{"id":252,"date":"2021-08-17T09:44:24","date_gmt":"2021-08-17T12:44:24","guid":{"rendered":"http:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2021\/?p=252"},"modified":"2021-08-17T14:51:35","modified_gmt":"2021-08-17T17:51:35","slug":"fora-do-discurso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebpbahia.com.br\/jornadas\/2021\/fora-do-discurso\/","title":{"rendered":"Fora do discurso"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_btn title=&#8221;Downlod PDF&#8221; color=&#8221;juicy-pink&#8221; size=&#8221;xs&#8221; i_icon_fontawesome=&#8221;fas fa-file-pdf&#8221; add_icon=&#8221;true&#8221; link=&#8221;url:http%3A%2F%2Febpbahia.com.br%2Fjornadas%2F2021%2Fwp-content%2Fuploads%2F2021%2F08%2FFora-do-discurso-Marcus-Andre-Vieira.pdf&#8221;][vc_column_text]<\/p>\n<h6><strong>Marcus Andr\u00e9 Vieira<\/strong><\/h6>\n<p><strong>O dizer eficaz da an\u00e1lise<\/strong><\/p>\n<p>A passagem abaixo ser\u00e1 o centro da pequena explora\u00e7\u00e3o que segue:<\/p>\n<p>O dizer da an\u00e1lise, na medida em que \u00e9 eficaz, realiza o apof\u00e2ntico, que por sua simples ex-sist\u00eancia, distingue-se da proposi\u00e7\u00e3o. Assim \u00e9 que coloca em seu lugar a fun\u00e7\u00e3o proposicional, posto que, como penso haver mostrado, ela nos d\u00e1 o \u00fanico apoio que supre o ab-senso da rela\u00e7\u00e3o sexual. Esse dizer renomeia-se a\u00ed pelo embara\u00e7o que deixam transparecer [<em>trahissent<\/em>] campos t\u00e3o dispersos [<em>\u00e9parpill\u00e9s<\/em>] quanto o or\u00e1culo e o fora-do-discurso da psicose, atrav\u00e9s do empr\u00e9stimo que lhes faz do termo interpreta\u00e7\u00e3o.<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p>Dif\u00edcil par\u00e1grafo de um dif\u00edcil texto, o \u201cAturdito\u201d, inteiramente tecido por intensos enodamentos textuais como este. Apesar disto \u00e9 passagem bastante conhecida e muitas vezes percorrida em nosso meio por fornecer indica\u00e7\u00f5es precisas sobre a interpreta\u00e7\u00e3o. Nos limites deste artigo, visaremos a rela\u00e7\u00e3o por ela estabelecida entre interpreta\u00e7\u00e3o e psicose.<\/p>\n<p>Antes mesmo de buscar refer\u00eancias que nos ajudem, permita o leitor que prossigamos, para come\u00e7ar, invertendo. \u00c9 o final do par\u00e1grafo que nos interessa. Leiamos, portanto, de tr\u00e1s para frente, recortando o texto da seguinte forma:<\/p>\n<ol>\n<li>O termo \u201cinterpreta\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 tomado de empr\u00e9stimo a campos t\u00e3o dispersos quanto o or\u00e1culo e o fora-do-discurso da psicose para renomear o dizer de uma an\u00e1lise.<\/li>\n<\/ol>\n<ol>\n<li>Esse empr\u00e9stimo deixa transparecer um embara\u00e7o. \u00c9 o embara\u00e7o de apoiar-se na fun\u00e7\u00e3o proposicional para suprir a rela\u00e7\u00e3o sexual.<\/li>\n<li>Desta fun\u00e7\u00e3o distingue-se, por sua ex-sist\u00eancia \u00e0 ela, o apof\u00e2ntico.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"4\">\n<li>Realizar o apof\u00e2ntico \u00e9 o que faz, quando \u00e9 eficaz, o dizer da an\u00e1lise.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Esta montagem introduz uma pontua\u00e7\u00e3o alternativa e at\u00e9 certo ponto her\u00e9tica. Com ela, entretanto, podemos seguir a orienta\u00e7\u00e3o de Lacan: fisgar algum sentido sem nele mergulhar.<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a> Juntando, ent\u00e3o, as pontas, podemos partir do seguinte enunciado: a interpreta\u00e7\u00e3o anal\u00edtica, entre tantos dizeres de uma an\u00e1lise \u00e9 seu dizer eficaz por realizar o apof\u00e2ntico, o que, tal como ocorre na psicose e nos or\u00e1culos, desembara\u00e7a este dizer da fun\u00e7\u00e3o de suprir a rela\u00e7\u00e3o sexual que n\u00e3o existe.