{"id":57881,"date":"2025-11-18T09:19:26","date_gmt":"2025-11-18T12:19:26","guid":{"rendered":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2025\/?p=57881"},"modified":"2025-11-18T09:19:26","modified_gmt":"2025-11-18T12:19:26","slug":"da-ignorancia-ao-desejo-de-saber","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2025\/da-ignorancia-ao-desejo-de-saber\/","title":{"rendered":"DA IGNOR\u00c2NCIA, AO DESEJO DE SABER"},"content":{"rendered":"<h3>PLEN\u00c1RIA DO CONSELHO DA EBP-BA TORNAR-SE ANALISTA: UMA EXPERI\u00caNCIA<\/h3>\n<p>COMPOSI\u00c7\u00c3O ATUAL DO CONSELHO DA EBP BAHIA: <em>Al\u00e9ssia Fontenelle, Anal\u00edcea Calmon, F\u00e1tima Sarmento, Lucy de Castro, M\u00f4nica Hage (Presidente), Pablo Sauce (Vice-presidente).<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<h5>Lucy de Castro (EBP\/AMP)<\/h5>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong>H\u00e1 poucos meses atr\u00e1s, seguindo a proposta do Conselho da EBP-Ba para o Semin\u00e1rio de Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana em 2025 em torno do tema <strong><em>\u201cAdvir analisante, tornar-se analista: uma quest\u00e3o de Escola\u201d<\/em><\/strong>, escolhi abordar a <strong>PAIX\u00c3O DA IGNOR\u00c2NCIA E DESEJO DE SABER.<\/strong><\/p>\n<p>Vimos a impossibilidade de se pensar a Paix\u00e3o da Ignor\u00e2ncia, sem relacion\u00e1-la imediatamente ao Saber e que, a Paix\u00e3o da Ignor\u00e2ncia n\u00e3o deve ser entendida como paix\u00e3o de n\u00e3o saber nada. A <strong>Paix\u00e3o da Ignor\u00e2ncia, <\/strong>designa o <strong>Saber <\/strong>como um <strong>conjunto vazio <\/strong>\u2013 o saber \u00e9 desalojado, mas <strong>fica o enquadre<\/strong>, sua inscri\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00e3o saber. <strong>Vamos encontrar a ignor\u00e2ncia <u>no<\/u> <u>espa\u00e7o que se deixou vazio<\/u> para que <u>se possa ter ali<\/u> <\/strong>a <strong>inven\u00e7\u00e3o do saber<a href=\"#bookmark0\">1<\/a>.<\/strong><\/p>\n<p>Hoje, nessa \u00faltima plen\u00e1ria da <strong>XXIX Jornada <\/strong>reservada ao Conselho da EBP-Ba, cabe-me falar sobre <strong><em>TORNAR-SE ANALISTA, UMA EXPERI\u00caNCIA.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Nesse contexto, n\u00e3o h\u00e1 como fugir do tema: <strong>Ignor\u00e2ncia e Desejo de Saber<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Afinal, Ignor\u00e2ncia e saber est\u00e3o no cerne da experi\u00eancia anal\u00edtica.<\/strong><\/p>\n<p>Tomamos como ponto de partida <em>\u201cVariantes do Tratamento Padr\u00e3o<\/em>\u201d, que Lacan escreve em 1953, tempo inaugural de seu ensino, publicado em 1955.<\/p>\n<blockquote><p><strong><em>O fruto positivo da revela\u00e7\u00e3o da ignor\u00e2ncia \u00e9 o n\u00e3o-saber, que n\u00e3o \u00e9 uma nega\u00e7\u00e3o do saber, por\u00e9m sua forma mais elaborada. A forma\u00e7\u00e3o do candidato n\u00e3o pode concluir-se sem a a\u00e7\u00e3o do mestre ou dos mestres, que o formam nesse n\u00e3o-saber, sem o que ele nunca ser\u00e1 nada al\u00e9m de um rob\u00f4 do analista.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Lacan. J. Variantes do Tratamento Padr\u00e3o<\/em><\/strong><strong>. In <em>Escritos, p. 360<\/em><\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>O percurso anal\u00edtico implica, sempre o tratamento da ignor\u00e2ncia. No entanto, o fruto positivo da ignor\u00e2ncia como sua forma mais elaborada \u2013 <strong><em>a fecunda ignor\u00e2ncia &#8211; <\/em><\/strong>deve ser mantida<strong>. <\/strong>\u00c9 importante ressaltar, que no sentido figurado, o termo fecundo significa a capacidade de gerar resultados criativos ou inventivos. \u00c9 nessa condi\u00e7\u00e3o que entendemos o fruto positivo da ignor\u00e2ncia como sua forma mais elaborada. Ignorar o que sabe, ignorar o que aprendeu enquanto analisante, \u00e9 o que vai sustentar a posi\u00e7\u00e3o do analista. Se essa ignor\u00e2ncia n\u00e3o for mantida, o analista pode cair na enfatua\u00e7\u00e3o. No final da experi\u00eancia, o analista deve saber <strong><em>\u201cvirar-se com\u201d, <\/em><\/strong>para n\u00e3o se tornar um rob\u00f4.