{"id":57872,"date":"2025-11-18T09:07:06","date_gmt":"2025-11-18T12:07:06","guid":{"rendered":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2025\/?p=57872"},"modified":"2025-11-18T09:10:19","modified_gmt":"2025-11-18T12:10:19","slug":"entre-a-transferencia-e-o-ato-o-desejo-do-analista-como-operador-da-entrada-em-analise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2025\/entre-a-transferencia-e-o-ato-o-desejo-do-analista-como-operador-da-entrada-em-analise\/","title":{"rendered":"Entre a transfer\u00eancia e o ato: o desejo do analista como operador da entrada em an\u00e1lise"},"content":{"rendered":"<h5>Cl\u00e1udio Melo<\/h5>\n<p>A entrada em an\u00e1lise \u00e9 sustentada por uma s\u00e9rie de operadores que, desde Freud, em sua ess\u00eancia, permanecem atuais at\u00e9 hoje. Esses operadores constituem o eixo pelo qual o analista deve se guiar \u2013 retomadas e reeditadas no ensino lacaniano. As entrevistas preliminares, a transfer\u00eancia, a associa\u00e7\u00e3o livre, a interpreta\u00e7\u00e3o e o ato anal\u00edtico s\u00e3o elementos fundamentais que, desde o in\u00edcio da psican\u00e1lise, acompanham e sustentam essa pr\u00e1tica. E, apesar das atualiza\u00e7\u00f5es que a contemporaneidade imp\u00f5e \u00e0 psican\u00e1lise \u2013 inclusive diante dos novos sintomas \u2013, continuam a nortear sua dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A partir de discuss\u00f5es e produ\u00e7\u00f5es no nosso Cartel pretendo explorar alguns desses operadores, tomando o conceito de <em>\u201cdesejo do analista\u201d<\/em> como eixo norteador, por entender que ele ocupa lugar central na dire\u00e7\u00e3o do tratamento, pois \u00e9 a partir do desejo do analista como fun\u00e7\u00e3o que o praticante pode orientar o tratamento em dire\u00e7\u00e3o a uma an\u00e1lise. Focarei especialmente na transfer\u00eancia e no ato anal\u00edtico, por entender a \u00edntima rela\u00e7\u00e3o com a fun\u00e7\u00e3o desejo do analista.<\/p>\n<p><strong>O desejo do analista e a transfer\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>No texto de Freud (1913), sobre <em>O in\u00edcio do tratamento<\/em>, ele nos adverte que no campo do tratamento anal\u00edtico a <em>\u201cmecaniza\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica\u201d<\/em> \u00e9 imposs\u00edvel diante das variabilidades diversas que envolvem a constitui\u00e7\u00e3o ps\u00edquica, ou seja, n\u00e3o existe um padr\u00e3o a ser seguido. Por\u00e9m, \u00e9 necess\u00e1rio, logo de in\u00edcio, seguir algumas regras pr\u00e9vias: <em>\u201c&#8230;<\/em><em> sem standard, mas n\u00e3o sem princ\u00edpios.\u201d<\/em><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p>Para come\u00e7ar, antes do tratamento de an\u00e1lise propriamente dito, torna-se essencial realizar um processo de sondagem e ensaio preliminar com objetivo de avaliar a pertin\u00eancia do tratamento para cada paciente. Mas, n\u00e3o se trata apenas de uma avalia\u00e7\u00e3o, esse ensaio faz parte por si s\u00f3 do processo terap\u00eautico j\u00e1 em andamento desde o in\u00edcio, ressalta Freud, e deve seguir os mesmos par\u00e2metros da an\u00e1lise.<\/p>\n<p>No texto original, Freud utiliza o termo <em>Vorversuch<\/em>, literalmente \u201cexperimento preliminar\u201d, formado pela jun\u00e7\u00e3o do adv\u00e9rbio <em>vor<\/em>, que indica algo antecipado ou preparat\u00f3rio, e de <em>versuch<\/em>, que designa um experimento ou ensaio. Desse modo, podemos conceber as entrevistas preliminares como uma experi\u00eancia que p\u00f5e \u00e0 prova a possibilidade de o sujeito sustentar uma posi\u00e7\u00e3o anal\u00edtica.