{"id":510543,"date":"2022-09-28T09:27:31","date_gmt":"2022-09-28T12:27:31","guid":{"rendered":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/?p=510543"},"modified":"2022-10-04T11:02:44","modified_gmt":"2022-10-04T14:02:44","slug":"cartel-o-minotauro-e-a-mulher-que-chora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/cartel-o-minotauro-e-a-mulher-que-chora\/","title":{"rendered":"CARTEL \u201cO MINOTAURO E A MULHER QUE CHORA\u201d &#8211; (PICASSO e DORA MAAR)"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-510545 size-full\" src=\"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/erosditos004_007.jpg\" alt=\"\" width=\"512\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/erosditos004_007.jpg 512w, https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/erosditos004_007-300x300.jpg 300w, https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/erosditos004_007-150x150.jpg 150w, https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/erosditos004_007-200x200.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EBP-BA, NOITE DA BIBLIOTECA<\/strong> &#8211; <strong>14\/09\/2022<\/strong><\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong>Mais um<\/strong>: <strong>Lucy de Castro<\/strong> \u2013 <strong>Membro da EBP\/AMP: <\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta Noite da Biblioteca, em que <strong>Cart\u00e9is conversam<\/strong> em torno de <strong>duas obras<\/strong> publicadas no Campo Freudiano \u2013 <em>O que do encontro se escreve<\/em>: estudos lacanianos<em>, <\/em>de <strong>Pierre Naveau<\/strong>, e <em>Parejas c\u00e9lebres<\/em>: lazos inconscientes<em>, <\/em>de <strong>Dalila Arpin<\/strong> \u2013, coube-nos, enquanto Cartel, apresentar <strong><em>PICASSO Y DORA MAAR &#8211; El Minotauro y la mujer que llora<\/em><\/strong>, de <strong>Dalila Arpin<\/strong>, articulando-o ao <strong>cap\u00edtulo XII<\/strong>, \u201cO encontro &#8211; do imposs\u00edvel ao contingente\u201d, do livro de Pierre Naveau.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 demais ressaltar que o Cartel \u2013 <strong>dispositivo fundamental da Escola de Lacan <\/strong>\u2013 <strong>faz dessa Escola um corpo vivo<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi esse sentimento que tocou os cartelizantes, em n\u00famero de quatro, \u201ca justa medida\u201d, ao responderem <strong>SIM<\/strong> ao convite de Lu\u00eds Felipe Monteiro, Diretor de Biblioteca da EBP-Ba, para apresentarem suas produ\u00e7\u00f5es nesta <strong>Noite da Biblioteca<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m, com entusiasmo, disse <strong>SIM<\/strong> ao convite de Lu\u00eds Felipe para ocupar a fun\u00e7\u00e3o de <strong><em>Mais um<\/em><\/strong> no Cartel, <strong>ao qual me integrei c\u00f4nscia de que n\u00e3o ocuparia ali o lugar de mestre<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o me foi dif\u00edcil exercer a fun\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de <strong>zelar pelo andamento do cartel, favorecer a elabora\u00e7\u00e3o coletiva e ao mesmo tempo manter viva<\/strong> e destacada a quest\u00e3o de cada um, <strong>junto aos cartelizantes<\/strong> <strong><em>Fernanda Pigeard,\u00a0 Rafael Chaves<\/em><\/strong>,\u00a0 <strong><em>Luciano Matos e Camila Abreu, <\/em>todos Associados do INSTITUTO DE PSICAN\u00c1LISE DA BAHIA (IPB).<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tenho a dizer sobre esse Cartel que conseguimos trabalhar de forma articulada. Todos os cartelizantes participaram ativamente e desejaram produzir. Vamos ouvi-los:<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">1) <strong>PICASSO e DORA MAAR &#8211; <\/strong><strong>O ENCONTRO<\/strong><\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong>Fernanda Pigeard<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 certo que as mulheres de Picasso estiveram a servi\u00e7o da sua busca art\u00edstica. Dentre elas, Dora Maar foi a mais desconhecida e tamb\u00e9m a mais enigm\u00e1tica. Um estranho amor \u2013 e qual amor n\u00e3o o \u00e9? \u2013 cujo <strong>primeiro encontro<\/strong> acontece fortuitamente em