{"id":28,"date":"2024-04-26T15:48:12","date_gmt":"2024-04-26T18:48:12","guid":{"rendered":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/?page_id=28"},"modified":"2024-05-08T06:49:52","modified_gmt":"2024-05-08T09:49:52","slug":"argumento","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2024\/a-jornada\/argumento\/","title":{"rendered":"Argumento"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]\n<h3><span style=\"color: #333399;\"><b>As paix\u00f5es do Falasser<\/b><\/span><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O tema das XXVIII Jornadas da EBP \u2013 Ba e XXIV Jornadas do IPB de 2024 foi definido h\u00e1 muitos anos, em novembro de 2000, quando \u00c9ric Laurent realizou um semin\u00e1rio na Se\u00e7\u00e3o Bahia com o t\u00edtulo: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">As paix\u00f5es do ser: o amor, o \u00f3dio e a ignor\u00e2ncia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Ao final de seu Semin\u00e1rio, ele nos convidou a retomar posteriormente o tema a partir das paix\u00f5es do falasser.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O termo de Lacan, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">parl\u00eatre<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, traduzido entre n\u00f3s por <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">falasser<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, aponta para uma nova conex\u00e3o entre as palavras e as coisas, que se ancora fundamentalmente na articula\u00e7\u00e3o entre <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">lalangue<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> e o real do gozo, constitutivo do inconsciente real. Esse termo surge ap\u00f3s a renova\u00e7\u00e3o da cl\u00ednica psicanal\u00edtica atrav\u00e9s dos n\u00f3s borromeus, cujas bases se encontram no Semin\u00e1rio 20 de Lacan, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Mais, ainda<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. O termo falasser \u00e9 introduzido por Lacan em sua segunda confer\u00eancia sobre James Joyce, na qual<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">ele o define dizendo que o homem \u201c&#8230;<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">vive do ser, da\u00ed minha express\u00e3o de falasser que se substituir\u00e1 ao Inconsciente de Freud\u201d. Percebemos aqui que Lacan d\u00e1 um passo a mais em sua teoria, retificando o que havia dito em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Televis\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Interrogado por Jacques-Alain Miller sobre o que \u00e9 o inconsciente<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">,<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> ele afirmou que Freud n\u00e3o havia encontrado palavra melhor. Com esse novo termo, trata-se de pensar o inconsciente em um in\u00e9dito modo de conex\u00e3o com a palavra, e assim nos adentramos em uma cl\u00ednica do inconsciente real, em que as palavras o configuram pelas resson\u00e2ncias no corpo vivo, antes mesmo da inscri\u00e7\u00e3o da lei f\u00e1lica advinda do Outro.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Estamos aqui diante de uma defini\u00e7\u00e3o de psican\u00e1lise em que Lacan deixa claro como \u00e9 a partir da linguagem, no que ela faz c\u00f3pula, que \u00e9 poss\u00edvel dar um suporte \u00e0quilo que escapa ao pr\u00f3prio sentido, o inconsciente dito real e o corpo falante.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Poder\u00edamos falar sobre o fogo, n\u00e3o para fazer uma psican\u00e1lise do fogar\u00e9u das paix\u00f5es, mas para lembrar com Lacan que \u201cO fogo \u00e9 real. O real p\u00f5e fogo em tudo. Mas \u00e9 um fogo frio. O fogo que queima \u00e9 uma m\u00e1scara, se assim posso dizer, do real\u201d (LACAN, Sem. 23, p. 117). Esse \u00e9 um dizer que orienta, e por isso mesmo \u00e9 tamb\u00e9m um ponto de partida. O fogo que arde e queima n\u00e3o \u00e9 aquele do sentido passional, mas justo o fogo que p\u00f5e em evid\u00eancia o qu\u00e3o pouco afim ao sentido est\u00e3o as paix\u00f5es do falasser. Elas importam ao analista em forma\u00e7\u00e3o pelo que testemunham de uma orienta\u00e7\u00e3o pelo real.