<\/p>\n<p>Lacan, refere-se \u00e0 psican\u00e1lise como uma <em>\u201cpr\u00e1tica subordinada em sua destina\u00e7\u00e3o ao que h\u00e1 de mais particular no sujeito\u201d <\/em>e nos alerta: \u201co analista s\u00f3 pode enveredar por ela, ao reconhecer em seu saber, o sintoma de sua ignor\u00e2ncia\u201d.<\/p>\n<p>Em <em>\u201c<strong>O Saber do Psicanalista<\/strong>\u201d<a href=\"#bookmark1\">2<\/a><\/em>, Lacan (1971), diz que \u201ca ignor\u00e2ncia \u00e9 um modo de estabelecer o saber; de fazer disso um saber estabelecido\u201d.<\/p>\n<p>Miller, discorrendo sobre \u201cAs Bodas do Gozo e o Saber\u201d<a href=\"#bookmark2\">3<\/a>, pontua que, na hist\u00f3ria da psican\u00e1lise e em sua atualidade, os psicanalistas nem sempre fazem essa diferen\u00e7a, e que h\u00e1 <u>uma parte do saber dos analistas<\/u> bem <u>distanciada do<\/u> <u>inconsciente como saber<\/u>; o <em>saber dos analistas <\/em>e <em>o inconsciente como saber<\/em>, aqui n\u00e3o t\u00eam nada a ver um como outro; n\u00e3o se encontram, cada qual segue seu caminho.<\/p>\n<p>No outro extremo, para outros analistas, ambos, <strong>o <em>saber dos analistas <\/em><\/strong>e <strong>o <em>inconsciente como saber <\/em><\/strong>se confundem, levando \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o incessante, sem saber o que se diz.<\/p>\n<p>No Inconsciente h\u00e1 um <strong>ponto de n\u00e3o saber<\/strong><em>, <\/em>do homem sobre a mulher e da mulher sobre o homem<a href=\"#bookmark3\">4<\/a>. Isso a princ\u00edpio pode ser dito: <em>os dois sexos s\u00e3o estranhos um ao outro, s\u00e3o exilados. <\/em>Mas n\u00e3o h\u00e1 nenhuma simetria, porque <strong>o n\u00e3o saber <\/strong>de que se trata, i<strong>ncide sobre a mulher<\/strong>. <strong>No inconsciente, nada se sabe sobre a mulher<\/strong>, da\u00ed a express\u00e3o \u201c<strong><em>Outro sexo\u201d <\/em><\/strong>H\u00e1 o <strong>significante do homem<\/strong>, mas, apenas este, e Freud constata que h\u00e1 um \u00fanico s\u00edmbolo da libido, e este \u00e9 viril. o <strong>significante da mulher \u00e9 perdido<\/strong>, se extravia, levando Lacan a formular que <strong><em>\u201ca\u201d <\/em>mulher n\u00e3o existe<\/strong>. Miller pontua que est\u00e1 a\u00ed a raz\u00e3o pela qual o sujeito que entra no dispositivo da an\u00e1lise \u00e9 submetido a uma histeria estrutural, n\u00e3o porque ele se experimenta dividido pelos efeitos do significante, mas porque, independentemente de sua vontade \u00e9 lan\u00e7ado \u00e0 procura do significante da mulher, que ele necessitaria para que a rela\u00e7\u00e3o sexual existisse. Na experi\u00eancia da fala, a estrutura diacr\u00edtica da linguagem que faz com que um significante valha apenas para o outro (S1 \u00a0S2), abre a palavra para uma recorr\u00eancia sem fim. A Rela\u00e7\u00e3o S1 \u2013 S2 constitui o fundamento racional da an\u00e1lise infinita; porque n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual, espera-se que esta se manifeste um pouco mais tarde.<\/p>\n<p><strong>O saber como tal situa-se no lugar do saber do outro sexo (S<sub>2<\/sub>), porque no inconsciente nada se sabe sobre a mulher.<\/strong><\/p>\n<p>Ao definir o Inconsciente como um saber, Lacan muda algo da defini\u00e7\u00e3o freudiana do Inconsciente (<em>situado no ponto em que entre a causa e o que ela afeta, h\u00e1 sempre claudica\u00e7\u00e3o)<a href=\"#bookmark4\">5<\/a><\/em>. Em Lacan trata-se de um saber feito de correspond\u00eancias das palavras \u2013 <u>significantes <\/u>&#8211; que correspondem entre si. <strong>Apenas um significante <\/strong>est\u00e1 atr\u00e1s dessa correspond\u00eancia, levando \u00e0 indaga\u00e7\u00e3o sobre o que vem a ser o <strong>saber anal\u00edtico<\/strong>: <strong><em>seria o inconsciente como saber, ou seria o saber dos analistas sobre o inconsciente como saber?