<\/p>\n<p>Ainda no texto citado acima, ao se questionar sobre o momento ideal para se iniciar as interpreta\u00e7\u00f5es, Freud diz que isso s\u00f3 deve ocorrer <em>\u201c&#8230; apenas depois que se estabeleceu no paciente uma transfer\u00eancia produtiva, um rapport apropriado. O primeiro objetivo do tratamento \u00e9 lig\u00e1-lo \u00e0 terapia e \u00e0 pessoa do m\u00e9dico.\u201d <\/em>Do ponto de vista de Lacan, nessas entrevistas, busca-se o estabelecimento de um la\u00e7o que muda a posi\u00e7\u00e3o do dito do sujeito da queixa para uma suposi\u00e7\u00e3o de saber no inconsciente, o que ele nomeou como <em>Sujeito Suposto Saber<\/em>, estabelecendo justamente essa nova rela\u00e7\u00e3o do sujeito ao saber.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m dessa orienta\u00e7\u00e3o, do lado do analista, podemos dizer que a condi\u00e7\u00e3o <em>sine qua non<\/em> para a entrada do sujeito em an\u00e1lise \u00e9 a opera\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o <em>\u201cdesejo do analista\u201d<\/em> \u2014 ou seja, \u00e9 apenas quando essa fun\u00e7\u00e3o est\u00e1 em jogo que a entrada em an\u00e1lise pode de fato se sustentar. O desejo do analista, enquanto fun\u00e7\u00e3o, \u00e9 fundamental porque sustenta a possibilidade de uma tor\u00e7\u00e3o na demanda inicial do sujeito \u2013 como disse antes, da queixa ao desejo de saber \u2013 na forma da retifica\u00e7\u00e3o subjetiva, que \u00e9 a mudan\u00e7a de posi\u00e7\u00e3o do sujeito diante de sua queixa e do discurso. Desse modo, o sujeito \u00e9 colocado a questionar o desejo do Outro e o seu pr\u00f3prio. Assim come\u00e7a-se a construir a possibilidade da entrada em an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Entretanto, nesse ensaio preliminar algumas condi\u00e7\u00f5es, al\u00e9m da retifica\u00e7\u00e3o, devem ser observadas: que essa retifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o desmonte uma solu\u00e7\u00e3o contra a foraclus\u00e3o, sob pena de a pergunta lan\u00e7ar o sujeito numa certeza delirante; e, que as perguntas feitas pelo sujeito tenham o analista como parceiro no deciframento de seu inconsciente. Todavia, a suposi\u00e7\u00e3o de saber do analisando n\u00e3o deve ser tomada pelo analista como um dado de realidade, ou seja, ele n\u00e3o deve se situar no lugar de um Outro que sabe realmente sobre o paciente. Retorno ao texto de Freud, para situar a advert\u00eancia que ele, j\u00e1 em sua \u00e9poca, faz a essa \u201c<em>presun\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d de saber por parte do analista:<\/p>\n<blockquote><p>&#8230; quanta presun\u00e7\u00e3o e leviandade \u00e9 preciso para informar a um estranho que acabamos de conhecer, e que ignora todos os pressupostos anal\u00edticos, que ele se acha unido incestuosamente \u00e0 sua m\u00e3e, que abriga desejos de morte em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 esposa que supostamente ama&#8230; e coisas semelhantes! Soube que h\u00e1 psicanalistas que se gabam desses diagn\u00f3sticos instant\u00e2neos e tratamentos expressos, mas quero prevenir a todos contra esses exemplos&#8230; Mesmo em est\u00e1gios posteriores do tratamento \u00e9 necess\u00e1rio ter cautela, a fim de n\u00e3o comunicar uma solu\u00e7\u00e3o de sintoma ou tradu\u00e7\u00e3o de desejo antes que o paciente esteja bem pr\u00f3ximo dela&#8230; (Freud, 1911-1913, p. 163)<\/p><\/blockquote>\n<p>Em outro aspecto, Lacan (1960) define o desejo do analista como um <em>\u201cdesejo prevenido\u201d<\/em> (p. 352) \u2014 uma fun\u00e7\u00e3o que o mant\u00e9m advertido contra aquela presun\u00e7\u00e3o de saber. Essa fun\u00e7\u00e3o, acrescenta ele, \u00e9 tamb\u00e9m causa de desejo, jamais