{"id":510447,"date":"2022-07-28T07:10:49","date_gmt":"2022-07-28T10:10:49","guid":{"rendered":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/?p=510447"},"modified":"2022-07-28T07:13:18","modified_gmt":"2022-07-28T10:13:18","slug":"o-gozo-dela-que-poderia-mudar-ele","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/o-gozo-dela-que-poderia-mudar-ele\/","title":{"rendered":"O gozo dela que poderia mudar ele[i]"},"content":{"rendered":"[vc_row][vc_column width=&#8221;5\/6&#8243;][vc_column_text]\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><em>Rosa L<\/em><em>\u00f3<\/em><em>pez<\/em><em>*<\/em><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sigmund Freud ficou estancado no impasse das hist\u00e9ricas, as quais, como algumas feministas, acreditam em uma ontologia do feminino, uma esp\u00e9cie de ess\u00eancia a ser descoberta, seja em si mesmas ou na outra mulher que encarna o ideal. Contra toda ontologia, Lacan argumenta que o sexo \u00e9, acima de tudo, algo que se diz. O discurso da hist\u00e9rica n\u00e3o diz tudo, mas faz crer que ela disp\u00f5e de um saber em reserva com o qual \u00e9 capaz de seduzir \u00e0 maneira de Scheherazade. Por outro lado, a posi\u00e7\u00e3o feminina propriamente dita n\u00e3o diz tudo, tampouco promete chegar a diz\u00ea-lo alguma vez, porque \u00e9 imposs\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>N\u00e3o procureis pel<\/em><em>o lado da verdade, mas <\/em><em>sim <\/em><em>do <\/em><em>gozo<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jacques Lacan n\u00e3o aborda o enigma do feminino pelo lado de uma verdade inconsciente a ser decifrada, nem por ele ser um segredo inconfessado a ser descoberto, muito menos pelo do v\u00e9u que deveria cair para revelar o que est\u00e1 escondido. Por mais que o raj\u00e1 entediado exija que, ap\u00f3s a queda do \u00faltimo v\u00e9u, tirem a pele \u00e0 bailarina, a ess\u00eancia do feminino permanecer\u00e1 inapreens\u00edvel pela simples raz\u00e3o de que n\u00e3o existe. O feminino \u00e9 imposs\u00edvel de dizer e, mais ainda, de velar. Essa forma de pensar o feminino radicaliza a ideia original de Freud, quem chegou a conceber o trauma da castra\u00e7\u00e3o como o que acontece ap\u00f3s a vis\u00e3o da aus\u00eancia do \u00f3rg\u00e3o f\u00e1lico, na nudez do corpo feminino. Neste ponto, a teoria freudiana coincide com os fantasmas neur\u00f3ticos, com os quais cada um tenta dar sentido ao inexplic\u00e1vel. Entretanto, se tomarmos o feminino como um real, ao qual nada falta, podemos separ\u00e1-lo da l\u00f3gica na qual se joga a partida da verdade: o falo e a castra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A mulher<\/em><em>,<\/em><em> como n<\/em><em>\u00e3<\/em><em>o-toda, veta o<\/em><em> universal <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo sem saber, pelo simples fato de acreditar que somos o centro de nosso pequeno mundo, estamos todos colados ao sentido fantasm\u00e1tico da concep\u00e7\u00e3o esf\u00e9rica do universo, com um centro em torno do qual o mundo gira como um todo. Lacan, entretanto, nos adverte que o ideal que promove o universo consiste em afirmar que com o <em>logos<\/em> tudo se arruma bem, quando o que se consegue \u00e9 fazer fracassar a rela\u00e7\u00e3o sexual ao modo masculino, ou seja, seguindo a l\u00edngua do falo e da castra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Representa\u00e7\u00f5es como o leito nupcial, o dueto, a altern\u00e2ncia ou a carta de amor, s\u00e3o formas de dar a volta em torno da aus\u00eancia de rela\u00e7\u00e3o sexual, buscando na cozinha da metaf\u00edsica, aparelhos que nos tranquilizem e nos permitam falar com t\u00f3picos, de modo que nada abale os limites de nosso fantasma. Reconhe\u00e7amos que esse funcionamento tem suas vantagens porque, no final das contas, nos proporciona o sentimento de que vivemos em um mundo habit\u00e1vel e que temos uma exist\u00eancia insatisfeita, mas n\u00e3o insuport\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Uma diferen\u00e7<\/em><em>a que n<\/em><em>\u00e3<\/em><em>o <\/em><em>\u00e9 <\/em><em>psicol<\/em><em>\u00f3gica, mas l\u00f3gica<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 outro modo de gozar, o gozo feminino, que sup\u00f5e um veto \u00e0 promo\u00e7\u00e3o do Outro como