{"id":652,"date":"2024-10-17T06:30:47","date_gmt":"2024-10-17T09:30:47","guid":{"rendered":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/?page_id=652"},"modified":"2024-10-18T08:16:42","modified_gmt":"2024-10-18T11:16:42","slug":"relatorio-tema-2-uma-douta-paixao-e-os-afetos-na-experiencia-analitica","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/a-jornada\/grupos-de-trabalho-apresentacao\/relatorio-tema-2-uma-douta-paixao-e-os-afetos-na-experiencia-analitica\/","title":{"rendered":"Relat\u00f3rio &#8211; Tema 2: Uma \u201cDouta Paix\u00e3o\u201d e os afetos na experi\u00eancia anal\u00edtica"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column width=&#8221;5\/6&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<strong>Coordena<\/strong><strong>dora<\/strong><strong>:<\/strong> M\u00f4nica Hage (EBP\/AMP)<\/p>\n<p><strong>Colaboradora:<\/strong> F\u00e1tima Sarmento (AME EBP\/AMP)<\/p>\n<p><strong>\u00caxtimo:<\/strong> Gerardo Arenas (AME EOL\/AMP)<\/p>\n<p><strong>Relatores:<br \/>\n<\/strong>F\u00e1tima Sarmento (AME EBP\/AMP)<br \/>\nJulia Solano (EBP\/AMP)<\/p>\n<p><strong>Participantes:<\/strong><\/p>\n<p>Alice Munguba (IPB)<br \/>\nCarla Fernandes (EBP\/AMP)<br \/>\nGraziela Pires (IPB)<br \/>\nJo\u00e3o Klaus Seydel (IPB)<br \/>\nKleyanne Lima (IPB)<br \/>\nT\u00e2nia Porto (IPB)[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/6&#8243;][vc_single_image image=&#8221;674&#8243; css=&#8221;&#8221;][vc_empty_space]<div class=\"vcex-multi-buttons wpex-flex wpex-flex-wrap wpex-items-center wpex-gap-10 wpex-justify-center\"><a href=\"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/GT-002.pdf\" class=\"theme-button flat outline-transparent wpex-text-center vcex-count-1\">Baixar este documento<\/a><a href=\"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Relatorios-GTs.pdf\" class=\"theme-button flat outline-transparent wpex-text-center vcex-count-2\">Baixar todos os textos<\/a><\/div>[\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space]<div class=\"vcex-module vcex-divider vcex-divider-solid vcex-divider-center wpex-mx-auto wpex-block wpex-h-0 wpex-border-b wpex-border-solid wpex-border-main\" style=\"border-color:currentColor;\"><\/div>[vc_empty_space][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]\n<h3><span style=\"color: #000080;\">GT 2: \u00a0Uma \u201cDouta Paix\u00e3o\u201d e os afetos na experi\u00eancia anal\u00edtica<\/span><\/h3>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O tema dessas Jornadas, <em>As Paix\u00f5es do Falasser<\/em>, nos conduziu a interrogar sobre o fazer e o que ocorre do lado do analista. Caberia falar em paix\u00e3o do lado daquele que conduz uma an\u00e1lise? Essa pergunta encontra sua base de origem no Semin\u00e1rio 1, quando Lacan (2009) apresenta as paix\u00f5es do ser em jogo em uma an\u00e1lise \u2013 amor, \u00f3dio e ignor\u00e2ncia &#8211; e j\u00e1 anuncia o que est\u00e1 do lado do analista: \u201cno analista tamb\u00e9m conv\u00e9m considerar a ignor\u00e2ncia\u201d (p. 316).<\/p>\n<p>Em <em>As paix\u00f5es do ser<\/em>, Laurent (2000) introduz o tema destacando sua presen\u00e7a ao longo do ensino de Lacan, situando-o originalmente como o deslocamento de um dos termos mais difundidos na Psican\u00e1lise desde Freud \u2013 o afeto. Os afetos, conforme definidos por Freud (2010), \u201ccorrespondem a processos de descarga, cujas express\u00f5es finais s\u00e3o percebidas como sensa\u00e7\u00f5es\u201d (p. 87). Seguindo a via freudiana, pode se dizer que o afeto e a ideia, ou seja, afeto e representa\u00e7\u00e3o (<em>Vorstellung<\/em>), se encontram em aparente oposi\u00e7\u00e3o. Freud indica que, embora se fale de amor ou \u00f3dio inconscientes, existe uma diferen\u00e7a no funcionamento do mecanismo ps\u00edquico dos afetos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s ideias inconscientes. Enquanto a representa\u00e7\u00e3o \u00e9 recalcada, o afeto se desloca, fica \u00e0 deriva, desorienta.<\/p>\n<p>Ao declarar que todo o recalcado \u00e9 inconsciente, por\u00e9m n\u00e3o todo o inconsciente \u00e9 recalcado, Freud (2010) acaba por ampliar o campo do inconsciente, indicando que h\u00e1 algo inconsciente que excede \u00e0 categoria conceitual do recalcado. Os afetos, \u00e0 deriva, podem ser inconscientes e se caracterizam pela estrutura de deslocamento, articulando-se a um significante. \u00c9 nesse ponto que Lacan aponta para as paix\u00f5es, ultrapassando a premissa da oposi\u00e7\u00e3o entre afeto e representa\u00e7\u00e3o, chamando aten\u00e7\u00e3o para a proposi\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o h\u00e1 ideia \u2013 n\u00e3o h\u00e1 representa\u00e7\u00e3o ou representante da representa\u00e7\u00e3o \u2013 sem que haja a presen\u00e7a de um afeto (Laurent, 2000).<\/p>\n<p>Para Lacan (2003a), \u201co afeto vem a um corpo cuja propriedade seria habitar a linguagem\u201d (p. 526). \u00c9 efeito do impacto de <em>lalangue<\/em>, que produz marcas de gozo. Os afetos surgem \u201cpor n\u00e3o encontrar alojamento\u201d (idem) e podem enganar ao se ligar a um significante, produzindo um sentido. \u00c0 exce\u00e7\u00e3o da ang\u00fastia, afeto que n\u00e3o engana, pois \u00e9 sinal do real. Miller (1998) sustenta que o ensino de Lacan comporta orienta\u00e7\u00f5es, e a orienta\u00e7\u00e3o quanto a isso \u00e9 saber se o sujeito se deixa guiar, no que tange ao afeto freudiano, pela emo\u00e7\u00e3o, pelo sentimento ou pela paix\u00e3o. Lacan ultrapassa o debate acerca dos afetos na perspectiva de uma economia energ\u00e9tica, destacando as paix\u00f5es, que passaremos a comentar para circunscrever a pergunta que norteia este trabalho. As paix\u00f5es, em uma an\u00e1lise, est\u00e3o do lado do analisante e atualizam-se sob transfer\u00eancia.<\/p>\n<p>Vale destacar que, em seus primeiros Semin\u00e1rios, Lacan nos traz as paix\u00f5es do ser: o amor, o \u00f3dio e a ignor\u00e2ncia, que s\u00e3o paix\u00f5es da aliena\u00e7\u00e3o do sujeito ao Outro. Aqui, o Outro do simb\u00f3lico precede e afeta o sujeito, que busca um complemento \u00e0 falta-a-ser. A partir da d\u00e9cada de 70, Lacan (2003b) se dedica \u00e0s paix\u00f5es da alma como paix\u00f5es do objeto <em>a<\/em>, relacionadas \u00e0 separa\u00e7\u00e3o, ao Um. Fazem parte dessa lista: a tristeza, o gaio saber, a felicidade, a beatitude, o entusiasmo, o t\u00e9dio e o mau humor.