{"id":510552,"date":"2022-09-28T09:34:52","date_gmt":"2022-09-28T12:34:52","guid":{"rendered":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/?p=510552"},"modified":"2022-11-07T06:35:04","modified_gmt":"2022-11-07T09:35:04","slug":"ventilacao-analitica-e-o-nao-todo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/ventilacao-analitica-e-o-nao-todo\/","title":{"rendered":"Ventila\u00e7\u00e3o anal\u00edtica e o N\u00e3o-todo"},"content":{"rendered":"[vc_row][vc_column width=&#8221;5\/6&#8243;][vc_column_text]\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><em><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-510553 size-large\" src=\"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/erosditos004_004-1024x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"640\" srcset=\"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/erosditos004_004.jpg 1024w, https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/erosditos004_004-300x300.jpg 300w, https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/erosditos004_004-150x150.jpg 150w, https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/erosditos004_004-768x768.jpg 768w, https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/erosditos004_004-200x200.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><em>Gabriel Racki &#8211; Psicanalista, membro da EOL e da Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Psicanalise<\/em><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">Boa noite, \u00e9 com enorme prazer que agrade\u00e7o a Jos\u00e9 Lachevsky e a toda a Diretoria da Se\u00e7\u00e3o La Plata por este convite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O <em>N\u00c3O-TODO<\/em> COMO B\u00daSSOLA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As Jornadas de La Plata e as noites da Diretoria introduzem uma quest\u00e3o que n\u00e3o deve ser tomada como \u00f3bvia. Nelas, o termo <em>n\u00e3o-todo,<\/em> que vem das f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o para nomear um modo de inscri\u00e7\u00e3o do ser falante na sexua\u00e7\u00e3o, est\u00e1 junto com o analista, com a psican\u00e1lise. Isso \u00e9 um pulo e, apesar de n\u00e3o ser \u00f3bvio, j\u00e1 sugere um fio condutor. Est\u00e3o investigando (e me alio a isso) e aproveitando ao m\u00e1ximo da converg\u00eancia entre analista e o modo no qual se nomeia uma inscri\u00e7\u00e3o na vida sexuada, que n\u00e3o \u00e9 o para todos f\u00e1lico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apenas operamos com intui\u00e7\u00f5es iniciais a respeito dessa tem\u00e1tica, mas isso j\u00e1 soa bem orientado. O ser falante, por tend\u00eancia, \u2013 podemos dizer desde as primeiras formula\u00e7\u00f5es de Freud \u2013 arma uma defesa contra a representa\u00e7\u00e3o sexual irreconcili\u00e1vel, ou, nos termos de Lacan, contra o parasitismo f\u00e1lico. Podemos dizer que o ser falante habita, se estrutura, se sexua, padece, ao ritmo do hackeio do gozo f\u00e1lico e de sua tend\u00eancia a engendrar um todo defensivo. Ent\u00e3o, \u00e9 um corol\u00e1rio quase natural que se estude a incid\u00eancia anal\u00edtica, n\u00e3o a partir do pr\u00f3prio espa\u00e7o onde o ser falante monta sua defesa, mas da zona enigm\u00e1tica nomeada como <em>n\u00e3o-todo<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se exigimos permanentemente de n\u00f3s mesmos, como comunidade, renovar a posi\u00e7\u00e3o do analista frente aos discursos contempor\u00e2neos, soa com uma l\u00f3gica muito clara e bem orientada que \u2013 o que vem sendo estudado como o habitat subversivo do analista, seja no avesso do discurso do mestre, ou contra a voz imperativa do supereu em rela\u00e7\u00e3o ao pseudo