desde as entrevistas preliminares, para que o \u201cpassado\u201d possa de fato existir, mas como tal.<\/p>\n<p>Em <em>Lacan Elucidado <\/em>(1997), Miller nos relan\u00e7a \u00e0s entrevistas preliminares concebendo-as como \u201cum modo de estruturar as boas-vindas\u201d<a href=\"#bookmark5\"><sup>6<\/sup><\/a>. Para Freud<a href=\"#bookmark6\"><sup>7<\/sup><\/a>, esse momento de \u201cprova\u201d ou \u201censaio preliminar\u201d seria fundamental para introduzir o funcionamento da an\u00e1lise, estando submetido desde o in\u00edcio \u00e0s mesmas regras que uma an\u00e1lise propriamente dita. Naquele momento era fundamental para Freud estabelecer uma hip\u00f3tese diagn\u00f3stica logo de entrada, tendo em vista a n\u00e3o admiss\u00e3o em an\u00e1lise de pacientes psic\u00f3ticos. Propunha ent\u00e3o que a dura\u00e7\u00e3o dessas entrevistas iniciais n\u00e3o se estendesse em demasia, evitando o aprofundamento da transfer\u00eancia em casos que poderiam n\u00e3o ter continuidade. Com esses cuidados, pretendia poupar o paciente da sensa\u00e7\u00e3o equivocada de fracasso do tratamento em caso de interrup\u00e7\u00e3o nas primeiras semanas.<\/p>\n<p>Nesse sentido, o que Miller esquematiza a respeito das entrevistas preliminares corrobora em boa parte com Freud. H\u00e1, evidentemente, a ressalva de que frente \u00e0 primeira demanda direcionada ao analista, que \u00e9 a demanda de ser paciente, n\u00e3o se deve recuar \u2013 o que hoje, a partir de Lacan, tamb\u00e9m inclui a psicose \u2013, por\u00e9m, al\u00e9m disso, o que se concebe, em termos gerais, ainda se trata de uma estrutura\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica<a href=\"#bookmark7\"><sup>8<\/sup><\/a> da entrada em an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, esse per\u00edodo, de tempo indeterminado, seria necess\u00e1rio, segundo Miller, para que se fa\u00e7a uma <strong>avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica<\/strong>. Ou seja, para al\u00e9m de certa orienta\u00e7\u00e3o diagn\u00f3stica, imprescind\u00edvel para nortear o tratamento, deve interessar, de antem\u00e3o, a pr\u00f3pria avalia\u00e7\u00e3o feita pelo paciente<a href=\"#bookmark8\"><sup>9<\/sup><\/a>. Nessa mesma dire\u00e7\u00e3o, uma outra necessidade das entrevistas preliminares seria a da <strong>localiza\u00e7\u00e3o subjetiva<\/strong>. N\u00e3o para verificar a factualidade do que nos conta o paciente, mas sim o que ele de fato diz. O que importa aqui \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o assumida em rela\u00e7\u00e3o aos pr\u00f3prios ditos<a href=\"#bookmark9\"><sup>10<\/sup><\/a>, a capacidade de fornecer o texto a ser lido e de l\u00ea-lo<a href=\"#bookmark10\"><sup>11<\/sup><\/a>, implicando a perspectiva de mudan\u00e7a de uma posi\u00e7\u00e3o queixosa para uma outra, a de interrogar o sintoma, passando da demanda inicial de ser paciente para uma demanda de an\u00e1lise.<\/p>\n<p>A <strong>atribui\u00e7\u00e3o subjetiva<\/strong>, por fim, indica a maneira pela qual o analista procura fazer a atribui\u00e7\u00e3o do dizer ao sujeito do dito. Ao demonstrar incompreens\u00e3o, valendo-se da douta ignor\u00e2ncia, o analista sustenta o mal-entendido da linguagem<a href=\"#bookmark11\"><sup>12<\/sup><\/a> e, exatamente a\u00ed, onde o significante se encontra separado da significa\u00e7\u00e3o (S1\/S2), consequentemente pode contribuir para o estabelecimento de uma atmosfera interpretativa e da transfer\u00eancia, lan\u00e7ando o sujeito em uma nova rela\u00e7\u00e3o com o dizer.