{"id":200,"date":"2024-06-08T09:30:21","date_gmt":"2024-06-08T12:30:21","guid":{"rendered":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/?p=200"},"modified":"2024-07-08T12:00:34","modified_gmt":"2024-07-08T15:00:34","slug":"paixoes-ligeira-magnificacao-singular-fatalidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/paixoes-ligeira-magnificacao-singular-fatalidade\/","title":{"rendered":"Paix\u00f5es: ligeira magnifica\u00e7\u00e3o, singular fatalidade"},"content":{"rendered":"<h6><em>Marcela Antelo<a href=\"#_edn17\" name=\"_ednref17\"><strong>[xvii]<\/strong><\/a><br \/>\n<\/em>AME AMP\/EBP<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-180 size-full\" src=\"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/boletim001_002.jpg\" alt=\"\" width=\"428\" height=\"640\" srcset=\"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/boletim001_002.jpg 428w, https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/boletim001_002-201x300.jpg 201w\" sizes=\"auto, (max-width: 428px) 100vw, 428px\" \/><\/p>\n<p>A paix\u00e3o \u00e9 um substantivo feminino. Shakespeare chegou a usar a paix\u00e3o como verbo. Do latim, <em>passio<\/em> significa sofrimento, derivado do verbo <em>patior<\/em>, que se enra\u00edza no substantivo masculino grego <em>pathos<\/em>. Curioso que essa \u201ca\u00e7\u00e3o de padecer\u201d d\u00e1 origem \u00e0 palavra paciente e \u00e0 palavra passivo. S\u00f3 no s\u00e9culo XVI come\u00e7ou a ser associada ao intenso e sexual.<\/p>\n<p>O que fazemos das paix\u00f5es na an\u00e1lise? Supostamente n\u00e3o as exaltamos como os deuses ol\u00edmpicos (<em>pathopoeia<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\"><strong>[i]<\/strong><\/a><\/em>), nem as aborrecemos como os fil\u00f3sofos, nem as demonizamos como os religiosos e sua teologia do mart\u00edrio, nem as domesticamos como os educadores, nem fazemos apologia como os hedonistas, nem as culpabilizamos como os juristas e, finalmente, n\u00e3o as patologizamos como os psic\u00f3logos.<\/p>\n<p>Sim, dir\u00e3o, falamos da paix\u00e3o como <em>pathos<\/em> do <em>falasser<\/em>, mas n\u00e3o no sentido comum da palavra <em>patologia <\/em>como desvio da norma, detec\u00e7\u00e3o do anormal, e sim focados na pot\u00eancia da sua etimologia, <em>pathos<\/em>, sofrimento, padecer, \u2018a\u00e7\u00e3o de padecer\u2019, impress\u00e3o viva, diz Gaffiot.<\/p>\n<p>Lacan constr\u00f3i um patema, o patema do falo, um matema da paix\u00e3o. O <em>Homem dos ratos<\/em> vociferava a ordem de matar-se por causa das suas paix\u00f5es selvagens e assassinas. Padecer&#8230; um tema, uma ideia, um objeto, uma pessoa, um significante qualquer. Diversos s\u00e3o os nomes das amarras dos afetos. O destino das amarras pode ser o recalque, a denega\u00e7\u00e3o, a foraclus\u00e3o. O destino dos afetos \u00e9 o abismo da liberdade de circula\u00e7\u00e3o e de um perp\u00e9tuo travestismo.<\/p>\n<p>A psiquiatria chega a descrever \u2018estados de paix\u00e3o\u2019 que podemos ver surgir como fen\u00f4menos elementares em certos casos.<\/p>\n<p>A paix\u00e3o magnifica o que o afeto suscita. Afeto mais um <em>plus<\/em> que costumamos chamar de gozo. Afeto magnificado de voca\u00e7\u00e3o meton\u00edmica. Marie-H\u00e9l\u00e8ne Brousse l\u00ea: \u201cFreud passou da emo\u00e7\u00e3o ao afeto, Lacan distinguir\u00e1 o afeto da paix\u00e3o, cuja pot\u00eancia obedece \u00e0 meton\u00edmia\u201d<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[ii]<\/a>.