um caf\u00e9 na Fran\u00e7a. Naquele <strong>instante<\/strong>, o olhar de Picasso \u2013 tal como no verso de Caetano Veloso \u2013 \u00e9 arrastado como um \u00edm\u00e3 pela imagem daquela bela mulher. Al\u00e9m de cabelos negros como \u00e9bano e vestida de preto, ela adentra o recinto com express\u00e3o inabal\u00e1vel e oferece algo mais&#8230; Picasso \u00e9 tomado por essa vis\u00e3o! Ele <strong>sustenta seu olhar<\/strong> quando, ent\u00e3o, ela apoia a m\u00e3o esquerda em cima da mesa, apanha um canivete e com os olhos fechados vai fincando a l\u00e2mina entre um dedo e outro, de forma sequenciada, em um estranho ritual, de tal maneira que acaba se ferindo e deixando rastros de sangue. A cena fascina Picasso, que, ent\u00e3o, pergunta seu nome e pede sua luva ensanguentada para guard\u00e1-la em seu arm\u00e1rio de tesouros, momento em que Dora lhe diz: \u201cToma minha m\u00e3o, eu me entrego\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por tr\u00e1s da mulher do canivete, estava a mulher torturada, ferida, que se oferece ao olhar do Outro. O gozo se presentifica; a satisfa\u00e7\u00e3o para mais al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer vinculado ao olhar e as feridas est\u00e3o l\u00e1. De um lado, seu pai que a convidava a olhar para fora; de outro, sua posi\u00e7\u00e3o de objeto do olhar de sua m\u00e3e que lhe aprisionava. Luz e sombra, t\u00e3o marcadamente presentes em seu trabalho como fot\u00f3grafa que era.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Picasso, por sua vez, imediatamente se apodera do convite e do instrumento da cena do sacrif\u00edcio. Apodera-se da luva com sangue. Pega o objeto e toma a mulher. A luva \u00e9 seu condensador de satisfa\u00e7\u00e3o, o significante que a representa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E naquele mesmo dia de outubro de 1935, Dora se oferece em sacrif\u00edcio a Picasso, que aceita \u2013 sem titubear \u2013 assumir o lugar do seu mais \u00edntimo algoz. Sim, naquele breve <strong>instante<\/strong> do <strong>encontro<\/strong> entre Picasso e Dora, o enlace inequ\u00edvoco de uma <strong>pervers\u00e3o<\/strong> com um <strong>enigma<\/strong> se deu. E \u00e9 nessa mesma cena paradigm\u00e1tica que <strong>j\u00e1 se fazem presentes os elementos constitutivos daquela rela\u00e7\u00e3o<\/strong>: o mesmo que os atrai ser\u00e1 o mesmo que os separa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Dora, Picasso \u00e9 o protagonista da sua mais bela hist\u00f3ria de amor \u2013 talvez a \u00fanica. Para Picasso, Dora ocupa o lugar de um ser dominado, de um mero animal de companhia, a quem ele direciona desprezo, tal como fazia com seu pai, figura diminu\u00edda pelo tio materno e com quem Picasso mantinha um perp\u00e9tuo duelo. Dora \u00e9, para o artista, seu pai? Ser\u00e1 por isso que Picasso se esfor\u00e7ava em torcer, deformar e deslocar o corpo das mulheres? Que mist\u00e9rio se oculta detr\u00e1s da figura da mulher para provocar assim seu g\u00eanio destruidor?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Picasso ocupa o lugar do torturador capaz de causar a dor que \u00e9 esperada por Dora, e o choro parece ser a linguagem poss\u00edvel na tentativa de um entendimento imposs\u00edvel entre eles: a que chora e o que faz chorar. Ela, a prisioneira que entrega as chaves da pris\u00e3o que quer ser encarcerada; ele, o carcereiro assumido que recebe as chaves com todo prazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A entrega consentida de Dora, aparentemente sem sentido, parece fazer resson\u00e2ncia com o belo soneto de Florbela Espanca (poeta portuguesa) intitulado \u201cFanatismo\u201d:<\/p>\n<blockquote><p>Minh&#8217;alma, de sonhar-te, anda perdida.<br \/>\nMeus olhos andam cegos de te ver.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9s sequer raz\u00e3o do meu viver<br \/>\nPois que tu \u00e9s j\u00e1 toda a minha vida!<\/p>\n<p>N\u00e3o vejo nada assim enlouquecida&#8230;<br \/>\nPasso no mundo, meu Amor, a ler<br \/>\nNo mist&#8217;rioso livro do teu ser<br \/>\nA mesma hist\u00f3ria tantas vezes lida!