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As paix\u00f5es s\u00e3o uma inflex\u00e3o feita por Lacan para retomar o termo <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cafeto\u201d<\/span><\/i> <span style=\"font-weight: 400;\">de Freud. Montante afetivo \u00e9 o termo utilizado por Freud para falar sobre o representante pulsional quantitativo e se distingue das representa\u00e7\u00f5es ideacionais da puls\u00e3o: \u201c&#8230; o termo montante afetivo; ele corresponde \u00e0 puls\u00e3o, na medida em que este se desligou da ideia e acha express\u00e3o, proporcional \u00e0 sua quantidade, em processos que s\u00e3o percebidos como afetos\u201d (FREUD, 1915).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Freud destaca tr\u00eas possibilidades para o destino do montante afetivo diante do recalque: a sua supress\u00e3o (que seria o caso de um recalque bem-sucedido, caso raro); a transforma\u00e7\u00e3o qualitativa do afeto (que seria o deslocamento do afeto para outras representa\u00e7\u00f5es provis\u00f3rias, sublima\u00e7\u00e3o?) e, por fim, a transforma\u00e7\u00e3o do afeto em ang\u00fastia (quando o montante afetivo n\u00e3o se liga a nenhuma outra representa\u00e7\u00e3o \u2013 o destino privilegiado).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Aqui,<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">dois pontos valem a pena ser retidos: o montante afetivo \u00e9 a dimens\u00e3o pulsional que n\u00e3o se presta a ser represent\u00e1vel, por isso tamb\u00e9m \u00e9 a dimens\u00e3o pulsional que n\u00e3o pode ser inconsciente. N\u00e3o h\u00e1 afetos inconscientes. Isso ser\u00e1 muito importante notar para n\u00e3o cairmos no engano de acreditar que em Freud h\u00e1 uma afetividade propriamente dita. O montante afetivo \u00e9 um elemento descritivo da presen\u00e7a daquilo que da puls\u00e3o faz fronteira com o ps\u00edquico. O afeto \u00e9, nessa perspectiva freudiana das puls\u00f5es, o elemento propriamente ligado ao vivo do corpo e que, apenas de maneira muito pouco consistente, liga-se temporariamente a representantes do que seriam os <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">estados afetivos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quando Lacan \u00e9 interrogado em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Televis\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, por que n\u00e3o daria \u00eanfase ao tema dos afetos, ele responder\u00e1 em tr\u00eas pontos: 1) retomando este conceito de afeto em Freud; 2) lembrando de como se dedicou ao tema da ang\u00fastia em seu semin\u00e1rio com o mesmo t\u00edtulo; 3) lembrando o \u00fanico discurso assegurado sobre o tema: as paix\u00f5es da alma e suas listas feitas por fil\u00f3sofos como S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino e Plat\u00e3o. \u201cQuanto a mim, s\u00f3 fiz restabelecer o que Freud enuncia num artigo de 1915 sobre o recalque, e em outros que voltam ao assunto: que o afeto \u00e9 deslocado\u201d, dir\u00e1 ele (LACAN, 1974).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9ric Laurent, no semin\u00e1rio <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">As paix\u00f5es do Ser<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, lembra do<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">\u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">enforma de<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d Outro, para destacar como a rela\u00e7\u00e3o do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">falasser<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> com o corpo est\u00e1 amparada, de um lado, pela imagem especular, mas tamb\u00e9m, por outro lado, por aquilo que n\u00e3o conforma imagem e que faz furo \u00e0 representa\u00e7\u00e3o, o objeto <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">a<\/span><\/i> <span style=\"font-weight: 400;\">como consist\u00eancia l\u00f3gica, por onde um corpo tem consist\u00eancia de uma borda, uma consist\u00eancia muito pouco consistente.