<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>S1\u2013S2 <\/strong>significa que o sujeito n\u00e3o saberia encontrar no significante, designa\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, representa\u00e7\u00e3o absoluta. O Sujeito do Significante <strong>(S1) <\/strong>n\u00e3o<\/p>\n<p>tem nome no <strong>Outro do Significante (S2). O sujeito do Significante est\u00e1 sempre deslocalizado e falta-lhe ser. <\/strong>Est\u00e1 presente apenas no <strong>objeto <em>\u201ca\u201d, <\/em><\/strong>que reveste a fantasia.<\/p>\n<p>Indo mais al\u00e9m, Lacan no Semin\u00e1rio 17<a href=\"#bookmark5\">6<\/a>, diz que a <strong>posi\u00e7\u00e3o do psicanalista <\/strong>\u00e9 <strong><u>feita substancialmente do objeto <em>a<\/em><\/u><\/strong>, na medida em que, esse <strong><u>objeto <em>a<\/em><\/u> <\/strong>designa o que, dos efeitos do discurso, se apresenta como <strong>o mais opaco<\/strong>, h\u00e1 muito tempo desconhecido, e, no entanto, essencial \u2013 <strong><em>efeito de discurso, que \u00e9 efeito de recha\u00e7o.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>O inconsciente sustenta que n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual, por\u00e9m o faz sem sab\u00ea-lo. O saber inconsciente \u00e9 tamb\u00e9m um saber onde se encontra algo<strong>: <\/strong>o <strong>Gozo <\/strong>e, tamb\u00e9m, a <strong>Repeti\u00e7\u00e3o, que \u00e9 <\/strong><u>o primeiro grande encontro<\/u>. A tese freudiana formulada por Lacan, de que o Inconsciente como saber trabalha para o gozo, \u00e9 quase o n\u00facleo das forma\u00e7\u00f5es do inconsciente: <strong><em>h\u00e1 uma conex\u00e3o do saber com a satisfa\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong>. <strong>Entretanto, <\/strong>na psican\u00e1lise, <strong>a satisfa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 equivalente ao saber.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A transfer\u00eancia <\/strong>\u00e9 um fen\u00f4meno em que <strong>est\u00e3o inclu\u00eddos juntos, o sujeito e o psicanalista<\/strong>. \u00c9 a suposi\u00e7\u00e3o pelo analisante de um sujeito que sabe, que inicia o processo anal\u00edtico. \u201cDesde que haja em algum lugar o <em>Sujeito suposto Saber <\/em>(S.s.S.) h\u00e1 transfer\u00eancia, diz Lacan no Semin\u00e1rio 11<a href=\"#bookmark6\">7<\/a>. Sujeito suposto Saber designa uma <u>fun\u00e7\u00e3o<\/u> que o analista pode chegar a encarnar na cura.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 <strong>Paix\u00e3o da Ignor\u00e2ncia <\/strong>que circula entre o analisante e o analista em uma experi\u00eancia de an\u00e1lise, Lacan diferencia a <strong>paix\u00e3o da ignor\u00e2ncia <u>do lado do analisante<\/u> <\/strong>\u2013 <strong><em>seu <u>n\u00e3o querer-saber<\/u><\/em><\/strong>, da <strong>paix\u00e3o da ignor\u00e2ncia do lado do analista <\/strong>\u2013 <strong><em>a <u>douta ignor\u00e2ncia.<\/u><\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Douta Ignor\u00e2ncia, \u00e9 o exerc\u00edcio de ignorar o que se sabe <\/strong>para tomar cada caso como se fora a primeira vez. A an\u00e1lise s\u00f3 pode encontrar sua medida, <u>nas vias de uma douta ignor\u00e2ncia<\/u> (<em>Escritos <\/em>p. 364).<\/p>\n<p>Segundo Miller, <u>sua pr\u00f3pria experi\u00eancia psicanal\u00edtica<\/u> o ensinou que na experi\u00eancia da psican\u00e1lise, <u>cada um \u00e9 um matema<\/u>. Lacan reformula a psican\u00e1lise convidando cada um a tentar conhecer seu pr\u00f3prio matema, em particular o matema de seu fantasma fundamental, na medida em que este condiciona, determina ou se desprende dele, tudo que a pessoa faz em sua exist\u00eancia, o que experimenta, pensa, com o s\u00e9quito de \u00eaxitos, fracassos etc. que constitui a vida humana.