&#8230;<\/p>\n<p>&#8220;Tudo no mundo \u00e9 fr\u00e1gil, tudo passa&#8230;<br \/>\nQuando me dizem isto, toda a gra\u00e7a<br \/>\nDuma boca divina fala em mim!\u201d<\/p>\n<p>E, olhos postos em ti, digo de rastros:<br \/>\n&#8220;Ah! podem voar mundos, morrer astros,<br \/>\nQue tu \u00e9s como Deus: princ\u00edpio e fim!&#8230;&#8221;<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, assim como uma pe\u00e7a da complexa engrenagem do gozo obscuro de Picasso, Dora \u00e9 trocada por uma nova mulher. Em suas palavras, Dora, a mulher que chora, declara: \u201cn\u00e3o fui sua amante, Picasso foi meu amo\u201d e mais ainda: \u201cdepois dele, s\u00f3 Deus\u201d.<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">Refer\u00eancias<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">NAVEAU, Pierre. Encontro: do imposs\u00edvel ao contingente. In: NAVEAU, Pierre. <em>O que do encontro se escreve<\/em>. Belo Horizonte: EBP, 2017.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">ARPIN, Dalila. Picasso y Dora Maar &#8211; El Minotauro y la mujer que llora. In: ARPIN, Dalila. <em>Parejas c\u00e9lebres<\/em>: lazos inconscientes. Buenos Aires: Grama, 2018.<\/h6>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">2) <strong>NOS RASTROS DO IMPOSS\u00cdVEL AO CONTINGENTE<\/strong><\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong>Rafael Chaves de Barros<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/strong><\/h6>\n<blockquote><p>Uma vez sentada \u00e0 mesa, com os olhos fechados, coloca o canivete entre os dedos. Quando ela levanta a m\u00e3o, sobre a mesa, h\u00e1 vest\u00edgios de sangue. Fascinado por essa cena, Picasso pergunta pelo seu nome e pede a luva ensanguentada. Essa luva \u00e9 tanto um condensador de satisfa\u00e7\u00e3o quanto significante que a representa para o outro. Segundo a lenda, Dora teria dito: \u201cpegue minha m\u00e3o, eu me dou\u201d. Picasso aceita imediatamente o convite. Essa cena \u00e9 paradigm\u00e1tica, uma verdadeira montagem fantasm\u00e1tica. De um lado Dora, que se oferece ao olhar do Outro como mulher ferida, oferecendo-se quase que em sacrif\u00edcio a Picasso.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta passagem, traduzida livremente, nos apresenta os rastros do imposs\u00edvel ao contingente entre Picasso e Dora Maar. Cada um no seu ex\u00edlio, ambos demarcam dois lugares diferentes nesta parceria: do lado do homem, o gozo \u00e9 perverso, dirigindo-se \u00e0 mulher enquanto reduzida ao objeto <em>a<\/em>. J\u00e1 do lado da mulher, o gozo do seu corpo \u00e9 enigm\u00e1tico, nada se sabe sobre ele. Ambos os polos trazem suas respectivas idiossincrasias e apontam para uma inadequa\u00e7\u00e3o: \u201c[\u2026] o homem n\u00e3o sabe o que \u00e9 uma mulher para ele; uma mulher n\u00e3o sabe sobre aquilo que goza [\u2026]\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. Dito de outra maneira, a marca da impossibilidade reside na inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual, escrita sobre a qual nada podemos dizer, pois ela \u201cn\u00e3o cessa de n\u00e3o se escrever\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que podemos pensar desse desencontro sexual? A aposta \u00e9 que dele, algo se articule; tal como os rios Negro e Solim\u00f5es, que, desencontrados, se encontram nas curvas e d\u00e3o lugar a um outro rio, o Amazonas. Algo \u00e9 escrito, mas as \u00e1guas que se entremeiam entre esses rios nunca s\u00e3o as mesmas. Isso nos leva a pensar que s\u00e3o nas curvas da vida (ou esquinas da vida) que o encontro amoroso tamb\u00e9m acontece. No momento do encontro, a conting\u00eancia \u00e9 posta em jogo: algo que se articula e se produz inconscientemente nessa rela\u00e7\u00e3o entre sujeitos, atrav\u00e9s das pistas simb\u00f3licas da hist\u00f3ria de cada um, possibilita a escrita de algo. Um saber emerge e, dessa maneira, \u201ccessa de n\u00e3o se escrever\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, a partir do momento em que o sujeito transforma aquilo que foi da ordem contingente em algo que busque preencher sua falta inerente, passando ao \u201cn\u00e3o cessa de se escrever\u201d, o sujeito