<\/p>\n<p>E no que se refere ao analista? Caberia falar em paix\u00e3o? Para percorrer essa quest\u00e3o abordamos inicialmente as paix\u00f5es do ser &#8211; amor, \u00f3dio e ignor\u00e2ncia &#8211; situando o que se passa na experi\u00eancia anal\u00edtica do lado do analisante, bem como o lugar desde onde opera o analista. Recorremos ao testemunho de passe de Oscar Ventura (2020) como pe\u00e7a fundamental para fazer uma leitura da muta\u00e7\u00e3o das paix\u00f5es no <em>parl\u00eatre<\/em> no dispositivo anal\u00edtico. Seguindo uma orienta\u00e7\u00e3o para circunscrever o tema de trabalho, consideramos imprescind\u00edvel, para discutir a paix\u00e3o da ignor\u00e2ncia, interrogar a diferen\u00e7a quanto ao saber do analista e do analisante.<\/p>\n<p>Na condu\u00e7\u00e3o de uma an\u00e1lise, cabe ao analista ignorar o que sabe como condi\u00e7\u00e3o para que o saber do analisante possa advir. A pesquisa nos conduziu a investigar a fun\u00e7\u00e3o do analista no dispositivo anal\u00edtico, partindo do lugar do analisante, onde se localiza a paix\u00e3o da ignor\u00e2ncia, at\u00e9 a passagem a analista.<\/p>\n<p><strong>O amor, o \u00f3dio e a ignor\u00e2ncia na experi\u00eancia anal\u00edtica<\/strong><\/p>\n<p>As paix\u00f5es do ser funcionam como uma tran\u00e7a composta de amor, \u00f3dio e ignor\u00e2ncia, sendo concebidas, no primeiro ensino de Lacan, como ligadas ao ser e \u00e0 sua falta. Vale lembrar que essas paix\u00f5es se inscrevem a partir da defini\u00e7\u00e3o do sujeito do inconsciente como falta-a-ser.<\/p>\n<p>No Semin\u00e1rio 1, a partir do esquema do \u201cdiedro\u201d, cada paix\u00e3o \u00e9 situada na triparti\u00e7\u00e3o simb\u00f3lico, imagin\u00e1rio e real (Lacan, 2009). O amor, situado entre o simb\u00f3lico e imagin\u00e1rio, vela o real atrav\u00e9s da ilus\u00e3o da completude. O \u00f3dio, situado entre o imagin\u00e1rio e o real, oculta o simb\u00f3lico atrav\u00e9s da imaginariza\u00e7\u00e3o do real, que se apresenta como for\u00e7a destruidora. J\u00e1 a ignor\u00e2ncia, situada entre real e simb\u00f3lico, oculta algo do imagin\u00e1rio.<\/p>\n<p>Essas tr\u00eas paix\u00f5es s\u00e3o tomadas pela via da transfer\u00eancia e consideradas por Lacan com refer\u00eancia \u00e0 fun\u00e7\u00e3o do significante. \u00c9 justamente em torno dessa fun\u00e7\u00e3o que as paix\u00f5es se manifestam na cl\u00ednica das neuroses durante a an\u00e1lise. No centro est\u00e1 a demanda, mirando o objeto da satisfa\u00e7\u00e3o, embora o alvo seja a falta-a-ser, atrav\u00e9s das suas tr\u00eas figuras: 1) o nada no amor, que se constitui como a paix\u00e3o da hist\u00e9rica; 2) o ser do Outro no \u00f3dio \u2013 a paix\u00e3o do obsessivo \u00e9 o \u00f3dio, ele precisa do Outro para destru\u00ed-lo; e 3) o indiz\u00edvel na ignor\u00e2ncia, que se ignora e que se busca. Essa \u00faltima \u00e9 a paix\u00e3o do neur\u00f3tico. H\u00e1, nesse contexto, um aparente paradoxo: a posi\u00e7\u00e3o natural do humano \u00e9 n\u00e3o querer saber de nada. No entanto, o neur\u00f3tico, na sua busca pelo saber, protege-se do horror ao se apaixonar pelo sentido, permanecendo, portanto, na paix\u00e3o da ignor\u00e2ncia. A express\u00e3o \u201cDeus quis assim\u201d revela que o apaixonado entrega a Deus o seu destino. Isto est\u00e1 em conformidade com Lacan (2003d) na sua \u201cCarta de Dissolu\u00e7\u00e3o\u201d, na qual afirma que o sentido \u00e9 sempre religioso, pois remete ao Nome-do-Pai, remetendo, portanto, a Deus. Em fun\u00e7\u00e3o disso, Lacan precisou ir al\u00e9m do \u00c9dipo para retirar a psican\u00e1lise da religi\u00e3o, substituindo o amor ao pai pelo amor ao sinthoma.<\/p>\n<p>Em seu primeiro ensino, em \u201cDire\u00e7\u00e3o do Tratamento e os princ\u00edpios do seu poder\u201d Lacan (1958\/1998) esclarece que, nas tentativas feitas pelo sujeito para que algo venha tamponar sua falta-a-ser, a ignor\u00e2ncia da falta no Outro est\u00e1 a\u00ed situada.\u00a0 Aqui, Lacan estabelece uma \u00edntima rela\u00e7\u00e3o entre a falta-a-ser e o pr\u00f3prio campo em que se desenrola a paix\u00e3o do neur\u00f3tico: \u201co que \u00e9 assim dado ao Outro preencher, e que \u00e9 propriamente o que ele n\u00e3o tem, pois tamb\u00e9m nele o ser falta, \u00e9 aquilo a que se chama amor, mas s\u00e3o tamb\u00e9m o \u00f3dio e a ignor\u00e2ncia\u201d (p. 633). \u00a0\u00a0As neuroses ocorrem devido a um \u201cn\u00e3o querer saber nada disso\u201d, ou seja, por causa do recalque de um saber sobre a castra\u00e7\u00e3o. Da experi\u00eancia do real, o sujeito se defende. Assim, o recalque indica que n\u00e3o h\u00e1 desejo de saber; o que prevalece \u00e9 o horror ao saber. S\u00f3 a partir da histeriza\u00e7\u00e3o do discurso \u00e9 que o Sujeito suposto Saber (SsS) se instalar\u00e1, e o amor se dirigir\u00e1 ao saber.<\/p>\n<p>No avan\u00e7o do ensino de Lacan (1985), a quest\u00e3o do ser passa por uma mudan\u00e7a de perspectiva a partir da teoriza\u00e7\u00e3o do gozo, formalizada no semin\u00e1rio 20. A express\u00e3o \u201cH\u00e1 Um\u201d sinaliza que n\u00e3o se trata mais do ser e da falta-a-ser, uma vez que, como enfatiza Miller (2011), em rela\u00e7\u00e3o ao gozo n\u00e3o se pode dizer o que ele \u00e9, n\u00e3o se pode faz\u00ea-lo ser, pode-se apenas constatar a sua exist\u00eancia, ou seja, dizer que ele existe. A refer\u00eancia ao Um sozinho, conforme Miller, destitui o analista do \u201cpoder criacionista que a interpreta\u00e7\u00e3o do desejo lhe confere\u201d (Miller, 2011, in\u00e9dito). Essa destitui\u00e7\u00e3o \u00e9 hom\u00f3loga \u00e0 constata\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia, no percurso da an\u00e1lise, de um elemento que, para Miller (2011), \u201cn\u00e3o se pode fazer ser\u201d: o gozo.