<\/p>\n<p><strong>Intercessores<\/strong><\/p>\n<p>Lacan nomeia tr\u00eas <em>intercessores<\/em>, no sentido que J. A. Miller d\u00e1 a este termo, o de submiss\u00e3o parcial a um apoio &#8211; que \u00e9 aproxima\u00e7\u00e3o e analogia, mas tamb\u00e9m contraponto.<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[3]<\/a> S\u00e3o eles: Arist\u00f3teles, o or\u00e1culo e o psic\u00f3tico, ou melhor, a l\u00f3gica aristot\u00e9lica, a decifra\u00e7\u00e3o divinat\u00f3ria e o fora do discurso da psicose.<\/p>\n<p>A articula\u00e7\u00e3o, no ensino de Lacan, entre o apof\u00e2ntico e a interpreta\u00e7\u00e3o j\u00e1 mereceu observa\u00e7\u00f5es precisas de muitos e seria imposs\u00edvel dar-lhes aqui o lugar necess\u00e1rio. Para poder seguir adiante, procederei dogmaticamente, resumindo o que posso formular quanto a este ponto com um m\u00ednimo de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>O termo apof\u00e2ntico \u00e9 utilizado por Arist\u00f3teles para caracterizar uma afirma\u00e7\u00e3o da qual seja poss\u00edvel dizer que \u00e9 verdadeira ou falsa. O mesmo se poderia dizer do termo \u201cproposi\u00e7\u00e3o\u201d em um sentido geral. Lacan, por\u00e9m, institui no seio do universo das proposi\u00e7\u00f5es uma oposi\u00e7\u00e3o entre o apof\u00e2ntico e o modal, fazendo-a recobrir sua distin\u00e7\u00e3o entre desejo e demanda. Ambos s\u00e3o enunciados pass\u00edveis de um valor de verdade ou falsidade, no entanto, enquanto o modal diz respeito \u00e0 demanda, o apof\u00e2ntico \u00e9 o dito que incide sobre a causa do desejo. O apof\u00e2ntico afirma aquilo que \u201c\u00e9\u201d, as outras proposi\u00e7\u00f5es falam do que \u201cpode ser\u201d caso isso ou aquilo aconte\u00e7a.<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[4]<\/a><\/p>\n<p>A interpreta\u00e7\u00e3o est\u00e1, portanto, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 proposi\u00e7\u00e3o, articulada ao que parece exceder o valor de sentido de um dito, sendo entretanto, um dito. \u00c9 radical, vazia de sentido, mas n\u00e3o, em si silenciosa ou m\u00edstica (se por este termo entende-se algo de que, n\u00e3o podendo se falar deve ser calado). Dessa forma, se ela se relaciona com o oracular, n\u00e3o o ser\u00e1 pelo transe, ou mantra. O dito apof\u00e2ntico \u00e9 mais absoluto que silencioso. Enquanto o modal \u00e9 a demanda da <em>prece<\/em>, o apof\u00e2ntico \u00e9 a certeza da <em>profecia<\/em>.<\/p>\n<p>Concluamos esse brev\u00edssimo percurso com rela\u00e7\u00e3o aos dois primeiros intercessores de Lacan para que possamos nos dedicar ao terceiro.<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[5]<\/a> Em qu\u00ea a indica\u00e7\u00e3o sobre o fora do discurso da psicose pode nos ajudar a entender o dizer da interpreta\u00e7\u00e3o como dizer eficaz?<\/p>\n<p><strong>Ilumina\u00e7\u00e3o espec\u00edfica<\/strong><\/p>\n<p>\u201cInterpreta\u00e7\u00e3o\u201d n\u00e3o tem na tradi\u00e7\u00e3o alem\u00e3 da psiquiatria o mesmo destaque que na escola francesa onde S\u00e9rieux et Capgras cunharam, por exemplo, o del\u00edrio de interpreta\u00e7\u00e3o. Nele, ela \u00e9 um racioc\u00ednio falso que se desenvolve com uma capacidade de raciocinar intacta. Suas premissas \u00e9 que s\u00e3o err\u00f4neas por conta de \u201ctend\u00eancias da afetividade\u201d que perturbam o pensamento e levam a indu\u00e7\u00f5es e dedu\u00e7\u00f5es patologicamente falseadas.<a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\">[6]<\/a> O equipamento de atribui\u00e7\u00e3o de sentido, assim como a aparelhagem da senso-percep\u00e7\u00e3o estariam preservados, concep\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m evidente na defini\u00e7\u00e3o de Kraepelin da paran\u00f3ia.