<\/p>\n<p>No texto <em>Uma psican\u00e1lise com uma estrutura ficcional <\/em>(2014), Miller alude a essa nova rela\u00e7\u00e3o com o dizer como sendo da ordem da ado\u00e7\u00e3o de um novo supereu, pautado agora pela regra anal\u00edtica que convoca \u00e0 transmiss\u00e3o do acontecimento do pensamento na fala, \u00e0 assun\u00e7\u00e3o do amorfo mental em uma estrutura de linguagem<a href=\"#bookmark12\"><sup>13<\/sup><\/a>, o que corresponde ao movimento que vai do discurso do mestre \u00e0 histeriza\u00e7\u00e3o do discurso, da queixa pelo desprazer do sintoma ao apelo \u00e0 sua interpreta\u00e7\u00e3o, detendo o sujeito, nesse momento, entre consciente e inconsciente, na oposi\u00e7\u00e3o entre o que se sabe e o que n\u00e3o se sabe, ao molde da quest\u00e3o \u201co que isso quer dizer?\u201d. Mas ainda \u00e9 preciso ir mais al\u00e9m: \u201co que isso satisfaz?\u201d<a href=\"#bookmark13\"><sup>14<\/sup><\/a>. O analista n\u00e3o h\u00e1 de se furtar a essa quest\u00e3o. Se fica detido na ilus\u00e3o do saber, sustenta a cren\u00e7a de haver um Outro que det\u00e9m as respostas. \u00c9 preciso incluir o gozo, efetuando mais um giro e, s\u00f3 assim, a instala\u00e7\u00e3o do discurso anal\u00edtico.<\/p>\n<p>Freud, em suas investiga\u00e7\u00f5es sobre o sintoma, j\u00e1 indicava haver algo al\u00e9m do sentido em sua forma\u00e7\u00e3o. Seu car\u00e1ter patol\u00f3gico se daria pela sustenta\u00e7\u00e3o em fantasias inconscientes, trazendo \u00e0 tona, de modo substitutivo, e por uma solu\u00e7\u00e3o de compromisso entre as inst\u00e2ncias ps\u00edquicas, a satisfa\u00e7\u00e3o recha\u00e7ada de excita\u00e7\u00f5es sexuais. Os sintomas condensariam, portanto, as \u201cmesmas sensa\u00e7\u00f5es sexuais e inerva\u00e7\u00f5es motoras que originalmente acompanharam a fantasia\u201d<a href=\"#bookmark14\"><sup>15<\/sup><\/a>, com a obten\u00e7\u00e3o da satisfa\u00e7\u00e3o sexual alcan\u00e7ada numa esp\u00e9cie de aproxima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Parece poss\u00edvel dizer, a partir de Freud, que o sintoma, enquanto ciframento significante, \u00e9 uma prolifera\u00e7\u00e3o que comporta um ponto de desprazer alinhado, ao mesmo tempo, \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o obtida na fantasia inconsciente, n\u00e3o se restringindo apenas ao campo do saber. No mesmo sentido, Lacan declara, no Semin\u00e1rio <em>O Saber do Psicanalista <\/em>(1971-1972), que o sintoma \u00e9 a tradu\u00e7\u00e3o em palavras de seu valor de verdade. Essa coisa, a verdade, n\u00e3o tem nenhuma equival\u00eancia a um \u00fanico sentido, na medida em que \u00e9 aquilo que, por interm\u00e9dio da linguagem, aborda algo que \u00e9 inteiramente real<a href=\"#bookmark15\"><sup>16<\/sup><\/a>. Como sublinha Miller, em <em>O Parceiro-Sintoma <\/em>(2008), isso implica que \u00e9 sempre necess\u00e1rio considerar um elemento suplementar \u00e0 significa\u00e7\u00e3o do Outro no que diz respeito ao sintoma<a href=\"#bookmark16\"><sup>17<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Este grifo de Miller parece nos remeter \u00e0 ideia de fantasma fundamental, apresentada por