<\/p>\n<p>No lugar do Outro do simb\u00f3lico, temos o real do Outro que provoca \u00f3dio, provoca horror. O passe de Oscar Ventura pode servir para ilustrar que, de todas as paix\u00f5es, o \u00f3dio \u00e9, sem d\u00favida, a paix\u00e3o mais dif\u00edcil de se reconhecer e admitir. Em uma sess\u00e3o, referindo-se ao momento de seu nascimento, o analisante diz ao analista: \u201ce ent\u00e3o eles me t\u00eam, eu nasci\u201d <em>(y entonces me tienen, nazco<\/em>)\u201d (Ventura, 2020, p. 174). A declina\u00e7\u00e3o da voz do analista devolve o significante<em> me tienen nazco<\/em> fazendo ressoar o significante<em> me tienen asco<\/em>: \u201celes t\u00eam nojo de mim\u201d. Vale dizer que a interven\u00e7\u00e3o do analista permitiu trazer o significante insensato que estava do lado de fora, mas que perturbava a cadeia, para dentro do dispositivo, abalando o equ\u00edvoco.<\/p>\n<p>Isso possibilitou um momento de destitui\u00e7\u00e3o do Outro. O analisante desligou-se do que o mantinha enla\u00e7ado ao Outro \u2013 a tristeza materna. Conseguiu se liberar e ter acesso ao gozo encapsulado na identifica\u00e7\u00e3o, que era o alimento privilegiado do \u00f3dio. Isso foi poss\u00edvel mais pela via da transfer\u00eancia real do que pela via do amor ao saber. Em fun\u00e7\u00e3o disso, o analista n\u00e3o deve perder de vista os semblantes sob os quais o analisante tenta se refugiar para disfar\u00e7ar o real do \u00f3dio.<\/p>\n<p>Esse testemunho de passe ensina que o discurso anal\u00edtico \u00e9 o \u00fanico que d\u00e1 tratamento ao gozo, ou seja, \u00e9 o \u00fanico que reduz o Outro a seu real. Ensina, ainda, que a verdadeira dimens\u00e3o do traumatismo \u00e9 a da palavra que fere. O sujeito adoece de um dizer que ressoa em seu corpo, deixando marcas. Nessa dire\u00e7\u00e3o, Naveau, (2015) admite que o nome da ferida \u00e9 o imposs\u00edvel de dizer, e a fun\u00e7\u00e3o do analista \u00e9 esvaziar os enunciados dos quais o sujeito padece. Nesse passe, fica evidente que, atrav\u00e9s do vi\u00e9s do equ\u00edvoco, foi poss\u00edvel liberar o que se realizava como um gozo ignorado pelo pr\u00f3prio sujeito no sintoma. Finalmente, a possibilidade de operar sobre o sintoma vem do fato de haver equ\u00edvoco entre o som e o sentido. O sintoma se presta a uma leitura, justamente porque ele se caracteriza como um n\u00f3 de equ\u00edvoco da l\u00edngua.<\/p>\n<p><strong>Declina\u00e7\u00f5es da posi\u00e7\u00e3o do analista: semblante, desejo e presen\u00e7a <\/strong><\/p>\n<p>Vimos, atrav\u00e9s do passe de Ventura (2020), que n\u00e3o h\u00e1 outra maneira de tratar o real a n\u00e3o ser pela via do semblante. No exerc\u00edcio da pr\u00e1tica anal\u00edtica, duas modalidades de semblante merecem destaque: o analista como semblante de objeto <em>a<\/em> e de saber. No Semin\u00e1rio 20, Lacan (1985) estabelece uma equival\u00eancia entre o objeto <em>a<\/em> e o semblante, afirmando que \u201co analista \u00e9 aquele que, ao p\u00f4r o objeto <em>a<\/em> no lugar de semblante, est\u00e1 na posi\u00e7\u00e3o mais conveniente para fazer o que \u00e9 justo fazer, a saber, interrogar como saber o que \u00e9 da ordem da verdade\u201d (p. 129).<\/p>\n<p>Vejamos o funcionamento dos semblantes no discurso anal\u00edtico:<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-653\" src=\"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Imagem1.png\" alt=\"\" width=\"159\" height=\"81\" \/><\/p>\n<p>Nesse discurso o gozo do <em>parl\u00eatre<\/em>, o <em>a<\/em>, cobre um saber que \u00e9 sua verdade e o sujeito p\u00f5e-se a trabalhar para produzir um S1 que fale da sua singularidade. O analista no Discurso anal\u00edtico, se dirige ao outro tomando-o como sujeito, interrogando-o sobre o gozo que causa seu desejo, de modo que, ao final, o analisante invente o que fazer com esse gozo. Neste sentido, este discurso \u00e9 libertador, amplia as possibilidades ao <em>parl\u00eatre<\/em>. Ao fazer semblante de objeto, o analista vai permitir ao analisando escrever a\u00ed o seu fantasma. Ao operar nessa posi\u00e7\u00e3o, o analista apontar\u00e1 para o lugar da perda. O desejo do analista, enquanto desejo de obter a diferen\u00e7a absoluta, permitir\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o do S1 desarticulado do S2. Ainda que todos os discursos permitam um freio ao gozo, considerando que eles est\u00e3o inscritos na estrutura da linguagem, o discurso anal\u00edtico \u00e9 o \u00fanico que d\u00e1 tratamento ao gozo.<\/p>\n<p>Voltando ao passe de Ventura (2020), ao final da experi\u00eancia anal\u00edtica, o analisando p\u00f4de fazer algo mais digno: ao reconhecer o gozo estrangeiro como seu, ele deixa de atribuir essa responsabilidade a um outro. Essas considera\u00e7\u00f5es apontam para uma dire\u00e7\u00e3o \u2013 no discurso anal\u00edtico, o objeto <em>a,<\/em> \u00a0no lugar de agente, \u00e9 um semblante id\u00f4neo para tratar o gozo. No entanto, o analista deve sustentar o vazio, n\u00e3o se identificar com o semblante, mas faz\u00ea-lo funcionar. Para isso, \u00e9 preciso, conforme indica Tizio (2009), saber usar o objeto sem s\u00ea-lo, porque se o analista fosse esse objeto, perderia a idoneidade para tratar o gozo. O analista n\u00e3o deve, portanto, se converter em um objeto al\u00e9m da conta, em um semblante ostentado.<\/p>\n<p>No avan\u00e7o da teoria, Lacan isolou um uso do semblante pr\u00f3prio ao Discurso anal\u00edtico, no qual o sinthoma tomar\u00e1 o lugar de <em>a<\/em>. Samuel Basz (2010) trata da legitimidade de situar o analista sinthoma como agente do discurso. O sinthoma ao tomar valor de <em>a<\/em> no Discurso do analista, amplia as possibilidades para o tratamento, uma vez que permite ao analista acolher as singularidades e tratar o real por meio do enodamento como supl\u00eancia.