<\/p>\n<p><strong>Entendemos aqui, como um convite \u00e0 formaliza\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>Convido-os a ler o Cap\u00edtulo V de \u201c<strong>El Banquete del Analistas\u201d <\/strong>intitulado com os termos do matema que nos interessa: <strong>IGNOR\u00c2NCIA, TRABALHO, REPOUSO (<em>PEREZA<\/em>), PRODUTO. <\/strong>Nos deteremos no Discurso do Inconsciente e Discurso do Analista,<\/p>\n<p>Lacan denominou o Discurso do Inconsciente, de Discurso do Amo.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\">DISCURSO DO AMO \/ DISCURSO DO INCONSCIENTE.<\/h5>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-57882 size-full aligncenter\" src=\"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2025\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/discurso1.png\" alt=\"\" width=\"727\" height=\"252\" srcset=\"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2025\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/discurso1.png 727w, https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2025\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/discurso1-300x104.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 727px) 100vw, 727px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Miller<a href=\"#bookmark7\"><sup>8<\/sup><\/a> <strong>coloca em S<sub>1<\/sub>, lugar do Amo<\/strong>, a <strong>Ignor\u00e2ncia; defende <\/strong>que cabe <strong>a Ignor\u00e2ncia no lugar do Amo <\/strong>(<strong>S<sub>1<\/sub><\/strong>), porque <strong>estatutariamente o amo \u00e9 cego; <\/strong>manda, sem querer saber de nada. Sua vontade \u00e9 de poder e n\u00e3o de saber.<\/p>\n<p><strong>Em (S<sub>2<\/sub>), que no discurso do Amo <\/strong>\u00e9 o <strong>lugar do saber<\/strong>, ele coloca o <strong>Inconsciente como Saber. <\/strong>Nesse lugar do escravo, o <strong>Inconsciente-Saber <\/strong>trabalha incessantemente obedecendo ao princ\u00edpio do prazer, para conduzi-los \u00e0 beatitude; desvela-se para faz\u00ea-los gozar com suas forma\u00e7\u00f5es do Inconsciente, e produz um <u>excedente<\/u> que <u>n\u00e3o se deixa reabsorver neste saber.<\/u><\/p>\n<p><strong>O <em>\u201ca\u201d <\/em><\/strong>est\u00e1 no lugar do <strong>produto; <\/strong>e o <strong>Sujeito do Inconsciente ($<\/strong>) no lugar do repouso (com bra\u00e7os cruzados).<\/p>\n<p>Miller acrescenta a import\u00e2ncia de que, o que estrutura os quatro conceitos \u00e9 a <u>distin\u00e7\u00e3o entre transfer\u00eancia e repeti\u00e7\u00e3o<\/u>, que <u>n\u00e3o \u00e9 algo j\u00e1 sabido<\/u>, e lan\u00e7a a pergunta: <strong><em>como interv\u00e9m o analista aqui? <\/em><\/strong>Ele deixa claro que o <strong>discurso do Inconsciente segundo Lacan, n\u00e3o \u00e9 discurso do analista<\/strong>; O analista interv\u00e9m e introduz uma perturba\u00e7\u00e3o fundamental: <em>Basta de enrolar<\/em>&#8230; e <em>lhe oferece o div\u00e3. \u00c9 suficiente que saiba falar&#8230; <\/em>Se algu\u00e9m deseja, h\u00e1 que se lan\u00e7ar! \u00c9 o que significa Associa\u00e7\u00e3o Livre. N\u00e3o h\u00e1 que saber nada antes.<\/p>\n<p>No discurso do inconsciente, ele o analista fica de <em>\u201cpernas para o ar\u201d, <\/em>no sentido de n\u00e3o fazer nada; permanece em estado de inatividade ou de descanso<em>. <\/em>Faz com que o <u>sujeito comece a trabalhar.