discurso capitalista \u2013, fa\u00e7amos um esfor\u00e7o para nos aproximar, tamb\u00e9m, ao <em>n\u00e3o-todo<\/em>. Como modo de interpelar, de p\u00f4r em quest\u00e3o<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> (este \u00e9 um termo exato do Semin\u00e1rio 20, cap\u00edtulo VIII) o que se inscreve na fun\u00e7\u00e3o \u03a6x como tend\u00eancia de fi de x ao todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 assim que compreendo o tom da investiga\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, epist\u00eamica e pol\u00edtica que a Diretoria de La Plata est\u00e1 propondo. O <em>n\u00e3o-todo<\/em>, subjetivamente, ter\u00e1 sua dimens\u00e3o de del\u00edcias, bem como de ang\u00fastias, mas pretende investig\u00e1-lo como um operador cl\u00ednico e tom\u00e1-lo, talvez, como uma b\u00fassola crucial do \u00faltimo ensino, para a incid\u00eancia do analista na cl\u00ednica, na Escola e na polis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ALGUMAS VERDADES E INTUI\u00c7\u00d5ES INICIAIS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Proponho apresentar cada m\u00ednimo vi\u00e9s do <em>n\u00e3o-todo<\/em>:<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>N\u00e3o tomar o <em>n\u00e3o-todo<\/em> como modera\u00e7\u00e3o<\/strong>: para dissipar intui\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas que a gente pode associar ao <em>n\u00e3o-todo<\/em>, o primeiro \u00e9 n\u00e3o tom\u00e1-lo como uma modera\u00e7\u00e3o. O <em>n\u00e3o-todo<\/em> n\u00e3o deve ser confundido com uma vers\u00e3o mais psicol\u00f3gica de modera\u00e7\u00e3o, de temperan\u00e7a, esse \u00e9 um perigo que foi muito trabalhado por Jacques-Alain Miller<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, por exemplo, no Semin\u00e1rio <em>El partenaire-sintoma<\/em>. N\u00e3o confundir o <em>n\u00e3o-todo<\/em> com incompletude, com totalidade amputada, pois n\u00e3o se trata da incompletude que sempre tem como pano de fundo a ilus\u00e3o de completude. N\u00e3o se trata do exerc\u00edcio de dizer aos analisantes: &#8220;<em>n\u00e3o-todo<\/em>, modere-se, n\u00e3o se exceda, n\u00e3o transgrida tanto\u201d, n\u00e3o se trata disso.<\/li>\n<li><strong>O <em>n\u00e3o-todo<\/em> implica outro regime que n\u00e3o a castra\u00e7\u00e3o e o todo<\/strong>: o sentido anal\u00edtico \u00e9 outro regime de funcionamento, se tomarmos o funcionamento subjetivo com o motorzinho <em>exce\u00e7\u00e3o-todo<\/em> \u2013 como um modo de resumir v\u00e1rias aulas do <em>Semin\u00e1rio 20 \u2013<\/em> como o <em>parl\u00eatre<\/em> trata o um incessante f\u00e1lico, a puls\u00e3o de morte, o empuxo ao um, mais por meio da castra\u00e7\u00e3o atribu\u00edda a algum agente, ou efetuada pelo pr\u00f3prio sintoma e seus efeitos de falta e o empuxo \u00e0 &#8220;fic\u00e7\u00e3o do todo&#8221;, para se defender. O que Lacan<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><em><strong>[3]<\/strong><\/em><\/a> abre em <em>Mais ainda<\/em>, \u00e9 que a mulher, com sua inscri\u00e7\u00e3o <em>n\u00e3o-toda<\/em>, permite pensar um outro regime.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o intui\u00e7\u00f5es dif\u00edceis de romper e por isso \u00e9 que lhes proponho repassa-las em alguma medida. Inclusive, em <em>De la naturaleza de los semblantes<sup> <a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><strong>[4]<\/strong><\/a><\/sup><\/em>, Miller se refere ao <em>n\u00e3o-todo<\/em> como sendo outra coisa que n\u00e3o a falta e enfatiza que, pensar que isso \u00e9 descompletar o todo, despista. Quando Lacan prop\u00f5e o <em>n\u00e3o-todo<\/em>, est\u00e1 em jogo outra coisa que n\u00e3o a falta e seus tamp\u00f5es. Trata-se de uma