ideal. O analista, renunciando ao saber e ao gozo, situa-se no lugar de objeto <em>a<\/em>, n\u00e3o de mestre \u2014 prevenindo-se, assim, de um saber suposto a ele. O desejo do analista funciona, tamb\u00e9m, na dire\u00e7\u00e3o de levar o sujeito ao ponto do significante primordial, onde ele encontra a estrutura de sua divis\u00e3o e o lugar de falta que o constitui. N\u00e3o se trata apenas de reestrutura\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica ou ressignifica\u00e7\u00e3o, mas de um encontro com o Real da estrutura, fundado no furo. O desejo do analista deve conduzir o sujeito a confrontar-se com esse furo estrutural.<\/p>\n<p>Assim, de Freud a Lacan, um dos principais objetivos das entrevistas preliminares \u00e9 o estabelecimento da transfer\u00eancia. S\u00f3 a partir da\u00ed \u00e9 que o sujeito pode entrar em an\u00e1lise. Essa transfer\u00eancia n\u00e3o \u00e9 como a imaginada por Alcebiades no Banquete de Plat\u00e3o, ela \u00e9, segundo Lacan, uma fun\u00e7\u00e3o de estrutura \u2014 e pode ser pensada topologicamente, como la\u00e7o que faz borda ao real, guiada pelo desejo do analista e por seu ato. Uma l\u00f3gica que aponta para o furo no Real como verdade do desejo.<\/p>\n<p><strong>O ato anal\u00edtico e a entrada em an\u00e1lise<\/strong><\/p>\n<p>S\u00f4nia Vicente (1991) cita um paciente que diz: <em>\u201c<\/em><em>A an\u00e1lise \u00e9 uma armadilha. Falo do que n\u00e3o quero<\/em><em> falar, descubro o que me causa horror, vou onde n\u00e3o pretendia ir. O que quero com tudo isto? Por que volto?\u201d<\/em> (p. 305). Essa frase define bem a ordem do ato anal\u00edtico: ele faz o sujeito falar de um lugar onde n\u00e3o pensa \u2014 a\u00ed onde o inconsciente se manifesta. Outro exemplo \u00e9 a de minha pr\u00f3pria an\u00e1lise; no velho bl\u00e1-bl\u00e1-bl\u00e1 de sempre, notei rachaduras no teto do consult\u00f3rio. Refleti, ent\u00e3o, sobre como poderia o consult\u00f3rio de um grande analista ter aquelas marcas; de imediato, percebi a idealiza\u00e7\u00e3o que eu projetava no Outro \u2013 e algo se deslocou em mim. Esse instante marcou um antes e um depois.<\/p>\n<p>Nesse exemplo, e no do paciente de S\u00f4nia, o que est\u00e1 em quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o ato anal\u00edtico como um ato comportamental do analista, mas como uma posi\u00e7\u00e3o que coloca em jogo uma l\u00f3gica em que o sujeito passa a duvidar de suas certezas, abalando tamb\u00e9m as defesas. Penso que essa posi\u00e7\u00e3o \u00e9 justamente a do discurso do analista e do desejo do analista como operadores de uma l\u00f3gica que tem efeito de mudan\u00e7a de posi\u00e7\u00e3o do analisando. Aqui podemos fazer uma outra observa\u00e7\u00e3o: a de que o ato anal\u00edtico pode estar desde o primeiro contato do paciente com o analista, at\u00e9 mesmo quando ele acolhe a demanda de uma primeira sess\u00e3o por parte do paciente. Na <em>Proposi\u00e7\u00e3o de 9 de outubro de 1967<\/em>, Lacan (1967) diz que <em>\u201c&#8230;uma an\u00e1lise, como um todo \u00e9 um ato, ato anal\u00edtico\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>Mais uma forma de pensar o ato anal\u00edtico \u00e9 atrav\u00e9s da no\u00e7\u00e3o de ato falho. Freud, ao nomear o ato falho como <em>Vergreifung<\/em>, j\u00e1 indicava sua dimens\u00e3o de transgress\u00e3o, segundo as diversas tradu\u00e7\u00f5es desse termo. Pois ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 justamente isso que est\u00e1 implicado em um ato falho, a coloca\u00e7\u00e3o em suspens\u00e3o da verdade do discurso sustentada no Outro?