<\/u><\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\">DISCURSO DO ANALISTA<\/h5>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-57883 size-full\" src=\"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2025\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/discurso2.png\" alt=\"\" width=\"850\" height=\"254\" srcset=\"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2025\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/discurso2.png 850w, https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2025\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/discurso2-300x90.png 300w, https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2025\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/discurso2-768x229.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 850px) 100vw, 850px\" \/>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><u>O que faz atuar e o que trabalha \u00e9 o Inconsciente<\/u><\/p>\n<p>Surge aqui um problema para os analistas que est\u00e3o no discurso do analista, diz Miller: uma vez que deixam estar ali, o Inconsciente que est\u00e1 acostumado a trabalhar <strong><em>passa ao largo <\/em><\/strong>e <strong><em>os acting out <\/em><\/strong>se multiplicam. O inconsciente-saber no lugar do repouso, por mais surpreendente que pare\u00e7a, na experi\u00eancia anal\u00edtica, conforme Lacan, <strong>\u00e9 puro efeito<\/strong>. Na experi\u00eancia anal\u00edtica o <strong>saber inconsciente vai se depositar <\/strong>e se escrever\u00e1 a partir de zero. Por isso o come\u00e7o deste inconsciente est\u00e1 vazio, e n\u00e3o \u00e9 mais que pura suposi\u00e7\u00e3o \u2013 dando origem \u00e0 express\u00e3o <strong><em>sujeito suposto saber<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p>Resta um s\u00edmbolo para escrever o lugar do analista no lugar da ignor\u00e2ncia: \u201c<strong><em>a\u201d <\/em><\/strong>no discurso do analista \u201c<strong>manda\u201d a causa do desejo. \u00c9 o que manda e o que deixa algo para desejar.<\/strong><\/p>\n<p>Na experi\u00eancia anal\u00edtica h\u00e1 a passagem para o desejo de saber.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>DESEJO DE SABER <\/strong>\u00e9 o ponto a partir do qual podemos dizer, que <strong>H\u00e1 Analista<\/strong>. <strong>N\u00e3o h\u00e1 analista, se o DESEJO DE SABER, n\u00e3o lhe adv\u00e9m. <\/strong>N\u00e3o se pode, pois, pensar o desejo do analista do final de an\u00e1lise, sem se chegar \u00e0 causa do desejo de saber. O desejo de saber \u00e9 o que resulta da substitui\u00e7\u00e3o do horror ao saber \u2013 equivalente ao horror \u00e0 castra\u00e7\u00e3o \u2013 pelo sujeito barrado, <u>opondo a puls\u00e3o como vontade de gozo<\/u>, <u>ao desejo de saber<\/u>. Sigo Miller<a href=\"#bookmark8\">9<\/a>\u00a0que diz \u201c<strong><em>a causa do horror ao saber, pr\u00f3pria de cada sujeito, separada da de todos, causa do desejo do analista enquanto tal&#8230;<\/em>\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>Concluo com a cita\u00e7\u00e3o de Miller (2023) em <strong>\u201cObserva\u00e7\u00e3o sobre o desejo<\/strong><\/p>\n<p><strong>de saber<\/strong>\u201d<a href=\"#bookmark9\">10<\/a><em>:<\/em><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>\u201c<strong>Creio que o papel especial do saber na psican\u00e1lise tem seus fundamentos na pr\u00f3pria cura<\/strong>, <strong>na pr\u00f3pria opera\u00e7\u00e3o anal\u00edtica. E o que tratamos de fazer nestes tempos, \u00e9 algo novo. Tratamos de fazer da Escola um conceito fundamental da Psican\u00e1lise\u201d.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Tema que ser\u00e1 abordado por M\u00f4nica Hage nessa plen\u00e1ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h6><sup>1<\/sup> <em>Miller, Os Signos do Gozo \u2013 O enquadre<sup>1<\/sup> do saber, pag. 220<\/em><\/h6>\n<h6><sup>2<\/sup> <strong>NOTA<\/strong><em>: <\/em><strong>Semin\u00e1rio dado por Lacan em 1971 <\/strong>em Sainte_Anne, aos internos de Psiquiatria. Os tr\u00eas primeiros cap\u00edtulos deste semin\u00e1rio foram publicados in \u201cJe Parle Aux Murs\u201d e os quatro \u00faltimos (cap\u00edtulos V, VII, XI, XIV) como parte do Semin\u00e1rio 19 \u201c\u2026 ou pior\u201d. Citado por <em>Maria Bernadette Soares de Sant\u00b4Ana Pitteri, EBP\/AMP \u2013 Se\u00e7\u00e3o S\u00e3o Paulo. In <\/em>Douta ignor\u00e2ncia \u2013 Subvers\u00e3o \u2013 Da verdade \u2013 Subvers\u00e3o do saber, <em>2020<\/em>. Web.