{"id":452,"date":"2021-10-18T06:10:56","date_gmt":"2021-10-18T09:10:56","guid":{"rendered":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2021\/?p=452"},"modified":"2021-10-18T06:33:05","modified_gmt":"2021-10-18T09:33:05","slug":"o-rechaco-da-impossibilidade-o-empuxo-a-gozar-e-outras-ficcoes-da-epoca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2021\/o-rechaco-da-impossibilidade-o-empuxo-a-gozar-e-outras-ficcoes-da-epoca\/","title":{"rendered":"O recha\u00e7o da impossibilidade, o empuxo a gozar e outras fic\u00e7\u00f5es da \u00e9poca"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_btn title=&#8221;Download PDF&#8221; color=&#8221;juicy-pink&#8221; link=&#8221;url:http%3A%2F%2Febpbahia.com.br%2Fjornadas%2F2021%2Fwp-content%2Fuploads%2F2021%2F10%2FO-rechaco-da-impossibilidade-o-empuxo-a-gozar-e-outras-ficcoes-da-epoca-Greta-Stecher.pdf&#8221;][vc_column_text]<\/p>\n<h6>Greta Stecher<\/h6>\n<p><strong>Coordenadas bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p>Pontuarei as refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas fundamentais que, entre outras, tomei para produzir este escrito. De Jacques Lacan: as confer\u00eancias &#8220;Do discurso psicanal\u00edtico&#8221;, de 1972, em Mil\u00e3o, e &#8220;Sobre la experiencia del pase&#8221;, de 1973; &#8220;Radiofonia&#8221;; &#8220;Televis\u00e3o&#8221;; <em>Estou falando com as paredes<\/em>; os semin\u00e1rios 16, 17, 18 e 19. De Jacques-Alain Miller, as confer\u00eancias &#8220;Uma fantasia&#8221;, de 2004, em Comandatuba, e &#8220;O real no s\u00e9culo XXI&#8221;, de 2012, em Buenos Aires; e o primeiro cap\u00edtulo do livro <em>La naturaleza de los semblantes<\/em>. De \u00c9ric Laurent: &#8220;Falar com seu sintoma, falar com seu corpo&#8221;, nas preparat\u00f3rias do VI ENAPOL, 2013. De Javier Peteiro Cartelle: &#8220;O autoritarismo cient\u00edfico&#8221;. De Agn\u00e8s Aflalo: &#8220;Discurso capitalista&#8221;. De Antonio Di Ciaccia: &#8220;A \u00e9tica na era da globaliza\u00e7\u00e3o&#8221;. De Jorge Alem\u00e1n, o primeiro cap\u00edtulo de <em>Cuestiones antifilos\u00f3ficas en Jacques Lacan<\/em>. De Mario Goldenberg: &#8220;O discurso capitalista&#8221;, publicado em <em>Scilicet<\/em> 2013, tendo inspirado essencialmente a escrita deste artigo.<\/p>\n<p><strong>Artif\u00edcios: um tratamento poss\u00edvel do gozo<\/strong><\/p>\n<p>Jacques Lacan inventou o artif\u00edcio dos discursos apontando para um rebaixamento do sentido. Poder\u00edamos dizer que teria passado do amor pelo sentido para o rep\u00fadio do sentido; que foi da semantofilia dos primeiros escritos ao <em>fora-de-sentido<\/em> de seu \u00faltimo ensino. Essa opera\u00e7\u00e3o de redu\u00e7\u00e3o abriu a passagem para o que passou a ser chamado de os quatro discursos: o do mestre, o da hist\u00e9rica, o do universit\u00e1rio e o do analista. Ele lhes d\u00e1 toda a sua contund\u00eancia no seio de seu semin\u00e1rio 17, <em>O avesso da psican\u00e1lise<\/em>, entre 1969 e 1970. Cada um dos quatro discursos d\u00e1 conta de um modo poss\u00edvel de tratamento do gozo. Gozo que seria impens\u00e1vel sem a m\u00e1quina significante, a qual, assim mesmo, tem uma depend\u00eancia dele<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Desde a psican\u00e1lise de orienta\u00e7\u00e3o lacaniana, concordamos que o significante inaugura o corpo furando-o. A partir do que faz marca, do que traumatiza? \u2013, do que faz borda, h\u00e1 exist\u00eancia<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>. A linguagem \u00e9 concebida como uma superestrutura de leis que capturam <em>l<\/em><em>al\u00edngua<\/em> \u2013 a integral dos equ\u00edvocos \u2013 ainda que sem lei<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>. Dada a exist\u00eancia da linguagem, h\u00e1 ent\u00e3o uma disposi\u00e7\u00e3o, pode produzir-se uma certa ordem no la\u00e7o social; os discursos, enfim, t\u00eam essa fun\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>. Os sujeitos que se encontram inseridos no discurso \u2013 fa\u00e7o aqui uma reserva com as psicoses que estariam <em>fora de discursos<\/em> \u2013 podem circular, flutuar, colocar-se <em>entre<\/em> os discursos, sem estarem <em>fixados<\/em> necessariamente em algum deles<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Outra chave a se levar em conta \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 discurso que n\u00e3o seja semblante. Jacques-Alain Miller, em <em>La naturaleza de los semblantes<\/em><a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>, pode nos orientar com o que se segue. O falasser est\u00e1 definitivamente condenado ao semblante. O semblante, como categoria, se op\u00f5e ao real; saber, natureza, discurso, objeto, ficam do lado do semblante. Agora, quando se introduz a dimens\u00e3o do imposs\u00edvel, o real aparece como consequ\u00eancia. Para isso, os semblantes haver\u00e3o de ser elevados \u00e0 categoria de saber, e este saber haver\u00e1 de ter consequ\u00eancias: a mais evidente ser\u00e1 justamente a demonstra\u00e7\u00e3o desse imposs\u00edvel. Nos discursos est\u00e1 a cadeia significante, mas tamb\u00e9m a barra da impossibilidade. Isto me conduz a evocar aqui as perguntas de Miller \u2013 e com isto fecho a par\u00e1frase de seu livro <em>La naturaleza&#8230;<\/em>: quais seriam os semblantes, e sua articula\u00e7\u00e3o, que abrem caminho para o real? De quais haveremos de nos servir, enquanto analistas, e de que maneira?<\/p>\n<p>Agora, sim, \u00e9 mister formalizar: de que real se trata? Se \u00e0 ordem simb\u00f3lica se op\u00f5e a desordem imagin\u00e1ria; quanto ao real, Miller indica que este est\u00e1 totalmente fora da divis\u00e3o entre ordem e desordem; o real <em>\u00e9<\/em>, pura e simplesmente<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>. Vale um esclarecimento para este ponto: este <em>\u00e9<\/em> n\u00e3o pertence ao registro do ser, n\u00e3o \u00e9 ontol\u00f3gico; em todo caso, haver\u00e1 que explorar o assunto da <em>ex-sist\u00eancia<\/em>.<\/p>\n<p>No semin\u00e1rio 19, encontrei uma coloca\u00e7\u00e3o precisa quanto \u00e0 diferen\u00e7a entre o dito e o dizer e sua rela\u00e7\u00e3o com o discurso. Ali, Lacan indica que todo o dito \u00e9 semblante; todo o dito \u00e9 verdadeiro; todo o dito faz gozar; e que o dito n\u00e3o est\u00e1 em nenhuma outra parte sen\u00e3o no que se escuta, isto \u00e9, a palavra. Agora, sim: o dizer \u00e9 outro plano, \u00e9 outra coisa;<em> o dizer \u00e9 o discurso<\/em>. O discurso, sem mais delongas, \u00e9 formado por rela\u00e7\u00f5es que nos mant\u00eam juntos, que fazem <em>religio<\/em>, la\u00e7o social. Este, o discurso, \u00e9 um dizer que requer certa articula\u00e7\u00e3o significante e que tem efeitos<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p><strong>As estruturas dos discursos<\/strong><\/p>\n<p>Os quatro lugares s\u00e3o:<\/p>\n<p>Para precisar a opera\u00e7\u00e3o dos discursos, \u00e9 mister atender a sua estrutura, sua fun\u00e7\u00e3o e os seus limites. Quatro elementos \u2013 S\u2081, S\u2082, $ e <em>a<\/em>; quatro lugares \u2013 o agente, o outro, a verdade e a produ\u00e7\u00e3o; seus conectores; sua barra da impossibilidade; os que, segundo se combinem, nomeiam, ent\u00e3o, quatro maneiras de ordenar os la\u00e7os. S\u00e3o f\u00f3rmulas girat\u00f3rias, um quarto de volta muda diametralmente a perspectiva. H\u00e1 dois significantes em jogo, s\u00e3o necess\u00e1rios ao menos dois para estabelecer os discursos; o S\u2081, o significante-mestre, e o S\u2082, o saber. O $, o sujeito, que aparece como efeito do significante. E, finalmente, o objeto pequeno <em>a<\/em>, o mais-de-gozar.