<\/p>\n<p>A no\u00e7\u00e3o de erro, equ\u00edvoco implicada no ato falho est\u00e1 justamente alinhada ao que Lacan (1972) chama em \u201cO <em>Artudito\u201d<\/em> de \u201cDefeito no Universo\u201d, cito ele:<\/p>\n<blockquote><p>Se meu dizer se imp\u00f5e, n\u00e3o, como se costuma dizer, por um modelo, mas pelo prop\u00f3sito de articular topologicamente o pr\u00f3prio discurso, \u00e9 do defeito no universo que ele prov\u00e9m&#8230; (p. 478)<\/p><\/blockquote>\n<p>O defeito no universo \u00e9 justamente a assertiva de que n\u00e3o h\u00e1 Outro do Outro, e para nos alinharmos com o tema do XV Congresso da Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Psican\u00e1lise, podemos dizer tamb\u00e9m do imposs\u00edvel da rela\u00e7\u00e3o sexual. Assim, \u00e9 esse lugar que o ato anal\u00edtico visa, fazer revelar justamente o ponto de erro, de furo a respeito das certezas da fantasia e dos semblantes que est\u00e3o implicados na queixa do paciente, operando como uma tor\u00e7\u00e3o m\u00f6biana que se desfaz e se reenoda de uma forma nova, in\u00e9dita para o sujeito. N\u00e3o se trata aqui de um novo sujeito, mas do mesmo sujeito em nova posi\u00e7\u00e3o frente \u00e0 sua falta atrav\u00e9s dos efeitos do ato anal\u00edtico, que se constitui desde as entrevistas preliminares.<\/p>\n<p>Todavia, se pensamos o ato anal\u00edtico como uma posi\u00e7\u00e3o l\u00f3gica, que se coloca desde o in\u00edcio at\u00e9 o final da an\u00e1lise, que comporta um ato de sa\u00edda, como podemos entender as entrevistas como um ato de entrada e, al\u00e9m disso, quais suas propriedades no que o distingue do ato de final de an\u00e1lise. As entrevistas preliminares, valendo-se do ato anal\u00edtico, visam a instaura\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o transferencial como dissemos antes; al\u00e9m disso, o estabelecimento por parte do paciente de um discurso que seja anal\u00edtico, ou seja, que se desloque da queixa sobre o sintoma para um questionamento sobre ele e sobre o inconsciente, como diz Miller (2023) em \u201c<em>Come iniziano le analisi?\u201d<\/em>: <em>\u201c&#8230;um sintoma do tipo anal\u00edtico&#8230; capaz de produzir leituras do inconsciente\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>Nesse texto Miller faz equivaler o in\u00edcio de uma an\u00e1lise ao desencadeamento psic\u00f3tico, diz ele:<\/p>\n<blockquote><p>Eu diria, sendo um pouco radical: nisto \u2013 para responder \u00e0 pergunta Come iniziano le analisi? \u2013, as an\u00e1lises come\u00e7am como as psicoses, porque nelas encontramos o significante em seu poder desencadeante, no registro do que chamamos de fen\u00f4menos intuitivos.<\/p><\/blockquote>\n<p>Nesse texto, Miller prop\u00f5e uma aproxima\u00e7\u00e3o entre os fen\u00f4menos intuitivos da psicose ao efeito interpretativo que um sujeito neur\u00f3tico atribui \u00e0 an\u00e1lise. Ele diz que, ao procurar um analista, o paciente j\u00e1 imp\u00f5e um sentido ao seu sintoma, similar a um <em>del\u00edrio interpretativo<\/em>. Por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 pela via do sentido que a an\u00e1lise deve operar, mas na dire\u00e7\u00e3o de apontar para o furo da estrutura. Podemos ilustrar essa diferen\u00e7a topologicamente: a interpreta\u00e7\u00e3o pelo sentido \u00e9 como um corte longitudinal na banda de M\u00f6bius \u2013 amplia o circuito, mas o mant\u00e9m. J\u00e1 o ato anal\u00edtico tem o efeito similar a de um corte transversal, que desmonta e reenla\u00e7a o sujeito de modo in\u00e9dito, o que coaduna com a ideia de Miller de um desencadeamento que precipita a entrada em an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Para concluir, retorno a pergunta do paciente de S\u00f4nia, quando ele