<a href=\"#_edn7\" name=\"_ednref7\">[7]<\/a><\/p>\n<p>O essencial vai se articular, portanto, a esta falha fundamental por onde irrompe a patologia e que, perturbando os funcionamentos normais da vida ps\u00edquica, levaria \u00e0s formas clinicamente observ\u00e1veis da psicose. Este n\u00facleo b\u00e1sico da loucura, grau zero de sua forma psicopatol\u00f3gica ser\u00e1 delimitado de v\u00e1rias maneiras: \u201cViv\u00eancias delirantes prim\u00e1rias\u201d, como o denomina Karl Jaspers; \u201cpercep\u00e7\u00e3o delirante\u201d em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201crepresenta\u00e7\u00e3o delirante\u201d, como tende a proceder a tradi\u00e7\u00e3o alem\u00e3; ou ainda \u201cintui\u00e7\u00e3o delirante\u201d em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201cinterpreta\u00e7\u00e3o\u201d.<a href=\"#_edn8\" name=\"_ednref8\">[8]<\/a><\/p>\n<p>Lacan avan\u00e7a neste debate desde sua tese. Ele segue estas distin\u00e7\u00f5es sem, no entanto, nelas centrar seu argumento. Visa delimitar o ponto central do del\u00edrio e, neste sentido, o termo geral \u201cinterpreta\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 t\u00e3o bom quanto qualquer outro. Importa, sobretudo, localiz\u00e1-la como \u201cexperi\u00eancia surpreendente\u201d, uma \u201cilumina\u00e7\u00e3o espec\u00edfica\u201d, de \u201cparentesco indiscut\u00edvel com os sentimentos de estranheza inef\u00e1vel, de <em>d\u00e9j\u00e0<\/em> <em>vu<\/em>, de <em>jamais vu<\/em>, de <em>fausse reconnaissannce<\/em>\u201d etc.<a href=\"#_edn9\" name=\"_ednref9\">[9]<\/a><\/p>\n<p>No <em>Semin\u00e1rio 3<\/em> ele prossegue, a partir das mesmas premissas, na descri\u00e7\u00e3o disto que \u00e9 ilumina\u00e7\u00e3o, mas sempre localizada e especificamente definida com a express\u00e3o: \u201cinterpreta\u00e7\u00e3o elementar\u201d. Crucial ser\u00e1 o termo \u201celementar\u201d, indicando uma base prim\u00e1ria que pode vir a ser elaborada, articulada a outras experi\u00eancias, mas que, em si, \u00e9 imposs\u00edvel de \u201cintegrar em um di\u00e1logo\u201d, pois \u201co fen\u00f4meno est\u00e1 fechado a toda composi\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica\u201d.<a href=\"#_edn10\" name=\"_ednref10\">[10]<\/a><\/p>\n<p>O termo \u201cinterpreta\u00e7\u00e3o\u201d designa a esta altura o elementar do del\u00edrio, mas tamb\u00e9m \u201cintui\u00e7\u00e3o\u201d, definida de modo an\u00e1logo a partir da ruptura que representa. \u00c9 um \u201cfen\u00f4meno pleno, que tem para o sujeito um car\u00e1ter submergente, inundante\u201d suas formas b\u00e1sicas, o enigma e a repeti\u00e7\u00e3o,<em> \u201c<\/em>p\u00e1ram a significa\u00e7\u00e3o\u201d. Assim como a interpreta\u00e7\u00e3o, a intui\u00e7\u00e3o delirante \u00e9 um \u201cchumbo na malha\u201d, na rede do discurso do sujeito.<a href=\"#_edn11\" name=\"_ednref11\">[11]<\/a><\/p>\n<p><strong>Fen\u00f4meno elementar <\/strong><\/p>\n<p>Seja como interpreta\u00e7\u00e3o ou como intui\u00e7\u00e3o o que importa \u00e9 a \u201ccaracter\u00edstica estrutural\u201d de ilumina\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, marco organizador do campo do sentido. \u00c9 preciso n\u00e3o perder de vista seus v\u00ednculos com um registro fundamental que organiza as viv\u00eancias em vez de ser, ele pr\u00f3prio, viv\u00eancia. Para designar estes n\u00facleos centrais da experi\u00eancia da psicose Lacan adotar\u00e1 uma express\u00e3o que elimina qualquer men\u00e7\u00e3o \u00e0 compreens\u00e3o, \u00e0 atribui\u00e7\u00e3o de sentido e que tomar\u00e1 de empr\u00e9stimo a Cl\u00e9rambault. \u00c9 seu c\u00e9lebre \u201cfen\u00f4meno elementar\u201d.