Lacan no <em>Semin\u00e1rio 6 <\/em>(2016 [1958-1959]), a partir de sua f\u00f3rmula simb\u00f3lica <em>$<\/em>\u2662<em>a<\/em>, cuja import\u00e2ncia de formaliza\u00e7\u00e3o situa tamb\u00e9m a estrutura m\u00ednima de suporte do desejo<a href=\"#bookmark17\"><sup>18<\/sup><\/a>. De acordo com Lacan, o sujeito, em sua origem, \u00e9 constitu\u00eddo a partir da rela\u00e7\u00e3o com o Outro como lugar dos significantes, mas tamb\u00e9m a partir de um Outro enquanto personagem real, aquele atrav\u00e9s do qual a demanda se emprenha de significa\u00e7\u00e3o, at\u00e9 que se converta em algo diferente da necessidade que buscava originalmente satisfazer. Essa introdu\u00e7\u00e3o do sujeito no significante permite a subjetiva\u00e7\u00e3o do Outro e o leva a ter com ele uma nova rela\u00e7\u00e3o, em que passa a se fazer necess\u00e1rio o seu reconhecimento j\u00e1 n\u00e3o mais como demanda, mas sim como sujeito<a href=\"#bookmark18\"><sup>19<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Isso significa que o sujeito, para poder se designar, precisa empregar algo do Outro, mas \u00e0s suas pr\u00f3prias custas, pagando por isso com sua castra\u00e7\u00e3o<a href=\"#bookmark19\"><sup>20<\/sup><\/a>. O objeto <em>a<\/em>, esse \u201celemento suplementar \u00e0 significa\u00e7\u00e3o do Outro\u201d, se revela justamente como efeito da castra\u00e7\u00e3o, de n\u00e3o haver o Outro do Outro, e da inexist\u00eancia de um significante que recubra a falta e identifique o sujeito a si mesmo de maneira definitiva.<\/p>\n<p>Diante da demanda do sujeito que exige uma garantia, \u00e9 o pr\u00f3prio Outro, enquanto lugar da fala, que acaba por se revelar como faltante (\u023a). E frente a esse Outro o sujeito ter\u00e1, enfim, de se situar. \u00c9 nesse sentido que Lacan nos indica que o sujeito n\u00e3o pode se situar no desejo sem se castrar. A barra posta sobre o sujeito, <em>$<\/em>, implica, nesta \u00e9poca de seu ensino, que o objeto <em>a <\/em>est\u00e1 \u00e0 margem de todas as demandas, representando a falta como \u201cuma tens\u00e3o real do sujeito\u201d<a href=\"#bookmark20\"><sup>21<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Miller, em <em>Sintoma-Fantasma <\/em>(2024), indica que o fantasma est\u00e1 fundamentalmente articulado a este ponto, n\u00e3o como correlato ao Outro enquanto lugar do significante, mas como uma cobertura frente ao enigm\u00e1tico de seu desejo<a href=\"#bookmark21\"><sup>22<\/sup><\/a>. J\u00e1 em <em>O Ser e o Um <\/em>(2011), situa o fantasma como o que conjuga, para o sujeito, o imagin\u00e1rio e o simb\u00f3lico, de maneira a fazer uma janela sobre o real: \u201c\u00c9 a matriz a partir da qual o mundo, a realidade, ganha sentido e se ordena para o sujeito\u201d<a href=\"#bookmark22\"><sup>23<\/sup><\/a>. Nesse sentido, portanto, a pun\u00e7\u00e3o (\u2662) n\u00e3o entra na f\u00f3rmula de maneira indiscriminada entre o <em>$ <\/em>e o pequeno <em>a<\/em>. De acordo com Miller, esse s\u00edmbolo, que tem a forma de um losango, \u00e9 utilizado na l\u00f3gica modal para representar todas as rela\u00e7\u00f5es poss\u00edveis entre dois termos. Na f\u00f3rmula aqui em quest\u00e3o, <em>$<\/em>\u2662<em>a<\/em>, vemos como ele ajuda a compor a ideia do fantasma como index de uma rela\u00e7\u00e3o entre duas ordens distintas<a