<\/p>\n<p>No que se refere ao saber, em <em>A Terceira<\/em>, Lacan (2011) anuncia que \u201cn\u00e3o h\u00e1 um discurso sequer no qual o semblante n\u00e3o comande o jogo\u201d (p.21), e que o discurso anal\u00edtico, portanto, n\u00e3o escaparia a essa regra. No cora\u00e7\u00e3o da opera\u00e7\u00e3o anal\u00edtica o semblante de saber se presentifica. Isso porque o ato anal\u00edtico implica que o analista aparente um saber. A quest\u00e3o em jogo \u00e9 o uso que ele far\u00e1 deste semblante. E aqui Lacan faz um alerta para o perigo da \u201cenfatua\u00e7\u00e3o do analista\u201d, convidando-o a manter uma rela\u00e7\u00e3o com o semblante de saber distinta da enfatua\u00e7\u00e3o. A chave para isso \u00e9 que ele possa manter a sua posi\u00e7\u00e3o de ignor\u00e2ncia renovada. Freud j\u00e1 anunciava essa ideia ao insistir em recomendar aos analistas que tomassem cada novo caso como se n\u00e3o tivessem aprendido nada com os anteriores.<\/p>\n<p>Do lado do analisante, podemos arriscar dizer que a an\u00e1lise consiste eminentemente em uma modifica\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o com o saber, na medida em que o saber, primeiramente suposto ao Outro, ao final, \u00e9 do pr\u00f3prio analisante, que sabe fazer com seu gozo. Essa passagem do saber que vai do Outro ao Um, \u00e9 operada pelo desejo do analista. O testemunho de passe de Oscar Ventura permite elucidar essa formula\u00e7\u00e3o. Foi partindo do endere\u00e7amento ao analista no lugar de Sujeito suposto Saber sobre a verdade, que o analisante p\u00f4de cernir o gozo fantasm\u00e1tico que se ligava \u00e0 sua rela\u00e7\u00e3o com a milit\u00e2ncia pol\u00edtica. Lutava na milit\u00e2ncia sustentado na l\u00f3gica da posi\u00e7\u00e3o de \u201capari\u00e7\u00e3o com vida\u201d. Segundo Ventura (2020): \u201cnessa an\u00e1lise, pude entender que a pol\u00edtica era, no meu caso, a pr\u00f3pria luta pela vida, a minha\u201d (p. 173). Isso recobria um real em jogo, um semblante que p\u00f4de ser tocado, permitindo situar as coordenadas mais prim\u00e1rias do fantasma a partir da opera\u00e7\u00e3o do Discurso do analista, de um vazio no lugar da suposi\u00e7\u00e3o de um saber sobre a verdade.<\/p>\n<p>De acordo com Arenas (2016), a fun\u00e7\u00e3o do saber do analista se modifica ao longo da cura.\u00a0 Desde um saber fazer e fazer saber no in\u00edcio, passando por um \u201csaber ser <em>a<\/em>\u201d no meio, at\u00e9 um \u201csaber <em>desser\u201d<\/em> no final do processo anal\u00edtico. O operador que permite essa passagem \u00e9 o desejo do analista, na medida em que se orienta pelo real. No passe que trabalhamos, podemos situar que, sustentado na posi\u00e7\u00e3o de semblante no discurso, o analista se fez produzir como objeto <em>a<\/em>. E \u201cfazer-se produzir implica justamente ser produzido pelo analisando\u201d. (Cottet, 1998, p.70<strong>).<\/strong><\/p>\n<p>O lugar vazio do desejo do analista permite relan\u00e7ar a causa no processo da an\u00e1lise, mesmo que, ao final, se desvele para o analisante o vazio dessa causa. Para Lacan, \u201c\u00c9 na medida em que o desejo do analista, que resta um x, tende para um sentido exatamente contr\u00e1rio \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o, que a travessia do plano da identifica\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel.\u201d (LACAN, 1995, p. 270). O desejo do analista, portanto, configura-se como esse x, que se apresenta em cada caso, e que s\u00f3 pode emergir na medida em que o analista se esvazia do seu pr\u00f3prio ser, recusando a posi\u00e7\u00e3o de suporte identificat\u00f3rio para o sujeito.<\/p>\n<p>Lacan (1992) traz a seguinte quest\u00e3o em uma perspectiva l\u00f3gica: o que ser\u00e1 que o analista precisa para ocupar esse lugar? Entendemos que \u00e9 preciso orientar-se pelo vazio de saber em rela\u00e7\u00e3o ao objeto <em>a<\/em>. O analista banca o objeto <em>a<\/em> que foi destacado da s\u00e9rie de cenas do <em>parl\u00eatre<\/em> para circunscrever seu modo de gozar e direcion\u00e1-lo ao desejo e \u00e0 inven\u00e7\u00e3o. O analista est\u00e1 presente em sua aus\u00eancia \u201cpor meio de sonhos de transfer\u00eancia, como destinat\u00e1rio das forma\u00e7\u00f5es do inconsciente. Mas ele tamb\u00e9m est\u00e1 presente com seu corpo [<em>en corps<\/em>] no pr\u00f3prio cerne da experi\u00eancia anal\u00edtica\u201d (Leguil, 2023, p.113).<\/p>\n<p>A presen\u00e7a do analista encarna algo do gozo, \u201ca parte n\u00e3o simbolizada do gozo\u201d (Miller, 2018. p. 18). Trata-se de uma presen\u00e7a, em corpo, como caixa de resson\u00e2ncias do corpo do analisante. O analista faz ressoar com a voz o que ressoa da materialidade da letra, o que pode produzir um efeito de corte no funcionamento repetitivo do modo de gozo, cernindo-o, nos diz Leguil.<\/p>\n<p>No testemunho do passe de Oscar Ventura, a presen\u00e7a do analista encarnada como objeto voz, permitiu perfurar os semblantes que recobriam o real, tendo como efeito a inscri\u00e7\u00e3o do desejo do analista no analisante, a posi\u00e7\u00e3o de colocar o corpo a trabalho para objetar. Segundo Ventura (2020), \u201cfazer obje\u00e7\u00e3o ao todo de maneira radical \u00e9 o fundamento pol\u00edtico mais \u00e9tico que eu j\u00e1 conheci. E se posso nomear, uma das causas pelas quais o desejo do analista se inscreve em mim \u00e9 esta\u201d (p. 174). Assim, n\u00e3o se trata apenas de, do lado do analisante, supor um saber sobre o que se simboliza do gozo, mas tamb\u00e9m do confronto com uma presen\u00e7a que tenha incid\u00eancia sobre o que n\u00e3o \u00e9 simboliz\u00e1vel: o objeto <em>a<\/em>.<\/p>\n<p>No caso de Ventura \u00e9 poss\u00edvel afirmar que o ato do analista, sob a forma da declina\u00e7\u00e3o da voz, possibilitou o enodamento dos tr\u00eas registros: real, simb\u00f3lico e imagin\u00e1rio. Isso acontece na medida em que o analista opera atrav\u00e9s da leitura da l\u00f3gica da posi\u00e7\u00e3o subjetiva do analisante, perturbando o efeito de sentido. Com isso, toca o real. Desse modo, \u00e9 a l\u00f3gica, n\u00e3o o saber, o que deve guiar o analista em seu ato. Lacan (2023, p.269) provoca, \u201cQu\u00e9 saben ustedes? En qu\u00e9 meten sus narices?\u201d alertando os analistas que eles s\u00f3 t\u00eam que lidar justamente com a estrutura l\u00f3gica da posi\u00e7\u00e3o subjetiva do analisante. \u00c9 isso que o analista deve saber. Por isso, podemos dizer que a l\u00f3gica est\u00e1 articulada ao desejo do analista. Assim, o analista n\u00e3o deve guiar o sujeito a um saber, mas sim \u201cnas vias de acesso a esse saber\u201d (Lacan, 2023b, p. 317).