<\/p>\n<p>Para a psiquiatria importava distinguir entre o que se apresentava como imediato e o que se caracterizava como leitura, secund\u00e1ria, do fen\u00f4meno perceptivo. No entanto, ambos os fen\u00f4menos evidenciados no campo do vivido, digamos, psicol\u00f3gico, opunham-se a uma \u201ccausa interna\u201d no dizer de Kraepelin. O \u201cinterno\u201d, aqui, define na verdade uma exterioridade a este campo, um \u201cfora do vivido\u201d, algo \u201canid\u00eaico\u201d, localizado, por exemplo, pelo termo \u201corg\u00e2nico\u201d. Em outros tempos, os psiquiatras contentavam-se em supor uma vaga \u201ccausa interna\u201d nos termos de Kraepelin, ou uma \u201cirrita\u00e7\u00e3o serpiginosa\u201d, nos de Cl\u00e9rambault, para o fundamento org\u00e2nico dos fen\u00f4menos ps\u00edquicos. Apesar da enorme dist\u00e2ncia que os separa da psiquiatria neurol\u00f3gica de hoje o ponto de vista \u00e9 o mesmo, pois esta \u00faltima situa nas fragilidades gen\u00e9ticas ou em altera\u00e7\u00f5es da taxa de neurotransmissores suas causas. Migrando para o laborat\u00f3rio, ela assenhora-se da causa. As causas, agora transmissores, receptores e sinapses, se tornam objetivamente acess\u00edveis e relativamente manipul\u00e1veis. Mantemo-nos, contudo, a anos-luz da experi\u00eancia subjetiva e da possibilidade de uma interven\u00e7\u00e3o cl\u00ednica.<a href=\"#_edn12\" name=\"_ednref12\">[12]<\/a><\/p>\n<p>E Lacan? Sua posi\u00e7\u00e3o \u00e9 clara: os psiquiatras acertaram ao produzir descri\u00e7\u00f5es t\u00e3o precisas do ponto em que o fen\u00f4meno elementar emerge. Ele se imp\u00f5e em ruptura com o plano do sentido tanto para quem o observa quanto para o pr\u00f3prio sujeito que o vive. Este \u00e9 o paradoxo que Lacan busca desdobrar com seu fen\u00f4meno elementar. Ele se d\u00e1 no campo do sentido, mas neste campo \u00e9 ruptura, pois \u201cse situa no plano da compreens\u00e3o como fen\u00f4meno incompreens\u00edvel\u201d.<a href=\"#_edn13\" name=\"_ednref13\">[13]<\/a> \u00c9 preciso, segundo ele, seguir Jaspers e desconsiderar as causalidades psicol\u00f3gicas. \u00c9 preciso abandonar qualquer esperan\u00e7a de que, com empatia, introspec\u00e7\u00e3o ou psicologia possamos compreender o que est\u00e1 em curso. Dito de outro modo, o fen\u00f4meno elementar n\u00e3o se explica.<a href=\"#_edn14\" name=\"_ednref14\">[14]<\/a> Neste momento, por\u00e9m, em lugar de se afastar do concreto da experi\u00eancia e partir em dire\u00e7\u00e3o aos laborat\u00f3rios, \u00e0 sociologia ou \u00e0 filosofia, como faz o pr\u00f3prio Jaspers, Lacan n\u00e3o perde de vista o sujeito que est\u00e1 tomado pelo fen\u00f4meno e que, mesmo experimentando-o como absoluta ruptura, busca reestruturar-se para fazer suas viv\u00eancias caberem dentro de seus postulados.<a href=\"#_edn15\" name=\"_ednref15\">[15]<\/a><\/p>\n<p><strong>Interpretar?<\/strong><\/p>\n<p>Este ponto de aparente paradoxo em que algo fora do sentido se d\u00e1 dentro do sentido resolve-se com a distin\u00e7\u00e3o entre \u201cfora do discurso\u201d e \u201cfora da linguagem\u201d, impl\u00edcita na passagem do \u201cAturdito\u201d que nos interessa. A interpreta\u00e7\u00e3o, assim como o fen\u00f4meno elementar \u00e9 chumbo na malha e neste sentido \u00e9 apof\u00e2ntica, mas \u00e9 proposi\u00e7\u00e3o; \u00e9 fora do sentido, mas \u00e9 fala; n\u00e3o \u00e9 significado, mas \u00e9 significante e finalmente, ela \u00e9 fora do discurso, mas isso n\u00e3o significa que seja fora da linguagem.