l\u00f3gica n\u00e3o edipiana, uma l\u00f3gica que subtrai a medida que d\u00e1 a exce\u00e7\u00e3o. Outra boa maneira de Miller dize-lo em <em>De la naturaleza de los semblantes<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><strong>[5]<\/strong><\/a><\/em> \u00e9 que <em>n\u00e3o-todo<\/em> implica outro baile, que n\u00e3o o baile falo-castra\u00e7\u00e3o. A castra\u00e7\u00e3o cal\u00e7a ao gozo, entretanto, \u00e9 um cal\u00e7ado que baila mais ou menos com o gozo, pois \u00e9 um cal\u00e7ado que machuca os p\u00e9s. Acrescenta, ainda, que para Lacan o sujeito feminino est\u00e1 mal nessa dan\u00e7a, n\u00e3o lhe cal\u00e7a. E conclui com a mesma pergunta que a Diretoria est\u00e1 propondo: at\u00e9 que ponto a teoria anal\u00edtica deve ser discutida para ser consequente com esse novo regime esbo\u00e7ado por Lacan?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Miller, assim, nos contagia com a pergunta sobre se, provavelmente, com esse novo regime, toda a teoria anal\u00edtica n\u00e3o deveria ser discutida. \u00c9 uma quest\u00e3o cl\u00ednica crucial, o analista cai numa inevit\u00e1vel tenta\u00e7\u00e3o transferencial, j\u00e1 que somos todos humanos feitos com essa f\u00f4rma, a de dan\u00e7ar com o falo-castra\u00e7\u00e3o. E, diante dos excessos da puls\u00e3o, tendemos a nos posicionar no lugar de agente da castra\u00e7\u00e3o. De fato, creio que experimentamos essa tens\u00e3o todos os dias com cada analisante, o que confere, efetivamente, toda a relev\u00e2ncia \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o do <em>n\u00e3o-todo<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como um modo de orientar a pol\u00edtica do sintoma, a pergunta que a gente pode fazer-se \u00e9: como orientar essa constru\u00e7\u00e3o do sintoma a partir de um regime propriamente anal\u00edtico e n\u00e3o de uma reprodu\u00e7\u00e3o do &#8220;regime pai-agente de castra\u00e7\u00e3o&#8221;? A vinheta que ser\u00e1 apresentada por Mariano Peir\u00f3, possivelmente nos permitir\u00e1 conversar sobre isso, mas de antem\u00e3o podemos afirmar: na posi\u00e7\u00e3o interpretativa, n\u00e3o \u00e9 o mesmo estar atento \u00e0 escuta e, deste lugar, propor o veto \u00e0 fic\u00e7\u00e3o defensiva todista; outra coisa \u00e9 situar-se no n\u00e3o e na proibi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Continuidade l\u00f3gica entre a \u201cgreta de gozo&#8221; e o <em>n\u00e3o-todo<\/em><\/strong>: Tomo outra intui\u00e7\u00e3o primeira de uma indica\u00e7\u00e3o de Miller<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>, em <em>Un esfuerzo de poes\u00eda<\/em>, no \u00faltimo cap\u00edtulo, no t\u00f3pico intitulado \u201cA era p\u00f3s-paterna\u201d<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>. Segundo ele, desde <em>O Semin\u00e1rio 17,<\/em> Lacan vem formulando desvencilhar-se do lastro do pai e a proibi\u00e7\u00e3o, para orientar o lugar do analista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir da\u00ed, o que entranha uma regula\u00e7\u00e3o \u00e9 o pr\u00f3prio funcionamento discursivo do gozo. H\u00e1 uma greta por onde se perde gozo, que Lacan nomeia de mingua ou entropia, que est\u00e1 no pr\u00f3prio funcionamento. A tramita\u00e7\u00e3o do gozo pela cadeia significante tem um efeito de repeti\u00e7\u00e3o e furo, entranha uma perda progressiva ao funcionar, e n\u00e3o necessita de um pai que pro\u00edba. Contudo, no \u00faltimo ensino isso se desloca para o furo do ser falante, ou seja, a aus\u00eancia de rela\u00e7\u00e3o sexual. H\u00e1, portanto, um fio condutor entre a perda de gozo promovido pelo funcionamento do discurso e a perda pelo furo da rela\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O