href=\"#bookmark23\"><sup>24<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Parece partir da\u00ed a ideia de travessia e, talvez, tamb\u00e9m, a de responsabiliza\u00e7\u00e3o do sujeito, haja vista que a orienta\u00e7\u00e3o na dire\u00e7\u00e3o do real pretende ir mais al\u00e9m do regime da verdade e do desejo, que s\u00e3o modalidades do significado e que mant\u00eam o sujeito sob o guarda-chuva do Outro. A an\u00e1lise, sob esse prisma, sup\u00f5e ir de encontro ao gozo. Dentro do poss\u00edvel, se destinaria ao atravessamento das margens simb\u00f3licas que remontam uma cenografia ou fraseologia que obtura a falta do Outro<a href=\"#bookmark24\"><sup>25<\/sup><\/a>, o que implica a responsabilidade do sujeito em sua constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o parece simples \u00e0 primeira vista. Como vimos, em geral, nas entrevistas preliminares, o sujeito tende a se queixar do seu sintoma, do que lhe causa desprazer. Mas a respeito do fantasma, o sil\u00eancio impera, como nos faz observar Miller, e isto n\u00e3o \u00e9 sem raz\u00e3o. H\u00e1 de se supor a\u00ed um gozo n\u00e3o reconhecido pelo sujeito como seu, em desacordo com os valores e com toda montagem simb\u00f3lico-imagin\u00e1ria que disp\u00f5e para saber de si<a href=\"#bookmark25\"><sup>26<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Enquanto fala do seu sintoma, o sujeito faz apelo \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o ocorre em rela\u00e7\u00e3o ao fantasma, justamente por estar para o sujeito no lugar do real, inacess\u00edvel ao sentido<a href=\"#bookmark26\"><sup>27<\/sup><\/a>. De acordo com Miller, em <em>O Ser e O Um <\/em>(2011), vemos que o fantasma, al\u00e9m de passar pelos registros simb\u00f3lico e imagin\u00e1rio, \u00e9 tamb\u00e9m real, porque retorna sempre ao mesmo lugar para o sujeito, exigindo do analista uma orienta\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se detenha apenas na via da falta a ser, mas que aponte na dire\u00e7\u00e3o do Um<a href=\"#bookmark27\"><sup>28<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>A partir do <em>Semin\u00e1rio 19 <\/em>(2012 [1971-1972]) pode-se depreender que o efeito do significante, ao mesmo passo em que cria o sujeito, introduzindo-o no campo do Outro e na dimens\u00e3o do ser, tamb\u00e9m o apaga, condenando-o ao sil\u00eancio. Isto por que, nessa dimens\u00e3o, o significante s\u00f3 pode representar o sujeito para outro significante. Se sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 justamente a de conotar a diferen\u00e7a, a pr\u00f3pria diferen\u00e7a se torna, como tal, irrepresent\u00e1vel, inelimin\u00e1vel.<\/p>\n<p>Com a leitura que faz do tra\u00e7o un\u00e1rio de Freud, tanto no <em>Semin\u00e1rio 16 <\/em>(2008 [1968-1969]) quanto no <em>Semin\u00e1rio 19<\/em>, Lacan nos aponta essa marca primeira como escritural, a partir da qual devemos pensar o efeito chamado de repeti\u00e7\u00e3o. Nessa perspectiva, a marca \u00e9 aquilo que introduz, neste que ainda n\u00e3o podemos chamar de sujeito, a altera\u00e7\u00e3o da qual resulta a perda, o apagamento. Assim, o gozo, consequentemente almejado, se d\u00e1 pela ambi\u00e7\u00e3o do reencontro com o que o sujeito n\u00e3o pode contabilizar, o imposs\u00edvel.