{"id":655,"date":"2024-10-17T06:36:57","date_gmt":"2024-10-17T09:36:57","guid":{"rendered":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/?page_id=655"},"modified":"2024-10-17T19:04:55","modified_gmt":"2024-10-17T22:04:55","slug":"relatorio-tema-1-apaixao-e-seus-efeitos-na-clinica-das-psicoses","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/a-jornada\/grupos-de-trabalho-apresentacao\/relatorio-tema-1-apaixao-e-seus-efeitos-na-clinica-das-psicoses\/","title":{"rendered":"Relat\u00f3rio &#8211; Tema 1: apaix\u00e3o e seus efeitos na Cl\u00ednica das Psicoses"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column width=&#8221;5\/6&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<strong>Coordena<\/strong><strong>dora<\/strong><strong>:<\/strong> C\u00e9lia Salles (EBP\/AMP)<\/p>\n<p><strong>\u00caxtimo:<\/strong> Fabi\u00e1n Schejtman (EOL\/AMP)<\/p>\n<p><strong>Relatores:<br \/>\n<\/strong>Camilla O. Costa (IPB)<br \/>\nMarcelo Antonio do Passo Magnelli (EBP\/AMP)<br \/>\nPaulo Fernando Dantas (IPB)<\/p>\n<p><strong>Participantes:<br \/>\n<\/strong>Cl\u00e1udio Melo (IPB)<br \/>\nConcei\u00e7\u00e3o Andrade (N\u00facleo Psican\u00e1lise e Feminino)<br \/>\nGraziela Vasconcelos (IPB)<br \/>\nMaria Cristina Maia Fernandes (EBP\/AMP)<br \/>\nMar\u00edlia Santiago (NPJ)<br \/>\nNelson Matheus (NPJ)[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/6&#8243;][vc_single_image image=&#8221;675&#8243; css=&#8221;&#8221;][vc_empty_space]<div class=\"vcex-multi-buttons wpex-flex wpex-flex-wrap wpex-items-center wpex-gap-10 wpex-justify-center\"><a href=\"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/GT-001.pdf\" class=\"theme-button flat outline-transparent wpex-text-center vcex-count-1\">Baixar este documento<\/a><a href=\"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Relatorios-GTs.pdf\" class=\"theme-button flat outline-transparent wpex-text-center vcex-count-2\">Baixar todos os textos<\/a><\/div>[\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space]<div class=\"vcex-module vcex-divider vcex-divider-solid vcex-divider-center wpex-mx-auto wpex-block wpex-h-0 wpex-border-b wpex-border-solid wpex-border-main\" style=\"border-color:currentColor;\"><\/div>[vc_empty_space][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]\n<h3><span style=\"color: #000080;\">GT 1: <strong><em>a<\/em><\/strong>paix\u00e3o e seus efeitos na Cl\u00ednica\u00a0das\u00a0Psicoses<\/span><\/h3>\n<p style=\"padding-left: 120px;\">\u201c\u00c9 que um mundo todo vivo tem a for\u00e7a de um Inferno (&#8230;) A um passo de mim. Minha luta mais prim\u00e1ria pela vida mais prim\u00e1ria ia-se abrir com a tranquila ferocidade devoradora dos animais do deserto. Eu ia defrontar em mim com um grau de vida t\u00e3o primeiro que estava pr\u00f3ximo do inanimado.\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>(a)paix\u00e3o do Parl\u00ea<\/strong><strong>tre <\/strong><strong>\u2013 uma tarefa jubilat\u00f3<\/strong><strong>ria<\/strong><\/p>\n<p>Um instante. Depois outra coisa. A tarefa jubilat\u00f3ria marca e circunscreve um momento de chegada no qual a crian\u00e7a emergida em completa debilidade motora e lingu\u00edstica encontra-se com sua imagem e pode dar a si uma unidade, um cobrimento totalizante. Um instante de encontro e essa paix\u00e3o revela sua intensidade. A ordem imagin\u00e1ria confere ao simb\u00f3lico seus efeitos, seu sucesso e seu perigo. Lacan<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> destaca que nesse instante uma matriz simb\u00f3lica se manifesta. O j\u00fabilo como instante de (a)paixonamento do parl\u00eatre traduz a ambiguidade da ilus\u00e3o de completude com o encontro com o furo da linguagem. Nesse encontro revela-se um desconhecimento do real.<\/p>\n<p>Lacan<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> coloca a assun\u00e7\u00e3o jubilat\u00f3ria da imagem especular como um antes primordial respons\u00e1vel pela transforma\u00e7\u00e3o que se produz na fun\u00e7\u00e3o de sujeito. Aponta que nessa experi\u00eancia de satisfa\u00e7\u00e3o do encontro com a imagem no espelho marca um ato de precipita\u00e7\u00e3o do eu, antes da dial\u00e9tica da identifica\u00e7\u00e3o objetal e antes da universaliza\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o da linguagem.<\/p>\n<p>Numa confer\u00eancia que nomeou <em>Pris<\/em><em>\u00f5<\/em><em>es de Gozo<\/em><a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><em><sup><strong>[4]<\/strong><\/sup><\/em><\/a><em>,<\/em> Miller<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> pontua que a tese fundamental de Lacan sobre o campo esc\u00f3pico vai al\u00e9m da imagem como v\u00e9u, mas sim que a imagem produz gozo. Diz ele \u201cnesse campo n\u00e3o se percebe, n\u00e3o se sente, n\u00e3o se v\u00ea, n\u00e3o se experimenta a perda do objeto<em> a<\/em>. \u00c9 o campo que permite esquecer a castra\u00e7\u00e3o e \u00e9 tamb\u00e9m um campo desangustiante e pacificador\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Ao analisar a for\u00e7a da imagem no contempor\u00e2neo Tarrab<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> situa no Lacan do primeiro ensino circuitos imprescind\u00edveis. Destaca, portanto, a ambiguidade da constitui\u00e7\u00e3o da imagem no est\u00e1dio do espelho, que ao tempo que vela, revela. Ou seja, a imagem que tem como fun\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria cobrir a inconsist\u00eancia corporal e, portanto, esconder o objeto pequeno a, faz por essa opera\u00e7\u00e3o existir aquilo que n\u00e3o se pode ver. A imagem que produzida pelo olhar, ao mesmo tempo que v\u00ea, passa a ser vista, configura-se parte do quadro. Aponta que \u201cLacan rompe a concep\u00e7\u00e3o do campo esc\u00f3pico ao p\u00f4r o objeto <em>a<\/em> fora do percept\u00edvel, e dessa maneira justifica a deslibidiniza\u00e7\u00e3o da realidade\u201d<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Greco<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\"><sup>[9]<\/sup><\/a> considera que a import\u00e2ncia do est\u00e1dio do espelho na teoria psicanal\u00edtica percorre desde o primeiro ensino de Lacan at\u00e9 o ultim\u00edssimo j\u00e1 que segundo ele \u201ctrata-se mais de espelho que de est\u00e1dio, ou seja, mais de rela\u00e7\u00e3o (consigo e com o outro) do que de hist\u00f3ria, mais de percep\u00e7\u00e3o da alteridade do que de uma propriocep\u00e7\u00e3o\u201d (p.01).<\/p>\n<p>\u201c<em>O que \u00e9 que resiste onde o imagin\u00e1<\/em><em>rio interv<\/em><em>\u00e9m diante daquela palavra que quer ser ouvida, que tenta passar?\u201d<\/em> Schejtman<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\"><sup>[10]<\/sup><\/a> faz uma essa pergunta para sublinhar a resist\u00eancia da parceria \u201ceu\u201d e imagem \u00e0 insist\u00eancia do simb\u00f3lico, como um obst\u00e1culo que se imp\u00f5e no caminho por onde a palavra quer passar.