elo l\u00f3gico seguinte \u00e9 que esse furo implica a n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o entre o gozo f\u00e1lico e o Outro gozo, se existisse. Esse \u00e9 outro hiato para o gozo f\u00e1lico. Assim, a genealogia freudiana de Deus se desloca do pai \u00e0 mulher. Assim, <em>No despertar da primavera<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><strong>[8]<\/strong><\/a><\/em>, a no\u00e7\u00e3o pai nada mais \u00e9 do que um nome poss\u00edvel da Deusa Branca que permanece outra em seu gozo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De fato, \u00e9 interessante tomarmos essa linha para indagar o advento da categoria <em>n\u00e3o-todo<\/em>: a partir do que chama entropia de gozo, no <em>Semin\u00e1rio 17<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\"><strong>[9]<\/strong><\/a>,<\/em> para nomear um modo de tramita\u00e7\u00e3o de gozo, sem o pai que pro\u00edbe. O <em>n\u00e3o-todo <\/em>vinculado \u00e0 Deusa Branca e ao despertar a outro gozo. Logo, situamos por diversos vieses, um tratamento do gozo f\u00e1lico parasit\u00e1rio mais ligado ao despertar do sonho todista e a certo enodamento de Outro gozo ao funcionamento do sintoma, que \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O <em>N\u00c3O-TODO<\/em> COMO OPERADOR DEVE SE LIGAR AO INFINITO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No complemento do cap\u00edtulo 8 do <em>Semin\u00e1rio 20<\/em>, encontramos algumas p\u00e1ginas preciosas para interrogar o <em>n\u00e3o-todo<\/em> e alcan\u00e7ar todo o seu potencial como operador cl\u00ednico, com uma \u00eanfase crucial: somente adquire essa relev\u00e2ncia associado ao infinito. Leio para voc\u00eas um par\u00e1grafo que est\u00e1 nas p\u00e1ginas 139-140, no qual Lacan aborda algo que trabalharam na \u00faltima noite, isto \u00e9, a diferen\u00e7a entre o <em>n\u00e3o-todo<\/em> e a exce\u00e7\u00e3o. Nele, ressalta que esse <em>n\u00e3o-todo<\/em> se torna equivalente \u00e0 exce\u00e7\u00e3o apenas quando se trata de um mundo finito, s\u00f3 que podemos nos deparar com o contr\u00e1rio, com o infinito. \u201cQuando digo que <em>a <\/em>mulher \u00e9 <em>n\u00e3o-toda<\/em> e que \u00e9 por isso que n\u00e3o posso dizer <em>A<\/em><em> mulher<\/em>, \u00e9 precisamente porque ponho em quest\u00e3o um gozo que, em vista de tudo o que serve na fun\u00e7\u00e3o f\u00e1lica (\u03a6x), \u00e9 da ordem do infinito&#8221;<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fa\u00e7o um coment\u00e1rio passo a passo deste par\u00e1grafo: primeiro, na l\u00f3gica aristot\u00e9lica cl\u00e1ssica, o <em>n\u00e3o-todo<\/em> equivale \u00e0 exce\u00e7\u00e3o. Em ambos casos se objeta o universal todo. Lacan faz uma dupla discuss\u00e3o nesses par\u00e1grafos, e sempre por raz\u00f5es cl\u00ednicas, com elementos da l\u00f3gica mais moderna na qual a exce\u00e7\u00e3o n\u00e3o contradiz, mas sustenta o todo. Um segundo passo \u00e9 a equival\u00eancia entre a exce\u00e7\u00e3o e o <em>n\u00e3o-todo,<\/em> que \u00e9 somente no mundo aristot\u00e9lico da esfera fechada e do conjunto finito, mas lidamos com outra coisa se introduzimos o infinito. Ent\u00e3o, conclu\u00edmos que Lacan est\u00e1 falando de um <em>n\u00e3o-todo<\/em> ligado ao conjunto do infinito. A\u00ed, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais o regime f\u00e1lico do tratamento exce\u00e7\u00e3o-todo. O <em>n\u00e3o-todo<\/em> ligado ao infinito p\u00f5e em quest\u00e3o um gozo que se inscreve na fun\u00e7\u00e3o f\u00e1lica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu gosto desse par\u00e1grafo pela forma como destaca a defini\u00e7\u00e3o <em>n\u00e3o-todo<\/em> de um modo muito operativo, coloca