<\/p>\n<p>A linguagem opera produzindo o mais-de-gozar; de fato, o objeto <em>a<\/em> \u00e9 efeito de recha\u00e7o do discurso<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>. O objeto <em>a<\/em> \u00e9 o que se concentra a partir do efeito do discurso por causar desejo<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\"><sup>[10]<\/sup><\/a>. Isto \u00e9: S\u2081 se repete frente ao S\u2082; desta rela\u00e7\u00e3o surge um sujeito, $, representado por certa perda<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\"><sup>[11]<\/sup><\/a>. O que se perde? O objeto pequeno <em>a<\/em> \u2013 tamb\u00e9m conhecido como objeto causa de desejo; falta a ser \u2013 objeto pelo qual o sujeito se divide. Lacan precisa que o sujeito est\u00e1 <em>fendido<\/em> \u2013 e n\u00e3o <em>entre<\/em> \u2013; o objeto <em>a<\/em> est\u00e1 sempre entre cada um dos significantes e o que se segue, e ao redor disso se condensa o sujeito como uma <em>fenda<\/em><a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\"><sup>[12]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Um detalhe interessante no semin\u00e1rio 17 sobre o termo mais-de-gozar (<em>Mehrlust<\/em>, em alem\u00e3o). Lacan aponta que, via mortifica\u00e7\u00e3o do significante \u2013 precisamente porque se capta na dimens\u00e3o da perda \u2013, algo tem que compensar o que, de entrada, se apresenta como um n\u00famero negativo. Ent\u00e3o, ressoa produzindo gozo e gozo em repeti\u00e7\u00e3o. Essa dimens\u00e3o da entropia, essa m\u00edngua, faz com que isso tome corpo e que haja um mais-de-gozar a se recuperar. Em s\u00edntese: o mais-de-gozar toma corpo pela perda. Para isso, necessita-se do saber que trabalha \u2013 trabalha desde o tra\u00e7o un\u00e1rio at\u00e9 a articula\u00e7\u00e3o significante \u2013; a partir dali, instaura-se uma dimens\u00e3o de gozo. Por isso, dizemos que o saber \u00e9 meio de gozo, porque, quando trabalha, produz entropia. \u00c9 justamente esse lugar de perda, entr\u00f3pico, o \u00fanico ponto atrav\u00e9s do qual temos algum acesso ao gozo<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\"><sup>[13]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Resta estabelecer a fun\u00e7\u00e3o dos conectores (flechas) e do que faz barreira na estrutura do discurso. Em linhas gerais, observa-se um jogo de vetores que ordena uma circula\u00e7\u00e3o como os ponteiros do rel\u00f3gio, e \u00e9 a que, precisamente, indica a dire\u00e7\u00e3o do quarto de volta que faz a transla\u00e7\u00e3o de um discurso a outro. Assim mesmo, h\u00e1 vetores que se cruzam no interior do tetraedro. Contudo, o fundamental \u00e9 notar que, ao observar o quadrado que se forma, lhe falta um lado, o do piso inferior. Ali n\u00e3o h\u00e1 vetor algum, nesse lugar h\u00e1 uma barreira.<\/p>\n<p>N\u00e3o vou me delongar na argumenta\u00e7\u00e3o das opera\u00e7\u00f5es de cada quadrip\u00e9, mas, sim, me interessa pontuar, tal como indicara desde o in\u00edcio, que a estrutura do discurso \u00e9 fruto do esfor\u00e7o de Lacan de produzir uma m\u00e1xima redu\u00e7\u00e3o. Sua elabora\u00e7\u00e3o aponta para a escritura de um discurso sem palavras.<\/p>\n<p>Queria simplesmente situar alguma breve coordenada para cada um. O discurso anal\u00edtico \u00e9, em sua ess\u00eancia, o la\u00e7o social determinado pela pr\u00e1tica da psican\u00e1lise<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\"><sup>[14]<\/sup><\/a>. Esse discurso articula a ren\u00fancia ao gozo e faz aparecer a fun\u00e7\u00e3o do mais-de-gozar (o mais-de-gozar \u00e9 fun\u00e7\u00e3o da ren\u00fancia ao gozo por efeito do discurso<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\"><sup>[15]<\/sup><\/a>; vou retom\u00e1-lo). O discurso anal\u00edtico se apresenta exatamente como o avesso do discurso do mestre. Mesmo assim, a experi\u00eancia anal\u00edtica introduz estruturalmente, mediante condi\u00e7\u00f5es artificiais, o discurso hist\u00e9rico (a j\u00e1 sabida <em>histericiza\u00e7\u00e3o do discurso<\/em>), o qual, por certo, j\u00e1 lhe preexistia. O discurso da hist\u00e9rica existe mais al\u00e9m da psican\u00e1lise<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\"><sup>[16]<\/sup><\/a>; <em>industriosa<\/em>, ela fabrica de alguma maneira um homem que esteja animado pelo desejo de saber<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\"><sup>[17]<\/sup><\/a>, chama um mestre a produzir saber\u2026 Enfim, s\u00f3 trata de que se saiba quanto ela vale como objeto precioso. Finalmente, h\u00e1 o discurso universit\u00e1rio, que Lacan faz equivaler ao discurso da ci\u00eancia de onde o saber comanda. Em outro lugar, ele o chamar\u00e1 de discurso eterno, o discurso fundamental<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\"><sup>[18]<\/sup><\/a>. Ent\u00e3o, o S\u2082 ocupa o lugar de comando e se dirige ao estudante, o pequeno <em>a<\/em>, sob a prerrogativa de um <em>siga sabendo cada vez mais<\/em><a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\"><sup>[19]<\/sup><\/a>, suficientemente superegoico, n\u00e3o podendo produzir sen\u00e3o mais que um sujeito em sua m\u00e1xima divis\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Discurso do mestre antigo<\/strong><\/p>\n<p>Apostemos em interrogar especialmente na estrutura do discurso do mestre \u2013 tamb\u00e9m conhecido como discurso do mestre antigo \u2013; e ent\u00e3o no que de alguma maneira se converteu, uma certa variedade<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\"><sup>[20]<\/sup><\/a> dele, que Lacan passou a chamar de discurso do capitalista \u2013 o do mestre moderno. Essencialmente, poder\u00edamos extrair que o que produz o passo, o desvio, o deslizamento de um a outro \u00e9 uma modifica\u00e7\u00e3o no lugar do saber<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\"><sup>[21]<\/sup><\/a>, uma pequen\u00edssima mudan\u00e7a na ordem das letras<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\"><sup>[22]<\/sup><\/a>, entre outras opera\u00e7\u00f5es que pontuarei oportunamente.<\/p>\n<p>O discurso do mestre tem vital import\u00e2ncia hist\u00f3rica; a filosofia tem se ocupado fervorosamente disso. S\u2081 \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o significante na \u00e9poca em que se apoia o mestre; S\u2082, o saber, \u00e9 o lugar que corresponde ao escravo. O saber \u00e9 coisa dita, o saber fala sozinho, em suma, \u00e9 inconsciente<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\"><sup>[23]<\/sup><\/a>. Lacan vai equiparar o discurso do mestre, sem mais, ao discurso do inconsciente. Um inconsciente que, j\u00e1 nos ensinara Freud, de jeito nenhum resiste, pelo contr\u00e1rio, insiste, produz tempor\u00e3os, prolifera nas sombras, enfim, \u00e9 algo vivo<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\"><sup>[24]<\/sup><\/a>. Para Lacan, a linguagem mesma \u00e9 condi\u00e7\u00e3o do inconsciente<a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\"><sup>[25]<\/sup><\/a>. O inconsciente \u00e9 um saber que trabalha, \u00e9 o trabalhador ideal<a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\"><sup>[26]<\/sup><\/a>. Mas justo quando queremos que a coisa marche ficamos encalhados, isto \u00e9 o inconsciente lacaniano: puro trope\u00e7o, lapso, obst\u00e1culo \u00e0 cadeia significante.