<\/p>\n<p>Com efeito, o sujeito s\u00f3 recebe a mensagem que lhe chega do Outro no momento em que esse eixo imagin\u00e1rio a &#8211; a&#8217; vacila e revela, \u00e0quele que assume o controle da sua fala, que, mais do que falar, ele \u00e9 falado<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\"><sup>[11]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Lacan no semin\u00e1rio da Ang\u00fastia<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\"><sup>[12]<\/sup><\/a> coloca que \u00e9 na busca de uma confirma\u00e7\u00e3o do Outro que o eu ideal se produz como totalidade e portanto, uma experi\u00eancia de satisfa\u00e7\u00e3o. Contudo, \u00e9 a\u00ed que a vacila\u00e7\u00e3o da imagem especular se articula ao objeto a, conferindo ao sujeito o perigo de sua opera\u00e7\u00e3o, um sinal de real. Situa \u201c(&#8230;) que a causa do seu desejo, o ser humano est\u00e1 desde logo suspeito a t\u00ea-la produzido num perigo que ele desconhece\u201d<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\"><sup>[13]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Ainda, Schejtman<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\"><sup>[14]<\/sup><\/a> marca a distin\u00e7\u00e3o da satisfa\u00e7\u00e3o autoerotica das puls\u00f5es parciais num tempo prim\u00e1rio para num tempo depois um impulso \u00e0 unifica\u00e7\u00e3o, embora nunca consumada. Entre um tempo e outro o primeiro ato de fic\u00e7\u00e3o, a constitui\u00e7\u00e3o do eu pela via da identifica\u00e7\u00e3o com a imagem do semelhante, \u201co eu \u00e9, desde o come\u00e7o, outro\u201d. E assim, destaca que a import\u00e2ncia desse novo ato ps\u00edquico n\u00e3o \u00e9 puramente de reconhecimento, mas al\u00e9m disso uma ilus\u00e3o de unidade que percorrer\u00e1 toda vida do sujeito.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 120px;\">N\u00e3o voltaremos aqui \u00e0 pr\u00f3pria experi\u00eancia em que o filhote humano chega a celebrar o seu reconhecimento diante do espelho, a n\u00e3o ser para assinalar que o j\u00fabilo que desperta essa captura narc\u00edsica pela imagem do espelho &#8211; que acompanhar\u00e1 o ser falante at\u00e9 ao \u00faltimo dos seus dias &#8211; \u00e9, de facto, um resultado direto da ilus\u00e3o de unidade com que aparece essa inst\u00e2ncia rec\u00e9m-constitu\u00edda, o eu<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\"><sup>[15]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Vieira<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\"><sup>[16]<\/sup><\/a> ao tratar das paix\u00f5es recorre \u00e0 alegria dizendo assim \u201ca alegria ser\u00e1 associada aos momentos nos quais temos o sentimento de sermos Um, de \u2018estarmos com tudo\u2019, de nos vermos sem furos. Ela n\u00e3o dura.\u201d E completa, \u201csua alegoria maior \u00e9 a \u2018jubila\u00e7\u00e3o\u2019 do est\u00e1dio do espelho\u201d, um momento que dramatiza a entrada de cada um de n\u00f3s na cultura\u201d<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\"><sup>[17]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Assim, Lacan<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\"><sup>[18]<\/sup><\/a> defende que o sofrimento humano localiza no <em>est<\/em><em>\u00e1dio do espelho <\/em>o impasse da antecipa\u00e7\u00e3o do eu diante da insufici\u00eancia do filhote de homem. Esse aparelho chamado \u201ceu\u201d conduzir\u00e1 o destino do ser falante, dando-lhe a convalesc\u00eancia da ortopedia de uma imagem sobre o despeda\u00e7amento do corpo. Assim, a fun\u00e7\u00e3o do eu \u00e9 cobrir a prematuridade, a insufici\u00eancia, o despeda\u00e7amento e portanto, assumir um modo de operar sobre o real \u2013 Unerkannt.<\/p>\n<p>Os impasses subjetivos ressoantes de uma antecipa\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 organizado por um princ\u00edpio de realidade, mais preciso seria compreender esta opera\u00e7\u00e3o pela via das fatalidades explica Lacan<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\"><sup>[19]<\/sup><\/a> e anuncia,<\/p>\n<p style=\"padding-left: 120px;\">\u201c(&#8230;) ver como a capta\u00e7\u00e3o do sujeito pela situa\u00e7\u00e3o d\u00e1 a f\u00f3rmula mais geral da loucura, tanto da que jaz entre os muros dos hosp\u00edcios quanto da que ensurdece a terra com seu barulho e seu furor\u201d.<\/p>\n<p><strong>O que afeta o corpo e seus restos<\/strong><\/p>\n<p>Ao longo do seu ensino, Lacan decantou aquilo que nomeou como objeto <em>a <\/em>para designar suas diferentes posi\u00e7\u00f5es. Schejtman<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\"><sup>[20]<\/sup><\/a> reduz em cinco vers\u00f5es as posi\u00e7\u00f5es que o objeto lacaniano pode vir a ocupar, contudo destaca que, sem d\u00favida, podem haver outras vers\u00f5es. Assim, prop\u00f5e: (1) o objeto <em>a <\/em>enquanto objeto perdido freudiano \u2013 Unerkannt, primeiro real, um real n\u00e3o pulsional, delimitado por um n\u00f3 que \u00e9 o umbigo dos sonhos \u2013 objeto este nunca obtido, um objeto que falta ao ser falante, objeto que diante da marca do significante \u2013 S1 \u2013 passa a existir como aquilo que falta, aqui aloja-se a matriz simb\u00f3lica na qual faz-se a identifica\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria; (2) se essa marca produz um objeto perdido, produz assim um furo de onde esse objeto ca\u00ed, assim o objeto <em>a <\/em>\u00e9 esse furo, sendo assim a falta radical da estrutura; (3) os objetos pulsionais cobridores dos furos corporais com os quais \u00e9 poss\u00edvel que haja uma satisfa\u00e7\u00e3o pulsional, embora parcial escreve o autoerotismo freudiano; (4) o corpo fragmentado resultado do efeito primeiro da linguagem encontra sua unifica\u00e7\u00e3o em um novo \u2013 segundo \u2013 efeito de linguagem que opera um furo que produz um corpo e barra o gozo, assim a castra\u00e7\u00e3o \u00e9 essa opera\u00e7\u00e3o de linguagem que tem como resultado o gozo f\u00e1lico, e portanto tem o objeto <em>a <\/em>aquilo que Lacan nomeou como objeto causa de desejo; (5) o objeto de amor escrito <em>i(a) <\/em>sustenta a quinta vers\u00e3o do objeto <em>a<\/em> como resultado da opera\u00e7\u00e3o narcisista, efeito da unifica\u00e7\u00e3o corporal pela via de um corte e, portanto, o encontro com essa unifica\u00e7\u00e3o pela via imagin\u00e1ria.<\/p>\n<p>O objeto <em>a<\/em> \u00e9 designado em sua \u201cfun\u00e7\u00e3o de furo\u201d, tendo uma \u201cborda que atrai, condensa, captura o gozo\u201d. No Semin\u00e1rio 20, Lacan o delineia como o que enforma. Assim, o objeto <em>a<\/em> \u00e9 \u201cum furo com uma borda que imp\u00f5e uma f\u00f4rma ao gozo\u201d. Designado como estrutura topol\u00f3gica e como consist\u00eancia l\u00f3gica, o objeto a \u201ctem a subst\u00e2ncia do furo e, em seguida, pe\u00e7as soltas do corpo v\u00eam se moldar a essa aus\u00eancia\u201d<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\"><sup>[21]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p><em>Cada um caminha com uma perna de pau<\/em>, assim Miller<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\"><sup>[22]<\/sup><\/a> aponta que cada sujeito inventa seu corpo a partir de uma pe\u00e7a solta. Portanto, o milagre da pe\u00e7a solta \u00e9 que a perna de pau tenha tanta fun\u00e7\u00e3o quanto a perna viva, j\u00e1 que \u00e9 em torno da perna de pau que se faz um corpo. Para dizer que um corpo se produz de um acontecimento, um traumatismo da incid\u00eancia de uma letra que faz furo.<\/p>\n<p>Com o axioma de Spinoza <em>\u201csentimos que certo corpo \u00e9 afetado de muitos modos\u201d<\/em>, Miller<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\"><sup>[23]<\/sup><\/a> destaca que <em>certo corpo <\/em>implica naquilo que Lacan no semin\u00e1rio 23 verifica que \u00e9 apenas a partir da experi\u00eancia humana que se constitui um v\u00ednculo com o corpo. No \u00faltimo ensino de Lacan, onde h\u00e1 a preval\u00eancia do real, o corpo adquire outro estatuto: trata-se do corpo em jogo na teoria do acontecimento de corpo, um corpo que sobrevive ao naufr\u00e1gio do simb\u00f3lico, \u00e0 dificuldade do simb\u00f3lico\u201d<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\"><sup>[24]<\/sup><\/a><sup>, <\/sup>puro real, <em>r<\/em><em>\u00e9<\/em><em>elize<\/em><a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\"><sup>[25]<\/sup><\/a>. O corpo \u00e9 tomado como efeito de pe\u00e7as soltas e aquilo que o afeta \u00e9 um modo de gozo, proveniente do traumatismo de lal\u00edngua. Assim, um acontecimento de corpo \u00e9 o encontro do parl\u00eatre com um gozo, um acontecimento de corpo que dura no tempo.