<a href=\"#_edn16\" name=\"_ednref16\">[16]<\/a><\/p>\n<p>O inconsciente est\u00e1 estruturado a partir de significantes e n\u00e3o de significados. Aqueles se repetem, estes s\u00e3o sempre vari\u00e1veis e continuamente reelaborados, em uma articula\u00e7\u00e3o an\u00e1loga a que prop\u00f5e Lacan entre o fen\u00f4meno elementar e o del\u00edrio. Neste sentido, podemos aproximar os <em>insights<\/em> e s\u00ednteses que o neur\u00f3tico realiza quotidianamente com o del\u00edrio na psicose, assim como os fen\u00f4menos elementares com os significantes-mestres de uma hist\u00f3ria. Apenas neste plano, <em>latu sensu<\/em>, podemos falar em del\u00edrio generalizado, desde que n\u00e3o esque\u00e7amos que o termo \u201cdel\u00edrio\u201d aqui n\u00e3o tem a mesma significa\u00e7\u00e3o que na psiquiatria e nem mesmo na da express\u00e3o \u201cdel\u00edrio na psicose\u201d.<a href=\"#_edn17\" name=\"_ednref17\">[17]<\/a><\/p>\n<p>O importante \u00e9 ressaltar o quanto a posi\u00e7\u00e3o de Lacan permite localizar a compreens\u00e3o em seu lugar. N\u00e3o buscaremos compreender o fen\u00f4meno psic\u00f3tico, nada ganhar\u00edamos em tentar encapsular pelo sentido um fen\u00f4meno que \u00e9 preliminar a todo sentido poss\u00edvel. Em compensa\u00e7\u00e3o, mantendo-nos no plano da linguagem e seguindo ao p\u00e9 da letra o que se diz e ouve na experi\u00eancia subjetiva, podemos participar do trabalho artesanal de ordena\u00e7\u00e3o que realiza o psic\u00f3tico, dentre o que vive, entre o que poder\u00e1 ou n\u00e3o ser tomado como viv\u00eancia sua e que abre as portas a uma composi\u00e7\u00e3o nova entre o que se apresenta para ele nestes diferentes registros. Este trabalho, aproximado do secretariado em uma met\u00e1fora c\u00e9lebre de Lacan, segue o modo como ele situa a interpreta\u00e7\u00e3o do sonho: ao p\u00e9 da letra. Nada de buscar o que o sonho quer dizer, seu sentido oculto, mas apenas rearticular o que, ali, foi dito.<a href=\"#_edn18\" name=\"_ednref18\">[18]<\/a><\/p>\n<p>A interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 corte, de acordo. Por\u00e9m, se ela \u00e9 ruptura com a ordem do sentido \u00e9 tamb\u00e9m apresenta\u00e7\u00e3o das balizas significantes que ordenam esta ordem para um sujeito. A interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 furo (no sentido), mas igualmente presen\u00e7a que sustenta uma certeza. No plano do discurso e da significa\u00e7\u00e3o compartilhada tudo pode ser interpretado e reinterpretado. Algo, por\u00e9m, est\u00e1 marcado \u201ccom o ferro do significante\u201d na carne de cada um e quanto a isso n\u00e3o h\u00e1 o que discutir, apenas nomear, tornando dispon\u00edvel aquilo que j\u00e1 estava l\u00e1, mas n\u00e3o podia se dizer. Essa \u00e9 a interpreta\u00e7\u00e3o anal\u00edtica. Nos termos de Lacan: \u201cA interpreta\u00e7\u00e3o s\u00f3 rompe o discurso para parir a fala\u201d.<a href=\"#_edn19\" name=\"_ednref19\">[19]<\/a><\/p>\n<p>A fala analisante, nos momentos em que \u00e9 este dizer eficaz, esvazia a suposi\u00e7\u00e3o neur\u00f3tica de uma fun\u00e7\u00e3o proposicional \u00fanica que ordenaria o sentido de todas as proposi\u00e7\u00f5es de um sujeito. Ex-siste a elas por assinalar os marcos zero de toda hist\u00f3ria poss\u00edvel para um sujeito. \u00c9 o que destaca com vigor o \u00faltimo ensino de Lacan, em que a interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 definida por Miller \u201ccomo fazer soar outra coisa que n\u00e3o o sentido\u201d.<a href=\"#_edn20\" name=\"_ednref20\">[20]<\/a> Ela \u00e9 a base necess\u00e1ria para que se possa fazer soar este grau zero do sintoma, permitindo que se atinja, a partir da\u00ed, uma nova satisfa\u00e7\u00e3o. \u00c9 o que est\u00e1 realmente em jogo no ato anal\u00edtico. Ser\u00e1 poss\u00edvel? Nesta arte incerta reside a aposta de uma an\u00e1lise.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6>Texto anteriormente publicado em: Vieira, M. A. Fora do discurso. In: Batista, Maria do Carmo Dias; Laia, S\u00e9rgio (org). <em>Todo mundo delira.