universo do discurso e como garante do sentido, embora seja dif\u00edcil conceber que se possa gozar em outra dimens\u00e3o, mais pr\u00f3xima \u00e0 ang\u00fastia, diante do real, do que ao consolo do estabelecido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se a diferen\u00e7a entre homem e mulher n\u00e3o pode ser formulada a partir da perspectiva do ser, Lacan procura outra maneira de faz\u00ea-lo e escreve suas j\u00e1 famosas f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o. Nelas, ele coloca a distin\u00e7\u00e3o entre duas formas de se posicionar diante da fun\u00e7\u00e3o f\u00e1lica, com a qual se escreve a perda do gozo no ser falante. Do lado masculino, temos a l\u00f3gica do todo, porque a rela\u00e7\u00e3o com a fun\u00e7\u00e3o f\u00e1lica \u00e9 da ordem do necess\u00e1rio, enquanto que do lado feminino temos a l\u00f3gica do n\u00e3o-todo, porque a rela\u00e7\u00e3o com a fun\u00e7\u00e3o f\u00e1lica \u00e9 contingente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Mulher (com letras mai\u00fasculas, e no singular) n\u00e3o existe. Com este axioma Lacan nega o universal feminino e, ao mesmo tempo, evoca como a feminilidade se subtrai ao comparecimento no inconsciente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O gozo feminino \u00e9 n\u00e3o-todo a respeito do gozo f\u00e1lico. Elas est\u00e3o interessadas no falo. Algumas o adoram e, como dizia Freud, \u00e0s vezes lhes \u00e9 preciso aceitar o homem como pre\u00e7o para gozar de seu p\u00eanis (n\u00e3o se trata aqui do falo simb\u00f3lico ou imagin\u00e1rio, mas sim do \u00f3rg\u00e3o real). Mas, al\u00e9m disso \u2013 e aqui reside sua dualidade \u2013 tamb\u00e9m est\u00e3o interessadas no S(\u023a), escritura com a qual Lacan afirma que n\u00e3o h\u00e1 universo de discurso, nem um Outro consistente que garanta o sentido e feche o c\u00edrculo das representa\u00e7\u00f5es de nosso mundo. N\u00e3o h\u00e1 um <em>todo<\/em>, portanto, n\u00e3o h\u00e1 limites que estabele\u00e7am o que est\u00e1 integrado no conjunto e o que fica segregado dele. Trata-se, claramente, de outra l\u00f3gica, diferente da masculina, baseada no universal. Entramos, assim, num territ\u00f3rio que n\u00e3o est\u00e1 determinado pelo ideal, onde o acento n\u00e3o recai tanto sobre a falta, mas sobre a inconsist\u00eancia. O conjunto n\u00e3o se fecha, portanto, n\u00e3o h\u00e1 nem pertencimento nem exclus\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 lei, mas tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 transgress\u00e3o. Logo, n\u00e3o se trata de um gozo perverso, nem de um amor proibido, nem \u00e9 um hino \u00e0 liberdade. Estou ciente de que essa maneira de nos aproximarmos do gozo feminino, expurgando-o de tudo aquilo que n\u00e3o \u00e9, mas sem poder dizer o que \u00e9, deriva em uma compensa\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria que confunde o ilimitado com o excessivo, o inclassific\u00e1vel com a loucura, o raro com o estridente. Cometer\u00edamos um erro almodovariano se identific\u00e1ssemos a fenomenologia do gozo feminino com as mulheres \u00e0 beira de um ataque de nervos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Do sentido <\/em><em>dos ditos a<\/em><em>o<\/em><em> dizer<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u00fanica coisa que pode nos permitir escapar dos efeitos de significa\u00e7\u00e3o ou de sentido e cernir algo do real \u00e9 captar o que est\u00e1 em jogo na enuncia\u00e7\u00e3o no n\u00edvel do discurso \u2013 e isto \u00e9 o dizer. O enunciado nunca coincide com o enuncia\u00e7\u00e3o. N\u00f3s falamos com o corpo e sem saber.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s, psicanalistas, vetamos o sentido dos ditos, mas levamos o dizer muito a s\u00e9rio. Precisamente, \u00e9 desse <em>dizer<\/em> que a mulher goza, e aqui reside a diferen\u00e7a a respeito do modo de gozo masculino. Ele buscar\u00e1 essa parte perdida de seu pr\u00f3prio corpo na mulher, o objeto <em>a<\/em> que, transformado em fetiche, desperta seu desejo e, em todo caso, pode fazer da voz um fetiche, mas n\u00e3o exige que se acompanhe de um <em>dizer<\/em>. Ela, ao contr\u00e1rio, se engancha na forma erotoman\u00edaca de amor para encontrar esse <em>dizer<\/em> que, como pura enuncia\u00e7\u00e3o, fa\u00e7a