\u00a0<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">Ou bem o sujeito tem sua rela\u00e7\u00e3o com o corpo como imagem, como forma, como Gestalt, ou bem tem uma rela\u00e7\u00e3o com seu corpo pelo gozo proveniente das zonas er\u00f3genas, zonas pulsionais que s\u00e3o furo. Existem, portanto, duas maneiras de saber se se tem um corpo: atrav\u00e9s da imagem ou atrav\u00e9s do furo (LAURENT, E. Los objetos de la pasi\u00f3n, p. 50).\u00a0<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essas duas vias destacadas por Laurent s\u00e3o as vias por onde poderemos distinguir as paix\u00f5es do ser: amor, \u00f3dio e ignor\u00e2ncia e as paix\u00f5es do falasser: mania, entusiasmo, depress\u00e3o, tristeza.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Abordaremos, ainda, o lugar do humor nas Paix\u00f5es do falasser, com destaque, inicialmente ao mau humor. Do que trata o mau humor? Seria o contr\u00e1rio do bom humor? O que est\u00e1 em jogo?\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cUm pecado, um gr\u00e3o de loucura, ou um verdadeiro toque do real?\u201d (LACAN, 2003), esse \u00e9 o questionamento que Lacan se faz em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Televis\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> sobre o mau humor. Um afeto anal\u00edtico original e essencial que por propriedade, ao chegar em um corpo, habitaria a linguagem, mas sem encontrar alojamento, \u201cpelo menos n\u00e3o alojamento a seu gosto\u201d. E \u00e9 justamente por n\u00e3o encontrar alojamento na linguagem que Miller (2010) chama esse afeto de uma das \u201cpaix\u00f5es do objeto a\u201d. Mas o que seria uma paix\u00e3o do objeto <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">a<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Diferente das paix\u00f5es do ser, que s\u00e3o paix\u00f5es que fazem la\u00e7o com o Outro, as paix\u00f5es da alma, como Lacan (2003) chamou em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Televis\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, ou paix\u00f5es do objeto <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">a<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, como Miller nomeou, s\u00e3o paix\u00f5es em que h\u00e1 uma esp\u00e9cie de soldadura entre o saber inconsciente e o gozo. Laurent (2019) coloca as paix\u00f5es do ser como paix\u00f5es de aliena\u00e7\u00e3o ao Outro, enquanto as paix\u00f5es do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">a<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> s\u00e3o paix\u00f5es de separa\u00e7\u00e3o do Outro.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Enfim, algo dif\u00edcil de suportar: um sofrimento provido de algum prazer, ou seja, gozo enquanto uma paix\u00e3o da qual o falasser padece. Percorreremos essas vias juntamente com nosso convidado, Marcus Andr\u00e9 Vieira (EBP\/AMP) nos dias 25 e 26 de outubro de 2024. Sintam-se convidados a arder conosco no fogo das paix\u00f5es! At\u00e9 l\u00e1!<\/span><\/p>\n<p><b>Comiss\u00e3o cient\u00edfica<\/b><\/p>\n<ul>\n<li><span style=\"font-weight: 400;\">C\u00e9lia Salles<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-weight: 400;\">Marcelo Veras &#8211; coordenador<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-weight: 400;\">M\u00f4nica Hage<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-weight: 400;\">Pablo Sauce<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-weight: 400;\">Sonia Vicente<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-weight: 400;\">T\u00e2nia Abreu<\/span><\/li>\n<\/ul>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;] As paix\u00f5es do Falasser O tema das XXVIII Jornadas da EBP \u2013 Ba e XXIV Jornadas do IPB de 2024 foi definido h\u00e1 muitos anos, em novembro de 2000, quando \u00c9ric Laurent realizou um semin\u00e1rio na Se\u00e7\u00e3o Bahia com o t\u00edtulo: As paix\u00f5es do ser: o amor, o \u00f3dio e a ignor\u00e2ncia. 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