submerge na ilus\u00e3o e torna o que era do encontro em necess\u00e1rio. Nesse sentido, engancha-se na cren\u00e7a de que a partir dos dois obt\u00e9m-se UM (a cara metade), a completude. Portanto, situamo-nos no n\u00edvel do sentido, do imagin\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 dif\u00edcil falar de UM sentido para o amor. Lacan, no Semin\u00e1rio 1, segundo sua indica\u00e7\u00e3o, ao trabalhar as tr\u00eas paix\u00f5es fundamentais \u2013 o amor, o \u00f3dio e a ignor\u00e2ncia \u2013 e sua articula\u00e7\u00e3o com os tr\u00eas registros, localiza o amor entre o simb\u00f3lico e o imagin\u00e1rio<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>. O que n\u00e3o quer dizer que ele seja signat\u00e1rio de um ou de outro; ele est\u00e1 na jun\u00e7\u00e3o de ambos. Logo, subentende-se o amor enquanto for\u00e7a motriz, esteja na ordem de uma produ\u00e7\u00e3o de saber, possibilitando algum enodamento. O amor convoca sempre a um novo encontro e um saber fazer diante dele. Sen\u00e3o, segundo Barros<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>, quando cita Lacan no Semin\u00e1rio <em>Mais, ainda<\/em>: \u201co drama do amor acaba se tornando o mesmo drama do neur\u00f3tico, porque quer fazer do encontro um costume\u201d. Logo, acaba perdendo a dimens\u00e3o do \u201c[\u2026] que n\u00e3o seja imortal, posto que \u00e9 chama \/ mas que seja infinito enquanto dure\u201d<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">3) <strong>LA\u00c7OS DO INCONSCIENTE<\/strong><\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong>Luciano Matos<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a><\/strong><\/h6>\n<blockquote><p>O terceiro me chegou (encontro?), como quem chega do nada. (do imposs\u00edvel da rela\u00e7\u00e3o sexual?) Ele n\u00e3o me trouxe nada. (\u00e9rast\u00e8s ou \u00e9r\u00f4m\u00e9nos?) Tamb\u00e9m nada perguntou. (Che vuoi?) Mal sei como ele se chama, mas entendo o que ele quer. (Outro?) Se deitou na minha cama, e me chama de mulher. (objeto pequeno a?) Foi chegando sorrateiro e antes que eu dissesse n\u00e3o. (ein einziger Zug?) Se instalou feito um posseiro, dentro do meu cora\u00e7\u00e3o. (conting\u00eancia, amor?)<\/p>\n<p><em>Terezinha<\/em>, Chico Buarque de Hollanda<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quem Tereza deu a m\u00e3o? A quem Dora Maar deu a m\u00e3o ensanguentada? Por que Dora permanece enamorada at\u00e9 o final de seus dias deste homem que a maltrata, ao ponto de exclamar que <em>depois de Picasso, somente Deus<\/em>? \u00c9 uma mulher moderna, sexualmente emancipada, que chora, solit\u00e1ria, de car\u00e1ter forte, propensa a tempestades, teimosa, apresenta mudan\u00e7as de humor, tra\u00e7os de orgulho e alta autoestima. Tem paix\u00e3o pelas touradas e atra\u00e7\u00e3o pela morte. Dentre as mulheres de Picasso, foi a \u00fanica que fez uma carreira art\u00edstica<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\"><sup>[10]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que faz a liga\u00e7\u00e3o entre Pablo Picasso e Dora Maar? O olhar de Picasso cai sobre ela. Ele a pinta como modelo, v\u00ea seu talento e menospreza sua arte. Uma arte menor. Utilit\u00e1ria&#8230; ela \u00e9 que \u00e9 \u00fatil&#8230; a arte dela, n\u00e3o. Pablo e Dora se amam como homem e mulher respectivamente. Para o homem, fetichista, a mulher vem a ocupar o lugar do objeto do desejo, mas especialmente de seu gozo. Enquanto a mulher, desprovida do falo, \u00e9 com todo seu ser que aspira ser amada. O amor do lado mulher \u00e9 erot\u00f4mano, posto que somente pode vir do Outro. Dora se oferece assim ao amor desse homem e, crendo se entregar a seu amor, se encontra presa de seu gozo.