<\/p>\n<p>Moraga<a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\"><sup>[26]<\/sup><\/a> aponta que Lacan toma o tema das paix\u00f5es porque s\u00e3o elas \u2013 as paix\u00f5es \u2013 que permitem conectar o inconsciente com o real do gozo. O corpo gozante que o \u00e9 pelo impacto dos significantes padece desse impacto, a isso chama-se afetos, o sujeito que \u00e9 afetado pelo corpo se volta como efeito das marcas do Outro. Assim aponta,<\/p>\n<p style=\"padding-left: 120px;\">O gozo est\u00e1 no corpo pr\u00f3prio, mas os afectos, que s\u00e3o efeitos da linguagem sobre o corpo, ligam o gozo (que est\u00e1 no corpo pr\u00f3prio) e o Outro. Assim, os afectos ligam-se ao que escapa ao dizer e, neste ponto, o inconsciente \u00e9, para Lacan, o efeito da lal\u00edngua.<\/p>\n<p>\u00c9 na sua entrada \u00e0 linguagem que o <em>parl<\/em><em>\u00ea<\/em><em>tre<\/em> ancora o enigma do desejo e do gozo. Essa opera\u00e7\u00e3o segundo Garc\u00eda<a href=\"#_ftn27\" name=\"_ftnref27\"><sup>[27]<\/sup><\/a> n\u00e3o \u00e9 sem paix\u00e3o, ao tomar de Lacan a ideia de uma est\u00e9tica transcendental diz, \u201cme parece que as paix\u00f5es (&#8230;) s\u00e3o a entrada do sujeito na linguagem. Porque n\u00e3o h\u00e1 outra maneira de ver como o sujeito da enuncia\u00e7\u00e3o entra no enunciado\u201d<a href=\"#_ftn28\" name=\"_ftnref28\"><sup>[28]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>A no\u00e7\u00e3o de escritura como um &#8220;fazer a experi\u00eancia de&#8221; implica que o impacto do Outro da l\u00edngua no corpo o afeta, e o invade. Este corpo \u00e9 feito para inscrever uma marca<a href=\"#_ftn29\" name=\"_ftnref29\"><sup>[29]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Assim, a partir de um tempo zero, pr\u00e9vio \u00e0 linguagem, onde os significantes soltos afetam a carne com a incid\u00eancia pura de lal\u00edngua se faz o traumatismo, da\u00ed derivando corpo fragmentado, traumatismo da letra cujos efeitos repercutir\u00e3o por toda vida do <em>parl<\/em><em>\u00ea<\/em><em>tre<\/em>. Aqui est\u00e1 em jogo um real anterior \u00e0 montagem pulsional.<\/p>\n<p><strong>Dois Furos<\/strong><\/p>\n<p>Em resposta a Marcel Ritter, Lacan<a href=\"#_ftn30\" name=\"_ftnref30\"><sup>[30]<\/sup><\/a> reduz o real \u00e0 fun\u00e7\u00e3o de furo como aquilo que \u00e9 <strong>n<\/strong><strong>\u00e3o reconhecido<\/strong> \u2013 <em>Unerkannt. <\/em>Um furo com o qual far\u00e1 uma cicatriz: uma borda, atrav\u00e9s da qual se montar\u00e1 o circuito pulsional. Neste texto, Lacan destaca que este real &#8220;n\u00e3o reconhecido&#8221;, \u00e9 o n\u00e3o simboliz\u00e1vel, e, por isso, ele o localiza enquanto umbigo do sonho, pois aponta aquilo que o sentido n\u00e3o captura, encontra-se no limite do insond\u00e1vel pela linguagem. Trata-se do real &#8220;n\u00e3o pulsional&#8221;, pois est\u00e1 posto anterior \u00e0 pr\u00f3pria montagem pulsional. Anterior \u00e0 opera\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria, diante da impossibilidade de um dizer, a perspectiva de Lacan no Semin\u00e1rio 24 \u00e9 de que &#8220;o Real continua no Imagin\u00e1rio\u201d. O <em>Unerkannt<\/em> \u00e9 o furo que se &#8220;situa&#8221; anterior, at\u00e9 em rela\u00e7\u00e3o ao imagin\u00e1rio. \u00c9 o que Lacan chama de <strong><em>Troumatisme<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p>Lacan<a href=\"#_ftn31\" name=\"_ftnref31\"><sup>[31]<\/sup><\/a> adianta a si mesmo ao propor o inconsciente \u00b4nosso\u2019 aquele que revela a hi\u00e2ncia atrav\u00e9s da qual o real indeterminado se mostra. Assim, temos o inconsciente furo que gravita em torno do real sem lei. A descontinuidade \u00e9, ent\u00e3o, a forma essencial que Lacan apresenta o inconsciente nessa altura do seu ensino.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 120px;\">\u201c(&#8230;) naquilo que Freud chama o umbigo \u2013 <em>umbigo dos sonhos, <\/em>escreve ele para lhe designar, em \u00faltimo termo, o centro inc\u00f3gnito \u2013 que n\u00e3o \u00e9 mesmo outra coisa, como o pr\u00f3prio umbigo anat\u00f4mico que o representa, sen\u00e3o essa hi\u00e2ncia de que falamos\u201d<a href=\"#_ftn32\" name=\"_ftnref32\"><sup>[32]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>O <em>Unerkannt<\/em>, portanto, \u00e9 o <em>real-imposs<\/em><em>\u00ed<\/em><em>vel-de-<\/em><em>reconhecer<\/em>. Trata-se daquilo que \u201cn\u00e3o cessa de n\u00e3o se escrever\u201d, um limite ao sentido onde o imposs\u00edvel se imp\u00f5e. O umbigo do sonho pode ser tomado em uma dupla perspectiva: como furo, ou como uma cicatriz; aquilo que &#8220;marca a exclus\u00e3o do parl\u00eatre em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua origem\u201d. Representa uma marca de impot\u00eancia do significante, mas, ainda mais a condi\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria por onde o significante opera &#8211; \u00e9 dali em diante que ele ter\u00e1 seu efeito de gozo, a partir dos uns, gozo de lal\u00edngua. Assim, o umbigo pode ser tomado tamb\u00e9m em sua dimens\u00e3o corporal. S\u00f3 \u00e9 um n\u00f3 \u00e0 medida em que est\u00e1 relacionado a um orif\u00edcio que se fechou, sendo a cicatriz de uma separa\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn33\" name=\"_ftnref33\"><sup>[33]<\/sup><\/a>, que marca a impossibilidade de acesso do Um pelos uns. Acrescenta Lacan<a href=\"#_ftn34\" name=\"_ftnref34\"><sup>[34]<\/sup><\/a>, \u201ch\u00e1 uma coisa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qual n\u00e3o \u00e9 por acaso que isto se resume a uma cicatriz, a um lugar no corpo que faz n\u00f3\u201d.<\/p>\n<p>Este n\u00f3 n\u00e3o faz uma sutura, mas indica uma borda, um limite \u00e0 condi\u00e7\u00e3o que faz a linguagem a ferramenta do ser falante, ou seja, n\u00f3 a\u00ed designa uma marca por onde a certeza axiom\u00e1tica lacaniana se apresenta: n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual. Lacan situa <em>Troumatisme <\/em>no campo de \u023a, sem um significante que fa\u00e7a borda.<\/p>\n<p>Lacan<a href=\"#_ftn35\" name=\"_ftnref35\"><sup>[35]<\/sup><\/a> demonstra que o que est\u00e1 em jogo na M\u00edstica, destacando a m\u00edstica no estilo de Sta Tereza D\u2019avila, \u00e9 outra coisa e n\u00e3o o objeto pequeno a, no que vem suprir a rela\u00e7\u00e3o sexual que n\u00e3o existe. S\u00e3o escritos de um sujeito que passou da impot\u00eancia \u00e0 impossibilidade, escritos desde o gozo n\u00e3o-todo. &#8220;Os m\u00edsticos, entre (a) e A, longe de ver o UM, reencontram o furo, e \u00e9 o \u00fanico ponto em que eles me interessam\u201d. Como aponta Catherine Millot<a href=\"#_ftn36\" name=\"_ftnref36\"><sup>[36]<\/sup><\/a> que o mist\u00e9rio da experi\u00eancia m\u00edstica se d\u00e1 na \u201ccerteza de ter tocado alguma coisa de estranho a si mesmo, que se imp\u00f5es como algo externo\u201d.