<\/em> Belo Horizonte: Scriptum Livros, 2010. p. 243-252. Agradecemos a autoriza\u00e7\u00e3o gentil do autor.<\/h6>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">\u00a8<\/a>Este texto n\u00e3o seria poss\u00edvel sem o trabalho coletivo do Semin\u00e1rio \u201cResson\u00e2ncias\u201d, realizado na EBP-Rio. M\u00e1rcio Moreno incumbiu-se da pesquisa preliminar do tema, a partir de minhas indica\u00e7\u00f5es de leitura. A maior parte das refer\u00eancias textuais foram selecionadas por ele a quem este texto deve este embasamento essencial. Agrade\u00e7o empenhado a ele a aos participantes do semin\u00e1rio.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a> Lacan, J, \u201cO Aturdito\u201d, <em>Outros Escritos<\/em>, Rio de Janeiro, JZE, 2003, pp. 491-492.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a> Cf. Lacan, J. \u201cTelevis\u00e3o\u201d, <em>op. cit.<\/em>, p. 525. EM outros termos evitamos o pecado de abrir as portas de uma leitura sem defini-la de sa\u00edda (fechando-a antes mesmo de entrar).<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[3]<\/a> Miller, J. A. \u201cPe\u00e7as avulsas\u201d, <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, n. 44<\/em>, S\u00e3o Paulo, EBP, Nov. 2005, p. 18. Cf. tamb\u00e9m \u201cNota passo a passo, <sub>\u00a0\u00a7<\/sub>1\u201d in. Lacan J, <em>O semin\u00e1rio, livro 23<\/em>, Rio de Janeiro, JZE, 2007, p. 199.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[4]<\/a> \u201cDigo que um dizer se especifica pela demanda, cujo estatuto l\u00f3gico \u00e9 da ordem do modal, e que a gram\u00e1tica o atesta. Um outro dizer, segundo entendo, \u00e9 ali privilegiado: \u00e9 a interpreta\u00e7\u00e3o, que, por sua vez, n\u00e3o \u00e9 modal, mas apof\u00e2ntica. Acrescento que, no registro da l\u00f3gica de Arist\u00f3teles, ela \u00e9 particular, por concernir ao sujeito dos ditos particulares, que s\u00e3o \u00be <em>n\u00e3otodos <\/em>[<em>ne sont <\/em>pastous] (associa\u00e7\u00e3o livre) \u00be ditos modais (a demanda, entre outros). A interpreta\u00e7\u00e3o, como formulei na \u00e9poca, concerne \u00e0 causa do desejo, causa que ela revela, e isso pela demanda, que envolve com seu modal o conjunto dos ditos\u201d (Lacan, J., o<em>p. cit.<\/em>, p. 474). Para o apof\u00e2ntico em Arist\u00f3teles, cf. Lalande, A. <em>Vocabulaire technique et critique de La philosophie,<\/em> verbetes\u00a0: \u00ab\u00a0fonction propositionele\u00a0\u00bb e \u00ab\u00a0apophantique\u00a0\u00bb, Paris, PUF, 1992 (1a ed. 1926).<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[5]<\/a> Remeto o leitor a uma obra de refer\u00eancia sobre a interpreta\u00e7\u00e3o no ensino de Lacan, cf. AMP, <em>Os poderes da palavra<\/em>, Rio de Janeiro, JZE, 1996, por exemplo, p. 356.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\"><\/a><sup>6<\/sup>\u201c[A interpreta\u00e7\u00e3o] \u00c9 um racioc\u00ednio falso que tem como ponto de partida uma, uma sensa\u00e7\u00e3o real, um fato aut\u00eantico, o qual, em virtude de associa\u00e7\u00f5es de id\u00e9ias ligadas a tend\u00eancias e a afetividade, e com a ajuda de indu\u00e7\u00f5es ou de dedu\u00e7\u00f5es err\u00f4neas, adquire uma significa\u00e7\u00e3o pessoal para o enfermo, invencivelmente compelido a relacionar tudo consigo mesmo (cf. S\u00e9rieux, Paul, <em>Les folies raisonnantes<\/em>, <em>Le d\u00e9lire d\u2019interpr\u00e9tation<\/em>,Paris, Alcan, 1909, in: <a href=\"http:\/\/web2.bium.univ-paris5.fr\/livanc\/?cote=61092&amp;do=chapitre\">http:\/\/web2.bium.univ-paris5.fr\/livanc\/?cote=61092&amp;do=chapitre<\/a>, acesso em 10-07-2010.