{"id":552,"date":"2024-09-12T06:42:05","date_gmt":"2024-09-12T09:42:05","guid":{"rendered":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/?p=552"},"modified":"2024-09-12T06:42:05","modified_gmt":"2024-09-12T09:42:05","slug":"o-amor-no-falasser","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/o-amor-no-falasser\/","title":{"rendered":"O amor no <em>falasser<\/em>"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 13px;\"><em>Samyra Assad<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><strong>[1]<\/strong><\/a>&#8211; (EBP\/AMP)<\/em><\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-546\" src=\"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/boletim005_003-203x300.jpg\" alt=\"\" width=\"203\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/boletim005_003-203x300.jpg 203w, https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/boletim005_003.jpg 474w\" sizes=\"auto, (max-width: 203px) 100vw, 203px\" \/><\/p>\n<p>O passe de Clotilde Leguil<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> nos demonstra como o estatuto do amor se transformou a partir do que se p\u00f4de ler no inconsciente real. Depura-se nisso uma primeira escritura m\u00ednima de um corpo, fundo de indetermina\u00e7\u00e3o, equ\u00edvoco da exist\u00eancia entre 0 e 1 &#8211; esse farrapo de discurso a partir do qual tudo se enganchou e permitiu uma topologia entre o in\u00edcio e o fim de sua an\u00e1lise. Trata-se de um ponto avesso ao sentido, conquistado atrav\u00e9s de uma interpreta\u00e7\u00e3o orientada pelo real, que jogou com a mat\u00e9ria sonora equ\u00edvoca.<\/p>\n<p>Tudo partiu do segredo familiar relativo \u00e0 morte da primeira irm\u00e3 do pai, quando beb\u00ea, por ter bebido uma \u00e1gua (<em>d\u2019eau<\/em>) insalubre, cuja pron\u00fancia em franc\u00eas se equivale a \u201cO\u201d. Por outro lado, Clotilde \u00e9 a primeira filha da sua fam\u00edlia. Ser a primeira e \u201cao mesmo tempo perdida\u201d trouxe o que ela n\u00e3o conseguia nomear \u2013 sua rela\u00e7\u00e3o com o gozo.<\/p>\n<p>Um sonho trouxe-lhe surpresa e enigma em um s\u00f3 golpe: sua filha perdida em uma cidade estrangeira, responde-lhe de um bueiro: \u201cestou aqui\u201d. Essa resposta no sonho permitiu a Clotilde se lembrar da ocasi\u00e3o em que o pai, ao fazer a contagem dos seus pr\u00f3prios irm\u00e3os, falou o nome da irm\u00e3 morta, sob protesto da m\u00e3e: \u201c\u00c9 preciso contar a primeira perdida\u201d? Se desse trauma da hist\u00f3ria paterna n\u00e3o se podia dizer uma \u00fanica palavra, esse ditado se transformou em enigma da rela\u00e7\u00e3o com a morte no discurso materno.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s da conting\u00eancia \u2013 \u201ceu estou aqui\u201d \u2013, depois de 18 anos de an\u00e1lise em tr\u00eas sess\u00f5es semanais, foi poss\u00edvel trazer os significantes que se articulam em torno de uma escritura, que carregam entre si a marca do tra\u00e7o traum\u00e1tico pelo equ\u00edvoco sonoro da letra matem\u00e1tica em torno desse O\/zero\/\u00e1gua. Essa letra sempre a mesma, assim sucedendo: letra \u201cO\u201d do seu grupo sangu\u00edneo, o \u201cO\u201d que falta na palavra <em>d\u00e9nuement<\/em> (\u201cindig\u00eancia\u201d, \u201cpriva\u00e7\u00e3o\u201d) para se transformar em <em>d\u00e9n<strong>o<\/strong>uement<\/em> (\u201cdesfecho\u201d), a partir de uma escans\u00e3o que o analista lhe faz: <em>d\u00e9-n<strong>o<\/strong>ue-ment<\/em>.<\/p>\n<p>Logo, essa letra matem\u00e1tica, \u201cO\u201d, demonstrar\u00e1 o \u201cfio de ouro do gozo\u201d, por demonstrar em sua fun\u00e7\u00e3o ser sempre a mesma e, com isso, \u201csuas afinidades com o registro do real\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>No passe, um sonho: o pai lhe entrega um papel com um n\u00famero de telefone. L\u00ea-se 0-1.<\/p>\n<p>Desse modo, restou apenas \u201ca estranheza do que pode se dizer do amor ao inconsciente tal como ele \u00e9 lido\u201d <a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Se o desfecho da sua an\u00e1lise foi marcado por um desapego do sentido, isso favoreceu morder a subst\u00e2ncia gozante. Ou seja, antes de ter um sentido, esse tra\u00e7o simb\u00f3lico (\u201ca primeira\u201d) teve um valor de gozo que repercutiu no corpo como eco de um dizer. A letra articulada ao significante n\u00e3o era mais casada com um significado, mas com um efeito de gozo.<\/p>\n<p>Articular a letra (O) ao significante (1), mas com efeito de gozo separado de um significado, possibilitou um novo uso das marcas de gozo, a partir do que itera e que permite sua contagem numa exist\u00eancia. H\u00e1 Um, como met\u00e1fora do 0.<\/p>\n<p>Como um novo amor, que faz um ponto de basta ao sentido, ela passa a amar o que de mais singular existe em um sujeito. Esse novo amor como uma paix\u00e3o do <em>falasser <\/em>contou com a indetermina\u00e7\u00e3o inerente \u00e0 l\u00edngua a partir de uma primeira escritura. Isso, inclusive, transformou sua rela\u00e7\u00e3o com seus analisantes, ao oferecer a\u00ed o seu corpo atrav\u00e9s da satisfa\u00e7\u00e3o pela escuta da exist\u00eancia singular de cada um deles.<\/p>\n<p>Para Clotilde, uma letra tocou seu corpo, fazendo dele um corpo po\u00e9tico sob o tom do eco de um dizer, ao som vazio de sentido que precipitou a marca de uma l\u00edngua.<\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Participante do <strong>GT: As paix\u00f5es na experi\u00eancia anal\u00edtica: manejos e arranjos<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Sonia Vicente AME (EBP\/AMP)- Coordenadora; Marina Recalde AME (EOL\/AMP) -\u00caxtima<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Participantes \u2013 Anal\u00edcea Calmon AME (EBP\/AMP), Clara Melo (IPB), Ethel Poll(IPB), Luiz Felipe Monteiro (EBP\/AMP), Maria Luiza Miranda (EBP\/AMP), Rog\u00e9rio Barros(EBP\/AMP), Samyra Assad(EBP\/AMP) e Waldomiro Silva Filho.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>LEGUIL, C. O novo amor, um amor que faz ponto de basta.\u00a0<em>Correio \u2013 Revista da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise<\/em>, n. 87, p. 115-125, abr. 2022.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>MILLER, J.-A. Pi\u00e8ces detach\u00e9es. <em>La Cause freudienne, <\/em>n. 62, mar, 2006, p. 79.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>LAURENT, \u00c9. A interpreta\u00e7\u00e3o: da escuta ao escrito. <em>Correio \u2013 Revista da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise<\/em>, n. 87, abr. 2022, p.125.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Samyra Assad[1]&#8211; (EBP\/AMP) O passe de Clotilde Leguil[2] nos demonstra como o estatuto do amor se transformou a partir do que se p\u00f4de ler no inconsciente real. 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