<\/p>\n<p>Voltando \u00e0 l\u00f3gica do discurso do mestre, Lacan situa que o trabalho escravo constitui um inconsciente n\u00e3o revelado; seu fazer p\u00f5e em cima da mesa desvios, fic\u00e7\u00f5es e erros<a href=\"#_ftn27\" name=\"_ftnref27\"><sup>[27]<\/sup><\/a>. \u00c9 preciso indicar que, assim como situei oportunamente que o saber \u00e9 meio de gozo, o trabalho \u00e9 uma outra coisa; nenhum trabalho em si e por si engendra um saber<a href=\"#_ftn28\" name=\"_ftnref28\"><sup>[28]<\/sup><\/a>. De alguma maneira, trata-se de encontrar a opera\u00e7\u00e3o que permita subtrair o saber \u00e0 escravid\u00e3o e que este se converta em um saber de mestre. Por acaso, o mestre quer saber? N\u00e3o deseja saber absolutamente nada, s\u00f3 lhe interessa que <em>a coisa ande<\/em><a href=\"#_ftn29\" name=\"_ftnref29\"><sup>[29]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Lacan indica que, com o saber como meio de gozo, se produz um sentido obscuro. Esse sentido obscuro \u00e9 o da verdade<a href=\"#_ftn30\" name=\"_ftnref30\"><sup>[30]<\/sup><\/a>. A verdade, essa que s\u00f3 pode <em>meiodizerse<\/em>, que \u00e9 insepar\u00e1vel dos efeitos de linguagem, que se localiza como pode, sempre pela metade, nisso que se enuncia. A verdade no discurso do mestre aparece sempre mascarada. O sujeito est\u00e1 bem escondido no n\u00edvel da verdade do mestre; a divis\u00e3o do sujeito \u00e9, sem d\u00favida, a ambiguidade radical que se vincula com o termo da verdade<a href=\"#_ftn31\" name=\"_ftnref31\"><sup>[31]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Enfim, o discurso do mestre, assim como capta a perda, v\u00ea surgir o objeto pequeno <em>a<\/em>, o mais-de-gozar; \u00e9 o saber que produz o objeto <em>a<\/em><a href=\"#_ftn32\" name=\"_ftnref32\"><sup>[32]<\/sup><\/a>. O mestre faz o escravo pagar, \u00fanico que possui os meios do gozo; ele faz o escravo pagar o d\u00edzimo, o faz produzir um mais de gozo. O mestre faz de sua ren\u00fancia ao gozo o princ\u00edpio de seu poder<a href=\"#_ftn33\" name=\"_ftnref33\"><sup>[33]<\/sup><\/a>. A genialidade do mestre consiste em encontrar sua verdade por meio do trabalho do outro<a href=\"#_ftn34\" name=\"_ftnref34\"><sup>[34]<\/sup><\/a>, sustentado no corpo do outro, dispondo-se do corpo do outro, o do escravo.<\/p>\n<p>No discurso do mestre, a verdade determina o agente; podemos apreci\u00e1-lo na dire\u00e7\u00e3o do vetor \u2013 de baixo para cima. Isto \u00e9: o $, o sujeito, no lugar da verdade, exerce sua determina\u00e7\u00e3o sobre o S\u2081, o significante-mestre. Assim mesmo, no piso superior, o S\u2081 chama o S\u2082, isto \u00e9: o significante-mestre chama o saber, mas justamente a primeira linha, a flecha que se escreve entre ambos, se define sempre como imposs\u00edvel. No discurso do mestre \u00e9 imposs\u00edvel que haja um mestre que possa fazer funcionar o mundo. Fazer o outro trabalhar \u00e9 mais esgotante do que faz\u00ea-lo voc\u00ea mesmo, podem comprovar, dir\u00e1 Lacan. Por outra parte, no piso inferior, as coisas n\u00e3o andam melhor, ali n\u00e3o h\u00e1 flecha, n\u00e3o h\u00e1 comunica\u00e7\u00e3o, e ainda, h\u00e1 algo que obtura. E o que obtura n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o o que resulta do trabalho mesmo, isto \u00e9: a produ\u00e7\u00e3o. A produ\u00e7\u00e3o, o objeto mais-de-gozar, n\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o alguma com a verdade<a href=\"#_ftn35\" name=\"_ftnref35\"><sup>[35]<\/sup><\/a>. No discurso do mestre localizamos, no piso inferior, uma barreira, um gozo proibido. O discurso do mestre faz imposs\u00edvel a articula\u00e7\u00e3o do fantasma $&lt;&gt; <em>a<\/em>, o exclui; isto, de alguma maneira, o torna completamente cego<a href=\"#_ftn36\" name=\"_ftnref36\"><sup>[36]<\/sup><\/a>. Logo, Lacan faz outros apontamentos e fala justamente de impot\u00eancia<a href=\"#_ftn37\" name=\"_ftnref37\"><sup>[37]<\/sup><\/a> para explicar melhor o que sucede no piso inferior, deixando o termo impossibilidade para o piso superior.<\/p>\n<p>Contudo, o que \u00e9 central, e que de fato faz uma diferen\u00e7a estrutural com o discurso capitalista, \u00e9 que o discurso do mestre antigo aloja e sustenta uma impossibilidade. H\u00e1 um gozo que est\u00e1 proibido, em todo caso, dele s\u00f3 se pegam algumas migalhas. De fato, o mestre tem renunciado ao gozo, priva o escravo da disposi\u00e7\u00e3o de seu corpo, mas lhe deixa o gozo<a href=\"#_ftn38\" name=\"_ftnref38\"><sup>[38]<\/sup><\/a>, o que n\u00e3o \u00e9 pouco. De todas as maneiras, ao gozo, o escravo o substitui pelo trabalho<a href=\"#_ftn39\" name=\"_ftnref39\"><sup>[39]<\/sup><\/a>, que, claro, n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa, nem de perto.<\/p>\n<p>Para finalizar esta pontua\u00e7\u00e3o sobre o discurso do mestre, quero tomar um apontamento de Lacan que me parece central. Ele estabelece que algo mudou sob certas coordenadas hist\u00f3ricas. Assistimos a um momento no qual o mais de gozo come\u00e7a a se contabilizar, a se totalizar, a se acumular. O discurso do mestre antigo come\u00e7ou a torcer seu rumo quando se come\u00e7a a produzir a acumula\u00e7\u00e3o do capital. A produ\u00e7\u00e3o deu um salto quando deixou de ser o um por um do oleiro e se autonomizou. Saber quem tem e maneja<a href=\"#_ftn40\" name=\"_ftnref40\"><sup>[40]<\/sup><\/a> os meios para isso \u2013 justamente sobre isso gira a paix\u00e3o do capitalismo. Uma defini\u00e7\u00e3o precisa, e relativamente inicial no que diz respeito ao tema em Lacan, aparece em &#8220;Kant com Sade&#8221;: o capitalismo n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o a explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem<a href=\"#_ftn41\" name=\"_ftnref41\"><sup>[41]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p><strong>O discurso do capitalista ou do mestre moderno<\/strong><\/p>\n<p>Em sua confer\u00eancia em Mil\u00e3o, em 1972, Lacan sustenta sem muito rodeio que o discurso capitalista \u00e9 o substituto do discurso do mestre. Dir\u00e1 ali tamb\u00e9m que o discurso do capitalista \u00e9 loucamente astuto e est\u00e1 em crise; que est\u00e1 destinado a explodir; que \u00e9, sob todas as luzes, insustent\u00e1vel. Como dissemos oportunamente, o que os diferencia \u00e9 que, entre ambos, s\u00f3 h\u00e1 uma pequena invers\u00e3o entre S\u2081 e o $, o sujeito. Como resultado, obtemos um &#8220;isso anda&#8221;, anda maravilhosamente, anda t\u00e3o bem que se consome e, no mesmo ato, consome a si mesmo. Em <em>Estou falando com as paredes<\/em>, Lacan dir\u00e1 que o discurso capitalista \u00e9 o mesmo do mestre, s\u00f3 que est\u00e1 <em>feito melhor<\/em>, e que, quanto melhor funciona, mais nos idiotiza, tanto \u00e9 que nem percebemos<a href=\"#_ftn42\" name=\"_ftnref42\"><sup>[42]<\/sup><\/a>!