{"id":594,"date":"2024-10-03T16:08:13","date_gmt":"2024-10-03T19:08:13","guid":{"rendered":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/?p=594"},"modified":"2024-10-03T16:08:13","modified_gmt":"2024-10-03T19:08:13","slug":"amo-em-ti-algo-que-e-mais-do-que-tu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/amo-em-ti-algo-que-e-mais-do-que-tu\/","title":{"rendered":"Amo em ti algo que \u00e9 mais do que tu\u00a0"},"content":{"rendered":"<h6>Fernanda Otoni Brisset<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-595\" src=\"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Extimo-Imagem-Fernanda--300x238.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"238\" srcset=\"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Extimo-Imagem-Fernanda--300x238.jpeg 300w, https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Extimo-Imagem-Fernanda-.jpeg 622w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Em <em>As paix\u00f5es religiosas do parl\u00eatre<\/em> lemos, com \u00c9. Laurent, que <em>h\u00e1 sempre no la\u00e7o social um mesmo princ\u00edpio de ilimita\u00e7\u00e3o<\/em><a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>: isso que n\u00e3o cabe em forma social alguma \u2013 um peda\u00e7o ambulante, um excedente do qual o sujeito n\u00e3o cessa de tentar se separar \u2013 um gozo mau. Afinal, <em>o gozo \u00e9 um mal<\/em>, dir\u00e1 Lacan: (\u2026) <em>\u00e9 um mal porque comporta um mal ao pr\u00f3ximo. (\u2026) Isto tem um nome \u2013 \u00e9 o que se chama al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer<\/em>.\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Neste fato reside a raiz do fundamento do la\u00e7o social, pois <em>o crime fundador n\u00e3o \u00e9 o assassinato do pai, mas a vontade de assassinato daquele que encarna o gozo que eu rejeito.<\/em><a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> Logo, o la\u00e7o social surge como uma resposta \u00e0 suspeita de um gozo real que existe ilimitado e que escapa sem se deixar reformar. Essa coisa inapreens\u00edvel \u2013 o ensino de Lacan a precisa:\u00a0 \u00e9 o <em>objeto a<\/em>, semblante que adv\u00e9m da falta a ser.<\/p>\n<p>Assim sendo, s\u00f3 existe paix\u00e3o por isso que s\u00f3 a-parece, de soslaio, um <em>para-ser, o ser na lateral<\/em><a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>. Seguindo esse fio, diria que uma paix\u00e3o sempre se passa entre dois, pois h\u00e1<em> sempre Um e Outro, o Um e o a min\u00fasculo<\/em><a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>, pois o Outro \u00e9 sempre uma furada e n\u00e3o poder\u00e1 nunca ser tomado como se fosse UM.\u00a0 Por esse furo se verifica, topologicamente, como o Outro se duplica \u2013 em furo e <em>a<\/em> \u2013 ora em sua inconsist\u00eancia <em>S (A\/<\/em>) ou com o que nele se agalmatiza com apar\u00eancia de ser (<em>petit a<\/em>).<\/p>\n<p>Se no <em>Semin\u00e1rio<\/em> 1, Lacan apresenta os afetos como paix\u00f5es do ser que emergem da falta a ser \u2013 por exemplo: o amor que emerge na fenda entre simb\u00f3lico e imagin\u00e1rio; o \u00f3dio, da hi\u00e2ncia entre imagin\u00e1rio e real; e a ignor\u00e2ncia, do furo entre real e o simb\u00f3lico \u2013, a partir da segunda cl\u00ednica, Lacan n\u00e3o falar\u00e1 mais de paix\u00f5es do ser. Ele anuncia que a paix\u00e3o de verdade, esse afeto de que a experi\u00eancia da psican\u00e1lise d\u00e1 provas de sua insist\u00eancia, \u00e9 a paix\u00e3o pelo objeto <em>a<\/em>. <em>Eu te amo, mas, porque inexplicavelmente amo em ti algo que \u00e9 mais do que tu \u2013 o objeto a min\u00fasculo, eu te mutilo.<\/em><a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> \u00a0No final de seu ensino, Lacan confirma que, <em>se tivermos a experi\u00eancia desta presen\u00e7a insond\u00e1vel do objeto a, temos de admitir que o que chamamos de paix\u00e3o \u00e9 uma articula\u00e7\u00e3o do inconsciente com o real do gozo<\/em><a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>A paix\u00e3o \u00e9, desde ent\u00e3o, a express\u00e3o irredut\u00edvel da presen\u00e7a substancial de uma perda original cuja aus\u00eancia inaugura, a cada vez, no corpo falante que a experimenta, um princ\u00edpio de ilimita\u00e7\u00e3o. Em uma an\u00e1lise, trata-se de fazer desse toque de real um instante que favore\u00e7a uma nova forma de contar a fic\u00e7\u00e3o que brota da falta a ser, uma aposta de que, nas voltas da aventura analisante, possa por fim se contar de uma forma in\u00e9dita e criativa isso que se reativa nas esp\u00e9cies de insist\u00eancia do <em>pathos<\/em>, isso que n\u00e3o cessa de n\u00e3o se escrever, esse mais al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer que n\u00e3o se sossega jamais.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Fernanda Otoni Brisset AME (EBP\/AMP) \u00e9 \u00eaxtima do n\u00facleo da Jornada Cl\u00ednica coordenado por Pablo Sauce (EBP\/AMP). Os demais participantes s\u00e3o: Al\u00e9ssia Fontenelle (EBP\/AMP), Ana Stela Sande (EBP\/AMP), Lucy de Castro (EBP\/AMP), Nilton Cerqueira (EBP\/AMP).<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Extrato de \u201cAs paix\u00f5es religiosas do <em>parl\u00eatre<\/em>\u201d, confer\u00eancia de \u00c9ric Laurent no X Congresso da AMP no Rio de Janeiro, 22 de abri de 2016.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> LACAN, J. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 7: <em>A \u00e9tica da psican\u00e1lise<\/em>, p. 217.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> LAURENT, \u00c9. Racismo 2.0. <em>Lacan Quotidien<\/em>, n. 371, 2014. Dispon\u00edvel em: http:\/\/ampblog2006.blogspot.com\/2014\/02\/lacan-cotidiano-n-371-portugues.html?m=1<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> LACAN, J. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 20: <em>Mais, ainda<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed.. p. 50.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a> LACAN, J. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 20, <em>op. cit.<\/em>, p. 55.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> LACAN, J. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 11: <em>Os quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed.,. p. 254.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\"><sup>[8]<\/sup><\/a> LACAN, J. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 23: <em>O Sinthoma<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed.,. p. 86-87.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fernanda Otoni Brisset[1] Em As paix\u00f5es religiosas do parl\u00eatre lemos, com \u00c9. Laurent, que h\u00e1 sempre no la\u00e7o social um mesmo princ\u00edpio de ilimita\u00e7\u00e3o[2]: isso que n\u00e3o cabe em forma social alguma \u2013 um peda\u00e7o ambulante, um excedente do qual o sujeito n\u00e3o cessa de tentar se separar \u2013 um gozo mau. 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