<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\"><sup>[11]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan, no cap\u00edtulo XI do Semin\u00e1rio 20, diz que o discurso psicanal\u00edtico revelou de importante que \u201co saber, que estrutura por uma coabita\u00e7\u00e3o espec\u00edfica o ser que fala, tem a maior rela\u00e7\u00e3o com o amor\u201d. E usa, ent\u00e3o, a express\u00e3o \u201ctodo amor\u201d e acrescenta que ele \u201cse baseia numa certa rela\u00e7\u00e3o entre dois saberes inconscientes\u201d. A base da argumenta\u00e7\u00e3o inicial de Lacan \u00e9 que \u201cn\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d, em que rela\u00e7\u00e3o sexual \u00e9 definida como aquilo que \u201cn\u00e3o p\u00e1ra de n\u00e3o se escrever\u201d; h\u00e1 impossibilidade e que, tamb\u00e9m, n\u00e3o h\u00e1 dentro do dizer, exist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual. Ele sustenta a argumenta\u00e7\u00e3o usando o diagrama da sexua\u00e7\u00e3o, afirmando que o gozo do Outro, tomado como corpo, \u00e9 sempre inadequado: perverso de um lado, no que o Outro se reduz ao objeto <em>a<\/em>, e louco do outro, enigm\u00e1tico. Da\u00ed faz uma pergunta: \u201cn\u00e3o \u00e9 do defrontamento com esse impasse, com essa impossibilidade de onde se define um real, que \u00e9 posto \u00e0 prova o amor?\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, o encontro com o parceiro, que Lacan chama de \u201cdestino fatal\u201d, acontece, e o amor se realiza atrav\u00e9s da \u201ccoragem\u201d. Lacan pergunta se n\u00e3o se trata, essa coragem, \u201cdos caminhos de reconhecimento\u201d. E define reconhecimento como a maneira pela qual a rela\u00e7\u00e3o dita sexual, entre os sujeitos \u201cp\u00e1ra de n\u00e3o se escrever\u201d. Lacan chama \u201cparar de n\u00e3o se escrever\u201d de <strong>conting\u00eancia<\/strong>, e \u201cn\u00e3o p\u00e1ra de se escrever\u201d ao <strong>necess\u00e1rio<\/strong>. O necess\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 o real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na conting\u00eancia, s\u00f3 h\u00e1 encontro, \u201c[&#8230;] no parceiro, dos sintomas, dos afetos, de tudo que em cada um marca o tra\u00e7o do seu ex\u00edlio, n\u00e3o como sujeito, mas como falante, do seu ex\u00edlio da rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d. Ent\u00e3o pergunta: \u201cN\u00e3o \u00e9 o mesmo que dizer que \u00e9 somente pelo afeto que resulta dessa hi\u00e2ncia que <strong>algo<\/strong> se encontra, que pode variar infinitamente quanto ao n\u00edvel do saber, mas que, por um instante, d\u00e1 a ilus\u00e3o de que a rela\u00e7\u00e3o sexual p\u00e1ra de n\u00e3o se escrever?\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que seria este algo que se encontra?<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\"><sup>[12]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>No deslocamento da nega\u00e7\u00e3o do p\u00e1ra de n\u00e3o se escrever ao n\u00e3o p\u00e1ra de se escrever, da conting\u00eancia \u00e0 necessidade, Lacan diz que \u00e9 onde est\u00e1 <strong>o ponto de suspens\u00e3o<\/strong> a que se agarra todo amor. E esse substituto \u00e9 que constitui o destino e tamb\u00e9m o drama do amor<\/em>. A rela\u00e7\u00e3o entre dois seres n\u00e3o \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o de harmonia, que Lacan chama<em> de <\/em>\u201centravar-se numa apreens\u00e3o de miragem\u201d. O amor \u00e9 que chega a abordar o ser como tal no encontro, \u201c[&#8230;] enquanto suposto a uma frase articulada, a algo que se ordena ou pode se ordenar por uma vida inteira\u201d. Entretanto, acrescenta Lacan, n\u00e3o h\u00e1 muito a fazer, em rela\u00e7\u00e3o ao gozo, mas \u201c[&#8230;] por outro lado, seu signo \u00e9 suscet\u00edvel de provocar o desejo. A\u00ed est\u00e1 a mola do amor.\u201d<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\"><sup>[13]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os la\u00e7os inconscientes, contingentes, tamb\u00e9m parecem acontecer no fen\u00f4meno da transfer\u00eancia. Ainda no Semin\u00e1rio 20, Lacan fala sobre a \u201cescolha do amor\u201d, isto \u00e9, do \u201creconhecimento a signos sempre pontuados enigmaticamente, da maneira pela qual o ser \u00e9 afetado enquanto sujeito do saber inconsciente\u201d. No cap\u00edtulo XXIV do Semin\u00e1rio 8, em refer\u00eancia ao texto \u201cA identifica\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 no qual Freud pontua que h\u00e1 tr\u00eas tipos de identifica\u00e7\u00e3o e destaca nos dois primeiros