em quest\u00e3o o gozo que se inscreve na fun\u00e7\u00e3o f\u00e1lica, e diante disso postula, no final do cap\u00edtulo, que esse <em>n\u00e3o-todo<\/em> ligado ao infinito tem como consequ\u00eancia uma exist\u00eancia indeterminada. Algo como, se dissermos que n\u00e3o todos os patos s\u00e3o brancos e nos pedirem para situar os patos, a resposta do <em>n\u00e3o-todo<\/em>, dessa l\u00f3gica do <em>n\u00e3o-todo<\/em>, seria: bem, n\u00e3o sei, estar\u00e1 por a\u00ed, andar\u00e1 por a\u00ed, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio precisar sua exist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, este cap\u00edtulo termina com Lacan dizendo, nos par\u00e1grafos finais, que essa exist\u00eancia indeterminada, \u00e9 realmente muito mais pr\u00f3xima ao que fazemos na cl\u00ednica, que n\u00e3o \u00e9 anal\u00edtica, a menos que incite a um dizer com valor de verdade. O analisante deve experimentar um certo \u201ctoque de verdade\u201d no que diz, mas \u00e9 sempre uma meia verdade, meio dita, n\u00e3o fechada. Assim, termina este cap\u00edtulo: fazendo a experi\u00eancia anal\u00edtica convergir muito mais ao <em>n\u00e3o-todo<\/em>, \u00e0 indetermina\u00e7\u00e3o, ao que n\u00e3o fecha, \u00e0 verdade meio-dita e \u00e0 mulher, do que \u00e0 aspira\u00e7\u00e3o de produzir uma f\u00f3rmula algor\u00edtmica do analisante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para terminar essa quest\u00e3o e passar ao ponto final, quero ressaltar que vou \u201cmal dizer\u201d um pouco: \u201cintroduzam um pouco o infinito\u201d, \u00e9 a orienta\u00e7\u00e3o cl\u00ednica que emerge desses argumentos. Em todo caso, se quiser que a experi\u00eancia cl\u00ednica n\u00e3o tome a inclina\u00e7\u00e3o de uma aspira\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica aristot\u00e9lica, que ela n\u00e3o se torne uma pergunta aristot\u00e9lica que se enderece ao ser, se quiserem evitar a tend\u00eancia a se asfixiar numa bolha fechada e totalista do ser, introduzam um pouco de infinito&#8230; nos diz Lacan, nestes par\u00e1grafos. Depois, se quiserem, se Christian assim o desejar, posso fazer alguma diferencia\u00e7\u00e3o entre o infinito atual e potencial, a partir de um texto de Deleuze.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>VENTILA\u00c7\u00c3O AFETIVA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para finalizar, neste quarto ponto vou propor a f\u00f3rmula de ventila\u00e7\u00e3o afetiva que adv\u00e9m da minha dedica\u00e7\u00e3o deste ano ao Enapol, ao tema do amor, mais especificamente ao amor de transfer\u00eancia, e, assim, tentar aplicar esse quantor <em>n\u00e3o-todo<\/em> ao amor, como fundamento do inconsciente. O que o torna muito mais humilde do que qualquer ideia de inconsciente enquanto uma grande estrutura subjacente a desvelar. Logo, a rela\u00e7\u00e3o de transfer\u00eancia \u00e9 de afeto e, como tal, n\u00e3o pode ficar achatada somente \u00e0 redu\u00e7\u00e3o a uma f\u00f3rmula m\u00ednima do sujeito, nem a amar o outro por seu prest\u00edgio, nem como agente da castra\u00e7\u00e3o. Ao contr\u00e1rio, esse amor \u00e9 a primeira coisa que Freud captou como o que emerge na transfer\u00eancia, nesse encontro entre os corpos. Nesse sentido, indagamos a orienta\u00e7\u00e3o <em>n\u00e3o-todo<\/em>, n\u00e3o apenas em rela\u00e7\u00e3o ao amor, mas como um modo de repercuss\u00e3o sobre o corpo. Para isso, vou propor-lhes tr\u00eas pontua\u00e7\u00f5es finais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na \u00faltima aula do <em>Semin\u00e1rio 21<\/em>, a aula 15 em 11 de junho de 1974, Lacan<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a> define o \u201cn\u00e3o todismo\u201d, com