<\/p>\n<p>Ao vivente, resta agora fazer o bordeamento deste furo (\u023a) a partir de uma escrita, que deixar\u00e1 atr\u00e1s de si, como efeito, um segundo Real, desta vez marcado pela incid\u00eancia do significante: S(\u023a). Este momento marca a entrada na linguagem a partir de uma opera\u00e7\u00e3o que permitir\u00e1 uma fixa\u00e7\u00e3o de gozo, a partir da instaura\u00e7\u00e3o de uma letra, um redobramento do furo no Outro (\u023a) que se redobra por sua marca no inconsciente como S(\u023a). Este efeito de entrada na linguagem dar\u00e1 ao <em>parl<\/em><em>\u00ea<\/em><em>tre<\/em> sua condi\u00e7\u00e3o de entrada no discurso, onde a castra\u00e7\u00e3o far\u00e1, da neurose, uma busca resignada pelo imposs\u00edvel. \u00c9 neste sentido que Lacan dir\u00e1 que &#8220;a linguagem \u00e9 uma elucubra\u00e7\u00e3o de saber sobre lal\u00edngua&#8221;<a href=\"#_ftn37\" name=\"_ftnref37\"><sup>[37]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Miller<a href=\"#_ftn38\" name=\"_ftnref38\"><sup>[38]<\/sup><\/a> acentua que n\u00e3o importa quanto tempo dure uma an\u00e1lise, o ileg\u00edvel sempre se imp\u00f5e como furo, pois n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ir al\u00e9m do que reproduzir o traumatismo inicial. Essa coisa opaca que afeta a exist\u00eancia, Lacan apresenta como isso que \u201co sujeito conserva em algum lugar a marca de um ponto em rela\u00e7\u00e3o ao qual n\u00e3o h\u00e1 nada a fazer\u201d<a href=\"#_ftn39\" name=\"_ftnref39\"><sup>[39]<\/sup><\/a>. Portanto, a linguagem condensadora de gozo n\u00e3o \u00e9 capaz de operar sobre o que n\u00e3o pode ser nomeado, um resto que n\u00e3o se produz e sim, que n\u00e3o se abarca. Neste momento, Schejtman<a href=\"#_ftn40\" name=\"_ftnref40\"><sup>[40]<\/sup><\/a> prop\u00f5e tratar-se de um segundo furo: <strong><em>Tropmatisme<\/em><\/strong>, por criar um furo para o que do primeiro furo resta excessivo, entre o que n\u00e3o \u00e9 captur\u00e1vel de S(\u023a) pela demanda:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 120px;\">El montaje pulsional acarrea, por una parte, la saturaci\u00f3n del agujero de la no-relaci\u00f3n con las \u201csustancias epis\u00f3dicas\u201d que comportan los objetos pulsionales; por la otra, la introducci\u00f3n de un exceso \u2013 <strong><em>Tropmatisme<\/em> <\/strong>\u2013 que infiltra el estigma de ese agujero, fijaci\u00f3n de goce que engendrar\u00e1 el s\u00edntoma<a href=\"#_ftn41\" name=\"_ftnref41\"><sup>[41]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>S\u00f3 h\u00e1 um real pulsional na medida em que o que \u00e9 entendido como da ordem do real se reduz \u00e0 fun\u00e7\u00e3o do furo, por onde se instituir\u00e1 a puls\u00e3o. Ou seja, o que faz com que a puls\u00e3o esteja ligada aos orif\u00edcios corporais, possibilitando a montagem de um circuito pulsional.<\/p>\n<p>Portanto, dois furos, dois reais, duas opera\u00e7\u00f5es com as quais o parl\u00eatre apaixonadamente <em>ex-siste<\/em>. Lacan<a href=\"#_ftn42\" name=\"_ftnref42\"><sup>[42]<\/sup><\/a> aborda as paix\u00f5es da alma como estrutura capaz de nos ensinar sobre o sofrimento tanto nas neuroses quanto nas psicoses. Tamb\u00e9m os poetas assim o fazem, demonstram que \u00e9 atrav\u00e9s das paix\u00f5es que algo do imposs\u00edvel de dizer se bordeia. Como revela Fernando Pessoa,<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\u201cMas quem sente muito cala<br \/>\nQuem quer dizer quanto sente<br \/>\nFica sem alma nem fala,<br \/>\nFica s\u00f3, inteiramente!\u201d<\/p>\n<p><strong>(a)paix\u00e3o do psic\u00f3tico: modalidades de extra\u00e7\u00e3<\/strong><strong>o<\/strong><\/p>\n<p>Naveau<a href=\"#_ftn43\" name=\"_ftnref43\"><sup>[43]<\/sup><\/a> argumenta que o tema da extra\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o do objeto <strong><em>a<\/em><\/strong> refere-se ao \u201cmodo como o sujeito chega a defender-se ou n\u00e3o do real com o simb\u00f3lico\u201d. Nesta acep\u00e7\u00e3o acena com a express\u00e3o \u201cextra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada do objeto <strong><em>a<\/em><\/strong> nona psicose\u201d. Ilustra este tipo de extra\u00e7\u00e3o com a frase de um menino psic\u00f3tico de 8 anos: \u201cEu n\u00e3o tenho o que preciso para me defender, mas eu tento me virar, inventar uns macetes\u201d. E acrescenta: \u201c&#8230;defender-se do real com o simb\u00f3lico, (&#8230;) macetes que permitem evitar os maus encontros com o real\u201d.<\/p>\n<p>Na neurose, face ao encontro com o real, o sujeito neur\u00f3tico evita-o mas o simboliza parcialmente e, em um segundo tempo, recorre ao recalcamento para mant\u00ea-lo \u00e0 dist\u00e2ncia. O sujeito n\u00e3o quer saber e foge do real. Entretanto a opera\u00e7\u00e3o do recalcamento prim\u00e1rio, apoiada na afirma\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria do Nome-do-Pai, permite constituir o objeto <strong><em>a<\/em><\/strong> como objeto de pura consist\u00eancia l\u00f3gica extra\u00eddo do campo da realidade. Nesta acep\u00e7\u00e3o, Naveau declara: \u201co real \u00e9 esse peda\u00e7o que \u00e9 arrancado da realidade\u201d<a href=\"#_ftn44\" name=\"_ftnref44\"><sup>[44]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Em se tratando da psicose \u00e9 imposs\u00edvel evitar o real, posto que esta estrutura repousa sobre a nega\u00e7\u00e3o primordial do Nome-do-Pai cuja consequ\u00eancia, em um segundo tempo, reside no retorno do objeto <strong><em>a<\/em><\/strong> no real que satura o campo da realidade do sujeito psic\u00f3tico. Nesta perspectiva, Naveau<a href=\"#_ftn45\" name=\"_ftnref45\"><sup>[45]<\/sup><\/a> alerta que \u201ca presen\u00e7a do objeto <strong><em>a<\/em><\/strong> no real \u2013 olhar ou voz em particular &#8211;\u00a0 deve ser apreendida em um movimento de retorno\u201d. Na neurose o objeto <strong><em>a<\/em><\/strong>, situado no cerne da fantasia, d\u00e1 o enquadramento do campo da realidade, ao passo que na psicose a realidade se encontra furada por esta irrup\u00e7\u00e3o do objeto <strong><em>a<\/em><\/strong>: a voz alucinada ou o olhar que recai sobre o sujeito psic\u00f3tico.<\/p>\n<p>Importante distinguir a n\u00e3o extra\u00e7\u00e3o do objeto <strong><em>a <\/em><\/strong>enquanto pura consist\u00eancia l\u00f3gica na neurose, da extra\u00e7\u00e3o do objeto <strong><em>a<\/em><\/strong> na psicose sem o recurso ao par Nome-do-pai\/castra\u00e7\u00e3o, por um uso singular da linguagem cujo paradigma especifica-se na alucina\u00e7\u00e3o verbal. Nesta o significante forclu\u00eddo do simb\u00f3lico ao retornar do real aparece colado ao objeto <strong><em>a<\/em><\/strong> constitu\u00eddo enquanto res\u00edduo de gozo (peda\u00e7o de real) como resultado daquilo que o significante p\u00f4de morder e arrancar da coisa em si. Trata-se de um amalgamento direto entre um significante solto e um resto de gozo (S1-a). Pode-se dizer que n\u00e3o h\u00e1 logifica\u00e7\u00e3o pura do objeto <strong><em>a<\/em><\/strong>, tampouco inscri\u00e7\u00e3o do <strong><em>a<\/em><\/strong> na dial\u00e9tica do significante, entretanto o objeto <strong><em>a<\/em><\/strong> encontra-se a\u00ed constitu\u00eddo como <em>letra de gozo<\/em> apontando para um grampeamento localizado entre simb\u00f3lico e real.<\/p>\n<p>Conceber a extra\u00e7\u00e3o do objeto<strong><em> a<\/em><\/strong> por meio da incid\u00eancia do significante no real do corpo, implica numa a\u00e7\u00e3o que consiste em uma captura de um quantum de gozo e, ao mesmo tempo, um esvaziamento desta subst\u00e2ncia gozante, para que seja poss\u00edvel reduzi-lo \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de hi\u00e2ncia. Esta dupla faceta permite entender melhor a proximidade e\/ou a interface entre o objeto-dejeto e o objeto-nada nas melancolias graves. Objeto-dejeto como causa de desejo e um modo particular de constitui\u00e7\u00e3o do sujeito psic\u00f3tico na rela\u00e7\u00e3o com o Outro, modo de estar e de encontrar um lugar no mundo. E objeto-nada como causa de n\u00e3o-desejo e de nulifica\u00e7\u00e3o do sujeito na psicose, reduzido-o a um estado de desertifica\u00e7\u00e3o do ser. O caso <em>princeps<\/em> que ilustra esta desertifica\u00e7\u00e3o \u00e9 o caso Carlos<a href=\"#_ftn46\" name=\"_ftnref46\"><sup>[46]<\/sup><\/a>, cujo testemunho destacamos:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 120px;\">&#8220;Quando eu saio do consult\u00f3rio, eu esque\u00e7o o que tenho que fazer, meus pensamentos tremem, eles perdem a montagem que acabei de fazer com voc\u00ea. \u00c0s vezes eu me empolgo, fa\u00e7o um projeto, mas de repente cai tudo&#8230; N\u00e3o entendo como isso passou a me interessar. Sinto-me vazio, inerte. Quando isso cai, todos os objetos ficam indiferentes, n\u00e3o posso mais escolher, n\u00e3o tenho discernimento, porque nada me atrai. Depois de um certo tempo eu n\u00e3o sei o que estou fazendo l\u00e1, \u00e9 nada, desespero\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma ruptura na cadeia significante, estancando a rela\u00e7\u00e3o entre S1 e S2, cujo excesso de gozo \u00e9 tratado pelo objeto nada, mantendo Carlos na posi\u00e7\u00e3o de S1 sozinho. Miller, comentando este caso, destaca que o S1 corresponde a um S0, pois n\u00e3o h\u00e1 contagem. Trata-se do que Maleval destacou como &#8220;inconsist\u00eancia do tra\u00e7o un\u00e1rio\u201d durante sua apresenta\u00e7\u00e3o. Com este matema modificado, S0, Miller localiza o &#8220;estado do sujeito\u201d enquanto identificado ao objeto nada, paradigma da psicose ordin\u00e1ria.