vibrar seu corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o <em>dizer<\/em> que prov\u00e9m do significante do Outro barrado S (\u023a), em seu car\u00e1ter estranho e insensato, tem efeitos de gozo em uma mulher, \u00e9 pela mesma raz\u00e3o que a l\u00edngua materna, inicialmente estranha e incompreens\u00edvel, provocou os primeiros gozos no corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto os significantes se articulam nos ditos para produzir efeitos de sentido, o <em>dizer<\/em> como enuncia\u00e7\u00e3o se encarna, penetra nos corpos, agita-os em sua condi\u00e7\u00e3o de corpos sexuados. \u00c9 por isso que no Semin\u00e1rio <em>Mais, ainda<\/em>, Lacan n\u00e3o se ocupa da rela\u00e7\u00e3o entre os significantes, mas da rela\u00e7\u00e3o entre corpos falados e falantes, diferentemente sexuados, que se juntam na cama.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O Outro gozo \u00e9 obtido atrav\u00e9s do <\/em><em>partenaire,<\/em><em> e na cama? Diferente<\/em><em>s<\/em><em> leituras<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitas coisas contradit\u00f3rias t\u00eam sido ditas sobre a rela\u00e7\u00e3o do gozo Outro com o <em>partenaire<\/em>. Alguns se autorizam em Lacan para sustentar que \u00e9 atrav\u00e9s do homem, atuando como <em>relevo<\/em>, que a mulher pode acessar esse gozo mais-al\u00e9m do falo, que a faz Outra para si mesma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ocasionalmente, ela pode encontrar esse Outro gozo no \u00e2mbito da experi\u00eancia er\u00f3tica com um homem que funcionar\u00e1 como <em>relevo<\/em>, especialmente quanto menos apegado esteja ele aos esfor\u00e7os f\u00e1licos, mas, como diz Lacan, sempre haver\u00e1 uma duplicidade no la\u00e7o, pois, no que diz respeito ao gozo, a mulher se desdobra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante desse gozo &#8220;diferente e paralelo do que obt\u00e9m por ser a mulher do homem\u201d<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\"><sup>[ii]<\/sup><\/a>, este \u00faltimo pode se sentir confuso, exclu\u00eddo e, ao mesmo tempo, fascinado pelo mist\u00e9rio que sup\u00f5e, mas tamb\u00e9m pode produzir nele um \u00f3dio n\u00e3o dialetiz\u00e1vel que o leve ao exerc\u00edcio da viol\u00eancia. Alguns homens se queixam do narcisismo feminino, excessivo, que interpretam como vaidade, ego\u00edsmo ou frieza, quando o que est\u00e1 em quest\u00e3o \u00e9 a particularidade de um gozo que n\u00e3o se joga na partida f\u00e1lica, que rege o encontro sexual e que, acima de tudo, n\u00e3o se ocupa do homem. &#8220;O amor que a mulher d\u00e1 a seu marido n\u00e3o \u00e9 dirigido ao indiv\u00edduo, nem mesmo idealizado, [&#8230;] mas a um ser mais-al\u00e9m.\u201d<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\"><sup>[iii]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O gozo feminino: entre o Um do \u00f3<\/em><em>rg<\/em><em>\u00e3o e o Outro do amor<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paradoxalmente, ela se entrega ilimitadamente a um homem e, ao mesmo tempo, nunca se entrega toda. Haver\u00e1 sempre Outro gozo que n\u00e3o se ocupa do homem, mas se dirige a uma alteridade radical, o lugar de um desejo sem lei ou ideais, de onde emerge um dizer insensato que toca o real de seu corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus pode ser uma das figura\u00e7\u00f5es imagin\u00e1rias desse <em>partenaire<\/em> radicalmente Outro, cujo desejo n\u00e3o est\u00e1 orientado pelo falo, mas tamb\u00e9m &#8220;o amante castrado&#8221;, &#8220;o homem morto&#8221; ou &#8220;o <em>incubus<\/em> ideal&#8221;, figuras invocadas por Lacan em &#8220;Diretrizes para um congresso sobre a sexualidade feminina\u201d<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\"><sup>[iv]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Certas hist\u00f3rias de amor femininas tomam como <em>partenaire<\/em> um <em>homem castrado<\/em> (que n\u00e3o \u00e9 o mesmo que impotente), que consegue aceder ao territ\u00f3rio feminino, situado mais-al\u00e9m do limite f\u00e1lico. Nessa zona s\u00f3 se pode entrar armado com um desejo que n\u00e3o teme a amea\u00e7a de castra\u00e7\u00e3o. Desse modo, um homem castrado pode fazer amor com as palavras e tornar-se esse <em>ao menos<\/em> um