<\/p>\n<p>Em seu semin\u00e1rio <em>De um Outro ao outro<\/em>, Lacan equipara o objeto mais-de-gozar com a mais-valia de Karl Marx; diz que s\u00e3o hom\u00f3logos, que s\u00e3o do mesmo estofo<a href=\"#_ftn43\" name=\"_ftnref43\"><sup>[43]<\/sup><\/a>. A mais-valia \u00e9 a mem\u00f3ria do mais de gozo, \u00e9 seu equivalente. Entretanto, somente alguns anos depois, em sua confer\u00eancia &#8220;Sobre a experi\u00eancia do passe&#8221;, Lacan dir\u00e1 que o que vem a ocupar o lugar da mais-valia, e que ele denominou mais-de-gozar, \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o muito mais radical que a da mais-valia no discurso capitalista. Ele sustenta, ent\u00e3o, que se trata de uma <em>fun\u00e7\u00e3o de fundamento<\/em>, ligada \u00e0 depend\u00eancia do homem com respeito \u00e0 linguagem<a href=\"#_ftn44\" name=\"_ftnref44\"><sup>[44]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>O suporte do mais-de-gozar \u00e9 sem d\u00favida a meton\u00edmia; esse mais-de-gozar \u00e9 essencialmente um objeto que escapole e resulta imposs\u00edvel deter esse deslizamento em algum ponto<a href=\"#_ftn45\" name=\"_ftnref45\"><sup>[45]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Contudo, o que se torna evidente \u00e9 que a rela\u00e7\u00e3o da mais-valia de Marx e o mais-de-gozar lacaniano gira em torno do objeto <em>a<\/em>. Como destacamos no princ\u00edpio, falando do discurso anal\u00edtico, o mais-de-gozar \u00e9 fun\u00e7\u00e3o da ren\u00fancia ao gozo por efeito do discurso; \u00e9, de fato, o que deu lugar \u00e0 produ\u00e7\u00e3o mesma do objeto <em>a<\/em>.<\/p>\n<p>Em \u201cRadiofonia\u201d<a href=\"#_ftn46\" name=\"_ftnref46\"><sup>[46]<\/sup><\/a>, tamb\u00e9m encontramos algumas coordenadas de interesse. Ali Lacan estabelece que a mais-valia \u00e9 a <em>causa de desejo<\/em> da qual a economia faz seu princ\u00edpio: <em>a produ\u00e7\u00e3o extensiva e insaci\u00e1vel da falta-em-gozar<\/em>. Assim se estende sem mais delongas o consumo, sem o qual toda produ\u00e7\u00e3o seria totalmente v\u00e3. Toda essa l\u00f3gica orientada por um discurso que, impec\u00e1vel, induz a que os explorados rivalizem e, assim mesmo, participem da sede da falta-em-gozar. O discurso ing\u00eanuo do capitalista \u00e9 totalmente tolo em procurar um gozo que possa reduzir a produ\u00e7\u00e3o. O circuito \u00e9 infernal, e o ru\u00eddo n\u00e3o se far\u00e1 esperar muito.<\/p>\n<p>O mercado define como mercadoria os objetos de trabalho, e cada um desses objetos leva em si algo de mais-valia. O problema \u00e9 que, justamente, o objeto pequeno <em>a<\/em> engendra uma incessante recupera\u00e7\u00e3o de gozo; a ren\u00fancia pulsional, necess\u00e1ria para que haja discurso, nutre a gula do supereu; Agn\u00e8s Aflalo a nomeia de sintoma da civiliza\u00e7\u00e3o. Assim, diz, haveria um mesmo circuito econ\u00f4mico que vale para o capitalismo e para a puls\u00e3o: cont\u00ednua perda e retorno de um gozo sintom\u00e1tico<a href=\"#_ftn47\" name=\"_ftnref47\"><sup>[47]<\/sup><\/a>. Assim mesmo, o homem, na era do capitalismo, v\u00ea seu papel reduzido ao de mero consumidor de <em>gadgets<\/em>, que n\u00e3o s\u00e3o sen\u00e3o objetos <em>a<\/em> multiplicados e falsos, v\u00e3s falsifica\u00e7\u00f5es de objetos causa de desejo<a href=\"#_ftn48\" name=\"_ftnref48\"><sup>[48]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o empuxo a gozar na \u00e9poca capitalista responde \u00e0s coordenadas j\u00e1 apresentadas. Haveria uma perda pulsional fundante que imprime uma falta-em-gozar. Essa ren\u00fancia, involunt\u00e1ria e radical, por sua vez, se combina com uma sede insaci\u00e1vel de se fazer um suposto <em>mais-de-gozar<\/em> restitu\u00edvel. O intuito, sempre falido, de recuperar o perdido, empurra superegoicamente a gozar sem medidas. Esse empuxo pulsional opera desconhecendo a impossibilidade estrutural, <em>ainda assim <\/em>se pode seguir gozando, se goza do consumo e se goza da ren\u00fancia. Quanto mais ren\u00fancia, mais\u00a0 gozo. Esse circuito conduz a um consumo enlouquecedor de <em>sempre mais<\/em>. Mais contatos <em>on-line<\/em>, mais indument\u00e1ria, mais telas, mais comprimidos, mais tratamentos <em>anti age,<\/em> mais cirurgias \u2013 beirando o patetismo em alguns casos \u2013, que n\u00e3o conseguem suturar a falta fundamental. O problema \u00e9 que o discurso capitalista renega esse imposs\u00edvel e inventa um <em>enjoy<\/em>; para frente; <em>just do it<\/em>; voc\u00ea pode, irm\u00e3o; de desastrosas consequ\u00eancias.<\/p>\n<p><strong>Ci\u00eancia e Capital. A rachadura do Nome-do-Pai<\/strong><\/p>\n<p>Retornando a Karl Marx, este denuncia a espolia\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn49\" name=\"_ftnref49\"><sup>[49]<\/sup><\/a>, isto \u00e9: a expropria\u00e7\u00e3o, a desapropria\u00e7\u00e3o violenta, de gozo. Por sua vez, a mais-valia se soma ao capital, e as nuvens de impot\u00eancia come\u00e7am a dissipar-se<a href=\"#_ftn50\" name=\"_ftnref50\"><sup>[50]<\/sup><\/a>. Poder\u00edamos acrescentar aqui que n\u00e3o s\u00f3 da impot\u00eancia, de juntar o objeto mais-de-gozar com a verdade do mestre, mas que tamb\u00e9m se inicia uma nova era que, em sua ess\u00eancia, tal como dissemos, passa a desconhecer a impossibilidade.<\/p>\n<p>O capitalismo mudou completamente as rela\u00e7\u00f5es de poder, o que provavelmente as tornaram mais abusivas com a introdu\u00e7\u00e3o do poder liberal, disse Lacan no semin\u00e1rio 16. O capitalismo reina porque est\u00e1 estreitamente unido, dir\u00edamos que est\u00e1 de m\u00e3os dadas, com a ascens\u00e3o da ci\u00eancia. Mas, por outro lado, esta supera suas capacidades de dom\u00ednio<a href=\"#_ftn51\" name=\"_ftnref51\"><sup>[51]<\/sup><\/a>. Poder\u00edamos dizer que a ci\u00eancia vai alguns passos adiante do sistema capitalista e que, de fato, o arrasta? Ou se trata acaso de que o capitalismo <em>faz uso<\/em> da ci\u00eancia?<\/p>\n<p>O Nome-do-Pai, o que conhec\u00edamos segundo a tradi\u00e7\u00e3o, tem sido desvalorizado<a href=\"#_ftn52\" name=\"_ftnref52\"><sup>[52]<\/sup><\/a>. Dois discursos t\u00eam trabalhado febrilmente operando sua rachadura. O discurso da ci\u00eancia e o do capitalismo se combinam para provocar o desvanecimento da natureza<a href=\"#_ftn53\" name=\"_ftnref53\"><sup>[53]<\/sup><\/a>. A lei natural, o harm\u00f4nico, o ordenado, est\u00e3o infalivelmente perdidos.<\/p>\n<p>Assim mesmo, essa articula\u00e7\u00e3o ci\u00eancia e capitalismo trabalha, poder\u00edamos dizer, quase perversamente, para produzir uma m\u00e1quina infernal. Assistimos, assim, a um am\u00e1lgama explosivo que d\u00e1 origem \u00e0s tecnoci\u00eancias. Ou, nas palavras de Peteiro Cartelle, ao <em>autoritarismo cient\u00edfico<\/em><a href=\"#_ftn54\" name=\"_ftnref54\"><sup>[54]<\/sup><\/a>, inquestion\u00e1vel, reducionista, com pretens\u00f5es de universalidade, onisci\u00eancia. Assim, a ci\u00eancia \u2013 a servi\u00e7o do capitalismo, ou ao contr\u00e1rio? \u2013 se orienta em dire\u00e7\u00e3o do rent\u00e1vel, do \u00fatil, do que anda; produzindo, infalivelmente, uma redu\u00e7\u00e3o cientificista do sujeito. A \u00e9tica falta ao compromisso e a gaia ci\u00eancia, filha das luzes e apaixonada por conhecer, s\u00e3o tragadas, sem mais, pelo obscurantismo do mercado.