<\/p>\n<p>Suporte do significante e da identifica\u00e7\u00e3o, a marca inscrita no corpo \u00e9 ancoragem do inconsciente, da tagarelice que deveremos sustentar na cl\u00ednica, atrav\u00e9s da associa\u00e7\u00e3o livre, como forma de seguir no encal\u00e7o do real. Como indica Lacan, essa associa\u00e7\u00e3o nada tem de livre, e seu interesse est\u00e1 justamente no fato de ser ligada, de nela falar o Um<a href=\"#bookmark28\"><sup>29<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>O sujeito, ao aceder a uma suposta unidade, se cr\u00ea suportado por essa passagem a um campo distinto, que vai do escrito \u00e0 fala<a href=\"#bookmark29\"><sup>30<\/sup><\/a>, mas neste campo est\u00e1 sempre implicado o \u201cpassado\u201d, apagamentos, perdas, vazio, ou seja, o <em>Um <\/em>como o que existe por ser imposs\u00edvel de enumerar, na sua diferen\u00e7a para os elementos cont\u00e1veis de um conjunto. Conforme nos diz Lacan, o <em>Um <\/em>evoca sempre uma biparti\u00e7\u00e3o, o extremo de n\u00e3o haver exist\u00eancia sem o fundo da inexist\u00eancia; de n\u00e3o haver exist\u00eancia sen\u00e3o sustentada por um fora que n\u00e3o \u00e9 (o que ex-siste)<a href=\"#bookmark30\"><sup>31<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Em <em>Lituraterra <\/em>(2003 [1971]), fica ainda mais claro que essa escrita primordial n\u00e3o se trata da impress\u00e3o gr\u00e1fica do significante, mas daquilo que \u00e9 absorvido como efeitos de l\u00edngua, pelos seus restos. A letra desponta a\u00ed como o que desenha a borda do furo, n\u00e3o ainda como significante, mas como litoral, admitindo um campo inteiro que serve de fronteira em rela\u00e7\u00e3o ao outro, por serem estrangeiros entre si. A singularidade dessa escrita, para cada falasser, esmaga o Universal do significante, e \u00e9 o que permite acrescentar, como diz Lacan, a \u201cdiz-mans\u00e3o do n\u00e3omaiskium\u201d, ou seja, \u201co sujeito que vem preencher a angustia d\u2019Acoisa\u201d, aqui conotada como o pequeno <em>a<a href=\"#bookmark31\"><sup>32<\/sup><\/a><\/em>.<\/p>\n<p>Tendo a pensar que podemos encontrar justamente a\u00ed o que est\u00e1 cifrado como <em>$<\/em>\u2662<em>a<\/em>, litoral a partir do qual se constitui o sujeito e onde reside o axioma dos sintomas, fixa\u00e7\u00e3o que desencadeia fic\u00e7\u00f5es, aqu\u00e9m de uma interpreta\u00e7\u00e3o poss\u00edvel apenas no n\u00edvel da verdade, j\u00e1 que o sentido tende a desaguar no gozo.<\/p>\n<p>Antes de concluir, me sirvo da pesquisa feita at\u00e9 aqui para retomar a minha quest\u00e3o inicial, o que me leva tamb\u00e9m a querer situar alguma coisa do ato anal\u00edtico. De que modo seria poss\u00edvel cernir algo disso que passa, da marca, desde as entrevistas preliminares, para que o \u201cpassado\u201d, como tal, possa existir (ex-sistir)?<\/p>\n<p>Me parece primeiro necess\u00e1rio desfazer a ideia de que o que passa seja o mesmo que o \u201cpassado\u201d, no sentido mais comum, como hist\u00f3ria biogr\u00e1fica, conte\u00fado que estaria por se revelar. Talvez seja algo disso o que se atravesse, mas n\u00e3o \u00e9 disso que se trata ao fim. At\u00e9 mesmo porque, a essa altura, penso ter sido poss\u00edvel concluir que o fantasma n\u00e3o vem a ser interpret\u00e1vel. Estarmos orientados por sua estrutura, para sua travessia, \u00e9 o que nos serve de guia para a interpreta\u00e7\u00e3o, mas pelo avesso da significa\u00e7\u00e3o, acolhendo as resson\u00e2ncias do gozo.