o seguinte coment\u00e1rio: \u00e0 mulher \u201clhe fica um peda\u00e7o de seu gozo corporal\u201d. Aqui, o afeto <em>n\u00e3o-todo<\/em> no corpo&#8230; [continua alguns par\u00e1grafos adiante], &#8220;[&#8230;]uma mulher conserva um pouco mais de ventila\u00e7\u00e3o em seus gozos. Ela est\u00e1 menos furada do que essa rela\u00e7\u00e3o com o inconsciente que o homem tem&#8221;. Nessa mesma aula, ele havia definido a rela\u00e7\u00e3o do homem com o inconsciente como feita de um saber desarm\u00f4nico, parasit\u00e1rio, irritante, que estende suas ra\u00edzes para longe do corpo. Esta \u00faltima aula culmina com a conhecida explica\u00e7\u00e3o de que &#8220;quem n\u00e3o est\u00e1 enamorado do seu inconsciente erra\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse momento, chegamos a essa defini\u00e7\u00e3o do amor ao inconsciente, ou seja, se enamorar por um inconsciente menos furado. Isso ventila o parasitismo f\u00e1lico, \u00e9 um modo de dizer, a experi\u00eancia do inconsciente n\u00e3o \u00e9 apenas o tom pur\u00edssimo de revelar uma verdade, ela est\u00e1 acompanhada de afetos. Ora, sabemos de afetos muito angustiantes, mas tamb\u00e9m de gozo, ou regozijo, quando conseguem ventilar um pouco o todo f\u00e1lico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No <em>Semin\u00e1rio 24<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\"><strong>[12]<\/strong><\/a><\/em>, destaco dois pontos muito breves, uma \u00e9 da aula <em>Palavras sobre a histeria, <\/em>de 15 de fevereiro de 1977, onde Lacan traz outra defini\u00e7\u00e3o bem humilde da pr\u00e1tica &#8220;a quest\u00e3o \u00e9 saber se, sim ou n\u00e3o, o afeto se ventila com palavras, se algo sopra com essas palavras, que torna o afeto inofensivo, ou seja, que n\u00e3o gera sintomas\u201d<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a>. Ent\u00e3o, observem que quando se afasta um pouco das pretens\u00f5es de equiparar a pr\u00e1tica anal\u00edtica \u00e0 ci\u00eancia, a defini\u00e7\u00e3o singela e humilde que fica. A pr\u00e1tica consiste em ventilar o afeto com palavras para que n\u00e3o gere sintomas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais adiante, nesta mesma aula, ele afirma: &#8220;o que nossa pr\u00e1tica revela \u00e9 que o saber inconsciente tem uma rela\u00e7\u00e3o com o amor&#8221;<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a>. Portanto, nossa pr\u00e1tica n\u00e3o revela nenhum grande tesouro reprimido, apenas revela uma rela\u00e7\u00e3o de amor com o saber inconsciente. Assim, ventilar o afeto das palavras, \u00e9 o que, ao inv\u00e9s das palavras gerarem sintomas, como uma pura maquinaria de substitui\u00e7\u00e3o pulsional, as palavras se orientem a uma rela\u00e7\u00e3o de amor ao saber inconsciente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Finalmente, na pen\u00faltima aula desse Semin\u00e1rio, em 10 de maio de 1977, intitulada \u201cO imposs\u00edvel de aprender\u201d<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a>, Lacan avan\u00e7a mais um passo para explicitar essa rela\u00e7\u00e3o de amor ao saber inconsciente. Ali, ele retoma exaustivamente o que trabalhou no <em>Semin\u00e1rio 20<\/em> acerca do inconsciente como enxame de uns. Um deserto, como \u201cum pacote de uns\u201d que n\u00e3o se dirigem ao Outro, mas afetam o corpo. Como deles se engendra um saber? Essa \u00e9 a pergunta que Lacan est\u00e1 se fazendo nessa aula. Como, de um pacote de uns que afetam o corpo, como se engendra um saber, diz ali. Ent\u00e3o, vem a frase equ\u00edvoca que d\u00e1 t\u00edtulo ao Semin\u00e1rio \u201cO n\u00e3o sabido que sabe \u00e9 o amor\u201d. Assim, o amor aparece definido como o que arma uma