<\/p>\n<p>No sonho de apenas uma cena em que Borges conta sobre o alegre assassinato dos deuses, em \u201cRagnar\u00f6k\u201d de <em>O fazedor<\/em>, recolhemos uma aproxima\u00e7\u00e3o poss\u00edvel da paix\u00e3o: \u201cuma ligeira magnifica\u00e7\u00e3o [que] alterava as coisas\u201d<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[iii]<\/a>. O crep\u00fasculo dos deuses obedecia \u00e0 suspeita de que eles n\u00e3o sabiam falar e essa descoberta espalhou sofrimento para todos.<\/p>\n<p>Bruscamente sentimos que jogavam sua \u00faltima carta, que eram teimosos, ignorantes e cru\u00e9is como velhos animais de presa e que, se nos deix\u00e1ssemos ganhar pelo medo ou pela compaix\u00e3o, acabariam por nos destruir. Tiramos os pesados rev\u00f3lveres (de repente houve rev\u00f3lveres no sonho) e alegremente demos morte aos deuses.<\/p>\n<p>Se padecermos uma ligeira magnifica\u00e7\u00e3o das coisas que acontecem entre o corpo e o seu gozo, n\u00f3s a tratamos. Como acontecem muitas coisas entre o corpo e o seu gozo, as paix\u00f5es s\u00e3o plurais por voca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Lacan d\u00e1 uma lista, barroca, diz Miller<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[iv]<\/a>, de exemplos de como goza o falante, no momento em que compara o analista com o santo sitiado de paix\u00f5es e n\u00e3o com o s\u00e1bio, paradigma da intelig\u00eancia emocional.<\/p>\n<p>Pegando o fio que Marcus Andr\u00e9 soltou recentemente na Bahia \u2013 a psicopatologia das paix\u00f5es cotidianas \u2013, pensei em trazer para o nosso congresso, que j\u00e1 come\u00e7ou neste meio virtual, uma experi\u00eancia que Samuel Beckett chegou a nomear de paix\u00e3o, a pregui\u00e7a, e que declarou ser a mais poderosa entre elas. O <em>pop star<\/em> do s\u00e9culo XVII, Francisco de La Rochefoucauld, citado por Lacan no <em>Semin\u00e1rio 10<\/em><a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[v]<\/a>, sobre o <em>pathos<\/em> do amor como paix\u00e3o da alma, escreveu que a pregui\u00e7a era a mais inc\u00f3gnita de todas as paix\u00f5es.<\/p>\n<p>De todas as paix\u00f5es a pregui\u00e7a \u00e9 a que menos reconhecemos em n\u00f3s mesmos. \u00c9 a mais ardente e a mais maligna de todas, ainda que a sua viol\u00eancia seja impercept\u00edvel e que os seus danos se escondam. Se observarmos com aten\u00e7\u00e3o o seu poder, notaremos que ela se torna sempre mestra dos nossos sentimentos, dos nossos interesses e dos nossos desejos. Ela \u00e9 a r\u00eamora que tem a for\u00e7a para fazer parar os maiores navios, \u00e9 uma bonan\u00e7a mais perigosa nos assuntos importantes que os obst\u00e1culos e as furiosas tempestades. O repouso dado pela pregui\u00e7a \u00e9 um feiti\u00e7o secreto da alma, que p\u00e1ra de repente as lutas mais inflamadas e as resolu\u00e7\u00f5es mais obstinadas. Enfim, para se dar uma verdadeira ideia desta paix\u00e3o, \u00e9 preciso dizer que a pregui\u00e7a \u00e9 como um estado de beatitude da alma, consolando-a das suas perdas e ocupando o lugar de todos os bens.<a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\">[vi]<\/a><\/p>\n<p>Lacan \u2013 n\u00e3o sei se tinha lido essa m\u00e1xima \u2013 diz algo semelhante sobre a pregui\u00e7a na aula sobre a dissolu\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria no <em>Semin\u00e1rio 3<\/em>, <em>As psicoses<\/em>, quando pretendia penetrar a ess\u00eancia da loucura achando que havia nisso uma loucura:<\/p>\n<p>No entanto, n\u00e3o \u00e9 que o trabalho seja f\u00e1cil. Por que? Porque, por uma singular fatalidade, todo empreendimento humano, e especificamente os empreendimentos dif\u00edceis, tendem sempre a uma reca\u00edda por causa deste algo de misterioso que se chama a pregui\u00e7a.