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref7\" name=\"_edn7\">[7]<\/a> \u201cA paran\u00f3ia se caracteriza pelo insidioso desenvolvimento, sob a depend\u00eancia de causas internas e segundo uma evolu\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, de um sistema delirante duradouro e inabal\u00e1vel, que se instaura mantendo-se ao mesmo tempo inteiramente conservadas a ordem e a clareza do pensamento, al\u00e9m da vontade e da a\u00e7\u00e3o.\u201d (Kraepelin, E. apud Bercherie, P. <em>Histoire et Structure du savoir psychiatrique<\/em>, Paris Navarin, 1980, p. 118\u00a0; publicado em portugu\u00eas como \u00ab\u00a0Os fundamentos da cl\u00ednica, Rio de Janeiro, JZE, 1989).<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref8\" name=\"_edn8\">[8]<\/a>Cf. Jaspers, K. <em>Psicopatologia General<\/em>, Buenos Aires, A. Bini y Cia. 1955, p. 121 e Guelfi, J. D. <em>Psychiatrie de l\u2019Adulte<\/em>, Paris, Ellipses, 1988, p. 54.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref9\" name=\"_edn9\">[9]<\/a> \u201cPrecisemos as caracter\u00edsticas pr\u00f3prias \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o delirante (&#8230;). Ela se apresenta (&#8230;) como uma experi\u00eancia surpreendente, como uma ilumina\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, caracter\u00edstica que os antigos autores, cuja vis\u00e3o nenhuma teoria psicol\u00f3gica encobria, tinham no horizonte, quando designavam este sintoma pelo termo excelente de fen\u00f4meno de \u201csignifica\u00e7\u00e3o pessoal\u201d. \u00c9 indiscut\u00edvel seu parentesco com os sentimentos de estranheza inef\u00e1vel, de <em>d\u00e9j\u00e0<\/em> <em>vu<\/em>, de <em>jamais vu<\/em>, de <em>fausse reconnaissannce <\/em>etc.\u201d (Lacan, J. <em>Da Psicose Paran\u00f3ica em suas rela\u00e7\u00f5es com a Personalidade<\/em>, p. 209).<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref10\" name=\"_edn10\">[10]<\/a> \u201cTomemos a interpreta\u00e7\u00e3o elementar. Ela comporta sem d\u00favida um elemento de significa\u00e7\u00e3o, mas esse elemento \u00e9 repetitivo, ele procede por reitera\u00e7\u00f5es. Pode acontecer que o sujeito o elabore, mas o que h\u00e1 de garantido \u00e9 que ele permanecer\u00e1, durante certo tempo ao menos, sempre se repetindo, com o mesmo sinal de interroga\u00e7\u00e3o que ele comporta, sem que nunca lhe seja dada nenhuma resposta, nenhuma tentativa de integr\u00e1-lo em um di\u00e1logo. O fen\u00f4meno est\u00e1 fechado a toda composi\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica.\u201d (Lacan, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 3<\/em>, Rio de Janeiro, JZE, 1985, p. 32).<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref11\" name=\"_edn11\">[11]<\/a> \u201cA intui\u00e7\u00e3o delirante \u00e9 um fen\u00f4meno pleno, que tem para o sujeito um car\u00e1ter submergente, inundante. Ela lhe revela uma perspectiva nova cujo cunho original e cujo sabor particular ele sublinha, como Schreber, quando fala da l\u00edngua fundamental na qual ele foi introduzido por sua experi\u00eancia. Ali, a palavra \u2013 com sua \u00eanfase plena, como dizem a palavra do enigma \u2013 \u00e9 a alma da situa\u00e7\u00e3o. Em oposi\u00e7\u00e3o, h\u00e1 a forma que a significa\u00e7\u00e3o toma quando n\u00e3o remete a mais nada. \u00c9 a f\u00f3rmula que se repete, que se reitera, que se repisa com uma insist\u00eancia estereotipada. \u00c9 o que poderemos chamar, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 palavra, o ritornelo<em>. <\/em>Essas duas formas, a mais plena e a mais vazia, param a significa\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma esp\u00e9cie de chumbo na malha, na rede do discurso do sujeito. Caracter\u00edstica estrutural a que, j\u00e1 na abordagem cl\u00ednica, reconhecemos a assinatura do del\u00edrio.