<\/p>\n<p>Maleval<a href=\"#_ftn47\" name=\"_ftnref47\"><sup>[47]<\/sup><\/a> afirma que a n\u00e3o-extra\u00e7\u00e3o do objeto <strong><em>a<\/em><\/strong> na psicose mostra-se na cl\u00ednica por meio das \u201calucina\u00e7\u00f5es verbais que fazem escutar o objeto <strong>voz <\/strong>quando este n\u00e3o sucumbiu ao recalcamento prim\u00e1rio instaurado pela fun\u00e7\u00e3o paterna\u201d.<\/p>\n<p>Em Freud<a href=\"#_ftn48\" name=\"_ftnref48\"><sup>[48]<\/sup><\/a> o recalcamento prim\u00e1rio \u00e9 correlativo ao conceito do objeto perdido da satisfa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria &#8211; <em>Das Ding<\/em> &#8211; que instaura a falta que funciona como uma for\u00e7a motriz que mobiliza o desejo e permite ao sujeito neur\u00f3tico inscrever-se no simb\u00f3lico e, subsequentemente, estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica com o Outro.<\/p>\n<p>No sujeito psic\u00f3tico a n\u00e3o-separa\u00e7\u00e3o do objeto de satisfa\u00e7\u00e3o (objeto <em>a<\/em>), posto que guarda-o no bolso, instaura o psic\u00f3tico em um gozo excessivo e inquietante. Nesta perspectiva, Maleval destaca que \u201cna psicose desencadeada, ocorre que a <strong>voz<\/strong> se sonoriza em insultos, um olhar inquisitivo vigia o sujeito, o objeto oral o envenena ou o objeto anal o invade\u201d (idem). A descri\u00e7\u00e3o acima evoca o modo como Freud situa a estrutura da esquizofrenia numa fixa\u00e7\u00e3o do sujeito no auto-erotismo infantil. Ent\u00e3o, torna-se imprescind\u00edvel supor que o psic\u00f3tico n\u00e3o consente com a perda de <em>Das Ding<\/em> para que em seu lugar advenha o objeto <strong><em>a<\/em><\/strong> como objeto de pura consist\u00eancia l\u00f3gica. Dito de outro modo, objeto <strong><em>a <\/em><\/strong>como um poss\u00edvel semblante de <em>Das Ding<\/em>.<\/p>\n<p>Em raz\u00e3o da forclus\u00e3o prim\u00e1ria do nome-do-pai, na alucina\u00e7\u00e3o verbal o componente ac\u00fastico do significante, seu aspecto material, se imp\u00f5e ao sujeito psic\u00f3tico em detrimento do seu aspecto formal. Teixeira e Santiago<a href=\"#_ftn49\" name=\"_ftnref49\"><sup>[49]<\/sup><\/a> destacam a natureza corporal da alucina\u00e7\u00e3o, mais al\u00e9m da proposi\u00e7\u00e3o de Lacan da alucina\u00e7\u00e3o como um retorno no real de um significante forclu\u00eddo, como um excesso de corpo que invade um poss\u00edvel enquadramento da realidade do sujeito. Nesta acep\u00e7\u00e3o, o sujeito neur\u00f3tico realiza uma abstra\u00e7\u00e3o do som da fala para poder ouvir a articula\u00e7\u00e3o fonem\u00e1tica presente no dito, com a finalidade de capturar um sentido. Assim, a \u00eanfase recai sobre o aspecto formal da linguagem em detrimento de seu aspecto puramente ac\u00fastico. Segundo estes autores, \u201c\u00e9 essencial, ao funcionamento perceptivo da l\u00edngua, uma opera\u00e7\u00e3o subtrativa que incida sobre a apreens\u00e3o corporal do som\u201d<a href=\"#_ftn50\" name=\"_ftnref50\"><sup>[50]<\/sup><\/a>. Portanto, se trata de uma opera\u00e7\u00e3o de \u201credu\u00e7\u00e3o do aspecto fonat\u00f3rio da voz ao seu aspecto puramente diferencial, em conformidade com o conjunto de leis fonol\u00f3gicas e gramaticais que definem o que s\u00e3o as diferen\u00e7as no interior de determinada l\u00edngua\u201d<a href=\"#_ftn51\" name=\"_ftnref51\"><sup>[51]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Na alucina\u00e7\u00e3o verbal, o componente ac\u00fastico do significante, seu aspecto material, imp\u00f5e-se ao sujeito psic\u00f3tico em detrimento do seu aspecto formal. H\u00e1 uma intrus\u00e3o de corpo, um excesso de gozo, instalados no objeto alucinado. O que equivale dizer que a face real do objeto <strong><em>a<\/em><\/strong> prevalece sobre sua poss\u00edvel consist\u00eancia de semblante, seu aspecto simb\u00f3lico-imagin\u00e1rio. Dito de outro modo o significante forclu\u00eddo do simb\u00f3lico, que retorna no real, perde sua propriedade simb\u00f3lica de elemento diferencial articul\u00e1vel a outros elementos da cadeia significante.\u00a0 Ao tempo em que ele disponibiliza sua materialidade ac\u00fastica para a investidura do gozo, passando a funcionar mais como letra do que propriamente significante. Uma perspectiva de tratamento aponta para a re-inser\u00e7\u00e3o no simb\u00f3lico deste significante forclu\u00eddo sob a forma de uma escrita no corpo, para da\u00ed advir a constru\u00e7\u00e3o de um sinthoma.<\/p>\n<p>Uma paciente esquizofr\u00eanica, refrat\u00e1ria ao tratamento psicofarmacol\u00f3gico, guarda na escuta o objeto <strong><em>a<\/em><\/strong>, toma-o como real, apropria-se dele e n\u00e3o se separa. Portanto, ela se desconecta do simb\u00f3lico e se instala no real do gozo no pr\u00f3prio ato de ouvir as vozes alucinadas. Ela conta que se isola no quarto da casa e se deita na cama para ouvir as vozes. Interrogada sobre o que as vozes dizem, responde que n\u00e3o dizem nada, n\u00e3o h\u00e1 sentido algum. Ent\u00e3o ela afirma que gosta de ouvi-las, e em sua face algo de uma satisfa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No instante mesmo do ato alucinat\u00f3rio, o sujeito psic\u00f3tico encontra-se instalado no objeto <strong><em>a<\/em><\/strong>, intensamente identificado ao objeto <strong><em>a<\/em><\/strong> no real, desconectado de qualquer ancoragem no significante, que \u201csomente o gozar-se se torna percept\u00edvel para o sujeito\u201d<a href=\"#_ftn52\" name=\"_ftnref52\"><sup>[52]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Dicker<a href=\"#_ftn53\" name=\"_ftnref53\"><sup>[53]<\/sup><\/a> concebe o objeto <strong><em>a<\/em><\/strong> \u201ccomo produto da opera\u00e7\u00e3o significante sobre a <em>Coisa\u201d<\/em> que comparece na fala do analisante enquanto furo no Outro simb\u00f3lico.\u00a0 E instaura o vazio no que se refere aos buracos do corpo cujas bordas demarcam a trajet\u00f3ria da puls\u00e3o em busca da satisfa\u00e7\u00e3o. Portanto, h\u00e1 o furo no lugar do Outro no qual o objeto <strong><em>a<\/em><\/strong> \u201cfunciona como ponto de captura e de condensa\u00e7\u00e3o de gozo\u201d<a href=\"#_ftn54\" name=\"_ftnref54\"><sup>[54]<\/sup><\/a>, o elemento alucinat\u00f3rio propriamente dito e o vazio enquanto face real do objeto <strong><em>a.\u00a0 <\/em><\/strong>Para ela, trata-se de \u201cum vazio que cria\u201d na medida em que a opera\u00e7\u00e3o do significante que incide na coisa faz passar o gozo ao inconsciente mas o gozo insiste ao modo da repeti\u00e7\u00e3o sob a forma do objeto <strong><em>a<\/em><\/strong> em sua vers\u00e3o mais-de- gozar, modalidade de resposta no corpo frente \u00e0 opera\u00e7\u00e3o de barramento deste gozo por meio do ciframento da linguagem.