<a href=\"#_edn7\" name=\"_ednref7\">[vii]<\/a><\/p>\n<p>Singular fatalidade. Pregui\u00e7a, acontecimento capital do corpo. O gozo como tal. Miller se pergunta o que quer dizer o gozo \u201ccomo tal\u201d. Diz que \u00e9 uma cl\u00e1usula que abunda em Lacan e entre os lacanianos, mas que nem sempre se distribui com rigor. \u201cO gozo como tal quer dizer algo absolutamente preciso: o gozo como tal \u00e9 o gozo n\u00e3o ed\u00edpico, o gozo concebido como subtra\u00eddo de, como fora da maquinaria do \u00c9dipo. \u00c9 o gozo reduzido ao acontecimento do corpo\u201d<a href=\"#_edn8\" name=\"_ednref8\">[viii]<\/a>.<\/p>\n<p>Algo na pregui\u00e7a foi tirado de mim. Desta forma o sinto. O gozo deve ser recusado para ser atingido na escala invertida da lei do desejo. E se n\u00e3o for recusado?<\/p>\n<p>O corpo \u00e9 o lugar do Outro. A ang\u00fastia tem a ver com o seu desejo. Na pregui\u00e7a o corpo aparece sitiado por um Outro que n\u00e3o deseja nada. Um corpo com um Outro sentado sobre o tesouro do seu gozo. Dimens\u00e3o epist\u00eamica.<\/p>\n<p>Inc\u00f3gnita, paix\u00e3o secreta da alma, impercept\u00edvel, seus danos se escondem. Faz parte do n\u00e3o sabido, do <em>Unbewusst<\/em> freudiano, o n\u00e3o sabido que pode ser sabido, como dizia Marcio Peter<a href=\"#_edn9\" name=\"_ednref9\">[ix]<\/a>, ou do <em>l\u2019une b\u00e9vue<\/em> como como insab\u00edvel, incab\u00edvel, imposs\u00edvel de se saber? Umbigo do sonho. Recalque prim\u00e1rio. N\u00e3o h\u00e1 <em>delivery<\/em> do objeto aqui.<\/p>\n<p>Resgato, pois, a familiaridade da paix\u00e3o da pregui\u00e7a com a paix\u00e3o da ignor\u00e2ncia. O pr\u00f3prio La Rochefoucauld distinguiu, na sua psicopatologia da ignor\u00e2ncia, tr\u00eas classes: n\u00e3o saber o que deveria saber-se; saber mal o que se sabe (duas vers\u00f5es da nossa crassa ignor\u00e2ncia) e, a terceira, saber o que n\u00e3o deveria saber-se (talvez aqui pud\u00e9ssemos situar a nossa <em>docta<\/em>, ignorar o que se sabe).<\/p>\n<p>Segundo Sainte-Beuve, que faz o pr\u00f3logo ao livro <em>M\u00e1ximas<\/em>, sua doce pregui\u00e7a acabou por liquid\u00e1-lo. A estrela de La Rochefoucauld era um \u201cn\u00e3o sei o qu\u00ea em tudo\u201d, uma criatura n\u00e3o toda. \u201cAs <em>M\u00e1ximas<\/em> pertencem a esse g\u00eanero de coisas que n\u00e3o se ensinam, e l\u00ea-las diante de seis pessoas j\u00e1 \u00e9 um excesso\u201d, diz La Rochefoucauld em <em>Autorretrato<\/em>.<\/p>\n<p>A ignor\u00e2ncia \u00e9 a paix\u00e3o fundamental, afirma o argumento que convoca este congresso. Podemos pens\u00e1-la como \u2018dar uma mancada?\u2019, tradu\u00e7\u00e3o coloquial para <em>L\u2019une-b\u00e9vue<\/em> proposta por M\u00e1rcio Peter.<\/p>\n<p>Marcus Andr\u00e9 Vieira dizia que na paix\u00e3o da ignor\u00e2ncia h\u00e1 um saber: \u201cEu j\u00e1 sei\u201d. N\u00e3o \u00e9 um d\u00e9ficit. A pregui\u00e7a chega ao consult\u00f3rio como um saber que o ser sabe. \u201cEu me conhe\u00e7o: sou pregui\u00e7oso e para isso n\u00e3o h\u00e1 rem\u00e9dio.\u201d Semana passada escutei uma precis\u00e3o: \u201cA minha pregui\u00e7a \u00e9 um fato\u201d.<\/p>\n<p>No caso da pregui\u00e7a misteriosa, os pacientes nos d\u00e3o um banho de atualidade, nessa \u00e9poca de imperativos avessos \u00e0 estrat\u00e9gia de \u00abn\u00e3o dizer, n\u00e3o ver, n\u00e3o se mover, n\u00e3o saber<a href=\"#_edn10\" name=\"_ednref10\">[x]<\/a>\u00bb que faria as del\u00edcias de Bartleby.