que a identifica\u00e7\u00e3o se faz sempre por <em>ein einziger Zug<\/em>, um tra\u00e7o \u00fanico, \u201cum tra\u00e7o da pessoa-objeto\u201d<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\"><sup>[14]<\/sup><\/a> \u2013 Lacan acrescenta que possivelmente este \u00e9 um signo e \u00e9 definido como \u201c[&#8230;] o car\u00e1ter pontual da refer\u00eancia original ao Outro na rela\u00e7\u00e3o narc\u00edsica\u201d. Lacan, acrescenta que o \u201colhar do Outro\u201d, concebido como sendo \u201cinteriorizado por um signo\u201d, \u00e9 suficiente para a identifica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o sendo necess\u00e1rio \u201ctodo um campo de organiza\u00e7\u00e3o e de uma introje\u00e7\u00e3o maci\u00e7a\u201d. E acrescenta:<\/p>\n<blockquote><p>Este ponto, grande I, do tra\u00e7o \u00fanico, este signo do assentimento do Outro, da escolha de amor sobre a qual o sujeito pode operar, est\u00e1 ali em algum lugar e se regula na continua\u00e7\u00e3o do jogo do espelho. Basta que o sujeito v\u00e1 coincidir ali em sua rela\u00e7\u00e3o com o Outro para que este pequeno signo, este <em>einziger Zug<\/em>, esteja \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o.<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\"><sup>[15]<\/sup><\/a><\/p><\/blockquote>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4) <\/strong><strong>O QUE NOS ENSINA A HIST\u00d3RIA DE DORA MAAR?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">UMA LEITURA PELA VIA DA DEVASTA\u00c7\u00c3O FEMININA<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong>Camila Abreu Costa<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a><\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta produ\u00e7\u00e3o, gostaria de destacar dois pontos que me fizeram quest\u00e3o: o primeiro diz da rela\u00e7\u00e3o de Dora com sua m\u00e3e durante sua inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia; o segundo, da rela\u00e7\u00e3o de Dora com Pablo Picasso. Dora nasceu no oeste da Fran\u00e7a, em 1907, filha de pai croata e m\u00e3e francesa. Como bem disse Fernanda Pigeard, a rela\u00e7\u00e3o de Dora com sua m\u00e3e foi marcada por um aprisionamento. A m\u00e3e de Dora espiava os movimentos da jovem atrav\u00e9s da cortina que cobria a porta de vidro, localizada entre o quarto dos pais e o de Dora. Dora se sentia como se estivesse em um aqu\u00e1rio, sendo observada. Al\u00e9m disso, ela vestia a filha de forma pomposa e teatral, destacando sempre chap\u00e9us variados, que mais tarde foram pintados por Picasso em diversas obras, como se fosse uma marca de Dora. A m\u00e3e de Dora tamb\u00e9m era uma cat\u00f3lica fervorosa e tinha uma alma amarga. Era t\u00edmida, desconfiada e medrosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde crian\u00e7a, Dora sempre foi muito sens\u00edvel ao olhar. Seu pai era um dos melhores arquitetos do pa\u00eds; quando a filha era crian\u00e7a, ele a levava para o topo de um pr\u00e9dio para observar seu trabalho, utilizando um telesc\u00f3pio. O pai de Dora n\u00e3o pareceu intervir aos imperativos da m\u00e3e, mas exerceu um papel importante, que foi de apresentar Dora \u00e0 arte e vice-versa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1936, Dora foi apresentada a Pablo Picasso pelo poeta Paul \u00c9luard no terra\u00e7o de um caf\u00e9, na Fran\u00e7a. Pablo logo se sentiu atra\u00eddo por sua beleza exuberante. O enamoramento entre eles durou cerca de nove anos. Por\u00e9m, Dora n\u00e3o era a \u00fanica. Picasso era conhecido por ter uma vida amorosa rica em encontros, e o tra\u00e7o que chamava sua aten\u00e7\u00e3o nas mulheres era que elas estivessem a servi\u00e7o de sua busca art\u00edstica. Quando conheceu Dora, ele sustentava uma outra parceria amorosa com Marie Th\u00e9r\u00e8se e durante anos alternou suas visitas entre Marie e Dora Maar, que era amante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dora era uma fot\u00f3grafa renomada e a \u00fanica das mulheres do pintor que conheceu Lacan. Ser\u00e1 que, por ter uma carreira art\u00edstica, Dora entrou no rol de apaixonamento do pintor? O fato \u00e9 que ela