<\/p>\n<p><strong>A douta ignor\u00e2ncia: uma douta paix\u00e3o? <\/strong><\/p>\n<p>Diferente do Budismo, que entende a ignor\u00e2ncia como uma paix\u00e3o em virtude de sua pr\u00e1tica meditativa, para a psican\u00e1lise, s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel conhec\u00ea-la atrav\u00e9s de uma experi\u00eancia (Lacan, 1997). A ignor\u00e2ncia, para Lacan, n\u00e3o \u00e9 tomada como um d\u00e9ficit. Muito pelo contr\u00e1rio, ela tem a ver com o saber.<\/p>\n<p>\u00c9 por se engajar na pesquisa da verdade que o sujeito se situa na dimens\u00e3o da ignor\u00e2ncia, e pouco importa se o saiba ou n\u00e3o. Estabelece-se, assim, uma rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica quanto \u00e0 ignor\u00e2ncia, uma vez que \u201c\u00e9 somente na perspectiva da verdade que ela se constitui como tal\u201d (Lacan, 2009c, p.193). A ideia de Lacan, nesse momento, \u00e9 que \u201cse o sujeito n\u00e3o se coloca em refer\u00eancia com a verdade, n\u00e3o h\u00e1 ignor\u00e2ncia\u201d (idem). Ent\u00e3o, o que faz a ignor\u00e2ncia existir \u00e9 justamente sua rela\u00e7\u00e3o com uma verdade a ser atingida, uma pesquisa do analisante no curso de uma an\u00e1lise. \u00c9 interessante pensar que a ignor\u00e2ncia, ent\u00e3o, surge da pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o anal\u00edtica.<\/p>\n<p>Em <em>Variantes do tratamento-padr\u00e3o<\/em>, Lacan (1998) traz que \u201ca ignor\u00e2ncia n\u00e3o deve ser entendida como uma aus\u00eancia de saber, mas, assim como o amor e o \u00f3dio, como uma paix\u00e3o do ser, uma via pela qual o ser se forma\u201d (p. 360). Ele discorre sobre a forma\u00e7\u00e3o do analista, apontando que, ao longo desse caminho, o analista deve reconhecer em seu saber o sintoma de sua ignor\u00e2ncia. \u00a0Ao tomar o n\u00e3o-saber como o \u201cfruto positivo da revela\u00e7\u00e3o da ignor\u00e2ncia\u201d, fica claro que h\u00e1 uma distin\u00e7\u00e3o entre n\u00e3o-saber e nega\u00e7\u00e3o do saber. Lacan (1998) indica que o analista deve \u201cignorar o que ele sabe\u201d (p.351), apontando para o fato de que \u201ca an\u00e1lise s\u00f3 pode encontrar sua medida nas vias de uma douta ignor\u00e2ncia&#8221;(Idem, p. 364).<\/p>\n<p>A express\u00e3o \u201cdouta ignor\u00e2ncia\u201d foi tomada do cardeal Nicolau de Cusa, que dizia que <em>\u201c<\/em>nenhum outro saber mais perfeito pode advir ao homem, mesmo ao mais estudioso, do que descobrir-se sumamente douto na sua ignor\u00e2ncia, que lhe \u00e9 pr\u00f3pria, e ser\u00e1 tanto mais douto quanto mais ignorante se souber\u201d (DE CUSA, <em>2008<\/em>, p. 117). \u00a0Segundo Miller (2011), a douta ignor\u00e2ncia implica uma articula\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria entre o saber e a ignor\u00e2ncia; \u00e9 uma no\u00e7\u00e3o, segundo a qual, saber e ignor\u00e2ncia n\u00e3o s\u00e3o exteriores um ao outro, mas de que h\u00e1 um ponto, no mais alto do saber, no qual o saber coincide com a ignor\u00e2ncia.<\/p>\n<p>\u00c9 interessante notar como Nicolau de Cusa, por meio de um ap\u00f3logo sobre o amor, introduz a quest\u00e3o da ignor\u00e2ncia. Motivado a apreender e situar o amor a Deus, percebe o car\u00e1ter infinito deste, e se questiona at\u00e9 que ponto o amor sabe, ou ignora. O amor teria, assim, ao mesmo tempo, uma face de ignor\u00e2ncia, e outra de pressentimento de saber pois, se por um lado, s\u00f3 podemos amar o que ignoramos, por outro, seria necess\u00e1rio algum saber para am\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Nicolau de Cusa (1997), que publica seu ensaio <em>A Douta Ignor\u00e2ncia<\/em> em 1440, defendia a ideia de que tudo que sabemos pode ser melhor e mais completamente sabido. Para ele, o saber \u00e9 inesgot\u00e1vel, nunca completamente alcan\u00e7\u00e1vel. O desejo de saber \u00e9, assim, inalcan\u00e7\u00e1vel, mas tamb\u00e9m correlato da natureza mut\u00e1vel do objeto, que oculta uma precis\u00e3o inating\u00edvel. Contudo, essa imprecis\u00e3o n\u00e3o \u00e9 desalentadora, ao contr\u00e1rio, \u00e9 considerada instigante para que o sujeito v\u00e1 em frente em sua busca, tentando aproximar-se, o mais perto poss\u00edvel, desse saber. Encontramos a\u00ed mais uma afinidade entre a psican\u00e1lise e a ideia defendida por Nicolau de Cusa. Uma an\u00e1lise tamb\u00e9m vai na dire\u00e7\u00e3o de um objeto impreciso e inef\u00e1vel. Da mesma forma, tal imprecis\u00e3o n\u00e3o nos \u00e9 desalentadora; ao contr\u00e1rio, nesse movimento inesgot\u00e1vel e insaci\u00e1vel, reside o vigor da psican\u00e1lise, que deve sempre ir mais al\u00e9m. A quest\u00e3o, e \u00e9 a que nos interessa \u00e9 em que medida essa sequ\u00eancia seria finita pois, apontando para o infinito chegamos, como em uma an\u00e1lise, ao ponto em que nos deparamos com o imposs\u00edvel de dizer.<\/p>\n<p>Miller (1998), em <em>A proposito de los afectos em la experi\u00eancia anal\u00edtica<\/em>, compara o analista ao santo, como aquele que \u00e9 sede das paix\u00f5es, assediado pelas paix\u00f5es que suscita. Essa aproxima\u00e7\u00e3o do analista com o santo foi feita por Lacan (2003), em <em>Televis\u00e3o<\/em>, para contrapor o analista ao s\u00e1bio, que n\u00e3o se comove. Esse contraponto entre \u201csanto\u201d e \u201cs\u00e1bio\u201d nos interessa na medida em que estamos problematizando a quest\u00e3o do saber, sendo importante destacar que o saber que vale em uma an\u00e1lise n\u00e3o se assemelha \u00e0 sabedoria.