<\/p>\n<p>Um banho de atualidade, disse Lacan no <em>Semin\u00e1rio 4<\/em>, -falando da novela de Fran\u00e7oise Sagan- tem \u201cpor efeito a ativa\u00e7\u00e3o da perspectiva sobre aquilo que se faz, e sobre o que se deve estar pronto para escutar, \u00e0s vezes, dos seus pacientes\u201d<a href=\"#_edn11\" name=\"_ednref11\">[xi]<\/a>.<\/p>\n<p>Estamos prontos para escutar este algo misterioso?<\/p>\n<p><strong><em>O litoral da pregui\u00e7a<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Moro onde come\u00e7a o\u00a0<em>Litoral da pregui\u00e7a<\/em>. Assim se chama a \u00e1rea geogr\u00e1fica. Segundo o poeta, o mist\u00e9rio vem de longe, de \u201cquando se amarrava os cachorros com lingui\u00e7a\u201d<a href=\"#_edn12\" name=\"_ednref12\">[xii]<\/a>. [13] Que ladeira \u00e9 essa?<\/p>\n<p>A Ladeira da Pregui\u00e7a, situada no centro hist\u00f3rico de Salvador, Bahia, guarda na mem\u00f3ria de quando chegavam os barcos cheios ao porto da Enseada da Pregui\u00e7a; os escravos descarregavam e subiam a ladeira, com sessenta quilos, no m\u00ednimo, nas suas costas. Conta-se que a elite que morava nos casar\u00f5es gritava: \u201cSuba pregui\u00e7a, suba!\u201d.<\/p>\n<p>O significante se difundiu, ficou colado nos corpos. Os nordestinos continuam limpando as nossas latas de lixo. Os mesmos amos continuam etiquetando ess\u00eancias, mesmo que a pregui\u00e7a como sintoma os tenha definido<a href=\"#_edn13\" name=\"_ednref13\">[xiii]<\/a>.<\/p>\n<p>O escravo, se seguirmos Lacan, sabia de outra forma: \u201cO saber vale justo quanto ele custa, ele \u00e9 custoso (<em>beau-co\u00fbt<\/em>), ou gustoso, pelo que \u00e9 preciso, para t\u00ea-lo, empenhar a pr\u00f3pria pele, pois que ele \u00e9 dif\u00edcil, dif\u00edcil de qu\u00ea? \u2013 menos adquiri-lo do que de gozar dele.\u201d<a href=\"#_edn14\" name=\"_ednref14\">[xiv]<\/a><\/p>\n<p>Ent\u00e3o, h\u00e1 um certo saber ali com a ladeira que deve ser resgatado nestes tempos de demoniza\u00e7\u00e3o dos nordestinos, dos \u00edndios, do conhecimento, da sexualidade infantil&#8230;a lista \u00e9 infinita, o Brasil a padece a cada dia.<\/p>\n<p>Creio que certa vindica\u00e7\u00e3o da pregui\u00e7a \u00e9 necess\u00e1ria na dimens\u00e3o da pol\u00edtica<a href=\"#_edn15\" name=\"_ednref15\">[xv]<\/a>. O candombl\u00e9, o dandismo, se ergueram contra a inven\u00e7\u00e3o delirante do capital e situam o \u00f3cio entre as ocupa\u00e7\u00f5es capitais do ser falante. Em tempos do imp\u00e9rio do deus Google se faz necess\u00e1rio vindicar a pregui\u00e7a, assim como Borges vindicou a ignor\u00e2ncia enciclop\u00e9dica de Bouvard e P\u00e9cuchet. Miller formula uma entusiasta vindica\u00e7\u00e3o quando elogia os mendigos hoje transformados em pregui\u00e7osos: \u201cSe deveria honrar o pregui\u00e7oso\u201d.<a href=\"#_edn16\" name=\"_ednref16\">[xvi]<\/a><\/p>\n<p>O valor cl\u00ednico da pregui\u00e7a se declina. Pode ser aguda, parox\u00edstica, epis\u00f3dica, cr\u00f4nica, pode ser um sintoma ou uma caracter\u00edstica de car\u00e1cter. Para Santo Tom\u00e1s cada paix\u00e3o tinha uma dimens\u00e3o formal e uma dimens\u00e3o material. A dimens\u00e3o formal tem a ver com o apetite da sensibilidade, neste caso, nulo; a dimens\u00e3o material \u00e9 dada pelo corpo e a maneira deste ser afetado. Neste caso, inerte.<\/p>\n<p>Pregui\u00e7oso n\u00e3o \u00e9 um diagn\u00f3stico. O fato de que Lacan chamasse a aten\u00e7\u00e3o sobre o mist\u00e9rio da pregui\u00e7a tal como La Rochefoucauld o fez, me provocou para insistir em que n\u00e3o devemos entregar a pregui\u00e7a \u00e0 cruzada de\u00a0<em>coaches<\/em>\u00a0que invade a Terra. Urge orientar-se na sua dimens\u00e3o cl\u00ednica. Transcl\u00ednica como todas as paix\u00f5es.