liga\u00e7\u00e3o de saber, disso que s\u00e3o uns sozinhos, n\u00e3o \u00e9 o amor dirigido ao Outro, como aqui o enfatizou. O amor \u00e9 como uma fa\u00edsca que acende uma liga\u00e7\u00e3o de saber a partir dos uns s\u00f3s. Isso produz um \u201csentimento do Um\u201d, diz Lacan ali, onde h\u00e1 pura multiplicidade e enxame. Marie-H\u00e9l\u00e8ne Brousse comenta isso &#8220;como uma energia do corpo, sem localiza\u00e7\u00e3o, que capta o ser falante como um em sua exist\u00eancia global&#8221;<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqui, a pr\u00e1tica da psican\u00e1lise n\u00e3o situa o amor, nem como amor ao Outro que sabe, nem por amar ao agente da castra\u00e7\u00e3o, nem como um agregado ou algo mais estrutural que o amor. O pr\u00f3prio inconsciente como saber equivale ao amor, o que tamb\u00e9m pode ser designado como ventila\u00e7\u00e3o, \u201c\u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o n\u00e3o todista, porque n\u00e3o tem como pano de fundo um saber todo inscrito previamente em algum Outro e porque repercute como gozo no corpo, o gozo ou entusiasmo de se inventar algo, ao mesmo tempo que se veta algum universal\u201d<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, para finalizar, o esfor\u00e7o de pensar a psican\u00e1lise na era do decl\u00ednio do semblante paterno, ou conforme Miller chama \u00e9poca do &#8220;Um-dividualismo Moderno&#8221; (neologismo na contracapa do <em>Semin\u00e1rio 19<\/em>), implica tamb\u00e9m deixar-se levar por este esfor\u00e7o de Lacan em aproximar a pr\u00e1xis a um inconsciente que n\u00e3o \u00e9 uma estrutura pr\u00e9via, inscrita, de linguagem, nem estruturada pelo \u00c9dipo. Mas que o inconsciente \u00e9 o amor de inventar-se algo com o analista, o amor como gozo dessa inven\u00e7\u00e3o, a partir dos traumas da l\u00edngua. Uma inven\u00e7\u00e3o n\u00e3o todista, mais ventilada para viver e se enla\u00e7ar ao Outro, de um modo um pouco mais satisfat\u00f3rio.<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">Traduzido por: <em>Al\u00e9ssia Fontenelle<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">Revisado por: <em>Marcela Antelo<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">Texto inicialmente apresentado em Terceira Noite do Diret\u00f3rio da EOl (Argentina): &#8220;O <em>N\u00e3o-Todo<\/em> em Psican\u00e1lise. Consequ\u00eancias cl\u00ednicas e pol\u00edticas&#8221;. Parte III: &#8220;O <em>N\u00e3o-Todo<\/em> no \u00faltimo ensinamento de Lacan&#8221;, 22 de outubro de 2021.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">Agradecemos ao autor pela sua am\u00e1vel autoriza\u00e7\u00e3o.<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Lacan, J. O saber e a verdade. In: Lacan, J. (1972-1973). <em>O Semin\u00e1rio, livro 20: Mais ainda<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar ed., 1985.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Miller, J.-A.\u00a0<em>El partenaire-sintoma.\u00a0<\/em>Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2008.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Lacan, J. (1972-1973). <em>O Semin\u00e1rio, livro 20: Mais ainda<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar ed., 1985.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Miller, J.-A. <em>De la naturaleza de los semblantes<\/em>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2002.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Idem.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Miller, J.-A. \u00a0<em>Un esfuerzo de poesia<\/em>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2016.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Miller, J.-A. Del padre a la mujer. In: Miller, J.