<\/p>\n<p>Lacan diz, no <em>Semin\u00e1rio 19 <\/em>(2012 [1971-1972]): \u201cNa experi\u00eancia anal\u00edtica, o primeiro passo \u00e9 introduzir a\u00ed o <em>Um <\/em>como analista que se \u00e9\u201d<a href=\"#bookmark32\"><sup>33<\/sup><\/a>. O que talvez nos indique que o analista n\u00e3o deve se confundir com o sujeito, com a pessoa que se \u00e9. O analista se faz presente quando est\u00e1 em posi\u00e7\u00e3o de fazer uso da dessubjetiva\u00e7\u00e3o, atingida a partir da pr\u00f3pria an\u00e1lise, para conduzir o analisante ao inesperado, \u00e0 surpresa, ao real sem sentido e tamb\u00e9m sem lei<a href=\"#bookmark33\"><sup>34<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>O analista assim posicionado, desde as entrevistas preliminares, \u00e9 o que possibilita colocar em marcha a transfer\u00eancia, a suposi\u00e7\u00e3o de saber que faz do inconsciente uma subst\u00e2ncia e o que leva ao aparecimento do sujeito situado em sua divis\u00e3o. A transfer\u00eancia, neste vi\u00e9s, \u00e9 justamente o que faz obst\u00e1culo ao di\u00e1logo, \u00e0 compreens\u00e3o, criando enigma, abertura ao real.<\/p>\n<p>S\u00f4nia Vicente recorda que o sujeito que procura uma an\u00e1lise faz uma escolha a favor do inconsciente, mesmo que disso n\u00e3o saiba. Assim, fica a cargo do analista o ato criador que suscite a entrada em an\u00e1lise<a href=\"#bookmark34\"><sup>35<\/sup><\/a>. Esse ato, por ser contingente, atinge o sujeito no seu dizer, evocando uma temporalidade outra, que n\u00e3o a cronol\u00f3gica.<\/p>\n<p>O ato, ainda de acordo com Vicente, \u00e9 quando o desejo vai mais longe que a inten\u00e7\u00e3o do sujeito e que, na retomada significante, recupera a sua pr\u00f3pria dimens\u00e3o num s\u00f3-depois. \u00c9 o instante que permite situar um antes e um depois, algo que passa de uma ordem para outra, e que, ao emergir, cria seu passado, \u201cgerando o equ\u00edvoco de supor que estava ali desde sempre\u201d<a href=\"#bookmark35\"><sup>36<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>A interpreta\u00e7\u00e3o como corte incide na cadeia significante introduzindo o equ\u00edvoco, o intervalo, desinflando o sintoma, desvelando o furo bordeado pelo sentido e reconduzindo o sujeito \u00e0 opacidade de seu gozo<a href=\"#bookmark36\"><sup>37<\/sup><\/a>. O corte, como ato, vai mais al\u00e9m da contradi\u00e7\u00e3o entre o que se sabe e o que n\u00e3o se sabe, incidindo no litoral entre linguagem e gozo, onde o sujeito se subverte e o que emerge \u00e9 o objeto <em>a<\/em>.<\/p>\n<p>Apesar de toda estrutura\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica que se pode conferir \u00e0s entrevistas preliminares, o que n\u00e3o se deve evitar evidenciar \u00e9 justamente isso que desponta no instante do ato, sem correspond\u00eancia necess\u00e1ria a uma premedita\u00e7\u00e3o ou escalonamento estrat\u00e9gico: n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o com o Outro, o que est\u00e1 em jogo \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o com o objeto. No n\u00edvel do gozo, o Outro n\u00e3o existe, o que se manifesta s\u00e3o as resson\u00e2ncias da l\u00edngua.