se questiona do por que retorna \u00e0 an\u00e1lise, mesmo constatando que fala e termina sabendo de coisas que n\u00e3o o agradam muito. N\u00e3o seria a transfer\u00eancia o motivo desse retorno? Diz Iordan Gurgel (2025):<\/p>\n<blockquote><p>O chamado <em>\u201ctratamento de ensaio\u201d<\/em> serviria para evitar a interrup\u00e7\u00e3o da an\u00e1lise ap\u00f3s um certo tempo; podemos deduzir ent\u00e3o, que \u00e9 o tempo de se estabelecer a transfer\u00eancia e, tamb\u00e9m, tempo para o estabelecimento do diagn\u00f3stico diferencial entre neurose e psicose&#8230; a possibilidade de instaura\u00e7\u00e3o da transfer\u00eancia, a emerg\u00eancia de um sintoma que possa ser interpretado, a posi\u00e7\u00e3o subjetiva do paciente diante de sua demanda e de seu sofrimento. Ou seja: preliminares n\u00e3o s\u00e3o apenas \u201canamnese\u201d ou triagem cl\u00ednica, mas o momento inaugural de estrutura\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia anal\u00edtica.<\/p><\/blockquote>\n<p>Retornando a pergunta do paciente de S\u00f4nia: <em>\u201cPor que volto?\u201d<\/em> A resposta poderia ser, ent\u00e3o, que ele retorna porque est\u00e1 justamente sustentado na transfer\u00eancia, como suposi\u00e7\u00e3o de saber no inconsciente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><strong>Refer\u00eancia<\/strong><\/h6>\n<h6>Freud, S. (1911\u20131913). Observa\u00e7\u00f5es psicanal\u00edticas sobre um caso de paranoia relatado em autobiografia (\u201cO caso Schreber\u201d) e outros textos (1911\u20131913). In: Obras completas, Vol. 10. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2010.<\/h6>\n<h6>Freud, S. (1913). Sobre o in\u00edcio do tratamento (Novas recomenda\u00e7\u00f5es sobre a t\u00e9cnica da psican\u00e1lise I). In: Obras completas, Vol. 12. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2010.<\/h6>\n<h6>LACAN, Jacques. O semin\u00e1rio, livro 7: A \u00e9tica da psican\u00e1lise (1959\u20131960). Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1988.<\/h6>\n<h6>Lacan, J. (1964). O semin\u00e1rio, livro 11: Os quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.<\/h6>\n<h6>Lacan, J. (1967). Proposi\u00e7\u00e3o de 9 de outubro de 1967 sobre o psicanalista da Escola. In: Outros escritos. Rio de Janeiro: Zahar, 2003.<\/h6>\n<h6>Lacan, J. (1972). O Aturdito. In: Outros escritos. Rio de Janeiro: Zahar, 2003.<\/h6>\n<h6>Miller, Jacques-Alain. Como come\u00e7am as an\u00e1lises? (Come iniziano le analisi?) Col\u00f3quio do Campo Freudiano, Turim, It\u00e1lia, 22-24 abr. 1994. Texto publicado em: \u201cENAPOL \u2013 XI Encontro Americano de Psican\u00e1lise\u201d. Buenos Aires, 2023. Dispon\u00edvel em: https:\/\/enapol.com\/xi\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/ENAPOL-Jacques-Alain-Miller-PT-1.pdf. Acesso em: [5\/10\/2025].<\/h6>\n<h6>Vicente, S\u00f4nia. Interpreta\u00e7\u00e3o: uma armadilha. In: III ENCONTRO BRASILEIRO DO CAMPO FREUDIANO, 1991, Salvador. O que pode um analista? Salvador: Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, 1991.<\/h6>\n<h6>GURGEL, Iordan. Comunica\u00e7\u00e3o pessoal. Salvador, 2025.<\/h6>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> T\u00edtulo de uma interven\u00e7\u00e3o de Miller no IV Congresso da AMP, em Comandatuba, Bahia.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cl\u00e1udio Melo A entrada em an\u00e1lise \u00e9 sustentada por uma s\u00e9rie de operadores que, desde Freud, em sua ess\u00eancia, permanecem atuais at\u00e9 hoje. Esses operadores constituem o eixo pelo qual o analista deve se guiar \u2013 retomadas e reeditadas no ensino lacaniano. 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