<\/p>\n<p>Antonio Di Ciaccia localiza o mercado como uma m\u00e1quina que se autorregula, que sabe aonde vai, que tem uma dire\u00e7\u00e3o inelut\u00e1vel e impar\u00e1vel. Indica tamb\u00e9m que <em>na \u00e9tica do mercado<\/em> h\u00e1 a cren\u00e7a de que o real em jogo \u00e9 a acumula\u00e7\u00e3o de riqueza; isto \u00e9 sem d\u00favida um enredo, pura ilus\u00e3o. Do significante do Outro barrado, da opera\u00e7\u00e3o da mais-valia e do furo na m\u00e1quina do simb\u00f3lico <em>n\u00e3o se quer saber<\/em>. E o homem paga muito caro nesta tentativa de apagamento do real, e isto, sem d\u00favida, retorna de maneira devastadora<a href=\"#_ftn55\" name=\"_ftnref55\"><sup>[55]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p><strong>Uma <em>Verwerfung<\/em> com muitas consequ\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>Uma refer\u00eancia que n\u00e3o poderia faltar \u00e9 o aporte de Jorge Alem\u00e1n, que se estabeleceu como um referente no tema. Ele aponta que no discurso do capitalista assistimos a um recha\u00e7o da verdade do discurso. De fato, observamos que o vetor que conecta o lugar do semblante com o da verdade est\u00e1 invertido. Vemos, ent\u00e3o, como o agente repudia a determina\u00e7\u00e3o que receberia da verdade e passa a comand\u00e1-la. O sujeito no discurso do capitalista, entronizado como agente, opera sobre o S\u2081 que est\u00e1 no lugar da verdade. Havendo um recha\u00e7o \u00e0 castra\u00e7\u00e3o no discurso capitalista, assistimos a um movimento circular que nos conduz a questionar at\u00e9 que ponto \u00e9 poss\u00edvel cham\u00e1-lo discurso, dado que n\u00e3o h\u00e1 uma barreira para o gozo<a href=\"#_ftn56\" name=\"_ftnref56\"><sup>[56]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Por outra parte, contamos com a j\u00e1 c\u00e9lebre refer\u00eancia \u2013 publicada agora em um volume novo que Miller intitulou <em>Estou falando com as paredes<\/em> \u2013 onde Lacan enfatiza que <em>o que distingue o discurso do capitalista \u00e9 a Verwerfung, o recha\u00e7o, da castra\u00e7\u00e3o<\/em>. E agrega que todo discurso que fa\u00e7a parentesco com o capitalista deixa de lado as coisas do amor. A castra\u00e7\u00e3o fez sua entrada com o s\u00e9culo XX sob a forma do discurso anal\u00edtico, o qual, embora n\u00e3o conseguiu articul\u00e1-la completamente, sim multiplicou sua met\u00e1fora \u2013 a castra\u00e7\u00e3o \u2013 e a reconheceu como sede de todas as meton\u00edmias<a href=\"#_ftn57\" name=\"_ftnref57\"><sup>[57]<\/sup><\/a>. O amor \u00e9 um \u00c1s na manga para a psican\u00e1lise; de fato, o la\u00e7o anal\u00edtico existe gra\u00e7as a ele. Nas palavras de Silvia Salman, a respeito da transfer\u00eancia, uma psican\u00e1lise \u00e9 uma experi\u00eancia de amor<a href=\"#_ftn58\" name=\"_ftnref58\"><sup>[58]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Ali onde o discurso capitalista recha\u00e7a a castra\u00e7\u00e3o \u2013 que a esta altura poder\u00edamos pens\u00e1-la em equival\u00eancia com a impossibilidade \u2013 e as coisas do amor, n\u00e3o se quer saber delas; justamente, a psican\u00e1lise tenta reintroduzi-las discursivamente. O discurso do analista, dir\u00edamos, volta a colocar sobre o tapete o assunto da impossibilidade.<\/p>\n<p>De que impossibilidade falamos? Pois, justamente, outro modo de diz\u00ea-la \u00e9 via a j\u00e1 sabida <em>n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o<\/em>; isto \u00e9: n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual, n\u00e3o h\u00e1 propor\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 c\u00f3pula, n\u00e3o h\u00e1 harmonia sexual. N\u00e3o h\u00e1 porque o gozo do Outro, considerado como corpo, sempre \u00e9 inadequado, perverso, louco, enigm\u00e1tico<a href=\"#_ftn59\" name=\"_ftnref59\"><sup>[59]<\/sup><\/a>. Em todo caso, o que h\u00e1 s\u00e3o encontros, sempre contingentes. Pela conting\u00eancia, demonstra-se a impossibilidade; dito de outra maneira muito mais elegante, encontramos isto no \u00faltimo par\u00e1grafo de &#8220;Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 edi\u00e7\u00e3o alem\u00e3&#8230;&#8221;<a href=\"#_ftn60\" name=\"_ftnref60\"><sup>[60]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p><strong>A subida ao z\u00eanite do objeto <em>a<\/em> e o pseudodiscurso hipermoderno<\/strong><\/p>\n<p>Freud, ao final do s\u00e9culo XIX, criou a psican\u00e1lise como resposta ao mal-estar de sua \u00e9poca. Ele intuiu que a inten\u00e7\u00e3o da cultura vitoriana de domar e redirecionar o empuxo pulsional \u2013 que n\u00e3o se replica sen\u00e3o a partir da impress\u00e3o do significante inaugurando o corpo \u2013 produz o nervosismo moderno. Dir\u00edamos que, se seus contempor\u00e2neos sofriam de inibi\u00e7\u00f5es, a psican\u00e1lise cooperou de alguma maneira com o desprendimento das mesmas.<\/p>\n<p>Em \u201cRadiofonia\u201d, Lacan apresenta a f\u00f3rmula da subida ao z\u00eanite social do objeto <em>a<\/em><a href=\"#_ftn61\" name=\"_ftnref61\"><sup>[61]<\/sup><\/a>. Este, como alguns outros ditos lacanianos que cont\u00eam certo grau de enigma, faz onda e \u00e9 replicado num esfor\u00e7o para ser elucidado. Miller aceitou o desafio em sua c\u00e9lebre confer\u00eancia de Comandatuba<a href=\"#_ftn62\" name=\"_ftnref62\"><sup>[62]<\/sup><\/a> e o trabalhou \u00e0 luz do discurso atual. Ao discurso contempor\u00e2neo ele chamou &#8220;<em>discurso hipermoderno da civiliza\u00e7\u00e3o<\/em>&#8221; e prop\u00f4s pensar se por acaso o objeto pequeno<em> a<\/em>, ele pr\u00f3prio, esse que tem ascendido ao z\u00eanite social, ao <em>sociel<\/em>, n\u00e3o seria por acaso <em>a nova b\u00fassola que comanda<\/em>. Isto \u00e9, segundo entendo, uma nova configura\u00e7\u00e3o que pretende dar ao objeto <em>a<\/em>, posto no lugar do agente, o absoluto protagonismo. Assim, Miller dir\u00e1 que esse objeto se imp\u00f5e ao sujeito e o convida a se libertar de suas inibi\u00e7\u00f5es, essas que ficaram <em>d\u00e9mod\u00e9<\/em>, que n\u00e3o s\u00e3o sen\u00e3o rid\u00edculos v\u00edcios do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p>Para isso, Miller chega a se perguntar se por acaso a psican\u00e1lise de Freud n\u00e3o haveria antecipado a ascens\u00e3o ao z\u00eanite social do objeto <em>a<\/em> e, de alguma maneira, se n\u00e3o havia tamb\u00e9m contribu\u00eddo para sua instala\u00e7\u00e3o. De tal modo que a pr\u00e1tica lacaniana tem que lidar com isso, um s\u00e9culo depois, com as consequ\u00eancias devastadoras da tirania do objeto <em>a<\/em> empurrando a gozar.<\/p>\n<p>Miller vai fazendo toda uma elabora\u00e7\u00e3o, voc\u00eas podem muito bem consult\u00e1-la em sua confer\u00eancia<a href=\"#_ftn63\" name=\"_ftnref63\"><sup>[63]<\/sup><\/a>, para chegar a sustentar que o discurso hipermoderno teria a mesma estrutura que o discurso do analista, mas sem suas rela\u00e7\u00f5es, sem a orienta\u00e7\u00e3o de seus conectores, de modo tal que lan\u00e7a uma outra configura\u00e7\u00e3o. Se, no discurso anal\u00edtico, os quatro elementos guardam um jogo de rela\u00e7\u00f5es que os ordena e os converte num discurso, na civiliza\u00e7\u00e3o atual operam separadamente, disjuntos. Os sujeitos hipermodernos est\u00e3o, ent\u00e3o, cada vez mais separados do la\u00e7o, desordenados, ungidos na paix\u00e3o pelo culto ao individual, \u00e0 imagem e \u00e0s telas.<\/p>\n<p>Assim, o discurso hipermoderno, que n\u00e3o seria formalmente um discurso, pois falham as rela\u00e7\u00f5es entre seus elementos, d\u00e1 conta do modo de funcionamento dos sujeitos da nossa \u00e9poca.