\u201d (<em>Ibid. <\/em>p. 44).<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref12\" name=\"_edn12\">[12]<\/a> Cf. Bercherie, <em>op. cit<\/em>. p. 205.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref13\" name=\"_edn13\">[13]<\/a> Lacan, J. <em>op. cit.<\/em> p. 31.\u00a0 Cf. tamb\u00e9m: \u201cTrata-se de coisas que em si mesmas j\u00e1 se fazem compreender. E em conseq\u00fc\u00eancia, nos sentimos com efeito em condi\u00e7\u00f5es de compreender. \u00c9 a partir da\u00ed que nasce a ilus\u00e3o \u2013 j\u00e1 que se trata da compreens\u00e3o, compreendemos. Pois bem, de fato, n\u00e3o\u201d (<em>Ibid)<\/em>.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref14\" name=\"_edn14\">[14]<\/a> Lembrando que \u00ab\u00a0explicar\u00a0\u00bb \u00e9 utilizado em um sentido oposto ao de Jaspers que justamente op\u00f5e a compreens\u00e3o \u00e0 explica\u00e7\u00e3o.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref15\" name=\"_edn15\">[15]<\/a> Para a aproxima\u00e7\u00e3o e ruptura de Lacan com Jaspers cf. Leguil, F. \u201cLacan avec et contre\u00a0 Jaspers\u201d, <em>Ornicar? vol. 48<\/em>, Paris, Navarin, 1989, pp. 5-23.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref16\" name=\"_edn16\">[16]<\/a> Cf. a discuss\u00e3o sobre o fen\u00f4meno elementar em que J. A. Miller o define como um axioma e estabelece uma aproxima\u00e7\u00e3o entre alucina\u00e7\u00e3o e interpreta\u00e7\u00e3o: no plano dos fen\u00f4menos eles se op\u00f5em, pois a interpreta\u00e7\u00e3o parece secund\u00e1ria, no plano da estrutura, por\u00e9m, ambos s\u00e3o axiomas elementares (Miller, J. A. <em>El saber delirante, <\/em>Buenos Aires, Paid\u00f3s, 2005, pp. 82. e 89).<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref17\" name=\"_edn17\">[17]<\/a> Cf. Miller, J. A. \u201cCl\u00ednica universal do del\u00edrio\u201d (para um pequeno hist\u00f3rico do tema do del\u00edrio generalizado introduzido por Miller em seu Curso, cf. meu texto \u201cDa ironia \u00e0 inven\u00e7\u00e3o\u201d, publicado em <em>Arquivos da bilioteca n. 7<\/em>. Rio de Janeiro, EBP-Rio, 2009.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref18\" name=\"_edn18\">[18]<\/a> S\u00f3 assim poderemos construir um novo dito, que Freud batiza \u201cpensamento do sonho\u201d. Esse dizer reler\u00e1 o pensamento manifesto sem substitu\u00ed-lo, mas sim, compondo com ele um novo texto. Cf., por exemplo, Lacan., J. \u201cA dire\u00e7\u00e3o do tratamento\u201d, <em>Escritos<\/em>, Rio de Janeiro, JZE, 1998, da p. 598 em diante e, sobretudo, p. 626.\u00b4<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref19\" name=\"_edn19\">[19]<\/a> \u201cLacan, J. Fun\u00e7\u00e3o e campo&#8230;\u201d, <em>op. cit<\/em>., p. 315.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref20\" name=\"_edn20\">[20]<\/a> Miller, J. A. <em>Perspectivas do Semin\u00e1rio 23 de Lacan, O sinthoma<\/em>, Rio de Janeiro, JZE, 2010, p. 183.<\/h6>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_btn title=&#8221;Downlod PDF&#8221; color=&#8221;juicy-pink&#8221; size=&#8221;xs&#8221; i_icon_fontawesome=&#8221;fas fa-file-pdf&#8221; add_icon=&#8221;true&#8221; link=&#8221;url:http%3A%2F%2Febpbahia.com.br%2Fjornadas%2F2021%2Fwp-content%2Fuploads%2F2021%2F08%2FFora-do-discurso-Marcus-Andre-Vieira.pdf&#8221;][vc_column_text] Marcus Andr\u00e9 Vieira O dizer eficaz da an\u00e1lise A passagem abaixo ser\u00e1 o centro da pequena explora\u00e7\u00e3o que segue: O dizer da an\u00e1lise, na medida em que \u00e9 eficaz, realiza o apof\u00e2ntico, que por sua simples ex-sist\u00eancia, distingue-se da proposi\u00e7\u00e3o. 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