<\/p>\n<p>Por fim, \u00e9 com esse limite na garantia das respostas ao que lhe faz enigma que o sujeito ter\u00e1 de haver-se, para com isso tamb\u00e9m haver-se com seu desejo e, mais ainda, com seu gozo. Seguir em an\u00e1lise talvez indique o consentimento com o que decanta dos ditos, do sintoma, encaminhando um trabalho sobretudo de inven\u00e7\u00e3o a partir dos restos que propagam o inconsciente. Talvez seja isso o que recoloque o tempo novamente em movimento, por\u00e9m, n\u00e3o mais enquanto s\u00e9rie, que, pela via da repeti\u00e7\u00e3o, o passado atualiza. E sim na via do passo que, ao passar, do passado se inaugura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><sup>1<\/sup> SELDES, R. (2019). <em>La urgencia dicha<\/em>. Buenos Aires: Colecci\u00f3n Diva. p. 75.<\/h6>\n<h6><sup>2<\/sup> <em>Idem<\/em>, p. 19-20.<\/h6>\n<h6><sup>3<\/sup> <em>Idem<\/em>, p. 22.<\/h6>\n<h6><sup>4<\/sup> <em>Idem<\/em>, p. 41.<\/h6>\n<h6><sup>5<\/sup> <em>Idem<\/em>.<\/h6>\n<h6><sup>6<\/sup> MILLER, J-A. (1997). <em>Lacan Elucidado: palestras no Brasil<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. p. 224.<\/h6>\n<h6><sup>7<\/sup> FREUD, S. (2010 [1913]). O in\u00edcio do tratamento. In: <em>Obras completas<\/em>, Vol. 10. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras. p. 165-167.<\/h6>\n<h6><sup>8<\/sup> MILLER, J-A. <em>op. cit<\/em>., p. 224.<\/h6>\n<h6><sup>9<\/sup> <em>Ibid<\/em>., p. 223-225.<\/h6>\n<h6><sup>10<\/sup> <em>Ibid<\/em>., p. 235-236.<\/h6>\n<h6><sup>11<\/sup> MILLER, J-A. (1994). <em>Come iniziano le analisi<\/em>. In: Textos de orienta\u00e7\u00e3o para o IX ENAPOL. p. 4.<\/h6>\n<h6><sup>12<\/sup> MILLER, J-A. <em>op. cit<\/em>., p. 242-246.<\/h6>\n<h6><sup>13<\/sup> MILLER, J-A. (2014). Uma psican\u00e1lise com uma estrutura ficcional. In: <em>A Causa do Desejo <\/em>2014\/2 (N\u00b0 87). p. 3.<\/h6>\n<h6><sup>14<\/sup> <em>Ibid<\/em>., p. 4.<\/h6>\n<h6><sup>15<\/sup> FREUD, S. (2015 [1908]). As fantasias hist\u00e9ricas e sua rela\u00e7\u00e3o com a bissexualidade. In: <em>Obras completas. <\/em>Vol. 8. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras. p. 343.<\/h6>\n<h6><sup>16<\/sup> LACAN, J. (1971-1972). <em>O Saber do Psicanalista <\/em>(publica\u00e7\u00e3o interna da Associa\u00e7\u00e3o Freudiana Internacional). p. 30.<\/h6>\n<h6><sup>17<\/sup> MILLER, J-A. (2008). <em>El Partenaire-s\u00edntoma<\/em>. Buenos Aires : Paid\u00f3s, p. 79.<\/h6>\n<h6><sup>18<\/sup> LACAN, J. (2016 [1958-1959]). <em>O Semin\u00e1rio, livro 6: o desejo e sua interpreta\u00e7\u00e3o. <\/em>Rio de Janeiro: Zahar. p. 393.<\/h6>\n<h6><sup>19<\/sup> LACAN, J. (2016 [1958-1959]). <em>O Semin\u00e1rio, livro 6: o desejo e sua interpreta\u00e7\u00e3o. <\/em>Rio de Janeiro: Zahar. p. 398.<\/h6>\n<h6><sup>20<\/sup> <em>Ibid<\/em>., p. 394.<\/h6>\n<h6><sup>21<\/sup> <em>Ibid<\/em>., p. 400.<\/h6>\n<h6><sup>22<\/sup> MILLER, J-A. (2024). Sintoma-fantasma. In: <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, n\u00ba 88<\/em>. p. 28.<\/h6>\n<h6><sup>23<\/sup> MILLER, J-A. (2011). O Ser e o Um: Semin\u00e1rio de Orienta\u00e7\u00e3o <em>Lacaniana (2011)<\/em>. In\u00e9dito. p. 32.<\/h6>\n<h6><sup>24<\/sup> <em>Ibid<\/em>.<\/h6>\n<h6><sup>25<\/sup> MILLER, J-A. (2024). Sintoma-fantasma. In: <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, n\u00ba 88<\/em>. p. 28.<\/h6>\n<h6><sup>26<\/sup> <em>Ibid<\/em>., p. 26.<\/h6>\n<h6><sup>27<\/sup> MILLER, J-A. (2011). <em>O Ser e o Um: Semin\u00e1rio de Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana (2011)<\/em>. In\u00e9dito. p. 86.