<\/p>\n<p>Na aula XIII do Curso \u201cOs signos do gozo\u201d, Miller (1998), ao jogar com as palavras, \u00a0apresenta uma reflex\u00e3o interessante. \u201cPasse-<em>ion<\/em> de la ignor\u00e2ncia\u201d (p. 223), diz ele, sugerindo que o passe seja a verifica\u00e7\u00e3o da paix\u00e3o da ignor\u00e2ncia: ser\u00e1 quest\u00e3o de saber se o <em>\u00edon <\/em>(o \u00e1tomo) da ignor\u00e2ncia est\u00e1 presente no passe\u201d (idem). Segundo Miller, no passe n\u00e3o se pode fazer semblante do <em>ion<\/em> da ignor\u00e2ncia, pois a condi\u00e7\u00e3o para que surja \u00e9 que um sujeito tenha experimentado seus pr\u00f3prios limites, isto \u00e9, tenha medido onde seu dizer adquire sentido e gozo. Trata-se de um saber que s\u00f3 vale para ele pr\u00f3prio. Constatar ao final de uma an\u00e1lise que se sabe algo, mas que esse algo n\u00e3o existe, trata-se de \u201cuma verdade que se transforma\u201d (idem, p. 226). Verificar a presen\u00e7a desse <em>\u00edon<\/em> da ignor\u00e2ncia no passe \u00e9 constatar que as palavras j\u00e1 n\u00e3o carregam mais efeitos de sentido como antes.<\/p>\n<p>O exemplo cl\u00ednico do passe de Oscar Ventura (2020) nos permite fazer essa leitura. A partir de um trabalho detalhado sobre a mem\u00f3ria, apontando para a \u201cmem\u00f3ria corporal\u201d e a \u201cmem\u00f3ria veiculada pelo S e pelo Outro\u201d, ele p\u00f4de nos mostrar como essas marcas se perdem, uma vez que \u201cdo lado do Outro temos as marcas, as escans\u00f5es sobre as quais um relato \u00e9 constru\u00eddo, sobre um pano de fundo que sempre foge\u201d. A experi\u00eancia da an\u00e1lise \u201cse apoia sobre uma met\u00e1fora\u201d (p. 172) do que se inscreve como marca de gozo, uma verdade constru\u00edda a favor da paix\u00e3o da ignor\u00e2ncia que recobre o furo, a reitera\u00e7\u00e3o do Um. Por\u00e9m isso \u00e9 destitu\u00eddo ao ser relan\u00e7ado no horizonte o sem sentido, que perturba o efeito de sentido.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>\u00c9 interessante articularmos aqui tamb\u00e9m com o que estamos trabalhando sobre o afeto. Se o afeto \u00e9 um efeito do significante, na an\u00e1lise, nos damos conta do tanto que somos afetados pelos tra\u00e7os de mem\u00f3ria de tudo que carregamos e que, at\u00e9 ali, est\u00e3o no inconsciente, ensinando que h\u00e1 buracos no corpo \u201cque alertam o sujeito sobre sua rela\u00e7\u00e3o com o mais prim\u00e1rio da vida e que imprimem um afeto. Uma esp\u00e9cie de tom vital com o qual se anda pelo mundo\u201d (Ventura, 2020, p. 173). A an\u00e1lise permite que esse afeto, possa ser experimentado no corpo de forma mais vivificante.<\/p>\n<p>Embora tenhamos, \u00e0 primeira vista, a tend\u00eancia de pensar que o amor conduz a an\u00e1lise, a presen\u00e7a do \u00f3dio, enquanto uma paix\u00e3o \u201cl\u00facida\u201d, tem um papel fundamental nesse percurso. No testemunho de passe, atravessado pelo \u00f3dio contra o analista, o analisante p\u00f4de nomear a subjetiva\u00e7\u00e3o de uma alteridade radical, o que permitiu a inscri\u00e7\u00e3o de um efeito de final de an\u00e1lise. O \u00f3dio que \u201cpoderia captar sobre o gozo do Outro se esvaziava\u201d (Ventura, 2020, p. 176). Neste percurso, ele localiza \u201cuma maneira de fazer funcionar a mem\u00f3ria n\u00e3o ficando fixado em uma caracter\u00edstica do gozo do Outro\u201d (idem, p. 177), confrontando-se com um \u201cn\u00e3o h\u00e1\u201d e consentindo com o furo. Trata-se de uma inven\u00e7\u00e3o. No litoral entre esquecimento e mem\u00f3ria, passa a experimentar uma \u201cverdadeira alegria\u201d, atravessado por \u201cventos de vida\u201d. Lacan aponta para o entusiasmo no final da an\u00e1lise, onde o que se d\u00e1 \u00e9 que o Outro n\u00e3o existe e o saber ex-siste, com a condi\u00e7\u00e3o de constru\u00ed-lo e invent\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Em <em>Televis\u00e3o (2009), <\/em>quando Lacan aborda as paix\u00f5es da alma, aponta para o gaio saber no final de uma an\u00e1lise. Prop\u00f5e o gaio-saber ou gaio <em>issaber <\/em>[gai s\u00e7avoir] para lembrar que \u201cessa emo\u00e7\u00e3o alegre \u00e9 sempre a de um saber que vem junto\u201d (Viera, 2024, p. 10), entretanto, esvaziado dos efeitos de sentido. O gaio saber seria, assim, correlativo ao imposs\u00edvel de dizer, um imposs\u00edvel de saber. O saber alegre permite uma passagem da impot\u00eancia ao imposs\u00edvel: do saber impotente, porque n\u00e3o h\u00e1 significante para nomear isso, \u00e0 impot\u00eancia elevada \u00e0 dignidade de uma impossibilidade. E, se \u00e9 imposs\u00edvel, s\u00f3 resta invent\u00e1-lo. Dito de outro modo, \u201co saber alegre \u00e9 uma consequ\u00eancia direta do bem dizer em an\u00e1lise\u201d (Monribot, 2010, pg. 41).<\/p>\n<p>Podemos concluir que a passagem de analisante \u00e0 analista permite uma modifica\u00e7\u00e3o, uma muta\u00e7\u00e3o, na paix\u00e3o da ignor\u00e2ncia. N\u00e3o se trata de ignorar algo que est\u00e1 l\u00e1, ou seja, partir do princ\u00edpio de que existiria um saber a ser alcan\u00e7ado, mas de defrontar-se com um \u201cn\u00e3o h\u00e1\u201d. Por isso, Lacan fala em inven\u00e7\u00e3o de saber, <strong>\u201c<\/strong>um outro nome para a paix\u00e3o da ignor\u00e2ncia\u201d (Miller, 1998 pg. 222)<strong>, <\/strong>pois n\u00e3o se trata de um saber a ser descoberto. H\u00e1 que se tomar a ignor\u00e2ncia como um conjunto, contendo dentro um espa\u00e7o vazio para que se possa inventar o saber. Esse \u201cn\u00e3o h\u00e1\u201d \u00e9 o verdadeiro sentido da paix\u00e3o da ignor\u00e2ncia. Como diz Miller, \u201c\u00c9 aceitar sofrer de um n\u00e3o h\u00e1\u201d (Idem, p. 230). O final de an\u00e1lise, entretanto, n\u00e3o \u00e9 sem certa satisfa\u00e7\u00e3o, ao iluminar como um rel\u00e2mpago, \u201ca noite da ignor\u00e2ncia\u201d (Monribot, 2010, p. 43).<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Momento de concluir <\/strong><\/p>\n<p>Partindo da pergunta sobre a paix\u00e3o do analista, e da afirmativa de Lacan (2009) de que no analista tamb\u00e9m conv\u00e9m considerar a ignor\u00e2ncia, o trabalho nos permitiu aprofundar sobre o tema das paix\u00f5es, tra\u00e7ando uma distin\u00e7\u00e3o entre a paix\u00e3o da ignor\u00e2ncia, do lado do analisante, e a ignor\u00e2ncia necess\u00e1ria, e particular, ao analista &#8211; uma douta ignor\u00e2ncia. Por outro lado, nossa investiga\u00e7\u00e3o nos conduziu a supor que h\u00e1 um saber do lado do analista: saber sobre a l\u00f3gica de cada caso, ao mesmo tempo em que \u00e9 preciso encarnar um vazio de saber para que advenha o objeto <em>a<\/em> na experi\u00eancia da an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Pudemos verificar, atrav\u00e9s do testemunho de passe de Oscar Ventura, como uma experi\u00eancia de an\u00e1lise permite uma muta\u00e7\u00e3o na paix\u00e3o da ignor\u00e2ncia. O exemplo cl\u00ednico evidencia que essa paix\u00e3o dizia respeito a um gozo que havia sido ignorado pelo sujeito, encobrindo o \u00f3dio.