que renuncia ao falo por ela, e est\u00e1 disposto a reduzir-se a seu estado de \u201cpura exist\u00eancia&#8221;<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\"><sup>[v]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 uma diferen\u00e7a entre o ato sexual, comandado pelo gozo f\u00e1lico, com suas limita\u00e7\u00f5es, e <em>fazer amor<\/em>, que s\u00f3 acontece quando n\u00e3o se o busca, quando algumas palavras do Outro chegam a tocar o real do corpo e provocam isso que chamamos de gozo feminino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para as mulheres, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil estar no lado feminino do gozo, &#8220;nenhuma suporta ser n\u00e3o-toda\u201d<a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\"><sup>[vi]<\/sup><\/a>, nos dir\u00e1 Lacan. Manter uma rela\u00e7\u00e3o estreita com o Outro barrado e seu estranho desejo \u00e9 angustiante e, \u00e0s vezes, leva a um extravio. \u00c9 por isso que algo da mulher precisa encontrar um <em>nome<\/em>, mais do que um <em>homem<\/em>, mesmo que seja ele quem possa lhe proporcionar, atrav\u00e9s do amor, uma nomea\u00e7\u00e3o que lhe d\u00ea uma ancoragem e a defenda da ang\u00fastia. &#8220;Sou amada, <em>ergo<\/em> sou&#8221; \u00e9 o <em>cogito<\/em> feminino que d\u00e1 ao amor uma fun\u00e7\u00e3o crucial na exist\u00eancia, pois \u00e9 somente por essa via, e n\u00e3o pela do saber estabelecido, que ela pode encontrar uma nomea\u00e7\u00e3o singular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Insistimos que n\u00e3o \u00e9 qualquer um que pode produzir esse efeito sobre uma mulher, pois, para consegui-lo, \u00e9 necess\u00e1rio que ele o fa\u00e7a desde esse dizer da enuncia\u00e7\u00e3o que ele mesmo desconhece e que n\u00e3o obedece a nenhuma intencionalidade, dando o que n\u00e3o tem, e em posi\u00e7\u00e3o sintom\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessas ocasi\u00f5es afortunadas, o Outro balbucia no homem e, ent\u00e3o, ele pode captur\u00e1-la da boa maneira<a href=\"#_edn7\" name=\"_ednref7\"><sup>[vii]<\/sup><\/a>. Mas, convenhamos que enfrentar a feminilidade em sua nudez, sem a roupagem da ilus\u00e3o f\u00e1lica, \u00e9 angustiante. Neste ponto, \u00e9 preciso coragem para seguir em frente quando se perdeu o marco referencial e se est\u00e1 pr\u00f3ximo ao real. Se por acaso ele consegue superar-se e avan\u00e7ar, o homem pode se descobrir em uma dimens\u00e3o que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o conhecia e que lhe permite ser homem de uma outra maneira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em resumo, h\u00e1 algo na mulher que \u00e9 imposs\u00edvel de dizer, e isto afeta todos os seres falantes, sem exce\u00e7\u00e3o. Diante desse imposs\u00edvel, in\u00fameras fic\u00e7\u00f5es podem ser constru\u00eddas para lhe dar um sentido, bem como inumer\u00e1veis vestimentas para cobri-lo. Mesmo assim, n\u00e3o h\u00e1 como reduzir sua incid\u00eancia a zero e continuar\u00e1 a produzir a ang\u00fastia pr\u00f3pria da presentifica\u00e7\u00e3o do real. O processo anal\u00edtico nos ensina que n\u00e3o se trata nem de compreender nem de dominar, mas de suportar o real de uma outra maneira. Uma maneira menos tola, menos desajeitada e menos violenta.<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">Tradu\u00e7\u00e3o: <em>Marcelo Magnelli<\/em> (Associado IPB)<br \/>\nRevis\u00e3o: <em>Marcela Antelo<\/em> (AME da AMP e da EBP)<br \/>\n*<em>Rosa L<\/em><em>\u00f3pez, psicanalista em Madri. AME da<\/em><em> AMP e da<\/em><em> ELP, convidada da XXVI Jornada da EBP-Bahia e XXII Jornada do Instituto de Psican\u00e1lise da Bahia.<\/em><\/h6>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong>Bibliografia<\/strong><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\"><sup>[i]<\/sup><\/a> Texto originalmente publicado em <em>El psicoan\u00e1lisis. Revista de la Escuela Lacaniana de Psicoan\u00e1lisis<\/em>, n. 29. &#8220;DOSSIER. Mujeres: Un interrogante para el psicoan\u00e1lisis&#8221;. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/elpsicoanalisis.elp.org.es\/numero-29\/el-goce-de-ella-que-podria-cambiarlo-a-el\/\">https:\/\/elpsicoanalisis.elp.org.es\/numero-29\/el-goce-de-ella-que-podria-cambiarlo-a-el\/<\/a>. Agradecemos \u00e0 autora pela am\u00e1vel autoriza\u00e7\u00e3o.