<\/h6>\n<h6><sup>28<\/sup> LACAN, J. (2012 [1971-1972]). <em>O Semin\u00e1rio, livro 19: &#8230;ou pior. <\/em>Rio de Janeiro: Zahar. p. 87.<\/h6>\n<h6><sup>29<\/sup> <em>Ibid<\/em>., p. 91.<\/h6>\n<h6><sup>30<\/sup> <em>Ibid<\/em>., p. 98.<\/h6>\n<h6><sup>31<\/sup> LACAN, J. (2012 [1971-1972]). <em>O Semin\u00e1rio, livro 19: &#8230;ou pior. <\/em>Rio de Janeiro: Zahar. p. 95.<\/h6>\n<h6><sup>32<\/sup> LACAN, J. (2003 [1971]). Lituraterra. In: <em>Outros escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar, p. 15-24.<\/h6>\n<h6><sup>33<\/sup> LACAN, J. <em>op. cit<\/em>., p. 87.<\/h6>\n<h6><sup>34<\/sup>\u00a0\u00a0\u00a0 VICENTE,\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 S\u00f4nia.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <em>O\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 ato\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 anal\u00edtico<\/em>.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Cogito,\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Salvador,\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 v.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 6,\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 p.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 39-43,\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 2004.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dispon\u00edvel\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 em &lt;<a href=\"http:\/\/pepsic.bvsalud.org\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1519-94792004000100010&amp;lng=pt&amp;nrm=iso\">http:\/\/pepsic.bvsalud.org\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1519-94792004000100010&amp;lng=pt&amp;nrm=iso<\/a>&gt;. acessos em 19 out. 2025.<\/h6>\n<h6><sup>35<\/sup>\u00a0\u00a0\u00a0 VICENTE,\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 S\u00f4nia.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <em>O\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 ato\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 anal\u00edtico<\/em>.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Cogito,\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Salvador,\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 v.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 6,\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 p.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 39-43,\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 2004.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dispon\u00edvel\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 em &lt;<a href=\"http:\/\/pepsic.bvsalud.org\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1519-94792004000100010&amp;lng=pt&amp;nrm=iso\">http:\/\/pepsic.bvsalud.org\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1519-94792004000100010&amp;lng=pt&amp;nrm=iso<\/a>&gt;. acessos em 19 out. 2025.<\/h6>\n<h6><sup>36<\/sup> <em>Ibid<\/em>.<\/h6>\n<h6><sup>37<\/sup> <em>Ibid<\/em>.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Klaus L. S. Seydel \u00a0\u201cQue cada um encontre algo acerca da l\u00edngua que fala em si, que consiga produzir algum significante que ponha o tempo em movimento outra vez para que o passado possa existir como tal\u201d1. 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