<\/p>\n<p>Na passagem de analisante \u00e0 analista, o <em>parl\u00eatre<\/em>, desembara\u00e7ado agora da paix\u00e3o da ignor\u00e2ncia, pode aceder a uma posi\u00e7\u00e3o mais livre frente ao saber, uma posi\u00e7\u00e3o de douta ignor\u00e2ncia ou,\u00a0qui\u00e7\u00e1,\u00a0uma \u201cdouta paix\u00e3o\u201d. Esse trocadilho, criado pelo nosso \u00eaxtimo, Gerardo Arenas, nos permitiu brincar um pouco com as palavras, sugerindo que o percurso de uma an\u00e1lise possibilita uma certa muta\u00e7\u00e3o frente ao drama das nossas paix\u00f5es. Tal muta\u00e7\u00e3o aponta para o que se decanta no final de uma an\u00e1lise: o entusiasmo. \u00c9 essa a paix\u00e3o que n\u00e3o pode faltar ao analista, destaca Lacan (2003e). \u201cO analista desapaixonado nada mais \u00e9 do que um falso semblante, e o grande desafio que nos resta \u00e9 agir de tal forma que o entusiasmo e as outras paix\u00f5es que nos habitam n\u00e3o nos impe\u00e7am de ser d\u00f3ceis \u00e0 singularidade de nossos analisantes na dire\u00e7\u00e3o de cada tratamento\u201d (Arenas, 2024).<\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/h6>\n<ol>\n<li>\n<h6>ARENAS, G. L\u00f3gica, saber y deseo del analista. In: El Psicoan\u00e1lisis: Revista de <strong>la escuela lacaniana de Psicoan\u00e1lisis<\/strong>. n. 43, 2016. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/elpsicoanalisis.elp.org.es\/numero-43\/logica-saber-y-deseo-del-analista\/\">https:\/\/elpsicoanalisis.elp.org.es\/numero-43\/logica-saber-y-deseo-del-analista\/<\/a><\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>ARENAS, Gerardo.\u00a0<strong>Analistas apaixonados<\/strong>. In:\u00a0<em>Jornadas da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise &#8211; Se\u00e7\u00e3o Bahia, 2024<\/em>. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/analistas-apaixonados\/\">https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/analistas-apaixonados\/<\/a>. Acesso em: 06 out. 2024.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>BASZ, Samuel. <strong>Discurso<\/strong>. In: <em>Scilicet Semblantes e Sinthoma<\/em>. Escola Brasileira de Psicanalise- VII Congresso da Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Psican\u00e1lise- Paris, 2010.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>COTTET, S. O psicanalista objeto a. Publicado originalmente em: Cottet, Serge. Estudos Cl\u00ednicos. Salvador: Fator, 1988, p.69-80<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>DE CUSA, Nicolau.\u00a0<em> A douta ignor\u00e2ncia, <\/em> Por Boaventura de Souza Santos: \u201cA filosofia \u00e0 venda, a douta ignor\u00e2ncia e a aposta de Pascal\u201d, em <em>Revista Cr\u00edtica de Ci\u00eancias Sociais<\/em>, 80, 2008.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>FREUD,S. <em>O Inconsciente<\/em>. In:\u00a0<em>Obras Completas<\/em>12. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2010. P.87<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>LACAN, J. \u2013<em>Semin\u00e1rio 1: Os escritos t\u00e9cnicos de Freud<\/em>(1953-1954). 2009a. Rio de Janeiro: Zahar. P. 316.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>__________- <em>Semin\u00e1rio 1: Os escritos t\u00e9cnicos de Freud<\/em>(1953-1954). 2009b. Rio de Janeiro: Zahar. 317<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>__________- <em>Semin\u00e1rio 1: Os escritos t\u00e9cnicos de Freud<\/em>\u00a0(1953-1954). 2009c. Rio de Janeiro: Zahar. 193<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>LACAN, Jacques.\u00a0<em>Televis\u00e3o in: <strong>Outros escritos<\/strong><\/em>. 2003a. Rio de Janeiro: Zahar, p.526.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>LACAN, Jacques.\u00a0<em>Televis\u00e3o in: <strong>Outros escritos<\/strong><\/em><strong>.<\/strong> Rio de Janeiro: Zahar, p.508 a 543.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>LACAN, Jacques.\u00a0<em>Nota Italiana (1973)<\/em>. In: <strong>Outros Escritos.<\/strong> Rio de Janeiro: Zahar. P.311.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>LACAN, Jacques.\u00a0<em>Carta de dissolu\u00e7\u00e3o (1980)<\/em>. In: <strong>Outros Escritos.<\/strong> Rio de Janeiro: Zahar. P.319.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>LACAN, Jacques.\u00a0<em>Nota Italiana (1973)<\/em>. In: Outros Escritos. 2003e. Rio de Janeiro: Zahar. P.311.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>LACAN, J.\u00a0<em>A Dire\u00e7\u00e3o do Tratamento e os Princ\u00edpios de seu Poder (1958)<\/em>. In:\u00a0<em>Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. P.633-634<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>LACAN, J.\u00a0<em>O Semin\u00e1rio, Livro 8: A Transfer\u00eancia (1960\/61). <\/em>Rio de Janeiro: Jorge Zahar. 1992. P. ?.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>LACAN, J.\u00a0<em>O Semin\u00e1rio, Livro 11: Os Quatro Conceitos Fundamentais da Psican\u00e1lise (1964). <\/em>Rio de Janeiro: Jorge Zahar. 1985. P. 270.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>LACAN, J<em>.\u00a0El seminario, libro 14: La l\u00f3gica del fantasma<\/em>(1966-1967).\u00a0 Buenos Aires: Paidos, 2023.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>LACAN, J.\u00a0<em>O Semin\u00e1rio, Livro 20: Mais Ainda<\/em>(1985[1972-73]). Rio de Janeiro: Jorge Zahar.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>Rodinhas de Barbante (1973) in: <em>O Semin\u00e1rio, Livro 20: Mais Ainda<\/em>(1985[1972-73]). Rio de Janeiro: Jorge Zahar. p. 129.