era extremamente deslumbrada por ele, ao ponto de dizer que depois dele s\u00f3 haveria Deus. A parceria de Dora com Picasso era marcada por maus-tratos e por um olhar invasivo do pintor, que a usava para pintar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqui j\u00e1 podemos pensar em um ponto importante da posi\u00e7\u00e3o de gozo de Dora: <strong><em>\u201cSER VISTA\u201d. <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O encontro entre um homem e uma mulher se revela como sendo entre uma pervers\u00e3o e um enigma. Um homem n\u00e3o sabe o que quer uma mulher e uma mulher n\u00e3o sabe sobre aquilo que goza. Um encontro, portanto, est\u00e1 ligado por uma impossibilidade articulada por Lacan como inadequa\u00e7\u00e3o. Assim, um encontro&#8230; uma parceria, \u00e9 marcado pela rela\u00e7\u00e3o entre sintomas<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Dora:<\/em><\/strong><em> ser vista\/ <strong>Picasso:<\/strong> ver e pintar.<\/em> Mas o que h\u00e1 para al\u00e9m disso? Uma leitura poss\u00edvel e inevit\u00e1vel se apresentou neste cartel como uma via pela devasta\u00e7\u00e3o feminina. Um tema muito dif\u00edcil de ser bordeado em t\u00e3o pouco tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan, no Semin\u00e1rio 20, nos ensina que a paix\u00e3o pode ser a ignor\u00e2ncia do desejo, e quando olhamos mais de perto, percebemos a devasta\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a>. Ainda neste semin\u00e1rio, ele diz: \u201ca filha espera mais subst\u00e2ncia de sua m\u00e3e do que de seu pai\u201d<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a>. Mais tarde, no Semin\u00e1rio 23, ele nos traz que na devasta\u00e7\u00e3o um homem \u00e9 para uma mulher uma afli\u00e7\u00e3o pior que um sintoma e que a devasta\u00e7\u00e3o \u00e9 o retorno da demanda de amor para uma mulher<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas afinal, o que \u00e9 devasta\u00e7\u00e3o para a psican\u00e1lise? Lacan apresenta a devasta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m no texto \u201cO aturdito\u201d (1972) e afirma que a menina parece esperar algo da m\u00e3e que n\u00e3o se situe apenas pelo signo de castra\u00e7\u00e3o, ou seja, que n\u00e3o se situe sob o significante falo<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante disso, a rela\u00e7\u00e3o entre m\u00e3e e filha e suas repercuss\u00f5es para a sexualidade feminina verificam, em muitos momentos, a vertente da devasta\u00e7\u00e3o no gozo feminino que pode se apresentar de variadas formas. Indo por esta via, um encontro com o Outro, ou at\u00e9 mesmo uma parceria amorosa, n\u00e3o necessariamente faz signo de amor. Uma leitura poss\u00edvel da posi\u00e7\u00e3o de Dora diante de Picasso pode vir a ser a devasta\u00e7\u00e3o, que reproduz uma rela\u00e7\u00e3o pr\u00e9-ed\u00edpica com a m\u00e3e. E a posi\u00e7\u00e3o de Picasso, o gozo perverso. A cena do sangue, por exemplo, \u00e9 como se n\u00e3o houvesse nada para al\u00e9m do instante, do retrato. O instante do encontro proporcionou a Picasso uma ilus\u00e3o de que a rela\u00e7\u00e3o sexual se escreve. A grande quest\u00e3o \u00e9 que mesmo com muitos encontros com Dora e um apaixonamento de anos, a \u201ccoisa\u201d n\u00e3o passou desse ponto. A dimens\u00e3o da falta, por exemplo, n\u00e3o apareceu. E Dora n\u00e3o conseguiu mais enxergar o amor, j\u00e1 que nas palavras dela \u201cjamais haveria outro que n\u00e3o fosse Picasso\u201d. E se n\u00e3o fosse ele, s\u00f3 Deus! Tornou-se Dora uma mulher invis\u00edvel?<\/p>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">ARPIN, Dalila. Picasso y Dora Maar- El Minotauro y la mujer que llora. In: ARPIN, Dalila. <em>Parejas c\u00e9lebres<\/em>: lazos inconscientes. Buenos Aires: Grama, 2018.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Psic\u00f3loga. Psican\u00e1lise. Associada do IPB<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> ESPANCA, Florbela. Fanatismo. In: ESPANCA, Florbela. <em>Livro de S\u00f3ror Saudade<\/em>.