<\/p>\n<p>Lacan<a href=\"#_ftn55\" name=\"_ftnref55\"><sup>[55]<\/sup><\/a> prop\u00f5e o objeto voz na psicose como um efeito de forclus\u00e3o do significante, na medida em que um peda\u00e7o de cadeia significante, quebrado por um quantum de gozo, n\u00e3o podendo ser assumido pelo sujeito, ent\u00e3o passa para o real e \u00e9 atribu\u00eddo ao Outro. Neste ponto Miller<a href=\"#_ftn56\" name=\"_ftnref56\"><sup>[56]<\/sup><\/a> arremata, \u201ca voz entra no lugar daquilo que, do sujeito, \u00e9 propriamente indiz\u00edvel e que Lacan chamou de seu mais-de-gozar\u201d. Neste sentido \u00e9 que se diz que a fun\u00e7\u00e3o da voz como objeto <strong><em>a<\/em><\/strong> \u00e9 a-f\u00f4nica mas na alucina\u00e7\u00e3o verbal este objeto indiz\u00edvel, relacionado ao gozo, mostra-se ruidoso pelo fato do significante que cai da cadeia articulada retornar\u00a0\u00a0 para o sujeito desde o real sob a forma de objeto <strong><em>a <\/em><\/strong>(voz alucinada). O sil\u00eancio do objeto indiz\u00edvel converte-se em voz ruidosa, imp\u00f5e-se ao sujeito psic\u00f3tico que, na tentativa de inscrev\u00ea-la no simb\u00f3lico, acaba por atribu\u00ed-la ao Outro da linguagem.<\/p>\n<p>Partindo da fun\u00e7\u00e3o a-f\u00f4nica da voz, Miller afirma que \u201cos objetos ditos <strong><em>a<\/em><\/strong> s\u00f3 podem se afinar com o sujeito do significante se perderem toda substancialidade, se estiverem centrados por um vazio que \u00e9 a castra\u00e7\u00e3o\u201d<a href=\"#_ftn57\" name=\"_ftnref57\"><sup>[57]<\/sup><\/a>. Adiante Miller desenvolve,<\/p>\n<p style=\"padding-left: 120px;\">Enquanto eles s\u00e3o oral, anal, esc\u00f3pico, vocal, os objetos situam-se em torno de um vazio e \u00e9 nesta condi\u00e7\u00e3o que diversamente o encarnam. Ou seja, cada um destes objetos \u00e9 sem d\u00favida especificado por certa mat\u00e9ria, mas \u00e9 especificado por essa mat\u00e9ria na medida em que a esvazia. E \u00e9 por isso que o objeto <strong><em>a<\/em><\/strong> na verdade \u00e9, para Lacan, uma fun\u00e7\u00e3o l\u00f3gica, uma consist\u00eancia l\u00f3gica que consegue se encarnar naquilo que cai do corpo sob a forma de diversos dejetos\u201d<a href=\"#_ftn58\" name=\"_ftnref58\"><sup>[58]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o d\u00e1 um exemplo ilustrativo, referindo-se \u00e0 alucina\u00e7\u00e3o do dedo cortado no Homem dos lobos: \u201cque seja uma pequena coisa separ\u00e1vel do corpo\u201d<a href=\"#_ftn59\" name=\"_ftnref59\"><sup>[59]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Com base na argumenta\u00e7\u00e3o acima, pode-se formular que o objeto <strong><em>a <\/em><\/strong>\u00e9 um resto de corpo que cai frente ao golpe da opera\u00e7\u00e3o significante que incide na <em>Coisa<\/em>, \u201ccomo mais- gozar, o objeto <strong><em>a<\/em><\/strong> designa o ser do sujeito\u201d<a href=\"#_ftn60\" name=\"_ftnref60\"><sup>[60]<\/sup><\/a>. Miller<a href=\"#_ftn61\" name=\"_ftnref61\"><sup>[61]<\/sup><\/a> fez equivaler o objeto <strong><em>a<\/em><\/strong> ao semblante do ser ao apontar,<\/p>\n<p style=\"padding-left: 120px;\">O que chamamos objeto <strong><em>a<\/em><\/strong> \u00e9 o que, neste desastre do <strong><em>sujeito <\/em><\/strong>chamado falta-a-ser, parece dar o suporte do <strong><em>ser<\/em><\/strong>. (&#8230;) O <strong><em>ser<\/em><\/strong> \u00e9 o modo pelo qual dissimulamos o <strong><em>real<\/em><\/strong>, para que ele seja apresent\u00e1vel, para que ele se mantenha firme na mesa do jogo, na mesa do significante.<\/p>\n<p>Esta abordagem do objeto<strong><em> a <\/em><\/strong>como semblante do ser, evoca o empuxo-A- Mulher na psicose de Schreber e outras formas de feminiza\u00e7\u00e3o nas psicoses, nas quais o manejo do objeto <strong><em>a<\/em><\/strong> pode funcionar como um modo particular de defesa psic\u00f3tica contra um Outro real do qual irrompe um gozo massivo, invasivo e insuport\u00e1vel para o sujeito. Portanto uma tentativa de dar uma localiza\u00e7\u00e3o significante a este gozo desestabilizador por meio do engendramento de v\u00e1rias modalidades de objetos <strong><em>a<\/em><\/strong> para que da\u00ed seja poss\u00edvel construir um sinthoma (amarra\u00e7\u00e3o R-S-I) que possibilite determinada estabiliza\u00e7\u00e3o da estrutura psic\u00f3tica do sujeito. Segundo Maleval<a href=\"#_ftn62\" name=\"_ftnref62\"><sup>[62]<\/sup><\/a> \u201co empuxo \u00e0 mulher n\u00e3o se reduz \u00e0 emerg\u00eancia de uma figura do gozo desatado: a mi\u00fado contribui, no mesmo movimento, a uma certa conten\u00e7\u00e3o do mesmo\u201d.<\/p>\n<p><strong>Extra<\/strong><strong>\u00e7\u00e3<\/strong><strong>o Diacr<\/strong><strong>\u00f4nica do Objeto <\/strong><strong><em>a<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Para entender a proposi\u00e7\u00e3o da extra\u00e7\u00e3o do objeto <strong><em>a<\/em><\/strong> na psicose faz-se necess\u00e1rio distinguir os tempos l\u00f3gicos implicados na estrutura do desencadeamento de uma psicose:<\/p>\n<ol>\n<li>Na origem do desencadeamento h\u00e1 uma certeza psic\u00f3tica vivenciada pelo sujeito enquanto uma experi\u00eancia enigm\u00e1tica que surge de um encontro contigente com o real, sob a forma de uma irrup\u00e7\u00e3o de gozo e\/ou apelo a um significante ausente no campo do Outro;<\/li>\n<li>Da\u00ed adv\u00e9m a resposta do sujeito psic\u00f3tico, sem apoio no Nome-do-pai e na castra\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, mas que lhe possibilita a extra\u00e7\u00e3o do objeto a, pelo recurso a um significante isolado capaz de nomear o real. Nesta acep\u00e7\u00e3o a alucina\u00e7\u00e3o verbal permite verificar o grampeamento direto entre significante e gozo;<\/li>\n<li>Na sequ\u00eancia o sujeito poder\u00e1 atribuir um valor axiom\u00e1tico a esta colagem significante-objeto <strong><em>a<\/em><\/strong> (S1-a), fora de qualquer dial\u00e9tica significante, de modo que ele possa dar um aparelhamento significante ao gozo atrav\u00e9s de uma inven\u00e7\u00e3o psic\u00f3tica singular ou construir um del\u00edrio para inscrev\u00ea-la no simb\u00f3lico na forma de uma narrativa discursiva.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Para ilustrar esta composi\u00e7\u00e3o te\u00f3rica seguem dois fragmentos de casos cl\u00ednicos:<\/p>\n<p>De acordo com o relato de Alvarez<a href=\"#_ftn63\" name=\"_ftnref63\"><sup>[63]<\/sup><\/a>: Horas depois de um acidente de carro, sem nenhuma consequ\u00eancia para a integridade f\u00edsica, Mart\u00edn, um homem de trinta e poucos anos, come\u00e7ou a ouvir um \u201cru\u00eddo\u201d constante, \u201cmuito mais alto que o tom de tua voz\u201d (do analista). Nada h\u00e1 em sua experi\u00eancia atual fora do \u201cru\u00eddo\u201d, coisa que condiciona todos os instantes de vida\u201d.<\/p>\n<p>Faz alguns dias, ap\u00f3s nos despedirmos, retornou ao Centro de Sa\u00fade Mental para dizer-me que ouviu, ao sair, que lhe chamaram de \u201cviado\u201d.\u00a0 Nenhum tipo de explica\u00e7\u00e3o acompanha isso que ouviu, salvo que o ouviu. Excetuando esta alucina\u00e7\u00e3o, o ru\u00eddo tampona qualquer alus\u00e3o e significa\u00e7\u00e3o explicativa. Tudo se mant\u00e9m no estatismo do puro ru\u00eddo, ou seja: na presen\u00e7a atordoante de um real inomin\u00e1vel que domina o conjunto de sua experi\u00eancia de certeza\u201d.<\/p>\n<p>Este paciente permaneceu instalado no segundo tempo da descri\u00e7\u00e3o do desencadeamento acima.\u00a0 O caso seguinte permite vislumbrar a possibilidade de um sujeito psic\u00f3tico aceder ao terceiro tempo.<\/p>\n<p>Trata-se de um homem normal, engajado no trabalho sem perda de fun\u00e7\u00f5es produtivas, exercendo a fun\u00e7\u00e3o de \u201cpai de fam\u00edlia\u201d com determinada efetividade, empres\u00e1rio exitoso e bem posicionado no la\u00e7o social.