<\/p>\n<hr \/>\n<p>*Texto parcialmente publicado no <em>Boletim Um por Um<\/em> do Conselho da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, por ocasi\u00e3o do seu XIII Congresso de membros sobre \u201cO jogo das paix\u00f5es na experi\u00eancia psicanal\u00edtica\u201d, S\u00e3o Paulo, 12 a 15 de abril de 2019. Publicado na Correio n.82, S\u00e3o Paulo, out. 2019. p. 105-112. Em espanhol em<em>: Factor a,<\/em> Revista digital de Psicoan\u00e1lisis de la Nel, A\u00f1o 1, n. 2, 2019 e em \u201cDossier: Pasiones contempor\u00e2neas\u201d. IN: \u00a0<em>El Psicoan\u00e1lisis<\/em>, revista de la Escuela Lacaniana de Psicoan\u00e1lisis, n. 37, Madrid, abril 2021.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[i]<\/a> Gaffiot, F\u00e9lix, (1934) Dictionnaire Illustr\u00e9 Latin-Fran\u00e7ais, Hachette. Dispon\u00edvel em: http:\/\/micmap.org\/dicfro\/search\/gaffiot\/patior<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[ii]<\/a> Brousse, Marie-H\u00e9l\u00e8ne, \u00abAffect\u00e9s du langage\u00bb. Editorial, <em>La Cause du d\u00e9sir<\/em>, n. 93, \u00abAffects et passions\u00bb. Paris: Navarin Editeur, 2016. p. 4.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[iii]<\/a> Borges, Jorge Luis, \u201cRagnar\u00f6k\u201d. In:\u00a0 <em>Jorge Luis Borges. Obras completas<\/em>. v. 2. Buenos Aires: Sudamericana, 2011. p. 194-195.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[iv]<\/a> Miller, Jacques-Alain,[1986] \u00abLes affects dans l\u2019experience analytique\u00bb. <em>La Cause du d\u00e9sir<\/em>, n. 93, \u00abAffects et passions\u00bb. Paris: Navarin Editeur, 2016. p. 109.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[v]<\/a> Lacan, Jacques<em>, O semin\u00e1rio<\/em>, livro 10, <em>A ang\u00fastia<\/em>, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2005. p. 198.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\">[vi]<\/a> La Rochefoucauld, Francisco de, [1665] <em>Reflexiones y m\u00e1ximas morales<\/em>.\u00a0 M\u00e9xico: Factor\u00eda Ediciones, 2000. M\u00e1xima 290 nas primeiras edi\u00e7\u00f5es; a partir de 1789, faz parte das <em>M\u00e1ximas suprimidas<\/em> sob o n\u00famero 558. p. 90-91.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref7\" name=\"_edn7\">[vii]<\/a> Lacan, Jacques, <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 3, <em>As psicoses<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1988. p. 106.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref8\" name=\"_edn8\">[viii]<\/a> Miller, Jacques-Alain. O Ser e o Um (In\u00e9dito) Aula del 2\/3\/2011. Paris: <em>Orientation lacanienne<\/em> III, 13.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref9\" name=\"_edn9\">[ix]<\/a> Souza Leite, Marcio Peter, \u201cL\u2019une-b\u00e9vue: \u00bfum nome para o inconsciente lacaniano?\u201d. <em>Aqueronta<\/em>, n. 16, 2002. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.acheronta.org\/acheronta16\/unebevue.htm<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref10\" name=\"_edn10\">[x]<\/a> Brousse, Marie-H\u00e9l\u00e8ne, \u201cUma minoria oprimida\u201d. <em>Op\u00e7\u00e3o lacaniana<\/em> on-line, S\u00e3o Paulo, ano 6, n. 16, mar. 2015. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_16\/Uma_minoria_oprimida.pdf<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref11\" name=\"_edn11\">[xi]<\/a> Lacan, Jacques, <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 4, \u201cA rela\u00e7\u00e3o de objeto\u201d. Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller.\u00a0 Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1995. p. 432. Utilizamos aqui uma tradu\u00e7\u00e3o livre da vers\u00e3o em espanhol. <em>El seminario<\/em>, libro 4, \u201cLa relaci\u00f3n de objeto\u201d. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2008. p. 421.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref12\" name=\"_edn12\">[xii]<\/a> \u201cLadeira da pregui\u00e7a\u201d, m\u00fasica composta por Gilberto Gil em 1971 a pedido de Elis Regina.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref13\" name=\"_edn13\">[xiii]<\/a> Miller, Jacques-Alain. Com a colabora\u00e7\u00e3o de Eric Laurent. Texto estabelecido por Graciela Brodsky.\u00a0O Outro que n\u00e3o existe e os seus comit\u00eas de \u00e9tica. Interessante para este ponto a moral pol\u00edtica que Miller introduz. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2005, p.374.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref14\" name=\"_edn14\">[xiv]<\/a> Lacan, Jacques. O semin\u00e1rio livro 20.\u00a0<em>Mais, ainda<\/em>. Texto estabelecido por Jacques Alain Miller, Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985, p.130.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref15\" name=\"_edn15\">[xv]<\/a> Algo nesta vertente foi abordado por Romildo do R\u00eago Barros na discuss\u00e3o onde o presente texto foi lido.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref16\" name=\"_edn16\">[xvi]<\/a> Miller, Jacques-Alain. 2011. [Em linha].\u00a0<em>Signo de amor<\/em>. Dispon\u00edvel na p\u00e1gina\u00a0<a href=\"https:\/\/www.pagina12.com.ar\/diario\/psicologia\/9-163348-2011-03-03.html\">https:\/\/www.pagina12.com.ar\/diario\/psicologia\/9-163348-2011-03-03.html<\/a>. <u>Tradu\u00e7\u00e3o livre:<\/u> \u201cHoje se trata mal \u00e0s bocas in\u00fateis. Pois bem, \u00e9 o contr\u00e1rio: as bocas in\u00fateis s\u00e3o muito \u00fateis. Se consagram a se fazer presente no buraco; um buraco com direitos sobre aqueles que os t\u00eam, sobre aqueles que est\u00e3o esgotados. \u00c9 um convite para que estes se <em>descompletem<\/em>\u201d.<a href=\"#_ednref17\" name=\"_edn17\"><\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marcela Antelo[xvii] AME AMP\/EBP A paix\u00e3o \u00e9 um substantivo feminino. Shakespeare chegou a usar a paix\u00e3o como verbo. Do latim, passio significa sofrimento, derivado do verbo patior, que se enra\u00edza no substantivo masculino grego pathos. Curioso que essa \u201ca\u00e7\u00e3o de padecer\u201d d\u00e1 origem \u00e0 palavra paciente e \u00e0 palavra passivo. S\u00f3 no s\u00e9culo XVI come\u00e7ou&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":187,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"post_series":[],"class_list":["post-200","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-textos-de-orientacao","entry","has-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/200","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=200"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/200\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":215,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/200\/revisions\/215"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/media\/187"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=200"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=200"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=200"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=200"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}