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, temos um objeto <em>a<\/em> no lugar do agente ditador, empurrando e comandando o sujeito, no lugar do outro, que se deixa levar divertidamente para um gozo que n\u00e3o admite limita\u00e7\u00f5es. No lugar da verdade, se localiza o saber mentiroso, e no da produ\u00e7\u00e3o, a avalia\u00e7\u00e3o homogeneizante; (pensem que s\u00e3o as coordenadas de 2004, quando a psican\u00e1lise francesa estava sendo colocada em xeque pelas pr\u00e1ticas cognitivistas).<\/p>\n<p>Somo aqui a contribui\u00e7\u00e3o de \u00c9ric Laurent, em sua confer\u00eancia &#8220;Falar com seu sintoma, falar com seu corpo&#8221;. Ali, ele assinala que, na disposi\u00e7\u00e3o atual do Outro da civiliza\u00e7\u00e3o, as palavras e os corpos se separam. E dir\u00e1 tamb\u00e9m que a subida ao z\u00eanite social do objeto <em>a<\/em> somente submete os corpos a uma lei de ferro ao colocar em primeiro plano a exig\u00eancia de gozo. Assim, Laurent diz, assistimos a uma \u00e9poca de corpos terapeutizados, operados, cosmetizados e modificados geneticamente<a href=\"#_ftn64\" name=\"_ftnref64\"><sup>[64]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, sob a perspectiva desse suposto discurso hipermoderno que Miller fantasiou, como fazer uma <em>neo<\/em>leitura do consumo e do empuxo superegoico a gozar que j\u00e1 tinha muito bem ganhado seu lugar no discurso do mestre moderno (capitalista)? Onde radicaria a diferen\u00e7a entre ambos?<\/p>\n<p>Haveria a suposi\u00e7\u00e3o, sem d\u00favida delirante, de que na atualidade se trataria de uma sorte de libera\u00e7\u00e3o que conduziria a que, de uma s\u00f3 vez, <em>haja<\/em> rela\u00e7\u00e3o sexual. O pseudodiscurso hipermoderno n\u00e3o s\u00f3 aponta para desconhecer a castra\u00e7\u00e3o\/a impossibilidade (como o fez o discurso do capitalista), como estaria tentando dar um passo a mais. Na hipermodernidade, tratar-se-ia de tentar fazer c\u00f3pula com o objeto, sem restri\u00e7\u00f5es, sem ren\u00fancias; anuladas j\u00e1 toda espera, toda inibi\u00e7\u00e3o, toda culpa e, por certo, e isto \u00e9 o mais preocupante, toda rela\u00e7\u00e3o poss\u00edvel com o inconsciente. Um objeto <em>a<\/em> no z\u00eanite operando inclusive <em>mais al\u00e9m<\/em> das coordenadas freudianas do supereu? Entendo o arriscado dessa pergunta. Que esta e outras muitas perguntas ainda persistam em n\u00f3s \u00e9 um signo de que n\u00e3o-toda a contemporaneidade est\u00e1 marcada pelas mesmas coordenadas da devasta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Adendos: O discurso se suporta no corpo<\/strong><\/p>\n<p>Em conson\u00e2ncia com os temas do pr\u00f3ximo XVIII Encontro Internacional do Campo Freudiano em Buenos Aires e VI Encontro Americano de Psican\u00e1lise da Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana, ENAPOL 2013, no pr\u00f3ximo novembro em Buenos Aires: &#8220;Falar com o corpo. As crises das normas e as agita\u00e7\u00f5es do real&#8221;, quero tomar um \u00faltimo vi\u00e9s. No semin\u00e1rio 19, Lacan indica que, a partir do discurso, Freud fez surgir que o que se produzia no n\u00edvel do suporte \u2013 o suporte, \u00e9 preciso diz\u00ea-lo, \u00e9 o corpo \u2013 tinha uma rela\u00e7\u00e3o direta com o que se articulava mediante o discurso<a href=\"#_ftn65\" name=\"_ftnref65\"><sup>[65]<\/sup><\/a>. Agn\u00e8s Aflalo o escreve assim: o discurso \u00e9 um la\u00e7o e seu lugar \u00e9 o corpo<a href=\"#_ftn66\" name=\"_ftnref66\"><sup>[66]<\/sup><\/a>, gosto de sua contund\u00eancia. Laurent dir\u00e1 que a psican\u00e1lise soube captar precisamente a emenda entre as palavras e os corpos sob um vi\u00e9s preciso: o sintoma<a href=\"#_ftn67\" name=\"_ftnref67\"><sup>[67]<\/sup><\/a>. Talvez n\u00e3o dev\u00eassemos perder a pot\u00eancia desse torque: que n\u00e3o h\u00e1 discurso sem corpo. Sustentar e ampliar esta afirma\u00e7\u00e3o convida a escrever, pois, um pr\u00f3ximo cap\u00edtulo.<\/p>\n<h6>Tradu\u00e7\u00e3o: Nelson Matheus Silva<\/h6>\n<h6>Revis\u00e3o: Marcela Antelo<\/h6>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> DI CIACCIA, A. La \u00e9tica en la era de la globalizaci\u00f3n. (2002) <em>Revista Virtualia<\/em>, n. 7, p. 5, abr.-mayo 2003. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.virtualia.eol.org.ar\/007\/\">www.virtualia.eol.org.ar\/007\/<\/a>&gt;.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> STECHER, G. Acerca de la discordia entre inconsciente y cuerpo. Un rasgo sobre lo irrepresentable en Freud. (2012) <em>Revista Consecuencias<\/em>, n. 9, 2012. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.revconsecuencias.com.ar\">www.revconsecuencias.com.ar<\/a><u>&gt;.<\/u><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> MILLER, J.-A. El Otro sin Otro. Intervenci\u00f3n hacia el pr\u00f3ximo Congreso de la NLS, 2013. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.ampblog2006.blogspot.com.ar\">www.ampblog2006.blogspot.com.ar<\/a><u>&gt;.<\/u><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> LACAN, J. Do discurso psicanal\u00edtico. (1972) Confer\u00eancia em Mil\u00e3o de 12 de maio de 1972. In\u00e9dito. Tradu\u00e7\u00e3o livre.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> FERREIRA DA SILVA, R. La locura que estructura: la funci\u00f3n de la paranoia y de la debilidad en la constituci\u00f3n del lazo social, el s\u00edntoma como lo singular que hace lazo. <em>Revista Consecuencias<\/em>, n. 11, 2013. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.revconsecuencias.com.ar\">www.revconsecuencias.com.ar<\/a>&gt;.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a> MILLER, J.-A. <em>La naturaleza de los semblantes<\/em>. (1992) Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2002. p. 10-15.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> MILLER, J.-A. El Otro sin Otro. Intervenci\u00f3n hacia el pr\u00f3ximo Congreso de la NLS, 2013. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.ampblog2006.blogspot.com.ar\">www.ampblog2006.blogspot.com.ar<\/a><u>&gt;.<\/u><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>\u00a0 LACAN, J. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 19: <em>&#8230;ou pior<\/em>. (1971-1972) Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2012. p. 222-223.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>\u00a0 LACAN, J. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 17: <em>O avesso da psican\u00e1lise<\/em>. (1969-1970) Rio de Janeiro:\u00a0 Jorge Zahar Ed., 1992. p. 41.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\"><sup>[10]<\/sup><\/a> LACAN. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 19: <em>&#8230;ou pior<\/em>. <em>Op. cit<\/em>., p. 222.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\"><sup>[11]<\/sup><\/a> LACAN. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 19: <em>&#8230;ou pior<\/em>. <em>Op. cit<\/em>., p. 71.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\"><sup>[12]<\/sup><\/a> LACAN. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 19: <em>&#8230;ou pior<\/em>. <em>Op. cit<\/em>., p. 222.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\"><sup>[13]<\/sup><\/a> LACAN. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 17: <em>O avesso da psican\u00e1lise<\/em>. <em>Op. cit<\/em>., p. 47.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\"><sup>[14]<\/sup><\/a> LACAN, J. Televis\u00e3o. (1973) In: ___. <em>Outros escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003. p. 517.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\"><sup>[15]<\/sup><\/a> LACAN, J. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 16: <em>De um Outro ao outro<\/em>. (1968-1969) Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2008. p. 17-18.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\"><sup>[16]<\/sup><\/a> LACAN. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 17: <em>O avesso da psican\u00e1lise<\/em>. <em>Op. cit<\/em>., p. 31.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\"><sup>[17]<\/sup><\/a> LACAN. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 17: <em>O avesso da psican\u00e1lise<\/em>. <em>Op. cit<\/em>., p. 33.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\"><sup>[18]<\/sup><\/a> LACAN. Do discurso psicanal\u00edtico. <em>Op. cit<\/em>.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\"><sup>[19]<\/sup><\/a> LACAN. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 17: <em>O avesso da psican\u00e1lise<\/em>. <em>Op. cit<\/em>., p. 97-98.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\"><sup>[20]<\/sup><\/a> LACAN, J. Sobre la experiencia del pase. Acerca de la experiencia del pase y su transmisi\u00f3n. 3 de noviembre de 1973. Texto establecido por J.-A. Miller. <em>Ornicar?<\/em>, n. 1. Publicaci\u00f3n del Campo freudiano. Barcelona: Ediciones Petrel, 1981.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\"><sup>[21]<\/sup><\/a> LACAN. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 17: <em>O avesso da psican\u00e1lise<\/em>. <em>Op. cit<\/em>., p. 30.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\"><sup>[22]<\/sup><\/a> LACAN. Sobre la experiencia del pase. <em>Op. cit<\/em>.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\"><sup>[23]<\/sup><\/a> LACAN. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 17: <em>O avesso da psican\u00e1lise<\/em>. <em>Op. cit<\/em>., p. 66.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\"><sup>[24]<\/sup><\/a> FREUD, S. A repress\u00e3o. (1915) In: ___. <em>Introdu\u00e7\u00e3o ao narcisismo<\/em>: ensaios de metapsicologia e outros textos (1914-1916). S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2010. p. 82-98. (Obras completas de Sigmund Freud, 12.)<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\"><sup>[25]<\/sup><\/a> LACAN. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 17: <em>O avesso da psican\u00e1lise<\/em>. <em>Op. cit<\/em>., p. 39.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\"><sup>[26]<\/sup><\/a> LACAN. Televis\u00e3o. <em>Op. cit<\/em>., p. 517.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref27\" name=\"_ftn27\"><sup>[27]<\/sup><\/a> LACAN. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 17: <em>O avesso da psican\u00e1lise<\/em>. <em>Op. cit<\/em>., p. 28.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref28\" name=\"_ftn28\"><sup>[28]<\/sup><\/a> LACAN. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 17: <em>O avesso da psican\u00e1lise<\/em>. <em>Op. cit<\/em>., p. 74.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref29\" name=\"_ftn29\"><sup>[29]<\/sup><\/a> LACAN. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 17: <em>O avesso da psican\u00e1lise<\/em>. <em>Op. cit<\/em>., p. 21.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref30\" name=\"_ftn30\"><sup>[30]<\/sup><\/a> LACAN. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 17: <em>O avesso da psican\u00e1lise<\/em>. <em>Op. cit<\/em>., p. 48.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref31\" name=\"_ftn31\"><sup>[31]<\/sup><\/a> LACAN. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 17: <em>O avesso da psican\u00e1lise<\/em>.\u00a0 <em>Op. cit<\/em>., p. 169.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref32\" name=\"_ftn32\"><sup>[32]<\/sup><\/a> LACAN. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 16: <em>De um Outro ao outro<\/em>. <em>Op. cit<\/em>., p. 332.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref33\" name=\"_ftn33\"><sup>[33]<\/sup><\/a> LACAN. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 16: <em>De um Outro ao outro<\/em>. <em>Op. cit<\/em>., p. 17.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref34\" name=\"_ftn34\"><sup>[34]<\/sup><\/a> LACAN. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 17: <em>O avesso da psican\u00e1lise<\/em>. <em>Op. cit<\/em>., p. 83.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref35\" name=\"_ftn35\"><sup>[35]<\/sup><\/a> LACAN. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 17: <em>O avesso da psican\u00e1lise<\/em>. <em>Op. cit<\/em>., p. 166.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref36\" name=\"_ftn36\"><sup>[36]<\/sup><\/a> LACAN. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 17: <em>O avesso da psican\u00e1lise<\/em>. <em>Op. cit<\/em>., p. 101.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref37\" name=\"_ftn37\"><sup>[37]<\/sup><\/a> LACAN. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 17: <em>O avesso da psican\u00e1lise<\/em>. <em>Op. cit<\/em>., p. 166.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref38\" name=\"_ftn38\"><sup>[38]<\/sup><\/a> LACAN. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 17: <em>O avesso da psican\u00e1lise<\/em>. <em>Op. cit<\/em>., p. 100.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref39\" name=\"_ftn39\"><sup>[39]<\/sup><\/a> LACAN. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 17: <em>O avesso da psican\u00e1lise<\/em>. <em>Op. cit<\/em>., p. 167.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref40\" name=\"_ftn40\"><sup>[40]<\/sup><\/a> LACAN.<em> O semin\u00e1rio<\/em>, livro 16: <em>De um Outro ao outro<\/em>. <em>Op. cit<\/em>., p. 335.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref41\" name=\"_ftn41\"><sup>[41]<\/sup><\/a> LACAN, J. Kant com Sade. (1963) In: ___. <em>Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998. p. 789.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref42\" name=\"_ftn42\"><sup>[42]<\/sup><\/a> LACAN, J. <em>Estou falando com as paredes<\/em>: conversas na Capela de Sainte-Anne. (1971-1972) Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2011.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref43\" name=\"_ftn43\"><sup>[43]<\/sup><\/a> LACAN. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 16: <em>De um Outro ao outro<\/em>. <em>Op. cit<\/em>., p. 19.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref44\" name=\"_ftn44\"><sup>[44]<\/sup><\/a> LACAN. Sobre la experiencia del pase. <em>Op. cit<\/em>.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref45\" name=\"_ftn45\"><sup>[45]<\/sup><\/a> LACAN, J. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 18: <em>De um discurso que n\u00e3o fosse semblante<\/em>. (1970-1971) Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2009. p. 47.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref46\" name=\"_ftn46\"><sup>[46]<\/sup><\/a> LACAN, J. Radiofonia. (1970) In: ___. <em>Outros escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003. p. 435.