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>LACAN, J. &#8211; \u00a0<strong>O Semin\u00e1rio, livro 23: O sinthoma<\/strong>(1975-1976). Tradu\u00e7\u00e3o de M\u00e1rio Dias Correia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2007.p. 131.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>LACAN, J. A Terceira (1974). Interven\u00e7\u00e3o no VII Congresso da Escola Freudiana de Paris. Roma, 1\u00ba de novembro de 1974. In: <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em>. Revista Brasileira Internacional de Psican\u00e1lise, No 62. S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Eolia, Dezembro de 2011. P. 21.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>LACAN, Jacques.\u00a0<em>O saber do psicanalista<\/em>(1971-1972)<em>.\u00a0Recife: Centro de Estudos Freudianos do Recife, 1997., p.\u00a086.<\/em><\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>LACAN, Jacques.\u00a0<em>Variantes do tratamento-padr\u00e3o<\/em>. In:\u00a0<em>Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. P.351-360.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>LAURENT, \u00c9. <strong><em>As paix\u00f5es do ser<\/em><\/strong>.\u00a0VII Jornada da EBP\/Bahia. III Jornada do Instituto de Psican\u00e1lise da Bahia. Salvador: EBP\/Bahia, 2000.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>LEGUIL, C. Presen\u00e7a do analista e experi\u00eancias do inconsciente. In: <em>Correio \u2013 Revista da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise<\/em>. V. 1, no 90. S\u00e3o Paulo: EBP, abril 2023. P. 113.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>MILLER, Jacques-Alain.\u00a0<strong>A prop\u00f3sito dos afetos na experi\u00eancia anal\u00edtica<\/strong>. In:\u00a0<em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana: Revista Brasileira Internacional de Psican\u00e1lise<\/em>. S\u00e3o Paulo: Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, n. 21, p. 5-18, 1998.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>MILLER, J.A &#8211; Curso de Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana- O ser e o Um (2010- 2011) In\u00e9dito<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>MILLER, J-A. O Inconsciente a advir. In: <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em>, no 79. S\u00e3o Paulo: EBP, julho de 2018. P.18<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>MILLER, Jacques-Alain.\u00a0<em>O Paradoxo de um saber sobre a verdade. Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em>, n 61, 2011. P.26.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>MILLER, Jacques-Alain.\u00a0<em>Os signos do gozo<\/em>. Aula XIII. Buenos Aires, Paido\u0301s ed., 1998. P222-224, 230.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>MONRIBOT, Patrick.\u00a0<strong>Adi\u00f3s tristeza, los afectos al final del an\u00e1lisis<\/strong>. In:\u00a0<em>Mediodicho: Revista anual de psicoan\u00e1lisis<\/em>. C\u00f3rdoba, n. 36, p. 41, nov. 2010.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>NAVEAU, Pierre.\u00a0<strong>Traumatismo e sintoma em Lacan<\/strong>. In:\u00a0<em>Revista Derivas Anal\u00edticas<\/em>, edi\u00e7\u00e3o 02, 2015. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/revistaderivasanaliticas.com.br\/index.php\/edicao02\\&gt;. Acesso em: 06 out. 2024.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>VIEIRA, M. A.\u00a0<strong>O gesto de chorar<\/strong>. In:\u00a0<em>Fazer an\u00e1lise \u2013 os gestos da cl\u00ednica lacaniana<\/em>. Rio de Janeiro: Curso livre do ICP-RJ, Escola Brasileira de Psican\u00e1lise \u2013 Se\u00e7\u00e3o Rio, 2024. Texto baseado na transcri\u00e7\u00e3o do quinto encontro do curso, ocorrido em 9 de maio de 2024. Transcri\u00e7\u00e3o inicial por Cida Malveira e edi\u00e7\u00e3o por Juliana Villa-Forte. Vers\u00e3o final do autor. P.10.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>T\u00cdZIO, H.\u00a0<strong>O analista e os semblantes<\/strong>. In:\u00a0<em>Correio<\/em>. Revista da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, Belo Horizonte: EBP-MG, n.63, p. 33-39, 2009.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>VENTURA, Oscar. Pe\u00e7as soltas sobre o Passe e a Pol\u00edtica. In: Curinga n. 49. 2020. Belo Horizonte: EBP_MG. P. 173 \u2013 177.<\/h6>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p><span style=\"color: var(--wpex-heading-color); font-family: var(--wpex-heading-font-family); font-size: 1em; font-style: var(--wpex-heading-font-style); font-weight: var(--wpex-heading-font-weight); letter-spacing: var(--wpex-heading-letter-spacing); text-transform: var(--wpex-heading-text-transform);\">[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/span>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;5\/6&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]Coordenadora: M\u00f4nica Hage (EBP\/AMP) Colaboradora: F\u00e1tima Sarmento (AME EBP\/AMP) \u00caxtimo: Gerardo Arenas (AME EOL\/AMP) Relatores: F\u00e1tima Sarmento (AME EBP\/AMP) Julia Solano (EBP\/AMP) Participantes: Alice Munguba (IPB) Carla Fernandes (EBP\/AMP) Graziela Pires (IPB) Jo\u00e3o Klaus Seydel (IPB) Kleyanne Lima (IPB) T\u00e2nia Porto (IPB)[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/6&#8243;][vc_single_image image=&#8221;674&#8243; css=&#8221;&#8221;][vc_empty_space][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_empty_space][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;] GT 2: \u00a0Uma \u201cDouta Paix\u00e3o\u201d e os&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":30,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"templates\/no-sidebar.php","meta":{"_joinchat":[],"footnotes":""},"class_list":["post-652","page","type-page","status-publish","hentry","entry","no-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/652","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=652"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/652\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":737,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/652\/revisions\/737"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/30"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=652"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}