\u00a0 Veio consultar-se por um \u00fanico motivo: \u201cum ru\u00eddo na cabe\u00e7a\u201d, que embora n\u00e3o o desestruture, produz um inc\u00f4modo persistente em sua realidade. Uma \u00fanica consulta para dizer do car\u00e1ter enigm\u00e1tico e da \u201cdesraz\u00e3o\u201d deste sintoma cl\u00ednico. O recurso ao saber m\u00e9dico e a sequ\u00eancia implac\u00e1vel de exames para localizar uma causa org\u00e2nica n\u00e3o lhe trouxe qualquer elucida\u00e7\u00e3o. Realizou um tratamento fonoaudiol\u00f3gico sem resultados.<\/p>\n<p>Lan\u00e7ou-se ao mundo em busca de uma solu\u00e7\u00e3o singular que lhe permitisse \u201csaber-fazer a\u00ed\u201d com seu gozo sintom\u00e1tico. Retornou seis meses depois para dizer que comprou um barco e decidiu morar em alto-mar. Conta que \u201cQuando o ru\u00eddo vem, ocupo-me de ouvir o barulho das ondas do mar.\u201d<\/p>\n<p>Neste caso, a solu\u00e7\u00e3o singular passou pelo esfor\u00e7o deste sujeito em conseguir plasmar um objeto alucinado em estado puro (um ru\u00eddo real) com uma letra de gozo (barulho) conect\u00e1vel a significantes articul\u00e1veis (ondas do mar), reparando assim\u00a0\u00a0 uma falha do n\u00f3 borromeano situada entre real e simb\u00f3lico.<\/p>\n<p>A partir deste mapeamento significante m\u00ednimo, o sujeito poder\u00e1 edificar um discurso capaz de estabilizar sua estrutura e construir para si um mundo habit\u00e1vel.\u00a0 Lispector formula-o em termos de desintegra\u00e7\u00e3o e formaliza\u00e7\u00e3o,<\/p>\n<p style=\"padding-left: 120px;\">\u201cE que minha luta contra essa desintegra\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo esta: a de tentar agora dar-lhe uma forma? Uma forma contorna o caos, uma forma d\u00e1 constru\u00e7\u00e3o \u00e0 subst\u00e2ncia amorfa &#8211; a vis\u00e3o de uma carne infinita \u00e9 a vis\u00e3o dos loucos, mas se eu cortar a carne em peda\u00e7os e distribu\u00ed-los pelos dias e pelas fomes &#8211; ent\u00e3o ela n\u00e3o ser\u00e1 mais a perdi\u00e7\u00e3o e a loucura: ser\u00e1 de novo a vida humanizada\u201d<a href=\"#_ftn64\" name=\"_ftnref64\">[64]<\/a>.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> LISPECTOR, Clarice. A Paix\u00e3o Segundo G.H. Rio de Janeiro: Rocco, 2020, p.21.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> LACAN, Jacques. O est\u00e1dio do espelho como formador da fun\u00e7\u00e3o do eu (1949). In.: Escritos. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> Ibidem.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><em><sup><strong>[4]<\/strong><\/sup><\/em><\/a> Tradu\u00e7\u00e3o livre em portugu\u00eas do t\u00edtulo da confer\u00eancia \u2018Las c\u00e1rceles del goce\u2019.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> MILLER, J-A. Las c\u00e1rceles del goce (1994). In.: Conferencias porte\u00f1as, tomo 2. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2009.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a> Ibidem. Tradu\u00e7\u00e3o livre.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> TARRAB, Mauricio. La mirada de las im\u00e1genes. Olivos: Grama Ediciones, 2018.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\"><sup>[8]<\/sup><\/a> Idibem, p.15.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\"><sup>[9]<\/sup><\/a> GRECO, Musso. Os espelhos de Lacan. In.: Op\u00e7\u00e3o Lacaniana online. Ano 2. N\u00famero 6. Novembro, 2011. <a href=\"http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_6\/Os_espelhos_de_Lacan.pdf\">http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_6\/Os_espelhos_de_Lacan.pdf<\/a> acessado em 10 de Agosto de 2024.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\"><sup>[10]<\/sup><\/a> SCHEJTMAN, Fabi\u00e1n. Una introducci\u00f3n a los tres registros. In.: Psicoan\u00e1lisis y psiquiatr\u00eda: encuentros y desencuentros, Berggasse 19, Buenos Aires, 2002.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\"><sup>[11]<\/sup><\/a> Ibidem, p.07.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\"><sup>[12]<\/sup><\/a> LACAN, Jacques. Do <em>a <\/em>aos Nomes-do-Pai (1963). In.: O semin\u00e1rio, livro 10: a ang\u00fastia. Rio de Janeiro: Zahar, 2005.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\"><sup>[13]<\/sup><\/a> Ibidem, p.358.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\"><sup>[14]<\/sup><\/a> Ibidem.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\"><sup>[15]<\/sup><\/a> Ibidem, p.09.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\"><sup>[16]<\/sup><\/a> VIEIRA, Marcus A. A paix\u00e3o. Rio de Janeiro: Zahar, 2012.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\"><sup>[17]<\/sup><\/a> Ibidem, p.57.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\"><sup>[18]<\/sup><\/a> LACAN, Jacques. O est\u00e1dio do espelho como formador da fun\u00e7\u00e3o do eu (1949). In.: Escritos. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\"><sup>[19]<\/sup><\/a> Ibidem, p.103.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\"><sup>[20]<\/sup><\/a> Ibidem.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\"><sup>[21]<\/sup><\/a> MAIA, M. A. Pontua\u00e7\u00f5es \u00e0 luz do Curso de Jacques-Alain Miller. Revista Op\u00e7\u00e3o Lacaniana online, n\u00famero 4, 2007, p. 3. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/antigos\/n4\/pdf\/artigos\/JAM2Luz.pdf\">http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/antigos\/n4\/pdf\/artigos\/JAM2Luz.pdf<\/a>&gt;<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\"><sup>[22]<\/sup><\/a> MILLER, J-A. Piezas sueltas. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2013.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\"><sup>[23]<\/sup><\/a> Ibidem.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\"><sup>[24]<\/sup><\/a> Defini\u00e7\u00e3o de corpo por J.-A. Miller, citado por E. Laurent no III ENAPOL 2007 em Belo Horizonte.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\"><sup>[25]<\/sup><\/a> N, T. Em franc\u00eas, real=r\u00e9el, a palavra <em>r<\/em><em>\u00e9elize<\/em> n\u00e3o existe em franc\u00eas, para realizado se escreve <em>r<\/em><em>\u00e9alis<\/em><em>\u00e9<\/em>, entendeu-se que seria uma forma de dizer o real\/real.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\"><sup>[26]<\/sup><\/a>MORAGA, Patricia. Que cambia y que no cambia em un analisis. In.: <a href=\"https:\/\/ciudalitica.com\/entrevistas\/que-cambia-y-que-no-cambia-en-un-analisis-entrevista-a-patricia-moraga\/\">https:\/\/ciudalitica.com\/entrevistas\/que-cambia-y-que-no-cambia-en-un-analisis-entrevista-a-patricia-moraga\/<\/a>. \u00daltimo acesso em 13 de Outubro de 2024.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref27\" name=\"_ftn27\"><sup>[27]<\/sup><\/a> GARC\u00cdA, Germ\u00e1n. El curso de las pasiones, 1999. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.descartes.org.ar\/germangarcia\/page483.html\">https:\/\/www.descartes.org.ar\/germangarcia\/page483.html<\/a><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref28\" name=\"_ftn28\"><sup>[28]<\/sup><\/a> Ibidem, p.02.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref29\" name=\"_ftn29\"><sup>[29]<\/sup><\/a> &#8220;O Outro, afinal de contas [&#8230;] \u00e9 o corpo \u00e9 algo feito para inscrever algo que se chama de marca&#8221; (SCHEJTMAN, Fabi\u00e1n. Agujeros. In.: LACANIANA, ano XVII, n\u00ba30, novembro 2021, p.277).<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref30\" name=\"_ftn30\"><sup>[30]<\/sup><\/a> LACAN, Jacques. O umbigo do sonho \u00e9 um furo \u2013 Resposta a uma pergunta de Marcel Ritter (1975). In.: Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, n\u00ba82, abril de 2020.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref31\" name=\"_ftn31\"><sup>[31]<\/sup><\/a> LACAN, Jacques. O inconsciente freudiano e o nosso (1964). In.: O semin\u00e1rio, livro 11 \u2013 os quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref32\" name=\"_ftn32\"><sup>[32]<\/sup><\/a> Ibidem, p.30.