-A. <em>Un esfuerzo de poesia <\/em>Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2016, p. 289-291.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Lacan, J. (1974).\u00a0Pref\u00e1cio a O despertar da primavera. In: Outros Escritos. Rio de Janeiro, Zahar ed,. 2003.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Lacan, J<em>.<\/em>\u00a0(1969-1970). <em>O Semin\u00e1rio, livro 17: o avesso da psican\u00e1lise. <\/em>Rio de Janeiro: Zahar, 1992.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> Lacan, J. (1972-1973). <em>O Semin\u00e1rio, livro 20: Mais ainda<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar ed., 1985, p. 140.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Lacan, J. (1973-74),\u00a0<em>Le<\/em>\u00a0<em>S\u00e9minaire<\/em>\u00a0<em>XXI,<\/em>\u00a0<em>les<\/em>\u00a0<em>non-dupes<\/em>\u00a0<em>errent<\/em>, Li\u00e7\u00e3o de 11\/6\/74, In\u00e9dito.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> Lacan, J. (1976-77).\u00a0<em>Le <\/em>Seminaire XXIV: L\u2019insu que sait de l\u2019une-v\u00e9vue s\u2019aille \u00e0 mourre. In\u00e9dito.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> Lacan, J. (1976-77).\u00a0<em>Le <\/em>Seminaire XXIV: L\u2019insu que sait de l\u2019une-v\u00e9vue s\u2019aille \u00e0 mourre. Li\u00e7\u00e3o de 15\/2\/77, In\u00e9dito.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> Idem.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> Lacan, J. (1976-77).\u00a0<em>Le <\/em>Seminaire XXIV: L\u2019insu que sait de l\u2019une-v\u00e9vue s\u2019aille \u00e0 mourre. Li\u00e7\u00e3o de 10\/5\/77, In\u00e9dito.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a>\u00a0 Brousse, Marie-H\u00e9l\u00e8ne. <em>Lo feminino<\/em>. Buenos Aires: Tres Haches, 2020, p. 236.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> Lacan, J. (1976-77).\u00a0<em>Le <\/em>Seminaire XXIV: L\u2019insu que sait de l\u2019une-v\u00e9vue s\u2019aille \u00e0 mourre. Li\u00e7\u00e3o de 10\/5\/77, In\u00e9dito.<\/h6>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/6&#8243;]<div class=\"norebro-icon-box-sc icon-box text-center\" \n\tid=\"norebro-custom-6a0f798250ee0\" \n\t \n\t>\n\n\t<div class=\"icon-wrap\">\n\t\t\t\t\t<span class=\"linea-basic-sheet-pen\"><\/span>\n\t\t\t<\/div>\n\n\t<div class=\"content-wrap\">\n\n\t\t<div class=\"content-center with-full\">\n\t\t\t<div class=\"wrap\">\n\t\t\t\t<h3>DOWNLOAD PDF<\/h3>\n\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\n\t\t<p class=\"description content-full\">\n\t\t\t\t\t<\/p>\n\n\t\t\t\t\t<a class=\"btn\" href=\"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Ventilacao-analitica-e-o-Nao-todo-Gabriel-Racki.pdf\"\n\t\t\t>\n\t\t\t\tRead more\t\t\t\t\t\t\t<\/a>\n\t\t\n\t\t\n<\/div>[\/vc_column][\/vc_row]\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;5\/6&#8243;][vc_column_text] Gabriel Racki &#8211; Psicanalista, membro da EOL e da Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Psicanalise Boa noite, \u00e9 com enorme prazer que agrade\u00e7o a Jos\u00e9 Lachevsky e a toda a Diretoria da Se\u00e7\u00e3o La Plata&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[144],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/510552"}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=510552"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/510552\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":510676,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/510552\/revisions\/510676"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=510552"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=510552"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=510552"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}