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\"><sup>[ii]<\/sup><\/a> LACAN, J. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 16: <em>De um Outro ao outro<\/em>. (1968-1969) Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2008.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\"><sup>[iii]<\/sup><\/a> LACAN, J. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 2: <em>O eu na teoria de Freud e na t\u00e9cnica da psican\u00e1lise<\/em>. (1954-1955) Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1985.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\"><sup>[iv]<\/sup><\/a> LACAN, J. Diretrizes para um congresso sobre a sexualidade feminina. (1958) In: LACAN, J. <em>Escritos<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Vera Ribeiro. Revis\u00e3o t\u00e9cnica de Antonio Quinet e Angelina Harari. Prepara\u00e7\u00e3o de texto de Andr\u00e9 Telles. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998. p. 734-745. (Campo Freudiano no Brasil)<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\"><sup>[v]<\/sup><\/a> LACAN, J. Topologia da fala (palestra). In: LACAN, J. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 19: <em>\u2026ou pior<\/em>.\u00a0(1971-1972) Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2012. p. 72.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">\u201cEla n\u00e3o est\u00e1 contida na fun\u00e7\u00e3o f\u00e1lica, mas nem por isso \u00e9 sua nega\u00e7\u00e3o. Sua forma de presen\u00e7a est\u00e1 entre o centro e a aus\u00eancia. Centro \u2013 essa \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o f\u00e1lica de que ela participa singularmente, posto que o <em>ao menos um<\/em> que \u00e9 seu parceiro no amor renuncia a tal fun\u00e7\u00e3o por ela, <em>esse ao menos um<\/em> que ela s\u00f3 encontra no estado de ser apenas pura exist\u00eancia. Aus\u00eancia \u2013 \u00e9 o que lhe permite deixar aquilo por cujo meio ela n\u00e3o participa disso, na aus\u00eancia que n\u00e3o \u00e9 menos gozo por ser aus\u00eancia de gozo, <em>gozaus\u00eancia<\/em> [<em>jouissabsence<\/em>].\u201d (Aula de 8 de mar\u00e7o de 1972, p. 117-118.)<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\"><sup>[vi]<\/sup><\/a> LACAN, J. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 20: <em>Mais, ainda<\/em>. (1972-1973) Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Trad. M. D. Magno. 2. ed. rev. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1985. (Campo Freudiano no Brasil)<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref7\" name=\"_edn7\"><sup>[vii]<\/sup><\/a> LACAN, 2008, <em>op. cit<\/em>.<\/h6>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/6&#8243;]<div class=\"norebro-icon-box-sc icon-box text-center\" \n\tid=\"norebro-custom-6a0f798b5e3e5\" \n\t \n\t>\n\n\t<div class=\"icon-wrap\">\n\t\t\t\t\t<span class=\"linea-basic-sheet-pen\"><\/span>\n\t\t\t<\/div>\n\n\t<div class=\"content-wrap\">\n\n\t\t<div class=\"content-center with-full\">\n\t\t\t<div class=\"wrap\">\n\t\t\t\t<h3>DOWNLOAD PDF<\/h3>\n\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\n\t\t<p class=\"description content-full\">\n\t\t\t\t\t<\/p>\n\n\t\t\t\t\t<a class=\"btn\" href=\"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Rosa-Lopez.pdf\"\n\t\t\t>\n\t\t\t\tRead more\t\t\t\t\t\t\t<\/a>\n\t\t\n\t\t\n<\/div>[\/vc_column][\/vc_row]\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;5\/6&#8243;][vc_column_text] Rosa L\u00f3pez* Sigmund Freud ficou estancado no impasse das hist\u00e9ricas, as quais, como algumas feministas, acreditam em uma ontologia do feminino, uma esp\u00e9cie de ess\u00eancia a ser descoberta, seja em si mesmas ou&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[144],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/510447"}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=510447"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/510447\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":510452,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/510447\/revisions\/510452"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=510447"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=510447"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=510447"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}