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref33\" name=\"_ftn33\"><sup>[33]<\/sup><\/a>MANDIL, Ram. Sonho e inconsciente real. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/congresoamp2020.com\/pt\/articulos.php?sec=el-tema&amp;sub=textos-de-orientacion&amp;file=el-tema\/textos-de-orientacion\/sueno-e-inconsciente-real.html&gt;<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref34\" name=\"_ftn34\"><sup>[34]<\/sup><\/a> LACAN, Jacques. O umbigo do sonho \u00e9 um furo \u2013 Resposta a uma pergunta de Marcel Ritter (1975). In.: Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, n\u00ba82, abril de 2020, p.15.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref35\" name=\"_ftn35\"><sup>[35]<\/sup><\/a>LACAN, Jacques. Semin\u00e1rio, livro 20: mais, ainda. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref36\" name=\"_ftn36\"><sup>[36]<\/sup><\/a> MILLOT, Catherine. Abismos Ordin\u00e1rios. Rio de Janeiro: 7Letras, 2023.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref37\" name=\"_ftn37\"><sup>[37]<\/sup><\/a> LACAN, Jacques. Semin\u00e1rio, livro 20: mais, ainda. Rio de Janeiro: Zahar, 2008, p.190.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref38\" name=\"_ftn38\"><sup>[38]<\/sup><\/a> MILLER, J-A. Piezas sueltas. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2013.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref39\" name=\"_ftn39\"><sup>[39]<\/sup><\/a> LACAN, Jacques. O umbigo do sonho \u00e9 um furo \u2013 Resposta a uma pergunta de Marcel Ritter (1975). In.: Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, n\u00ba82, abril de 2020, p. 14.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref40\" name=\"_ftn40\"><sup>[40]<\/sup><\/a> SCHEJTMAN, Fabi\u00e1n. Agujeros. In.: LACANIANA, ano XVII, n\u00ba30, novembro 2021.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref41\" name=\"_ftn41\"><sup>[41]<\/sup><\/a> Ibidem, p. 02.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref42\" name=\"_ftn42\"><sup>[42]<\/sup><\/a> LACAN, Jacques. O est\u00e1dio do espelho como formador da fun\u00e7\u00e3o do eu (1949). In.: Escritos. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref43\" name=\"_ftn43\"><sup>[43]<\/sup><\/a> NAVEAU, Pierre. A Extra\u00e7\u00e3o do objeto <strong><em>a <\/em><\/strong>e a Passagem ao Ato. Almanaque Online, n\u00b01, IPSM- MG, 2007, p.01.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref44\" name=\"_ftn44\"><sup>[44]<\/sup><\/a> Ibidem.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref45\" name=\"_ftn45\"><sup>[45]<\/sup><\/a> Ibidem, p.02.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref46\" name=\"_ftn46\"><sup>[46]<\/sup><\/a> MILLER, Desenraizamento social paradoxal e cl\u00ednica do deserto. In:Desarraigados. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2002.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref47\" name=\"_ftn47\"><sup>[47]<\/sup><\/a> MALEVAL, Jean-Claude. Avasalladora Presencia del Objeto <em>a <\/em>Coordenadas\u00a0 para la\u00a0 Psicosis Ordinaria. Buenos Aires: Grama, 2020, p.59.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref48\" name=\"_ftn48\"><sup>[48]<\/sup><\/a> FREUD, Sigmund. A Repress\u00e3o (1915). Ensaios de Metapsicologia. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2010.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref49\" name=\"_ftn49\"><sup>[49]<\/sup><\/a> TEIXEIRA, Ant\u00f4nio e SANTIAGO, J\u00e9sus. Semiologia da Percep\u00e7\u00e3o : o Enquadre da Realidade e o que Retorna no Real. Psicopatologia Lacaniana. Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2017.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref50\" name=\"_ftn50\"><sup>[50]<\/sup><\/a> Ibidem, p.115.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref51\" name=\"_ftn51\"><sup>[51]<\/sup><\/a> Ibidem, p.115.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref52\" name=\"_ftn52\"><sup>[52]<\/sup><\/a> Ibidem, p.118.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref53\" name=\"_ftn53\"><sup>[53]<\/sup><\/a> DICKER, Suzana.\u00a0 Objeto <strong><em>a<\/em><\/strong>. Scilicet Semblantes e Sinthoma, EBP, S\u00e3o Paulo, 2010, p.256.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref54\" name=\"_ftn54\"><sup>[54]<\/sup><\/a> Ibidem.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref55\" name=\"_ftn55\"><sup>[55]<\/sup><\/a> Lacan, Jacques. De uma Quest\u00e3o Preliminar a todo Tratamento Poss\u00edvel da Psicose. Escritos. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref56\" name=\"_ftn56\"><sup>[56]<\/sup><\/a> MILLER, Jacques-Alain. Jacques Lacan e a Voz.\u00a0 Op\u00e7\u00e3o Lacaniana Online, n\u00b0 11, 2013, p.11.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref57\" name=\"_ftn57\"><sup>[57]<\/sup><\/a> Ibidem, p.04.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref58\" name=\"_ftn58\"><sup>[58]<\/sup><\/a> Ibidem, p.05.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref59\" name=\"_ftn59\"><sup>[59]<\/sup><\/a> Ibidem.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref60\" name=\"_ftn60\"><sup>[60]<\/sup><\/a> DICKER, Suzana.\u00a0 Objeto <strong><em>a<\/em><\/strong>. Scilicet Semblantes e Sinthoma, EBP, S\u00e3o Paulo, 2010, p.257.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref61\" name=\"_ftn61\"><sup>[61]<\/sup><\/a> Miller, Jacques-Alain. De La Naturaleza de los Semblantes. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2002.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref62\" name=\"_ftn62\"><sup>[62]<\/sup><\/a> Maleval, Jean-Claude. La Forclusi\u00f3n del Nombre del Padre. Buenos Aires: Paid\u00f3s,2002, p.301.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref63\" name=\"_ftn63\"><sup>[63]<\/sup><\/a> ALVAR\u00c9Z, Jos\u00e9 Maria. La Certeza como Experiencia y como Axioma. Virtualia Digital, n\u00b016, 2007.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref64\" name=\"_ftn64\">[64]<\/a> LISPECTOR, Clarice. A Paix\u00e3o Segundo G.H. Rio de Janeiro: Rocco, 2020, p.12.<\/h6>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text][\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;5\/6&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]Coordenadora: C\u00e9lia Salles (EBP\/AMP) \u00caxtimo: Fabi\u00e1n Schejtman (EOL\/AMP) Relatores: Camilla O. Costa (IPB) Marcelo Antonio do Passo Magnelli (EBP\/AMP) Paulo Fernando Dantas (IPB) Participantes: Cl\u00e1udio Melo (IPB) Concei\u00e7\u00e3o Andrade (N\u00facleo Psican\u00e1lise e Feminino) Graziela Vasconcelos (IPB) Maria Cristina Maia Fernandes (EBP\/AMP) Mar\u00edlia Santiago (NPJ) Nelson Matheus (NPJ)[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/6&#8243;][vc_single_image image=&#8221;675&#8243; css=&#8221;&#8221;][vc_empty_space][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_empty_space][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;] GT 1:&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":30,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"templates\/no-sidebar.php","meta":{"_joinchat":[],"footnotes":""},"class_list":["post-655","page","type-page","status-publish","hentry","entry","no-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/655","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=655"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/655\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":709,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/655\/revisions\/709"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/30"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=655"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}