<\/h6>\n<h6><strong><sup>3<\/sup><\/strong> <strong>Miller, J.A \u2013 <\/strong><em>El Banquete de los Analistas<\/em><strong>, Cap\u00edtulo IV, \u201cLas Bodas del Gozo y el saber, p. <\/strong><strong>Paid\u00f3s.<\/strong><\/h6>\n<h6><sup>4<\/sup> Miller, J-A. <strong>Aposta no passe<\/strong>, in <em>A favor do passe ou dial\u00e9tica do desejo e fixidez da fantasia<\/em>., pg.17. Contra Capa Livraria.<\/h6>\n<h6><sup>5<\/sup> Lacan, J. Sem. 11, <strong><em>Os quatro conceitos fundamentais da Psican\u00e1lise, <\/em><\/strong>in. <strong><em>O inconsciente freudiano e o nosso<\/em><\/strong>, pg. 27.<\/h6>\n<h6>6 Lacan, J. Sem. 17, <strong><em>O Avesso da Psican\u00e1lise, <\/em><\/strong>in <strong><em>Saber, Meio de Gozo, <\/em><\/strong>p\u00e1g. 40-41<strong>. <\/strong>JZE.<\/h6>\n<h6><sup>7<\/sup> Lacan, J. Sem. 11, <strong><em>Os quatro conceitos fundamentais da Psican\u00e1lise, <\/em><\/strong>in. <strong><em>Do sujeito Suposto Saber, da D\u00edade Primeira e do Bem<\/em><\/strong><em>, <\/em>p\u00e1g. 220.<\/h6>\n<h6><sup>8<\/sup> Miller, J-A, <strong><em>El Banquete del Analista, p.86-70 \u2013 <\/em>Paid\u00f3s<em>.<\/em><\/strong><\/h6>\n<h6><sup>9<\/sup> Miller, J-A, <strong><em>El Banquete del Analista, <\/em><\/strong>p. 265-266 <strong><em>\u2013 <\/em>Paid\u00f3s<em>.<\/em><\/strong><\/h6>\n<h6><sup>10<\/sup> Nota: Tradu\u00e7\u00e3o livre \u2013 <strong>Miller, J-A<\/strong>, <strong><em>El Nacimiento del Campo Freudiano<\/em><\/strong>, <strong><em>Cap\u00edtulo 2: El Tumulto, Observaci\u00f3n sobre el deseo de saber, pag. 109. 2023. Paid\u00f3s.<\/em><\/strong><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PLEN\u00c1RIA DO CONSELHO DA EBP-BA TORNAR-SE ANALISTA: UMA EXPERI\u00caNCIA COMPOSI\u00c7\u00c3O ATUAL DO CONSELHO DA EBP BAHIA: Al\u00e9ssia Fontenelle, Anal\u00edcea Calmon, F\u00e1tima Sarmento, Lucy de Castro, M\u00f4nica Hage (Presidente), Pablo Sauce (Vice-presidente). Lucy de Castro (EBP\/AMP) \u00a0H\u00e1 poucos meses atr\u00e1s, seguindo a proposta do Conselho da EBP-Ba para o Semin\u00e1rio de Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana em 2025 em&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[520],"tags":[],"class_list":["post-57881","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-plenarias","category-520","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2025\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57881","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2025\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2025\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2025\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2025\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=57881"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2025\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57881\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57884,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2025\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57881\/revisions\/57884"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2025\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=57881"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2025\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=57881"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2025\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=57881"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}