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Psic\u00f3logo. Psican\u00e1lise. Associado do IPB<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> ARPIN, Dalila. <em>Parejas c\u00e9lebres<\/em>: lazos inconscientes. Buenos Aires: Grama, 2018. p. 178. Tradu\u00e7\u00e3o nossa.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> NAVEAU, Pierre.\u00a0<em>O que do encontro se escreve<\/em>. Estudos Lacanianos. Belo Horizonte: EBP Editora, 2017. p. 253.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> LACAN, Jacques. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 1: <em>Os escritos t\u00e9cnicos de Freud<\/em>. (1953-1954) Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1979. p. 309.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> BARROS, Marcelo. <em>Interven\u00e7\u00e3o sobre o Nome-do-pai<\/em>. Goi\u00e2nia: Ares Editora, 2018. p. 74.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> MORAES, Vinicius de. Soneto de fidelidade.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Psic\u00f3logo. Psican\u00e1lise. Associado do IPB<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> ARPIN, Dalila. <em>Parejas c\u00e9lebres<\/em>: lazos inconscientes. Buenos Aires: Grama, 2018. p. 167.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> NAVEAU, Pierre. <em>O que do encontro se escreve<\/em>: estudos lacanianos. Belo Horizonte: EBP Editora, 2017. p. 257.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> LACAN, Jacques. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 20: <em>Mais, ainda<\/em>. (1972-1973) Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2008. p. 156.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> <em>Ibidem<\/em>, p. 56.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> FREUD, Sigmund. Psicologia das massas e an\u00e1lise do eu. (1921) In: FREUD, Sigmund. <em>Psicologia das massas e an\u00e1lise do eu e outros textos (1920-1923)<\/em>. Trad. Paulo C\u00e9sar de Souza. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2011. p. 64. (Obras Completas, 15)<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> LACAN, Jacques. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 8: <em>A transfer\u00eancia<\/em>. (1960-1961) Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2010. p. 433-434.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> Psicologia. Psican\u00e1lise Associada ao IPB<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> NAVEAU, Pierre. O encontro &#8211; do imposs\u00edvel ao contingente. In: NAVEAU, Pierre. <em>O que do encontro se escreve<\/em>: estudos lacanianos. Belo Horizonte: EBP Editora, 2017.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> LACAN, Jacques.\u00a0<em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 20: <em>Mais, ainda<\/em>.\u00a0(1972-1973) Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1982. p. 12.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> <em>Ibidem<\/em>.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> LACAN, Jacques.\u00a0<em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 23: <em>O sinthoma<\/em>. (1975-1976) Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2007.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a> LACAN, Jacques. O aturdito. (1972) In: LACAN, Jacques. <em>Outros escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003. p. 448-497.<\/h6>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>EBP-BA, NOITE DA BIBLIOTECA &#8211; 14\/09\/2022 Mais um: Lucy de Castro \u2013 Membro da EBP\/AMP: Nesta Noite da Biblioteca, em que Cart\u00e9is conversam em torno de duas obras publicadas no Campo Freudiano \u2013 O que&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[142],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/510543"}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=510543"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/510543\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":510597,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/510543\/revisions\/510597"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=510543"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=510543"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=510543"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}