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref47\" name=\"_ftn47\"><sup>[47]<\/sup><\/a> AFLALO, A. Discurso capitalista. (2007) <em>Silicet<\/em> &#8211; Los objetos <em>a<\/em> en la experiencia psicoanal\u00edtica. Buenos Aires: AMP, Grama ediciones, 2007. p. 74. DI CIACCIA. La \u00e9tica en la era de la globalizaci\u00f3n.<em> Op. cit<\/em>., p. 6.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref48\" name=\"_ftn48\"><sup>[48]<\/sup><\/a> DI CIACCIA. La \u00e9tica en la era de la globalizaci\u00f3n. <em>Op. cit<\/em>., p. 6<u>.<\/u><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref49\" name=\"_ftn49\"><sup>[49]<\/sup><\/a> LACAN. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 17: <em>O avesso da psican\u00e1lise<\/em>. <em>Op. cit<\/em>., p. 76.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref50\" name=\"_ftn50\"><sup>[50]<\/sup><\/a> LACAN. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 17: <em>O avesso da psican\u00e1lise<\/em>. <em>Op. cit<\/em>., p. 169.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref51\" name=\"_ftn51\"><sup>[51]<\/sup><\/a>\u00a0 LACAN. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 16: <em>De um Outro ao outro<\/em>. <em>Op. cit<\/em>., p. 40.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref52\" name=\"_ftn52\"><sup>[52]<\/sup><\/a> MILLER, J.-A. O real no s\u00e9culo XXI. 2012. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.wapol.org\/pt\/articulos\/Template.asp?intTipoPagina=4&amp;intPublicacion=38&amp;intEdicion=13&amp;intIdiomaPublicacion=9&amp;intArticulo=2493&amp;intIdiomaArticulo=9#notas 2&gt;.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref53\" name=\"_ftn53\"><sup>[53]<\/sup><\/a> MILLER, J.-A. O real no s\u00e9culo XXI. <em>Op. cit<\/em>.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref54\" name=\"_ftn54\"><sup>[54]<\/sup><\/a> PETEIRO CARTELLE, J. <em>El autoritarismo cient\u00edfico<\/em>. M\u00e1laga: Miguel G\u00f3mez Ediciones, 2010.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref55\" name=\"_ftn55\"><sup>[55]<\/sup><\/a> DI CIACCIA. La \u00e9tica en la era de la globalizaci\u00f3n. <em>Op. cit<\/em>., p. 6.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref56\" name=\"_ftn56\"><sup>[56]<\/sup><\/a> ALEM\u00c1N, J. <em>Cuestiones antifilos\u00f3ficas en Jacques Lacan<\/em>. Buenos Aires: Editorial Atuel, 1993. p. 20.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref57\" name=\"_ftn57\"><sup>[57]<\/sup><\/a> LACAN. <em>Estou falando com as paredes<\/em>. <em>Op. cit<\/em>.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref58\" name=\"_ftn58\"><sup>[58]<\/sup><\/a> SALMAN, S. El cuerpo en la experiencia del an\u00e1lisis. <em>Colof\u00f3n<\/em>, Buenos Aires: Editorial FIBOL, n. 33, p. 7, 2013.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref59\" name=\"_ftn59\"><sup>[59]<\/sup><\/a> LACAN, J. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 20: <em>Mais, ainda<\/em>. (1972-1973) Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2008. p. 197.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref60\" name=\"_ftn60\"><sup>[60]<\/sup><\/a> LACAN, J. Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 edi\u00e7\u00e3o alem\u00e3 de um primeiro volume dos Escritos. (1973) In: ___. <em>Outros escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003. p. 550-556.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref61\" name=\"_ftn61\"><sup>[61]<\/sup><\/a> LACAN. Radiofonia. <em>Op. cit<\/em>., p. 411.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref62\" name=\"_ftn62\"><sup>[62]<\/sup><\/a> MILLER, J.-A. Uma fantasia. Confer\u00eancia realizada no IV Congresso da AMP, em Comandatuba, Bahia, Brasil. 2004. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/2012.congresoamp.com\/pt\/template.php?file=Textos\/Conferencia-de-Jacques-Alain-Miller-en-Comandatuba.html\">http:\/\/2012.congresoamp.com\/pt\/template.php?file=Textos\/Conferencia-de-Jacques-Alain-Miller-en-Comandatuba.html<\/a><u>&gt;.<\/u><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref63\" name=\"_ftn63\"><sup>[63]<\/sup><\/a> MILLER. Uma fantasia. <em>Op. cit<\/em>.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref64\" name=\"_ftn64\"><sup>[64]<\/sup><\/a> LAURENT, \u00c9. Falar com seu sintoma, falar com seu corpo. Argumento proposto para o VI ENAPOL. 2013. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.enapol.com\/pt\/template.php?file=Argumento\/Hablar-con-el-propio-sintoma_Eric-Laurent.html\">http:\/\/www.enapol.com\/pt\/template.php?file=Argumento\/Hablar-con-el-propio-sintoma_Eric-Laurent.html<\/a><u>&gt;.<\/u><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref65\" name=\"_ftn65\"><sup>[65]<\/sup><\/a> LACAN. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 19: <em>&#8230;ou pior<\/em>. <em>Op. cit<\/em>., p. 217.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref66\" name=\"_ftn66\"><sup>[66]<\/sup><\/a> AFLALO. Discurso capitalista. <em>Op. cit<\/em>., p. 74. DI CIACCIA. La \u00e9tica en la era de la globalizaci\u00f3n. <em>Op. cit<\/em>., p. 6.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref67\" name=\"_ftn67\"><sup>[67]<\/sup><\/a> LAURENT. Falar com seu sintoma, falar com seu corpo. <em>Op. cit<\/em>.<\/h6>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_btn title=&#8221;Download PDF&#8221; color=&#8221;juicy-pink&#8221; link=&#8221;url:http%3A%2F%2Febpbahia.com.br%2Fjornadas%2F2021%2Fwp-content%2Fuploads%2F2021%2F10%2FO-rechaco-da-impossibilidade-o-empuxo-a-gozar-e-outras-ficcoes-da-epoca-Greta-Stecher.pdf&#8221;][vc_column_text] Greta Stecher Coordenadas bibliogr\u00e1ficas Pontuarei as refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas fundamentais que, entre outras, tomei para produzir este escrito. De Jacques Lacan: as confer\u00eancias &#8220;Do discurso psicanal\u00edtico&#8221;, de 1972, em Mil\u00e3o, e &#8220;Sobre la experiencia del pase&#8221;, de 1973; &#8220;Radiofonia&#8221;; &#8220;Televis\u00e3o&#8221;; Estou falando com as paredes; os semin\u00e1rios 16, 17, 18 e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-452","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-textos-de-orientacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2021\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/452","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2021\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2021\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2021\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2021\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=452"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2021\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/452\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":455,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2021\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/452\/revisions\/455"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2021\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=452"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2021\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=452"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2021\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=452"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}